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A Crônica Francesa

Wes Anderson agora intercala cores vibrantes com o charme do preto e branco para contar cinco histórias sobre a derradeira edição de uma revista

Texto por Camila Lima

Foto: Fox/Disney/Divulgação

Assistir a um filme novo de Wes Anderson é uma experiência que vem acompanhada de certas expectativas, considerando o estilo tão característico do cineasta. Por exemplo, uma estética estonteante e marcada pela forte presença da simetria e pelo uso meticuloso das cores ou personagens que refletem as mais diversas facetas humanas de forma cômica são coisas que você espera de uma obra do cineasta. E que, definitivamente, volta a encontrar em A Crônica Francesa (The French Dispatch, EUA/Alemanha, 2021 – Fox/Disney). 

A história inicia com a trágica morte do editor-chefe da The French Despatch of the Liberty Kansas Evening Sun, revista estadunidense com sede na fictícia cidade francesa de Ennui-sur-Blasé. Em seu testamento, Arthur Howitzer Jr (Bill Murray) determina o fim da publicação após sua passagem. Com isso, a redação se mobiliza para produzir a última edição. O nome é uma clara referência à New Yorker – o que se evidencia nos créditos finais, com a presença de ilustrações que imitam as clássicas capas da revista nova-iorquina. 

A estética dessa nova empreitada do diretor e roteirista não tem tanto os usuais tons pasteis e aquele visual que lembra uma mistura de art nouveau e ilustração de livro infantil. Este filme é algo que parece ser mais “maduro”, mais sóbrio. Porém, as cores são para dar sensações à narrativa, principalmente com a intercalação entre o charmoso preto e branco e o colorido. Este, uma coisa mais caótica embora meticulosamente calculada com o uso de cores bastante vibrantes e bem saturadas. Já a simetria, outra constante nas obras de Anderson, bate ponto de novo. Outros recursos também se repetem ao longo do filme, como o travelling e os takes parados com elementos em profundidades diferentes do plano

No entanto, o aspecto que talvez mais chame atenção em A Crônica Francesa seja o roteiro, justamente por apresentar maior complexidade do que é visto quando a assinatura é de Wes Anderson. O enredo se subdivide em cinco plots diferentes: o principal, centrado na redação da The French Despatch e na mobilização de seus jornalistas após a morte do editor-chefe, e outras quatro histórias correspondentes a quatro sessões da derradeira edição da revista. Para dar vida a esse jogo dramático, o filme conta com um elenco e tanto: Bill Murray, Owen Wilson, Edward Norton, Adrien Brody e Tilda Swinton (cinco que já trabalharam com o cineasta), mais “novidades” como Timothée Chalamet, Benicio del Toro, Léa Seydoux, Frances McDormand e Jeffrey Wright.

Em seu décimo longa-metragem, o texano galga mais um passo na fantasia cativante que habita seu universo particular, agora estendendo os tentáculos rumo à elegância do mais refinado e cultural país do velho continente. Quem já havia caído de amores por ele em algum ponto antecedente de sua trajetória cinematográfica marcada por pessoas improváveis e situações absurdas terá ainda mais motivos para continuar se encantando com a grife Wes Anderson. Pode ainda não conquistar as principais estatuetas do Oscar. Pode ainda estar longe de arrecadação blockbuster de bilheterias mundiais. Entretanto, suas encantadoras crônicas de uma sociedade divergente são o suficiente para, a cada novo filme, inscrever seu nome na galeria dos grandes da sétima arte deste século 21.

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