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10 Horas Para o Natal

Longa brasileiro repete clichês das histórias do gênero mas encontra seu ritmo e proporciona diversão com uma boa comédia familiar natalina

Texto por Ana Clara Braga

Foto: Paris Filmes/Divulgação

No final de ano é inevitável a chegada dos filmes de Natal. Embora já esperados pelos entusiastas (e odiados de antemão pelos haters), os longas natalinos nem sempre surpreendem. O arroz com feijão das produções muitas vezes é o suficiente para alegrar quem sai do cinema, mas a monotonia também pode ser inimiga mortal do gênero. 10 Horas Para o Natal (Brasil, 2020 – Paris Filmes) é uma produção nacional dirigida por Cris D’Amaton que acompanha a saga de três crianças, Julia (Giuilia Benite), Miguel (Pedro Miranda) e Bia (Lorena Queiroz) para organizar o Natal de sua família. Cansados de parentes chatos e da família separada, os irmãos se unem em prol de um final de ano melhor. 

O filme é uma mistura de Um Natal Muito, Muito Louco, protagonizado por Tim Allen e Jamie Lee Curtis, e Os Batutinhas, releitura recente da antiga série em que as crianças cometem mil e uma trapalhadas com espírito natalino. Aliás, espírito é a palavra que melhor descreve a história. Todos os clássicos dos filmes de final de ano estão reunidos: a mensagem de união, piadas com Papai Noel, reflexão sobre o verdadeiro significado do feriado. É bonitinho, mas não é inovador. 

A escolha por começar o filme com narração é questionável, principalmente se ela será inconstante. As intervenções de Julia utilizando a quebra da quarta parede revelam-se em sua maioria desnecessárias, em nada contribuem à história e são um recurso descartável. Giuilia Benite (mais conhecida por ser a Mônica dos cinemas) está ótima no papel, mas nem seu carisma salva as interações diretas com a câmera. 

Histórias que escolhem focar muito tempo no elenco infantil precisam tomar cuidado para não apelarem, justamente, apenas ao humor infantil. Filmes para toda a família precisam de um equilíbrio entre a inocência e o que de fato fará quem pagou o ingresso rir. As cenas da irmã mais nova se esgoelando de chorar para conseguir o que quer com certeza não fará nenhum pai rir. A adição de Luis Lobianco ao trio é a medida exata para o humor equilibrar. Nem sempre ele é certeiro e muitas piadas apenas são sem graça, mas o humorista contribui para bons momentos, como a sequência do mercado. 

É válida a tentativa da ideia de uma família tipicamente brasileira, a começar pelo sobrenome Silva. Os personagens são construídos para que quem veja o filme consiga identificar a si e outros membros de sua própria família, o tio chato, as tias fofoqueiras, a avó coruja, a mãe durona, o pai crianção. 

O número musical no meio do filme, por sua vez, não funciona. É esquisito. A música em si não é ruim, mas o número parece desajeitado onde foi colado. Se fosse nos créditos finais teria sido algo mais efetivo. O ator Pedro Miranda é ex-The Voice Kids e provavelmente não queriam perder a oportunidade de aproveitar os talentos da criança. Porém, em questão de montagem, foi uma má escolha. 

No todo, 10 Horas Para o Natal começa fraco mas acaba encontrando um ritmo. Não é inovador e espetacular, mas entrega o que propõe: uma comédia familiar natalina. E com atores que já falam o idioma português.

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