TV

Orlando Drummond

Ator fez história na TV brasileira como o Seu Peru da Escolinha do Professor Raimundo e dublando muitos seriados e desenhos animados

Texto por Fábio Soares

Foto: Reprodução

Para quem nasceu nos anos 1970 como eu, assistir à TV era um dos principais passatempos da criançada. Por isso, o papel dos desenhos animados nos canais abertos ocupou especial lugar em corações e mentes.

Scooby-Doo, o Vingador de A Caverna do Dragão, Popeye, Gargamel de Os Smurfs, além do “ETeimoso” Alf: todos estes personagens, apesar de distintos entre si, possuíam algo em comum: a voz. Nascido no Rio de Janeiro em outubro de 1919, Orlando Drummond Cardoso teve em Paulo Gracindo seu grande incentivador, sobretudo para a dublagem. É inexato afirmar em quantos episódios de seriados e cartoons sua voz esteve onipresente. Unanimidade entre dubladores, viu três de seus filhos (Eduardo, Alexandre e Felipe) seguirem o mesmo caminho, aliás 

Mas foi em 1952, recrutado por Chico Anysio, que ele começou a forjar seu mais marcante personagem para a fase ainda radiofônica da Escolinha do Professor Raimundo. Ali fazia o Seu Peru, estereótipo do afetado homossexual que a todo custo tentava “tirar do armário” célebres figuras da história e atingiu o ápice da popularidade na Escolinha da TV, exibida pela Rede Globo nas tardes de segunda a sexta. Suas roupas de cores berrantes, o gestual exagerado e a fita na cabeça fizeram com que o delicado tema da homossexualidade fosse abordado de forma leve. Seu Peru era adorado pelas crianças, jovens, senhoras. Era o tio-avô que fazia todos rirem. Um dos únicos casos em que o personagem engoliu seu criador.

Em outubro de 2019, ao completar um século de idade, concedeu entrevista ao jornal O Estado de São Paulo e foi indagado sobre o segredo de sua longevidade. “Antes do humor, tem o bom humor, que eu sempre tive. Por isso, andei pelos caminhos que andei e cheguei onde cheguei. Na verdade, sempre defendi a tese de que as duas coisas mais importantes da vida são amor e humor. A alegria sempre esteve na minha vida. Então, a melhor forma de retribuir tanta alegria que a vida me deu foi espalhando a alegria com o meu trabalho”, afirmou.

Nos desenhos animados, seriados, na Escolinha, nos comerciais de TV ou na vida real, Orlando Drummond quase nos deu a utópica ideia da imortalidade. E quer saber? Nem é tão utópica assim. Afinal, de uma forma ou de outra, o gigante da dublagem brasileira e da atuação permanece vivo, mesmo depois de sua morte, ocorrida aos 101 anos de idade, na última terça-feira, 27 de julho de 2021.

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