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Cazuza

Um olhar com o distanciamento do tempo sobre o cantor e compositor que morria há trinta anos e deixava marcas profundas na música brasileira

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Texto por Henrique Crespo

Fotos: Reprodução

E completam-se 30 anos sem Cazuza. Foi em 1990, numa manhã de sábado, no dia 7 de julho, que Agenor de Miranda Araújo Neto foi atropelado pelo trem da morte. O trem que cantou com voz falhando, em “Cobaias de Deus”, faixa de Burguesia, o álbum-despedida.  Lucinha Araújo, sua mãe, conta no livro Cazuza – Só as Mães São Felizes(escrito em parceria com a jornalista Regina Echeverria e publicado pela Editora Globo), que, na véspera, o filho a chamou com um fiapo de voz: “Mamãe, estou morrendo…”. Ela reagiu, indignada, dizendo para ele que não devia falar essas coisas. “Porra, mãe, eu tô morrendo é de fome. O que tem para rangar?”, o filho retrucou. Uma cena com a cara dele.

Caso a gente embarque nos exercícios especulativos sobre a possível vida presente de um artista que já morreu, como imaginar Cazuza nos dias de hoje? Difícil cravar o que diria ou como se posicionaria. Afinal, era um cara completamente imprevisível. Mas dá para apostar que aquela figura inquieta não caberia no Brasil atual.

O jovem tipicamente carioca, nascido e criado na zona sul, parte privilegiada da cidade partida, encontrou e se encontrou na música. A essa altura, todo mundo conhece a história que conta que Léo Jaime apresentou o amigo como candidato a vocalista da vaga que antes lhe fora oferecida, no recém-formado Barão Vermelho. Iniciava ali uma trajetória artística curta (de 1981 a 1990), mas impossível de ignorar. Algo como um fenômeno da natureza que passa causando efeito e deixando memória.

Cantor de voz rascante e bluesy, performer de formação teatral – e, no meio disso, o que se impunha, era sua verve letrista. Gravadas com o Barão, na carreira solo e por outros artistas. Deixou pouco mais de uma centena de registros, sem contar os vários poemas que ainda estão no baú e, quem sabe, ainda se transformarão em novas canções. Essas criações, na grande maioria em parceria com outros compositores, estão todas publicadas no livro compilação Preciso Dizer que te Amo (tamém assinado por Lucinha e Regina Echeverria, também editado pela Globo). Uma obra nem tão numerosa e nem tão pouca, porém de tamanho imensurável.

Um jogo divertido ao se embrenhar nela é pescar alguns versos e isolá-los. Funcionam como frases de impacto. É possível imaginá-las em camisetas, em postagens de rede sociais, até em cartazes de manifestações. Alguns deles parecem conter um livro inteiro de significados e reflexões. Tudo sem nunca deixar de soar como algo possivelmente dito numa mesa de bar. “Eu quero a sorte de um amor tranquilo/ Com sabor de fruta mordida/ Nós na batida no embalo da rede/ Matando a sede na saliva” (“Todo Amor que Houver Nessa Vida”, de Cazuza e Frejat); “Mais uma dose?/ É claro que eu estou a fim/ A noite nunca tem fim/ Por quê que a gente é assim?” (“Por que a Gente é Assim?”, de Cazuza, Frejat e Ezequiel Neves); “Nadando contra a corrente/ Só pra exercitar/ Todo o músculo que sente” (“Por Dia Nascer Feliz”, de Cazuza e Frejat); e “Raspas e restos/ Me interessam/ Pequenas poções de ilusão/ Mentiras sinceras me interessam” (“Maior Abandonado”, de Cazuza e Frejat), algumas entre tantas da época do Barão Vermelho, ilustram isso. Também da fase solo dá para pinçar trechos quase que aleatoriamente. “Não escondam suas crianças/ Nem chamem o síndico/ Nem chamem a polícia/ Nem chamem o hospício, não/ Eu não posso causar mal nenhum/ A não ser a mim mesmo” (“Mal Nenhum”, de Cazuza e Lobão); “As possibilidades de felicidade/ São egoístas, meu amor/ Viver a liberdade, amar de verdade/ Só se for a dois” (“Só se For a Dois”, de Cazuza e Rogério Meanda); “Meus heróis morreram de overdose/ Meus inimigos estão no poder/ Ideologia/ Eu quero uma pra viver” (“Ideologia”, de Cazuza e Frejat); “Vamos pedir piedade/ Senhor, piedade!/ Pra essa gente careta e covarde/ Vamos pedir piedade/ Senhor, piedade!/ Lhes dê grandeza e um pouco de coragem” (“Blues da Piedade”, de Cazuza e Frejat); e “Brasil mostra tua cara/ Quero ver quem paga pra agente ficar assim/ Brasil, qual o teu negócio?/ O nome do teu sócio?/ Confia em mim” (“Brasil”, de Cazuza, George Israel e Nilo Romero) são outros. E paramos por aqui porque a lista é grande.

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Foi no final de julho de 1985, na porta da gravadora Som Livre, pouco antes do Barão assinar o contrato para o quarto disco, que Cazuza comunicou sua saída. O filho único de João e Lucinha Araújo não parecia mais disposto a dividir atenção com uma banda e caiu fora, justamente quando o quinteto tinha virado um grande sucesso nacional. Maior Abandonado, o terceiro álbum deles, já estava com 100 mil cópias vendidas, quando o vocalista anunciou que estava fora. Mais uma cena com a cara dele.

Começava, então, o que podemos identificar como segunda fase da carreira de Caju (apelido que ganhara dos amigos). No mesmo ano da separação, lançou Exagerado, álbum que registrou três composições que – segundo o livro BRock – O Rock Brasileiro dos Anos 80, de Arthur Dapieve (Editora 34) – seriam gravadas no novo do Barão, caso tivessem seguindo o plano original. São elas “Boa Vida”, “Só as Mães São Felizes” e “Rock da Descerebração”, todas assinadas ao lado de Frejat – parceria esta que, desde o início, rendeu vários hits e clássicos e ainda iria se estender por toda a carreira do Cazuza. O álbum que lançou em 1987, Só se For a Dois, é uma espécie de continuação do primeiro solo. Ou seja, discos que ainda não definem com precisão o lugar do cantor e compositor no cenário da música brasileira. Claro que já deixavam explícito que o cara, mesmo solo – nunca sozinho, pois estabeleceu parcerias criativamente produtivas – estava acima da média. Os dois trabalhos renderam sucessos nacionais, momentos brilhantes e um repertório que ganhou versões e regravações de outros artistas. Por outro lado, ficam no meio do caminho entre deixar ou não o rock’n’roll pra trás.

Com Ideologia, Caju achou seu lugar, ou melhor, criou o seu lugar. O álbum de 1988 fincava a obra de Cazuza no cenário artístico brasileiro. É discoteca básica, é o clássico, o disco que achou o som do artista. Aquele que usa o rock com a conveniência maquiavélica, mas em essência é totalmente desprendido dessa fronteira. Não se faz nele um rock que se mistura à música brasileira, movimento que se anunciava nesse fim dos 80, mas sim uma MPB com linguagem pop que sabe fazer uso estratégico do rock. Sem falar no discurso, que é oportuno e afinado com o tempo. Gerou mais hits e clássicos.

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O disco ao vivo, lançado em 1989, é, provavelmente, a necessidade dele de sublinhar esse lugar. De brinde luxuoso, uma inédita. “O Tempo Não Pára”, canção que dá nome ao álbum e parceria de Cazuza com Arnaldo Brandão, é um torpedo certeiro, que pega a ideia de que a História se repete e manda um recado contundente, com reflexão nada leve sobre a vida. Uma música cheia de versos de forte impacto. O álbum é um registro da turnê do álbum anterior. Tour esta que foi um sucesso, mas rendeu muitas situações de tensão. Caju estava em tratamento, fazia algum tempo que  tinha sido diagnosticado com o HIV. E isso somado ao álcool e drogas, o deixava mais incontrolável ainda, como conta a mãe, no já antes citado livro Só as Mães são Felizes. Lucinha também diz que o filho declarou que, por não acreditar em vida depois da morte, queria viver todo o possível, chegar às últimas consequências. Nesse clima, Cazuza cuspiu – como protesto contextualizado – numa bandeira brasileira que foi jogada no palco. A repercussão na imprensa foi grande e nada boa. O mesmo livro lembra um fato curioso, mas que diz muito sobre o momento: a cuspida de Caju fez com que O Estado de São Paulo proibisse o nome do artista em suas páginas. Impossível não conectar isso com o fato de que neste show (e nesta turnê) Cazuza cantou “Brasil”, o sucesso que traz os seguintes versos: “Grande pátria desimportante/ Em nenhum instante eu vou te trair”.

O disco seguinte nasceu com o cantor e compositor já bastante debilitado de saúde. Burguesia é um legítimo e comovente registro do momento. Entre vinte canções, apenas quatro delas não traziam a assinatura dele. Foi lançado como álbum duplo. Irregular, com imperfeições, mas muito sincero e com alguns momentos arrepiantes, como a citada “Cobaia de Deus” (de Cazuza e Ângela Ro Rô) e “Quando Eu Estiver Cantando” (de Cazuza e João Rebouças). Um disco de despedida, carregado de honestidade.

Teve ainda Por Aí…, lançado em 1991. Como todo disco póstumo, é retalhado. São sobras de gravações de outros álbuns. A música que dá título ao álbum é uma nova versão da faixa do primeiro lançamento do Barão Vermelho. Aqui tem também o Cazuza em sua onda intérprete, no standard “Summertime” (Heyward e Gershwin), “Camila, Camila” (hit da banda gaúcha Nenhum de Nós) e “Cavalos Calados” (Raul Seixas).  De resto, são mais sete faixas com parceiros diversos. Cá entre nós, é um item só para colecionadores.

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Do que fez com os amigos do Barão Vermelho até as várias outras parcerias com tanta gente diferente, dá para encontrar alguns pontos em comum. Um deles é a capacidade de criar um ambiente, um cenário, cena que está intimamente ligada ao universo que ele circulava, o Rio de Janeiro da virada dos 1970 para os 1980 e por toda essa década. Além disso, nele estava o rock como espírito de época, mas as composições podiam ser vistas, em geral, como dor de cotovelo, samba-canção, música de fossa, o mundo da boemia. Algumas de suas criações poderiam ser ouvidas na voz de uma Maysa, por exemplo, sem causar estranheza. Duvida? Olhe isso: “Amor escravo de nenhuma palavra/ Não era isso que você procurava” (“Baby Suporte”, de Cazuza, Maurício Barros, Pequinho e Ezequiel Neves); “Se todo alguém que ama/ Ama pra ser correspondido/ Se todo alguém que eu amo/ É como amar a lua inacessível” (“Não Amo Ninguém”, de Cazuza, Frejat e Ezequiel) e “O teu amor é uma mentira/ Que a minha vaidade quer/ E o meu, poesia de cego/ Você não pode ver” (“O Nosso Amor a Gente Inventa”, de Cazuza, João Rebouças e Rogério Meanda).

Para o jornalista Zeca Camargo, no início de 1989, assumiu publicamente que estava com AIDS. Notícia que virou capa da Folha de S.Paulo de 13 de fevereiro. A coragem em assumir (lembrem-se era o ano de Mil Novecentos e Oitenta e Nove, ainda meses antes da queda do Muro de Berlim!) e a forma como lidou com as consequências dessa exposição são quase que continuações ou sintomas da própria obra do artista. Ou seja, cenas com a cara dele.

O compositor Cazuza já foi e ainda é muito gravado e regravado. A grande lista de intérpretes de sua obra tem a característica de ser heterogênea. De Ney Matogrosso – o primeiro – passando por Cássia Eller – uma das mais próximas ao espírito da obra – e seguindo por, entre outros, Marina Lima, Gal Costa, Ângela Maria, Simone, Sandra de Sá, Joanna, Supla, Bebel Gilberto e Léo Jaime, a lista revela que suas músicas não se fecham em um pequeno universo.

Caju, que morreu com 32 anos de idade, já foi tema de filme, peça e livro. Cazuza – O Tempo Não Pára, longa-metragem dirigido por Sandra Werneck, foi lançado em 2004. Antes, em 2000, com sucesso de público, sua obra inspirou uma história original que deu origem ao musical Cazas de Cazuza, escrito e dirigido por Rodrigo Pitta, e que há pouco tempo ganhou nova montagem. Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz, o Musical”, é um sucesso teatral escrito por Aloisio de Abreu e dirigido por João Fonseca, que estreou em 2013. Lucinha Araújo junto com a jornalista Regina Echeverria publicaram dois livros, os dois citados anteriormente aqui no texto: uma biografia pelo olhar da mãe e uma compilação com todas as letras dele.

Longe de esgotar o assunto, todo esse material gerado pela vida e música dele, ajudam a entendê-lo. Tem ainda uma lacuna aí, porém para o documentário. Quem se habilita?

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Johnny Hooker + Mulamba – ao vivo

Pernambucano encerra turnê em Curitiba fazendo deliciosa sessão de resistência cultural, desbunde e exorcismo de desilusões amorosas

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Johnny Hooker

Texto e fotos por Janaina Monteiro

Vingança, ódio, raiva são sentimentos comuns e completamente compreensíveis entre aqueles que já levaram o famoso pé na bunda. Afinal, quem nunca tomou um fora nessa vida? Comum também é extravasar toda essa revolta ouvindo aquela playlist “Especial Fossa” no último volume. Sair pela sala, como uma pessoa doida, berrando versos de dor de cotovelo que são campeãs do Spotify. Quem canta seus males espanta. Ou quem canta a depressão espanta.

A raiva faz parte do processo de esquecimento desses seres egoístas e covardes que vagam pelo mundo espalhando o desamor. Mas há quem sinta tanto, tanto ódio no coração partido que pensa em fazer macumba para se vingar, como Johnny Hooker. Se você já sofreu uma desilusão amorosa certamente já ouviu esse “hino do rejeitado” escrito pelo cantor pernambucano: “Eu Vou Fazer Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!”. Assim mesmo, com ponto de exclamação, é a faixa que dá nome ao primeiro álbum de Hooker, o cantor da vida. O pernambucano, que já fez novelas e programas na Globo, também sofreu na pele a dor de ser abandonado subitamente. E essa foi uma das canções mais aguardadas durante o show de Hooker na Ópera de Arame, no último dia 7 de junho, para celebrar o aniversário da festa curitibana Brasilidades.

Hooker soube, como ninguém, dar uma reviravolta na situação, e lançou o segundo álbum, Coração, em 2017. O trabalho tem a faixa “Touro” que representa o fechamento do ciclo coração partido: “Viver, morrer, renascer/ Firme e forte como um touro”. Foi assim como um touro que Hooker aterrissou no palco da Ópera de Arame imponente – num figurino preto e dourado, com maquiagem impecáveis – e levando a plateia ao delírio ao tascar um beijo na boca do guitarrista de joelhos. Esse primeiro ato já foi o suficiente para o público se aquecer do frio de bater o queixo. De queixo caído fiquei eu, que até então pouco conhecia obra de Hooker, um artista híbrido, plural.

O pernambucano é um misto de Caetano Veloso, Ney Matogrosso e David Bowie. O performer-cantor-ator-compositor consegue transitar pelos mais diferentes estilos musicais sem muito esforço: axé, forró, samba, pop, rock, rumba, ska, bolero, jazz, blues, soul. E seu discurso é atual, potente, que representa as minorias. Com sua voz rasgada e debochada ao extremo, Hooker entoa hinos sobre amor marginal e a falta de amor. Assim como Liniker, como As Bahias e a Cozinha Mineira, como a banda curitibana Mulamba e como outros artistas que são resistência e contrariam o modus operandi brasileiro, Hooker é o desbunde em pessoa. Veio para escandalizar.

E bem ao estilo Bowie camaleônico de ser, o astro continuou o show de encerramento da turnê de Coração, com o público fiel e totalmente derretido pelos seus encantos. Os presentes, aliás, cantavam todas, mas TODAS as canções de cor. De coração. Algumas já foram temas de novela, como “Alma Sebosa”, incluída em Geração Brasil (na qual Johnny interpretou o músico Thales Saltado) e “Amor Marginal”, de Babilônia. O tecnobrega “Corpo Fechado” ( “Se depender do seu ódio, eu não morro mais/ Se depender da sua inveja, eu não morro mais/Se depender do seu veneno, eu não morro mais”), dobradinha com Gaby Amarantos, foi indicado na categoria de featuring do ano no MTV MIAW 2019 .

A apresentação é uma sessão de exorcismo de sensações e gestos. Todos pulam, se confraternizam, gritam contra os opressores. No set list não podem faltar homenagens aos mestres, como a deliciosa “Caetano Veloso”, que reverencia o baiano tropicalista, e “Beija Flor”, aquele axé contagiante da Timbalada (“Eu fui embora/meu amor chorou”). Antes de cantar “Poeira nas Estrelas”, Hooker explica que fez a canção para seu ídolo maior no dia em que ele morreu. Trata-se de “um réquiem sobre a morte de David Bowie e sobre a perda de uma maneira geral. É meu pedido para que aquele homem das estrelas não nos deixe aqui sozinhos sem uma luz para nos guiar”, tuitou o artista um dia sobre a obra.

A tal canção da macumba – que transforma a Ópera num terreiro – chega na metade do show. E todos na plateia se descabelam com ele, soltando o grito que estava preso na garganta. Com direito a fazer stories e mandar para ex. “Te desejo uma vida de desilusão/ Não desejo afago nem o perdão/ E que seja feliz com quem encontrar/ Mas, nunca mais volte aqui/ Profane o meu lar”. É como um Cee-Lo Green cantando “Fuck You”.

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Mulamba

O discurso que levanta a bandeira do protesto contra a homofobia também se fez presente no show de abertura, com a banda curitibana Mulamba, formada por seis mulheres de atitude rock’n’roll numa clara homenagem a Cássia Eller. Assistir ao show das “mulambentas” dá um certo orgulho de ser curitibana (eu nasci na Bahia, mas vivo aqui há muito tempo!). A sonoridade é potente. Os vocais, vigorosos. E a mensagem, crítica, atual. Como em “P.U.T.A”, que fala sobre violência e feminicídio: “Por ser só mais uma guria/ Quando a noite virar dia/ Nem vai dar manchete/ Amanhã a covardia vai ser só mais uma que mede, mete e insulta/ Vai, filho da puta”.

O convidado principal da noite também usa o intervalo entre as canções para discursar. “Equidade de diferenças é o que importa”. “Ser artista no Brasil  é um ato de resistência”. “Podem matar uma rosa ou duas, mas não podem deter a chegada da primavera”. Foram algumas das frases proferidas pelo pernambucano. E para arrematar o show-protesto, Hooker canta “Flutua” que gravou com Liniker. Com as mãos para o alto, todos entoam o refrão: “Ninguém vai poder querer nos dizer como amar”. Assim ocorre a transformação de toda a ira, ódio, sentimento de vingança em um ato de liberdade.

Set list Johnny Hooker: “Touro”, “Alma Sebosa”, “Corpo Fechado”, “Chega de Lágrimas”, “Caetano Veloso”, “Volta”, “Eu Vou Fazer Uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!”, “Você Ainda Pensa?”, “Amor Marginal”, “Poeira de Estrelas”, “Coração de Manteiga de Garrafa”, “Boato”, “Beija-Flor”, “Escadalizar/Desbunde Geral” e “Flutua”.

Set list Mulamba: “Provável Canção de Amor Para Estimada Natália”, “Interestelar”, “Tereshkova”, “P.U.T.A”, “Mulamba” e “Espia, Escuta”.

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Plebe Rude + Relespública – ao vivo

Uma noite entre mods e punks com carreiras longevas, repertórios matadores e muita fúria em forma de rock’n’roll

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Plebe Rude

Texto por Getulio Guerra
Fotos: Murilo Ribeiro

Jokers Pub, noite de sábado, 8 de junho de 2019. Casa cheia pra ver dois dinossauros da cena roqueira nacional no bar mais tradicional do rock curitibano. DJ Ronypek era um dos fanzineiros responsáveis pelo Ordem & Protesto – o fanzine mais foda da cidade, distribuído mundo afora nos anos 1980. Entre um IPA e um APA, a discotecagem já antevia a vibe da noite com “Festa Punk”, dos Replicantes (“Quero uma festa com os Kennedys / Eles é que sabem o que é hardcore / Depois pra resfriar, pra afastar os junkies/ Poguear um monte ouvindo Circle Jerks”)

Sobe ao palco a primeira banda da noite. A Relespública com o trio clássico é matadora! Não consigo pensar em outra formação que não seja Moon-Fábio-Ricardo fazendo aquele som… A banda curitibana tem hits, mesmo que no underground e o anexo todo do Jokers socado, inclusive os camarotes, e cantando junto com Fábio Elias – em sua melhor forma possível, mental-física-espiritualmente. Ele conta que abrir para a Plebe no Jokers já era um sonho antigo, da banda e do Sandro – o dono da porra toda da conceituada casa. Fabio brinca que sua guita não está afinando talvez por causa do frio. Diz que quando foi comprar na loja ela afinava mas ali no palco, não. Oferece a cover “I Cant Explain”, do Who, a Serguei e Andre Matos, ambos falecidos horas antes desse show.

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Relespública

A Plebe Rude é uma banda que tem uma egrégora que é muito foda! Era “só” a predileta do Renato Russo em Brasília. E isso é uma baita responsa, pra vida inteira. O André e o Phillipe se conhecem e tocam juntos há muito tempo, desde a fundação da banda em 1981. E lá se vão quase 40 anos de estrada… A leveza da relação, o respeito que um tem pelo outro (que deu pra ver no recente DVD Primórdios) é bonito. E somados ao Clemente, que tem também uma presença de espírito maravilhosa, e o Capucci, que é de outra geração mas veio com discrição e precisão juntar-se aos dinossauros… Vira um quarteto e tanto.

Eu ouço os caras desde o lançamento do primeiro disco, O Concreto Já Rachou, de 1986! Aquele discurso pertinente daqueles primeiros tiros (“Proteção” e “Até Quando Esperar”) bateu forte no então jovem de 15 anos que já ouvia Inocentes (cujo bandleader é o Clemente, desde a formação da banda, também em 1981), Cólera, Garotos Podres, Replicantes, Camisa de Vênus… Tinha aquela estética e pegada pós-punk, sem tosquices nem exageros, que até hoje se mantém com integridade.

Abonico Smith – editor deste site – entrevistou os punks velhos horas antes do show, descobrindo que logo entram em estúdio pra gravar um novo disco. Será uma ópera punk com quase trinta músicas e que servirá de base para um musical. Neste disco será contada a História da humanidade. De três mil anos pra cá, desde quando o homem se tornou bípede. A ideia iniciou de uma canção inédita já há três décadas, que se chama “Evolução” e foi tirada pela Plebe da gaveta. Em breve este bate-papo estará disponível aqui no canal do Mondo Bacana no YouTube.

Mas voltemos ao show do Jokers. Phillipe fala, depois de “Um Outro Lugar”, que esta canção tem 30 anos e ele não pensava que teria de ficar cantando ela hoje. Não imaginava que teríamos um presidente que ficaria fazendo gracinhas em relação à cor das pessoas, à cultura quilombola e a outras coisas. A base do set list fica nos dois históricos primeiros discos, mas ainda dá espaço a novidades e faixas posteriormente incorporadas ao repertório da banda, como “Medo”, clássico do Cólera (“Redson não está morto!”, avisa alguém da banda).

Cortinões fechados, sem bis de nenhuma das bandas. Esse é o último concerto desta tour referente a Primórdios! Compro um botton da Plebe, carrego um pouco meu celular numa tomada do hall, pago minha ficha e pego o rumo do Xaxim. É… Alguns artistas ainda me tiram de casa.

Set list Relespública: “Boogie”, “Nós Estamos Aqui”, “Mudando os Sentidos”, “Dê Uma Chance Pro Amor”, “Nunca Mais”, “Eu Soul”, “I Can’t Explain”, “Sol em Estocolmo”, “Capaz de Tudo”, “Mod de Viola”, “In The City”, “Garoa e Solidão”, “Boatos de Bar/A Fumaça é Maior Que o Ar”,  “Camburão” e “Minha Menina”.

Set list Plebe Rude: “Voz do Brasil”, “Brasília”, “Johnny Vai à Guerra (Outra Vez)”, “Dança do Semáforo”, “Luzes”, “Censura”, “Um Outro Lugar”, “Anos de Luta”, “O Que Se Faz”, “Sua História”, “A Ida”, “Esse Ano”, “Bravo Mundo Novo”, “Pressão Social”, “Tá Com Nada”, “Códigos”, “Sexo & Karatê”, “Medo”, “Minha Renda”, “Proteção”, “Plebiscito”, “Disco em Moscou” e “Até Quando Esperar.

 

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Lollapalooza Brasil 2019 – ao vivo

Oito motivos para se lembrar do festival, que teve como headliners Arctic Monkeys, Kings Of Leon e Kendrick Lamar

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Arctic Monkeys

Texto por Abonico R. Smith

Fotos: Alessandra Tolc/T4F (Arctic Monkeys), Equipe MRossi (Kings Of Leon/Lenny Kravitz/Interpol)

Shows anteriores causando maior impacto na plateia do que os headliners. Chuva torrencial e alerta de raios interrompendo a programação de sábado à tarde por mais de duas horas, chegando a provocar expectativa de cancelamento de todo o resto do segundo dia e impedindo artistas nacionais de fazerem seus shows em três dos quatro palcos. Uma cobertura capenga da Globo, ignorando por completo em seu resumo o principal nome do primeiro dia (o Arctic Monkeys “a gente não viu por aqui”) e chegando a tropeçar em hit mundial (na hora do Snow Patrol, por exemplo, deu crédito e falou sobre a baladaça “Chasing Cars” mas na verdade mostrando outra canção, o popzinho de verniz eletrônico “Just Say Yes”). Plateia composta majoritariamente por millenials, seja em idade cronológica ou estado de espírito. Programação bem chocha, chegando a competir pelo infeliz posto de pior escalação de todos os anos de existência do festival em nosso país.

Assim foi a oitava edição do Lollapalooza Brasil, realizado pela sexta vez no Autódromo de Interlagos, entre os dias 5 e 7 de abril. Musicalmente falando, estes foram os oito motivos pelos quais você deve se lembrar para sempre do evento.

Arctic Monkeys

Quem disse que o MP3 matou o rockstar? Alex Turner é a prova cabal de que, se os discos mudaram do suporte físico para o digital, isso em nada afetou a possibilidade de crescimento da carreira de um artista a ponto de haver discografia consistente, repertório matador e a capacidade de arrastar e encantar grande multidões. A maioria das quase oitenta mil pessoas divulgadas oficialmente como o público que passou pelo autódromo na sexta-feira estava lá para se esbaldar ao som do quarteto (que, ao vivo, ganha o apoio de mais quatro músicos, entre eles integrantes de cultuadas bandas independentes como Mini Mansions e Dead Suns) que tornou-se o principal nome da Geração MySpace. Hoje o MySpace não existe mais, tampouco aquela sonoridade do início de carreira dos Monkeys, então uma banda pós-adolescente, de batidas dançantes, guitarras frenéticas e por ora quebradiças e letras verborrágicas que não davam muito tempo para o ouvinte respirar e tomar fôlego. O álbum mais recente, o sexto em treze anos, mostra uma banda adulta, ousada, arriscando-se em novos terrenos (como o soul e os arranjos mais refinados, cheios de falsetes, teclados e influências chiques de David Bowie e Roxy Music). As músicas deste disco funcionam muito bem ao vivo, como foi demonstrado em São Paulo. Só que, como era um público de festival, também abriu-se espaço para o desfile de greatest hits. No fim, entre entre autoralidade e popularidade, ganharam todos. Turner, banda, fãs, plateia que estava in loco ou assistindo pela TV e internet.

St Vincent

Pela segunda vez no Brasil para se apresentar no festival, Annie Clark de novo justificou no palco o porquê de tanto que se fala sobre seu nome. Quem viu a sua apresentação pôde compreender o porquê dela ser considerada uma das mais inventivas e contundentes artistas da música pop de qualidade de hoje em dia. Só que desta vez, veio sem banda de apoio. Estava lá no palco, sozinha, domando e controlando uma multidão com suas mãos e olhares altamente expressivos. A base era toda pré-gravada: ela só acrescentava a voz e os riffs e licks executados em uma vasta coleção de coloridas guitarras Ernie Ball, de uma linha assinada e concebida por ela para uma melhor adaptação ao corpo feminino. Todo o desenho cênico (gestual, pose, uso do palco, figurino) compensa, inclusive por esta ser a atual proposta performática de ser alter-ego artístico. Inclusive com muita ironia por trás de tudo, já que a discussão a respeito de plasticidade e sedução das massas são temas predominantes do disco que serve como base para a atual turnê. St Vincent é perversa ao jogar isso na cara do público e ainda rir de tudo isso. St Vincent é eficaz ao dar à plateia melodias perfeitas a ponto delas não saírem mais da cabeça após a primeira audição. St Vincent é muita areia para o caminhãozinho de uma programação baseada em truques de estúdio e hype adolescentes de internet.

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Kings Of Leon

Tribalistas

A proposta deste show sempre foi muito clara desde o início: celebrar o fim de uma vitoriosa turnê nacional (com extensão para alguns outros países) que marcou o lançamento do segundo álbum deste supergrupo.  Então não se podia esperar nada além de uma grande festa promovida para milhares de pessoas por Marisa Monte, Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes e competentíssimos músicos de apoio (Dadi, Pedro Baby, Pretinho da Serrinha e Marcelo Costa). OK que todas as mudanças no mercado fonográfico mundial impedem o trio de ser tão grande quanto ele fora em sua estreia lá em 2002, mas em um show o que acaba contando é a somatória destes dois repertórios. Então dá-lhe hit de apelo fácil como “Velha Infância”, “Passe em Casa” e “Já Sei Namorar”. Some a isto canções trazidas do repertório solo de Marisa como “Amor I Love You”, “Depois” e “Não Vá Embora”. O show dos Tribalistas, ocupando horário nobre da grade do primeiro dia do Lolla, foi um bom reflexo da estado letárgico que se encontra a música pop brasileira durante as duas primeiras décadas deste século de música digital: sem a atitude ou pegada do rock mas jogando para a galera com muitos recursos de empatia imediata e ilusionista (truques de composição, melhor dizendo). A maioria gosta. Tem quem torça o nariz. Os artistas saem satisfeitos. O público presente, exigente de mais nada, também.

Kings Of Leon

O último disco dos caras é de 2016. A banda não está fazendo turnê. Não existe qualquer menção a um possível disco novo. Uma faixa inédita sequer marcou presença no set listapresentado na noite de sábado em Interlagos. Então por que chamar o Kings Of Leon para ser um dos headliners da edição 2019 do festival? A resposta foi dada na noite de sábado, que contabilizou 92 mil pessoas passeando por gramados e pista de Interlagos.  A família Followill precisou juntar apenas uma penca de hits – em maior ou menor proporção – e subir ao palco para tocá-los. Se o telão é a grande atração do show, ainda melhor: isso significa que o vocalista Caleb pode não se importar em se apresentar usando uma estapafúrdia camiseta regata cor de goiaba (e ainda assim será chamado de lindo de maneira incessante por várias fãs do gargarejo). Teve até gente chamando o quarteto de “o novo U2” dada a equivalência da proporção entre o desfile de sucessos radiofônicos e a ausência do verdadeiro tesão rock’n’roll para tocar diante de milhares de pessoas. No fim, o KOL deu tudo o que o pessoal queria ali naquelas últimas horas do segundo dia do Lolla: o entretenimento grandiloquente para sustentar uma banda que já foi bem mais interessante lá atrás. Não por acaso apaenas uma faixa de cada um dos dois primeiros álbuns foi tocada.

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Interpol

Snow Patrol

Quarenta e cinco minutos depois do horário previsto para o início, o quinteto escocês não pensou duas vezes antes de subir ao palco para tocar um set bem mais curto (apenas seis canções). E mandou logo um megahit de cara, “Open Your Eyes”, para esquentar de vez o público, parado havia quase três horas por causa da interrupção das atividades provocada pela natureza. Ponto positivo para uma banda subestimada pela imprensa brasileira, que insiste em tachá-la de “coxinha” justamente pelo fato de sua carreira ter decolado quando a aposta passou a ser em melodias grudentas e arranjos mais limpos, quadradinhos e descolado do universo indie dos dois primeiros álbuns. Mesmo com pouco tempo em ação, dava para ver Gary Lightbody com um sorriso escancarando no rosto e o resto dos músicos se divertindo no palco encharcado. Escolhido a dedo para presentear quem esperava pacientemente, o set list ainda brindou os fãs com mais sucessos em sequência, como “Called Out In The Dark”, “Just Say Yes” e, para terminar, “Chasing Cars”. Durou pouco mas foi bom demais.

Lenny Kravitz e Greta Van Fleet

No domingo, a discussão do Lollapalooza girou em torno do Greta Van Fleet. O quarteto formado por três irmãos e um amigo ganhou altos detratores por emular bastante o Led Zeppelin. Os integrantes são moleques, millenials com seus vinte e poucos anos, que estão no palco se divertindo, tocando suas próprias composições calcadas nos seus grandes heróis do rock. Pela pouca idade (e consequentemente pouca experiência de vida e da música) é natural que ainda não tenham conseguido se descolar criativamente de quem mais admiram. Não há nenhum mal nisso, aliás. O ponto positivo é justamente o fato dos moleques se sentirem atraídos por um rock mais analógico e retrógrado, do tempo em que a música ainda importava para o período da adolescência e discos de vinil eram vendidos aos borbotões e a dobradinha formada por videoclipes e redes sociais não regia a divulgação planetária de um popstar. Um dia antes apresentou-se no Lolla outro igualmente retrógrado em sua sonoridades. Desta vez com a diferença de ter mais de 50 anos de idade e uma penca de hits trazidos nas costas por uma discografia de excelência entre 1989 e 1998. Não menos orgânico que o GVF, Lenny Kravitz aposta no tradicional do rock’n’roll: riffs, peso e solo. Seu diferencial é que ele mistura tudo com aquele groove que chama todo mundo para dançar. Ninguém consegue ficar parado e resistir a petardos como “Fly Away”, “American Woman”, “Always On The Run, “It AIn’t Over ‘Til It’s Over” e “Are You Gonna Go My Way”. E é nas baladas (“Again” e uma marrentamente estendida “Let Love Rule”) que o cara fica com o público na mão, hipnotizado e apaixonado. Não bastasse tudo isso, Lenny ainda carregou consigo para o Brasil Gail Ann Dorsey, a baixista de anos e anos de David Bowie que é tida como uma das grandes referêcias nas quatro cordas das últimas décadas.

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Lenny Kravitz

Kendrick Lamar

A produção de um dos nomes mais esperados deste Lollapalooza vetou a presença de fotógrafos da imprensa e a transmissão ao vivo pelo canal de TV por assinatura Multishow. Logo, a presença do cara que nos últimos anos torou-se um furacão no nicho hip hop do mercado fonográfico norte-americano tornou-se uma exclusividade para quem comprou o ingresso e se dispôs a ir a Interlagos e ficar até o final das atividades do terceiro e último dia. Quem estava lá assistiu a uma apresentação mais focada no recente álbum Damn (2017) e que por muito pouco não ignorou por completo seu antecessor, o cultuadíssimo To Pimp a Butterfly (2015). Dono de rimas velozes e movimentos cênicos ágeis, o californiano não precisou de muito tempo (fez um show de apenas de 75 minutos, tempo relativamente curto para um headliner) para mostrar o porquê de ter recebido um prêmio Pulitzer da música (o primeiro dado a um rapper) por Damn. É uma porrada atrás da outra, com letras afiadas, típicas de quem veio do bairro de Compton, o mesmo bairro negro e pobre da periferia de Los Angeles que viu nascer o histórico NWA. As bases vão do jazz ao soul e as letras, óbvio, discorrem sobre temáticas raciais e políticas, tendo a provocação como espírito principal.

Interpol

O Interpol é um zero à esquerda de presença de palco. Paul Banks é um zero à esquerda com comunicação direta com a plateia. O Interpol é uma banda que funciona bem melhor em locais menores e fechados do que tocando a céu aberto para milhares e milhares em um autódromo. Três verdades que só se confirmaram em mais uma vinda do trio nova-iorquino para um Lollapalooza. Como tudo na vida tem um porém, essas três afirmações acabam tendo um peso bem menor diante da magnitude da sonoridade pós-punk que a colocou entre os grandes nomes do indie rock do começo deste século. Não por acaso a maioria de faixas escolhidas para o set list foi ancorada nos dois primeiros álbuns, aqueles disparadamente favoritos para quem acompanha mais de perto a trajetória do grupo. Incrível como canções como “Slow Hands”, “PDA”, “Evil”, “Rest My Chemistry” e “Say Hello To Angels” não envelheceram e ainda soam tão pungentes quanto na época do lançamento. Resta agora aguardar um show “solo” de Banks e companhia em terras brasileiras. Com duração maior, em lugar menor e com mais fãs assistindo.