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Star Wars: Os Últimos Jedi

Recheado de humor e autorreferências, novo longa da saga responde a muitas perguntas abertas no episódio anterior e ainda traz algumas surpresas para os fãs

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Texto por Carlos Eduardo Lima

Foto: Disney/Buena Vista/Divulgação

Este ano completamos o 40º aniversário do primeiro longa da série Star Wars, o episódio IV, que hoje leva o subtítulo de Uma Nova Esperança. Ninguém poderia imaginar que os personagens deste primeiro filme se transformariam em ícones da cultura pop e que sobreviveriam tanto tempo. Não só sobreviveram como tornaram-se mais emblemáticos à medida que o tempo foi passando. Muito tempo e muito dinheiro depois, estamos no oitavo – descontando o mediano spin-off Rogue One, de 2016, e o obscuro Caravana da Coragem, de 1987 – que fazem menção ao universo criado por George Lucas e recentemente amplificado e turbinado pela Disney. Sendo assim, com a responsa de levar a saga adiante e reinventá-la para as plateias de 2017, temos o Episódio VIII agora nos cinemas, Star Wars: Os Últimos Jedi (Star Wars: The Last Jedi, EUA, 2017 – Disney/Buena Vista).

Como estou supondo que você, leitor, está aqui porque já tem familiaridade mínima com personagens e história, não me deterei em explicar nada que já não seja do conhecimento de todos. Este novo longa parte em busca de respostas para as perguntas deixadas no capítulo anterior: Quem é Rey? Luke vai treiná-la nas artes da Força? A Resistência vai, bem, resistir? E Kylo Ren? Tem algo de bom ainda em seu âmago? E os personagens apresentados recentemente (Finn, Poe e cia) como estão? E o tal Supremo Líder Snoke? A boa notícia é que a maioria esmagadora delas é respondida e a trama é colocada numa esteira de atualização/inovação que dá, de fato, cara nova a velhos mitos. Mesmo assim, não há como negar a presença de algo que já habitava o episódio anterior: a autorreferência. Parece que estes novos capítulos da saga foram concebidos tendo os filmes clássicos como parâmetro. Sendo assim, cabe a Os Últimos Jedi repetir e revisitar passagens de O Império Contra-Ataca e é exatamente o que acontece.

Está tudo aqui: a tentação pelo lado negro da Força, as reviravoltas, referências explícitas a combates do passado, como o combate entre os andadores da Primeira Ordem e os veículos da Resistência ou as batalhas espaciais entre cruzadores e destroyers, além, claro, das escaramuças entre Tie Fighters e X-Wings. Mesmo em meio a tanta autorreferência, há espaço para novidades. Tem mais humor neste longa, de um jeito como nunca se viu na saga. Também tem muitos bichinhos adoráveis, talvez até em excesso, que fornecem, junto com os robôs, o alívio cômico necessário e já esperado. Tem a presença de Carrie Fisher, vivendo sua imortal Princesa Leia, com a autoridade máxima dentro deste universo. Tem Mark Hamill, oferecendo um Luke envelhecido e desiludido com seu destino materializado. E tem as ótimas atuações de Daisy Ridley e, especialmente, de Adam Driver, que faz seu Kylo Ren evoluir do estado “emo” do filme anterior para um moleque maligno sem escrúpulos ou qualquer sombra de caráter – ainda que permaneça algo muito misterioso sobre sua verdadeira natureza, que, certamente ficará para o próximo filme.

A trama tem alguns arcos desnecessários, como o que introduz o hacker DJ (Benício Del Toro), algo que poderia ser evitado. Tem a chegada de uma nova e adorável personagem, Rose (Kelly Marie Tran), que tem fôlego suficiente para tornar-se integrante do primeiro time. E tem a volta de gente querida dos filmes clássicos, que aparecem mais ou menos tempo na telona, provocando reações do publico. O roteiro apresenta alguns problemas, especialmente no meio do filme, quando perde o fôlego, mas o recupera bravamente no terço final, chegando a promover algumas cenas que arrancaram aplausos no cinema. Há ainda surpresas genuínas e um final pra lá de coerente, que fez este velho fã ficar arrepiado nas bochechas e na nuca.

Os Últimos Jedi é bom divertimento, bem dirigido e roteirizado por Rian Johnson. É um filme bom, digno de levar o selo Star Wars. Ainda que, repito, a autorreferência ao passado seja excessiva em alguns momentos, a recomendação é a de vê-lo mais de uma vez na telona.

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