Movies

Sidney Poitier

Ator mostrou em Hollywood que um negro poderia ganhar um Oscar e interpretar papeis antes dedicados somente aos brancos

Texto por Carlos Eduardo Lima (Célula Pop)

Fotos: Reprodução

Morreu no último dia 6 de janeiro, aos 94 anos, Sidney Poitier. Quem deu a informação foi o vice-primeiro ministro das Bahamas, Chester Cooper, em sua conta no Twitter.

A família do ator emigrou das Bahamas para os Estados Unidos nos anos 1920 e o pequeno Sidney nasceu na Flórida, em Miami, no dia 20 de fevereiro de 1927. Nos anos 1960, Poitier ficou conhecido como o primeiro ator negro a ganhar um Oscar, no caso, pelo filme Uma Voz Nas Sombras (1964). O público, no entanto, há de se lembrar dele como o professor de Ao Mestre, Com Carinho (1967), cuja canção-tema, “To Sir, With Love”, interpretada pela cantora britânica Lulu, transformou-se num dos grandes sucessos da música pop no final da década de 1960.

Graças aos seus papéis, o público pôde ver que negros podiam ser médicos (O Ódio É Cego, 1950), engenheiros,  professores (Ao Mestre, Com Carinho – foto abaixo), ou mesmo policiais (No Calor da Noite, 1967). Em Adivinhe Quem Vem Para Jantar, também de 1967, ele interpreta o noivo de uma jovem burguesa branca que o apresenta a seus pais, um casal de intelectuais que se acreditam ter a mente aberta.

Tenho, no entanto, duas lembranças nítidas de Sidney Poitier. A primeira é quando ele aparece na tela em O Chacal, de 1997, no qual Bruce Willis é um terrorista internacional e Richard Gere é um prisioneiro irlanês, ex-atirador do IRA, que vai ajudar a força policial americana a deter o bandido. Poitier é um agente da CIA e dá as caras, mandando prender e mandando soltar. É uma rara aparição do homem num filme mediano, mas daqueles que se iluminam quando o sujeito está em cena.

A outra lembrança é emocionante e tem Denzel Washington como participante principal. Em 2003, ele fora aclamado com o Oscar de melhor ator em Dia de Treinamento, tornando-se o segundo ator negro a vencer o prêmio. Talvez por uma das mais felizes coincidências da história do prêmio, Sidney Poitier havia sido homenageado na mesma cerimônia, recebendo uma estatueta pela importância da carreira, dada a ele por… Denzel Washington. Quando veio a hora da entrega do prêmio de Denzel, anunciado por Julia Roberts, a transmissão voltou-se para Sidney, que estava vibrando com o resultado. Washington lhe agradeceu, falou da sua importância para ele mesmo, de como o inspirou e do quanto ele estava orgulhoso por receber a honra na mesma noite que o Mestre.

Momentos emocionantes de um gigante que se vai e que, mais do que tudo, rompeu preconceitos e cravou seu nome na história das artes. E dos direitos civis.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s