Music

Warpaint + Deerhunter + Mercury Rev – ao vivo

Edição 2018 do Balaclava Fest contou também com shows de Metá Metá, Jaloo, Marrakesh, Barbagallo e MOONS

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Warpaint

Texto por Fabrizio Zorzella

Fotos: Fabricio Vianna/Balaclava/Divulgação (Warpaint e Mercury Rev) e Marta Ayora (Deerhunter)

Num domingo frio de novembro em Sampa (4 de novembro), o selo Balaclava Records promoveu mais um dos seus ótimos e intimistas festivais. A Audio foi palco da farra e viu em seu espaço uma mistura de indie rock, dream pop, psicodelismo, electro, jazz e folk para ninguém reclamar. Diferentemente da versão do ano passado, em que o público não pareceu comparecer em peso, dessa vez os vários espaços dentro da excelente casa de shows estavam tomados. Me lembrou a vibedas edições do Popload Festival de 2014 e 2015 (faltou só aquele último ambiente com o caminhão de Heineken, né?).

As portas se abriram as 16 horas para, meia hora depois, no palquinho menor (o Club), a banda folk MOONS já abrir os trabalhos. Acabei não chegando a tempo de acompanhar. Falha minha! Depois, como já diria a velha expressão… quem não tem Tame Impala caça com algum amigo do Kevin Parker nos seus projetos solo. Né, não? Sendo assim, às 17 horas, o baterista francês de turnê do grupo australiano, Barbagallo, abriu o palco principal (o Stage), com um dream pop psicodélico cantado na sua língua materna. Eu vi, mas poucos viram as nove deliciosas canções tocadas. Na sequência, o Marrakesh, de Curitiba, se apresentava no palco Club. Divulgando seu mais recente álbum, o excelente Cold As Kitchen Floor, lançado pela própria Balaclava, os caras misturam três guitarras com sax! Me senti num show do King Krule.

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Mercury Rev

Depois, voltando ao Stage, vieram os americanos e velhos indies de guerra do Mercury Rev, voltando ao país depois de tocar somente em Curitiba em 2005. Eles tocaram músicas do álbum do ano de 1998 para a NME, a obra-prima da banda, Deserter’s Songs. Com os instrumentos altíssimos, chegando até ao vocal de Jonathan Donahue ficar inaudível por alguns momentos, os caras torraram o cérebro da porção mais velha do público que foi ao festival exclusivamente para vê-los. Músicas como “Holes” ou “Opus 40” soam tão magistrais e psicodélicas como na versão gravada de duas décadas atrás. Foram músicas e fim de papo.

O paraense Jaloo deu as caras com seu tecnobrega antes dos três headliners entrarem em ação (um pouco atrasado, em função de falha no sistema elétrico do Club). Misturou singles e faixas do primeiro álbum, #1, e ainda aproveitou para “testar” músicas ainda desconhecidas do grande público. Um bom ato para se requebrar. Mas da minha parte, confesso, após a quinta música já estava me dirigindo ao outro palco para ver o “meu” headliner.

A próxima atração do Stage era nada mais, nada menos que o indie do indie Deerhunter. Banda de Atlanta, Georgia, que tem como seu frontman o gigante Bradford Cox. São sete álbuns na bagagem e mais na iminência de ser lançado. O grupo americano estava estreando no Brasil. Alegria? Acho que a felicidade de verdade só para quem estava do lado de cá da plateia, porque naquele mesmo domingo já havia sido noticiada, via rede social, a morte do antigo baixista dos caras, Josh Fauver (escrevi esse texto na quarta-feira, três dias depois do show; logo depois do show no Brasil foi anunciado o cancelamento o resto da turnê sul-americana).

Verdade seja dita: mesmo com um sentimento péssimo rondando as cabeças deles, os caras mandaram demais (na minha opinião, se soubessem do fato antes da viagem para cá, teriam cancelado tudo!). Set list enxuto, mas cheio de pérolas. O que dizer de uma banda que pode se dar ao luxo de emendar na sequência “Revival”, “Breaker” e “Desire Lines”? Arranjaram ainda um tempinho de tocar o novo single, ‘Death In Midsummer’, além de voltarem para um bis e fazerem uma justa homenagem ao ex-baixista, tocando “Nothing Ever Happened”, escrita pelo mesmo. Havia visto o Deerhunter no Primavera Sound em 2016, mas esse foi disparadamente melhor. Foi também um show para o eterno amigo/colega. Quem presenciou se deu muito bem.

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Deerhunter

Após os “caçadores de cervos”, o Metá Metá fechou o palco Club. Pequeno para eles, já que mereciam o Stage! O triozaço paulista de jazz rock (que, ao vivo, toca como um quinteto) e liderado pela Juçara Marçal nos vocais, tocou faixas dos três álbuns de estúdio. Seus arranjos são fortemente influenciados por ritmos africanos e da MPB, com destaque para a derradeira canção “Oba Ina”. Bom para quem não se importou em pegar um lugar pior na última atração da noite para de fato ver algo profundamente original e dançante. Por mais Metá Metás no mundo!

Ai chegou a vez do “headliner principal”. Também dos Estados Unidos, grupo Warpaint, formado por Emily Kokal (guitarra, teclados e voz), Theresa Wayman (guitarra, teclados voz), Jenny Lee Lindberg (baixo e voz) e Stella Mozgawa (bateria e voz), veio pela terceira vez ao Brasil mostrar todo o seu rock contemplativo. Com a pista do palco Stage completamente abarrotada para vê-las, elas abriram o show com os riffs da música auto-intitulada para começar a viagem em grande estilo. Como não divulgam nenhum álbum novo nessa volta (já haviam vindo com a turnê do disco Heads Up em 2017), mesclaram bem os sons dos quatro trabalhos da carreira.

Confesso que algumas músicas são um pouco “a mais” para mim. Mas quando acertam a mão soam incríveis. “Love Is To Die” e “So Good” são bons exemplos de acertos. Na parte final do show rolou um #EleNão em uníssono (depois de uma camisa com o tema ser lançada para o palco) e uma tentativa de explicação do que isso significava para as musicistas! Emily disse que todos ficaríamos bem porque tínhamos uns aos outros que estavam ali (#divou), mas que por enquanto o importante era nos divertirmos. Então, elas emendaram o hit máximo da banda, “New Song”.

Ainda rolou “Disco//Very”, mas me dei de presente o final do festival com a música anterior. Felicidade define.

Set List: Mercury Rev: “Holes”, “Tonite It Shows”, “Endlessly”, “Opus 40”, “Hudson Line”, “Goddess On A Hiway”, “The Funny Bird”, “Pick Up If You’re There”, “Delta Sun Bottleneck Stomp” e “The Dark Is Rising”.

Set List Deerhunter: “Cover Me (Slowly)”, “Agoraphobia”, “Revival”, “Breaker”, “Desire Lines”, “Death In Midsummer”, “Take Care”, “Snakeskin”, “Helicopter”, “We Would Have Laughed”. Bis: “Nothing Ever Happened”.

Set list Warpaint: “Warpaint”, “Elephants”, “Bees”, “The Stall”, “Love Is To Die”, “Intro”, “Keep It Healthy”, “Beetles”, “Drive”, “Krimson”, “So Good”, “Billie Holiday”, “Above Control”, “New Song” e “Disco//Very”.

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