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Águas Selvagens

Trama tenta embarcar na tradição do noir mas falha consideravelmente com personagens pouco desenvolvidos

Texto por Carolina Genez

Foto: Imagem Filmes/Divulgação

A história de Águas Selvagens (Brasil/Argentina, 2022 – Imagem Filmes) mostra o argentino Lucio Gualtieri (Roberto Birindelli), ex-policial que aceita um trabalho na Tríplice Fronteira como investigador. Ele deve solucionar um assassinato, mas, ao se aprofundar no caso, percebe que as coisas não são como parecem.

O roteiro desta produção binacional acompanha totalmente o ponto de vista de Gualtieri e suas investigações. Só que é extremamente falho, mal escrito e confuso, já que grande parte dos passos do ex-policial não são bem explicados. Isso gera uma quebra de continuidade do filme que, por consequência, não provoca a imersão do telespectador, ao contrário de outros filmes do gênero. Ainda se tenta focar na trama e no desenvolvimento do protagonista, mas os dois direcionamentos acabam falhando, já que ambos são explorados de maneira rasa.

O protagonista do filme, por sua vez, não é nada carismático. Desde a apresentação do personagem fica claro como ele é afetado por seu passado – que é revelado ao longo do filme, mas que, ainda assim, não consegue gerar empatia no público. Gualtieri, apesar da performance convincente de Birindelli, é pouco desenvolvido no decorrer da projeção, poucas qualidades do personagem são apresentadas.

Os outros personagens também pouco vão muito para a frente. Ao longo da investigação, Gualtieri cruza o caminho com três mulheres: Blanca (Allana Lopes) uma adolescente que trabalha no hotel que está hospedado; Rita (Mayana Neiva), uma das hóspedes do mesmo estabelecimento; e Débora (Leona Cavalli), uma prostituta que descobre ter conexão com o caso. Todas, sem dúvida, trazem convincentes atuações (as melhores do filme, aliás), além de interessantes personalidades. Entretanto, sofrem com o roteiro tendo pouco desenvolvimento. Seus envolvimentos na trama principal não contribuem tanto para a história e, chegando ao final, vários pontos das narrativas dessas mulheres ficam abertos.

Outro destaque negativo são as cenas de ação, extremamente escassas. Há pouquíssimos momentos de adrenalina e os momentos em que se apresenta a ação, ela é extremamente falsa e forçada. Mesmo o policial estando em campo, ele não encontra qualquer dificuldade ou impedimento além de sua vontade de desistir do caso. 

A montagem do longa ainda peca incluindo aleatoriamente imagens belíssimas da natureza e dos cenários, que nada trazem de relevante e servem apenas para preencher trechos vazios da trama. A direção também deixa a desejar ao demonstrar pouca personalidade. Mas um dos maiores problemas é mesmo a trilha sonora. Nada harmônica com o resto da trama, ela não contribui para criar tensão e atrapalha ao querer forçar no espectador algum tipo de sentimento, quebrando a realidade em diversos momentos. A música é extremamente clichê e repetitiva.

Com reviravoltas fracas e exageradas, Águas Selvagens é um filme que tenta se aproveitar da tradição do noir, mas falha terrivelmente e entrega uma história nada envolvente, com poucas atuações de destaque, além de personagens pouco aproveitados.

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