Music

Billie Joe Armstrong

Vocalista do Green Day aproveita o isolamento da quarentena para gravar sozinho em casa um álbum recheado de clássicos pop das décadas passadas

Texto por Janaina Monteiro

Foto: Divulgação

É preciso ter muita atitude punk pra regravar clássicos de décadas passadas, principalmente dos frutíferos anos 1980, que nos brindaram com uma enxurrada de canções pop deliciosas e um tanto cafonas. Em meio à quarentena, a Plebe Rude ressurgiu com uma versão corajosa de “P da Vida”, sucesso da boy band Dominó. A canção original é do italiano Lucio Dalla, que foi traduzida para o português pelo músico Edgar Poças, pai da cantora Céu. A cover tupiniquim se transformou em música de protesto e, tirando alguns versos (“We are the world lá nas paradas”, por exemplo), continua atualíssima. Os jogos de dados ainda seguem combinados e o povo anda muito p*** da cara. Só que “P da vida” também ficaram alguns fãs da banda de Brasília, que torceram o nariz, principalmente por conta da parceria do ex-Dominó Afonso Nigro com o guitarrista e vocalista Philippe Seabra.

Outro ícone do punk rock, só que dos anos 1990, o americano Billie Joe Armstrong também resolveu ousar e aproveitou o isolamento social e a pausa forçada na turnê para refletir sobre sua vida. Como forma de descontrair o momento, o frontman do Green Day lançou em março o projeto No Fun Mondays, disponibilizando em todas as segundas (ou quase todas) no canal da banda no YouTube uma versão despretensiosa de canções que formaram seu repertório musical desde a infância.

No site do grupo, o guitarrista, de 48 anos, explicou. “Enquanto todos estamos em quarentena, eu venho refletindo sobre os fatos que mais importam na minha vida. Família, amigos e música, claro. Penso que se todos temos que passar este tempo em isolamento que pelo menos façamos isso sozinhos mas juntos”.  A brincadeira rendeu um disco literalmente solo lançado agora pela Warner com 14 covers, muitas delas improváveis e com vocais originais femininos – como a primeira faixa do disco, a versão de “I Think We’re Alone Now”, gravada em 1987 pela afinadíssima cantora Tiffany. Com o perdão do trocadilho, a música se transformou numa verdadeira joia na pegada roqueira melódica de Billie Joe, que a apresentou ao vivo, ao lado dos filhos Jakob e Joseph, no talk show de James Corden.

A trilha sonora da vida de Billie Joe continua com “War Stories”, de 1979, da banda irlandesa de power pop Starjets, e “Manic Mondays”, composta por Prince e que ficou conhecida por meio das Bangles, donas dos hits oitentistas “Eternal Flame” e “Walk Like An Egyptian”. Inclusive, a vocalista Susanna Hoffs, esbelta no alto de seus 61 anos (e que recentemente também gravou com a banda escocesa Travis), participa do vídeo dessa música com o guitarrista.

Outras surpresas do álbum ficam por conta de “That Thing You Do!”, tema principal do filme The Wonders – O Sonho Não Acabou; “Kids In America”, gravada por Kim Wilde em 1981; “Gimme Some Truth”, de John Lennon; e “Amico”, de Don Backy, cantada num italiano macarrônico. Billie, aliás, chegou a pedir desculpas pela pronúncia da língua, mas o molho ficou delicioso.

Agora um punk pode se deleitar e cantar esses clássicos das paradas pop sem medo de ser feliz.

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