Music

Nando Reis

Cantor e compositor fala sobre a série de concertos que faz pelo Brasil em janeiro ao lado da Orquestra Petrobrás Sinfônica

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Texto e entrevista por Abonico R. Smith

Foto: Mauricio Meireles/Divulgação

Artista dos mais populares na MPB, Nando Reis começa o ano de 2019 embarcando em um projeto diferente de tudo o que já fizera anteriormente na carreira de quase quatro décadas: roda o Brasil em janeiro para soltar a voz acompanhado por uma orquestra sinfônica. As apresentações estão sendo realizadas em seis capitais entre os dias 11 e 18: Curitiba, Recife, Salvador, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro (mais informações sobre datas, locais, horários e ingressos você tem aqui).

A “pré-estreia” ocorreu em outubro de 2017, também no Rio. O sucesso do evento único foi tamanho que motivou a extensão do mesmo para uma turnê. Sob a regência do experiente Isaac Karabtchevsky, os 45 músicos da Orquestra Petrobrás Sinfônica acompanham Nando Reis no palco. A abertura é feita com peças instrumentais de Modest Mussorgsky (“Quadros de Uma Exposição: A Grande Porta de Kiev”) e Heitor Villa-Lobos (“Bachiana Nº 4: Prelúdio”) executadas pela OPES. Depois, Nando canta treze canções que compõem uma espécie de best of de sua carreira de cantor e compositor. “All Star”, “Sou Dela”, “Relicário”, “Dois Rios” e “O Segundo Sol” são algumas das obras escolhidas para integrar o repertório.

Por e-mail, Nando concedeu entrevista para o Mondo Bacana, falando sobre esta série de seis concertos.

O rock sempre foi marcado pelo descompromisso com a formalidade. Permite inclusive que um músico, durante um concerto, erre algo na música e queira começar tudo de novo, mesmo quando acompanhado de sua banda. Agora, porém, você estará acompanhado por uma orquestra inteira. Qual a sensação? Fica mais nervoso? Afinal são muitos músicos envolvidos em um arranjo que não pede improviso.

Fiz apenas um show com a OPES e foi justamente pela beleza do resultado que decidimos dar continuidade e fazer essa pequena turnê. A experiência foi magnífica e confirmou aquilo que já imaginava: trata-se de uma relação (no palco) completamente diferente. Sim, fiquei bastante nervoso, mas tive o apoio e contei com a regência segura e gentil do grande maestro Isaac Karabtchevsky. A fusão não permite improviso, mas tem grande espaço para a interpretação. É lá que me viro.

Sua banda de apoio está no palco também?

Não. Todos os músicos são da OPES.

Isaac Karabtchevsky é um conhecido nome da música erudita brasileira que sempre lutou pela popularização da mesma. Como é a química com ele?

Como disse, ele é um homem gentil. É impressionante assistir ali do lado como ele conduz e rege. Uma oportunidade de ouro para aprender e apreciar.

O espetáculo foi apresentado em outubro de 2017 no Rio e agora está em turnê pelo Brasil. Mudou algo neste intervalo ou o que é executado no palco de Curitiba e outras cidades será rigorosamente a mesma coisa da estreia?

Incluímos algumas musicas, tiramos uma que não funcionou na estreia. Mas o repertório será rigorosamente o mesmo nos seis shows. Como você mesmo disse na primeira pergunta, não há espaço para improvisação.

Qual o critério para a seleção do repertório? O que pesou para a escolha destas canções ou a exclusão de outras?

Fui eu quem sugeriu as musicas. Escolhi aquelas que me parecem mais adequadas. E algumas que, nas gravações originais, já tinham arranjos para cordas, todos escritos pelo genial Lincoln Olivetti.

Esta não será a primeira vez que músicas dos Titãs serão executadas com o acompanhamento de cordas. O que diferencia o arranjo de hoje e de duas décadas atrás (fora a ausência dos Titãs, claro!)?

Musicas dos Titãs? São todas minhas. A única, se não me falha a memória, que estava no repertório do Acústico MTV é “Os Cegos do Castelo”.

[Nota do jornalista: A memória do músico não deve estar boa ou então houve algum erro de comunicação anterior. No repertório do espetáculo, informado previamente pela assessoria de imprensa oficial do evento, aparecem três músicas dos Titãs: “Os Cegos do Castelo”, “Marvin” e “Não Vou Me Adaptar”. As duas primeiras ganharam novo arranjo desplugado no projeto audiovisual Acústico MTV, gravado e lançado em 1997. “Os Cegos do Castelo” é, de fato, uma composição somente dele. “Marvin”, uma versão em português para a canção “Patches”, assinada por Nando e Sérgio Britto e gravada antes no álbum homônimo de estreia, em 1984, e no primeiro disco ao vivo do grupo, Go Back, de 1988. Após o sucesso de vendagens da parceria com a extinta MTV Brasil, os Titãs fizeram, em 1998, Volume Dois, espécie de sequência do projeto porém com os novos arranjos desplugados inteiramente captados em estúdio e lançados apenas em CD, sem o formato DVD. Neste álbum está a terceira canção dos Titãs informada como parte integrante do repertório executado ao lado da OPES. “Não Vou Me Adaptar” foi composta por Arnaldo Antunes. Com a saída de Arnaldo, Nando assumiu os vocais e a cantou em Volume Dois e nas turnês posteriores dos Titãs, até também deixar a banda para partir à carreira solo.]

Há a intenção de transformar este concerto em um projeto audiovisual? Afinal, agora, você comanda o seu próprio selo…

Nada definido.

Você tem saudades do tempo de produtor artístico/executivo do Banguela e de ficar ouvindo artistas mais novos ou iniciantes? Ainda costuma fazer isso agora pelas plataformas diversas da internet?

Nenhuma saudade. Nem interesse.

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