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Encanto

Nova animação da Disney troca o universo dos contos de fada pelo realismo mágico com protagonista latina feminina

Texto por Flavio Jayme (Pausa Dramática)

Foto: Disney/Divulgação

Muito já se falou sobre Encanto (EUA, 2021 – Disney), a sexagésima animação dos estúdios Walt Disney que estreou no dia 25 de novembro nos cinemas brasileiros e agora chega em streaming no Disney+. Da locação inspirada na Colômbia às origens latinas, da diversidade e representatividade às músicas compostas por Lin Manuel-Miranda. Mas nada do que você tenha lido te prepara para a beleza estonteante da aventura protagonizada por Mirabel Madrigal.

Centrado na pequena vila que dá nome ao filme, Encanto conta a história da família Madrigal: como eles foram parar ali, como ganharam os dons de que tanto de se gabam e como fizeram do lugar e de todos à sua volta uma enorme família. No centro da ação está Mirabel (voz original de Stephanie Beatriz, de Em Um Bairro de Nova York), a única da família que não possui um dom. Entre irmãs e primas capazes de criar flores por onde passam ou donas de força extrema, tios que podem prever o futuro ou fazer chover e uma mãe que cura qualquer doença ou ferimento com arepas mágicas (um tipo de pão tradicional da América Latina feito com farinha de milho), a garota de 15 anos é a única que “não tem nada de especial”.

Mirabel, então, decide descobrir o motivo dela ser a única sem um dom e esbarra em um mistério da família: o tio Bruno. Desaparecido há muito tempo, ele previa o futuro mas desagradava a todos com as previsões (que realmente se concretizavam). Para silenciá-lo, a família quase o obrigou a fugir. E é nele que Mirabel acredita estar a resposta para sua pergunta. 

E aqui insiro uma nota particular de piada interna que talvez eu tenha sido o único a perceber: o personagem Bruno acaba por falar demais quando faz suas previsões e sua fuga é um meio de silenciar sua voz. Eu fui o único que pensou em “Silêncio, Bruno!”… de Luca?

Em meio ao visual arrebatador cheio de cor e movimento da vila de Encanto e da Casa Madrigal e dos inúmeros e carismáticos personagens da história, é fácil para nós, adultos, percebermos a real lição por trás daquela trama: não devemos passar a vida nos preocupando em atender às expectativas dos outros e escondendo o que queremos de verdade. Não devemos ter medo de sermos quem quisermos ser.

Com uma trama que flui de maneira fácil e rápida, números musicais incríveis que soam modernos e internacionais e uma personagem tão verdadeira que é quase de carne e osso, Encanto transmite sua lição mais para os pais que para as crianças. Estas vão se deliciar com os animais, as cores e as piadas do filme. Ao abrir mão dos contos de fada e aportar no realismo mágico, a Disney produz um longa de emocionar.

Não tão dramático quanto Frozen ou Raya e o Último DragãoEncanto consegue, sem o perdão do trocadilho, encantar de maneira fácil ao encher nossos olhos com aquele visual de cair o queixo e nos deixar com uma importante lição: seja quem você quiser ser. Este, aliás, pode ser o seu maior dom.

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