Music

Rosie Mankato – ao vivo

Ex-vocalista do Rosie & Me retoma a carreira, lança disco solo sob novo nome e apresenta novidades sonoras

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Texto e foto por André Mantra

Rosanne Machado aka Rosie Mankato viveu seus os últimos quase seis anos anos (desde o final de 2012 após encerrar a banda Rosie & Me, um projeto que durou por seis temporadas) quão intensamente enquanto era a vocalista da sua ex-banda. Uma história que se mistura a outras bandas da cena indie curitibana, embora com propostas distintas: usar todo o seu inglês e haver pelo menos uma mulher à frente (o curioso é que todas já acabaram ou, no mínimo, sem qualquer perspectiva de lançar algo novo, infelizmente). Então a quebra deste “silêncio” serve de alento, um estímulo, uma esperança de retomada.

Na verdade, a Rosie produziu trilhas sonoras, spotscomerciais, faixas para sua própria carreira solo (singles) e também de outros artistas, tudo através do seu Colina Recording Studio. Teve aulas de luthieria, mudou de endereço e estado civil. E quase mudou de país. As apresentações até ocorreram – por mais de uma vez esteve entre as convidadas do projeto Sofar Sounds em Curitiba, fez job para desfile de grife… Sim, até aquela noite fria de outono curitibano em 25 de maio de 2018, para o lançamento do EP Palomino no Teatro do Paiol, a paranaense pode enfim, num formato “banda”, ser reconhecida como artista-operária da música independente novamente. Convencida pelo modus operandos do mercado da música e sobrevivido ao luto de ter uma banda encerrada ao mesmo tempo em que não se reconhecia em grande parte do seu próprio meio, ela agora retoma a carreira madura, menos acanhada e mais empreendedora.

Rosie entrou às 20h15 no palco do Teatro Paiol, diante dos seus familiares, ex-integrantes do Rosie and Me, atuais parceiros musicais e fãs mais antigos que desafiaram a falta de combustível nos automóveis e em postos de gasolinas para uma apresentação de 45 minutos e muitas lágrimas contidas. A abertura foi com “Treehouse”, canção do projeto anterior mas que era perfeita para ocasião. Daí já era perceptível que não era apenas a presença de novos músicos – Gabriel Eubank (bateria, simples e beats), Fabrício Rossini (baixo) e Felix Cecílio (guitarra). Havia nos arranjos apesar da manutenção de alguns dos timbres – pois aquela guitarra melancólica e country presente no disco Arrow Of My Ways ainda é bem executada nos palcos da vida.

As seis novas canções de Palomino foram todas bem recebidas, destaque para “Holler”, “Curly” e “Boat”. As canções novas têm elementos de música eletrônica, além de camadas de guitarra. Ao mesmo tempo não soam como indie rock. É muito bom também constar que o seu canto se adapta muito bem aos arranjos que se propôs apresentar e registrar. Ao longo da apresentação, a cantautora e por vezes intérprete fixou-se em olhar para a sua direita, pois do lado oposto havia muita gente do coração (seus familiares e ex-integrantes de R&M). Apesar de continuar a falar pouco junto ao público, era nítida a mudança da timidez para o intimismo. E quando o set list foi tocado por completo, ainda teve a manha de improvisar um bis com “Come Back”, ao lado do guitarrista Thomas Kossar.

Além de Kossar, Felipe Ayres e outros integrantes ou colaboradores do Rosie & Me continuaram a conversar com a Rosanne após o show no backstage. E não se espante da possibilidade deles tocarem com ela novamente, ainda que esporadicamente, porque esta foi uma separação pra lá de amigável. Fãs também perguntaram a respeito da inserção de mais canções daquela época nas próximas datas. Mankato não só confirmou como falou que deve regravá-las. Ou seja, o legado da ex-banda o legado segue.

É bom sempre lembrar que apesar da presença dos aplicativos e também da ausência de players de CDs nos automóveis da vida, foram vendidas cópias físicas do EP Palomino, praticamente todas devidamente autografados. Arrisco em dizer que se houvesse também do Rosie & Me estas venderiam bem também. Passada por tantas emoções e devidamente reinserida no meio e no mercado, Rosie Mankato só faz a gente aguardaremos por mais (boas) novidades dela mundo da música.

Set List: “Treehouse”, “The Big Fight”, “Boat”, “Old Folks”, “Chino”, “Shotgun To The Heart”, “Don’t Be Mad”, “Holler”, “Daughter, Daughter”, “Curly”. Bis: “Come Back”.

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