Music

Nação Zumbi – ao vivo

Repertório com gigantesco leque de boas opções marca o show feito na abertura da Virada Cultural paulista deste ano

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Texto e foto por Fábio Soares

Em meio a tantas más notícias de desemparelhamento da cultura, não seria inexato afirmar que a Virada Cultural paulistana de 2019 ganhou contornos de resistência. Por mais de uma vez, o discurso político se fez presente não só por parte dos artistas como também plateia, que por diversas vezes gritou palavras de ordem contra o atual governo federal que, claramente, desestimula ações culturais diante de uma suposta “ideologia comunista”.

A Nação Zumbi abriu os trabalhos no Palco Rio Branco às 18h do último dia 18 de maio executando “Refazenda”, eterno clássico de Gilberto Gil. Ela continua a navegar no panteão das melhores bandas brasileiras. E venhamos e convenhamos que o fato de contar com um guitar hero em sua formação, torna o tortuoso caminho do sucesso menos complicado. Lúcio Maia segura as pontas da apresentação como ninguém: virtuoso sem exageros, denso e pesado em outros momentos e um combo de ambos os fatores em outros tantos.

A discrição de Jorge Du Peixe no palco também é perfeitamente compreensível. Sabe que a indefectível batida dos tambores é a marca principal do grupo que perdurará por toda a sua existência. Portanto, economia no gestual e carregadas interpretações são o mote do vocalista. O público, inclusive, positivamente respondeu à execução do recém-lançado single “Melhor Nem”.

Único ponto fora da curva foi a execução de “Sexual Healing”, eterno clássico de Marvin Gaye que ganhou ares de “desnecessário” diante do gigantesco leque de opções que a banda possui em seu repertório. A plateia, se não se entusiasmou, também não desaprovou, até porque uma sequência de hits viria a seguir. “Vamos sonhar?”, perguntou Du Peixe antes da execução de “Um Sonho”. Das mais belas faixas da Nação, teve seu refrão entoado em uníssono pela plateia, algo que se repetiu em “Manguetown”, na arrasa-quarteirão “Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada” e “Quando a Maré Encher”.

Em um dos intervalos, Lúcio Maia foi ao microfone e reclamou da ausência feminina no palco rock da Virada: “Tava olhando a programação e vi que nenhuma mulher foi escalada pra esse palco em 2019. Que ‘cuecagem’ do caralho, hein?”, afirmou, desconhecendo o fato de que o showde Pitty havia sido, de última hora, confirmado na véspera para o dia seguinte.

Devido ao limite de 60 minutos para a apresentação, “Da Lama Ao Caos” e “Maracatu Atômico” ficaram de fora. Mas isso não comprometeu o saldo final da apresentação. Porque mesmo se quisesse, a Nação Zumbi não conseguiria fazer um show ruim. Graças!

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