Music

Sepultura

Em entrevista exclusiva, Andreas Kisser fala sobre o ano da banda, a gravação do novo álbum, o Rock In Rio e a paixão por motocicletas

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Texto e entrevista por Abonico R. Smith

Foto: Rafael Mendes/Divulgação

O mês de abril será intenso para o Sepultura. Serão seis datas em países que formavam parte da extinta União Soviética. Três shows iniciais na Ucrânia, mais um na Rússia (em uma cidade menor, por onde a primeira parte da turnê internacional do álbum Machine Messiah, que já esteve antes em Moscou e são Petesburgo), outro no Cazaquistão e outro no Quirguistão. Na “República de Borat”, então, será a primeira vez do quarteto brasileiro em ação. Logo depois, haverá uma pequena esticada para o Oriente Médio, com passagens por Líbano e Emirados Árabes Unidos.

Este calendário especial, entretanto, é só começo de um ano agitado para Andreas Kisser, Paulo Jr, Derrick Green e Eloy Casagrande. Para agosto estão marcadas as sessões de gravação em estúdios do novo disco da banda. Antes disso, muitos rascunhos e reuniões para as primeiras definições quanto ao repertório. Logo depois, ensaios para a noite do dia 4 de outubro, quando a banda abre os trabalhos do palco Mundo no Rock In Rio, em uma das noites mais aguardadas pelos fãs do heavy metal. Fechando, mais algumas datas que deverão ser marcadas o decorrer da temporada. E, como aquecimento para a maratona, dois shows agora em fevereiro: dia 2 no balneário de Iguape, no estado de São Paulo; e 9 em Curitiba, no Curitiba Motorcycles, evento que reunirá amantes do universo dos roncos dos motores sobre duas rodas, além de shows de grandes bandas da cidade, como Motorocker, Secret Society, Hillbilly Rawhide e Didley Duo (mais informações aqui)

Para carregar as baterias, o guitarrista Andreas Kisser partiu para Los Angeles para passar alguns dias de férias com a família e, de quebra, visitar uma feira de música realizada na Califórnia no fim de janeiro. Horas antes de embarcar, ele atendeu ao telefone para conversar rapidamente com o Mondo Bacana e antecipar um pouco do que está por vir.

Já dá para adiantar algo sobre o próximo álbum? Existe alguma direção encaminhada? Conceito, nome?

Vamos gravar em agosto. Enquanto isso temos algumas demos feitas a partir de ideias iniciais. Fizemos recentemente obras temáticas com influências de livro ou filme, mas acho que mais importante do que isso agora é ir coletando que estamos vendo pelo mundo. A cada nova turnê visitamos países que onde nunca havíamos tocado antes, como, por exemplo, o Cazaquistão agora. Destas observações saem coisas importantes que acabam sendo transformadas em música depois. Machine Messiah surgiu disso, da dependência cada vez maior que as pessoas têm da tecnologia.

Falando sobre o Brasil e sobre o binarismo zero um da tecnologia, de que forma você vê toda esta polarização que domina o país já há algum tempo. Parece que tudo se transformou em binário por aqui: ou é azul para meninos ou rosa para meninas, ou PT ou PSDB (e agora o PSL no lugar)…

Já rodamos muito pelo Brasil e te digo isso não é uma cultura nacional recente, não. Sempre foi assim, não vejo como algo diferente de uns tempos para cá. Este discurso não se tornou diferente nos últimos anos. Só que não podemos nos esquecer que tudo vem sendo muita ideologia. Precisa ser mais realista. Nosso país é algo bem maior do que qualquer divisão. Tomando como exemplo a imigração: o Brasil sempre recebeu os estrangeiros de braços abertos. Minha família, por parte de avó, veio da Eslovênia, por exemplo. Assim como também veio gente de outros países para construir uma nova vida no Brasil: japoneses, italianos, alemães. Entretanto, existem e existirão pessoas que pensam diferente da gente. E democracia é isso, é o debate de ideias.

Como é o processo de criação do Sepultura?

Eu vou gravando algumas ideias iniciais e o Eloi vai preparando algo focado na parte rítmica. Depois disso o Paulo segue com algumas sugestões. Por fim, Eu e o Derrick sentamos e pensamos nas letras. Passadas estas fases nos reunimos os quatro e arranjamos as músicas todos juntos.

Nas últimas edições do Rock in Rio vocês vem sendo presença constante na programação, inclusive fazendo parcerias inusitadas com artistas como Zé Ramalho e Les Tambours du Bronx…

É, o Rock In Rio é um show único, uma oportunidade de apresentar algo novo e diferente. Como gravaremos o disco em agosto e tocaremos no festival no dia 4 de outubro, com certeza deveremos apresentar em primeira mão algo do disco novo. Pelo menos uma música inédita deverá presente no set. E esta será a noite do metal também. Iron Maiden, Scorpions, Megadeth, Slayer, Anthrax, Nervosa, Torture Squad, Claustrofobia e o vocalista do Testament também se apresentação. Muitos ídolos, mas há também novos nomes do gênero. Eu me lembro até hoje de 1991, quando o Rock In Rio abriu espaço para o Sepultura. A gente havia acabado de gravar o álbum Arise e ali tocamos “Orgasmatron” pela primeira vez. Na mesma noite testavan Guns N’Roses, Judas Priest, Queensrÿche, Lobão e o mesmo Megadeth que voltaá a tocar com a gente agora.

Este encontro de gerações também vem acontecendo dentro do próprio Sepultura desde a entrada do Eloy na bateria, em 2012. Ele nasceu em janeiro de 1991, justamente seis dias depois do show do Sepultura no Rock In Rio 2. Como é o entrosamento de veteranos dentro da banda, como você e o Paulo, com alguém que nasceu quando vocês começaram a fazer sucesso no exterior com os álbum Beneath The Remains (1989) e Arise (1991)?

O Eloy tem uma característica marcante: ele começou bem cedo, muito novinho mesmo. Com 18 anos já estava gravando disco com o André Matos. Depois passou pelo Gloria. Trilhou seu próprio caminho, passando por diferentes estilos, participando de concursos mundiais. Tem técnica, tem groove. Acho o Eloy um cara muito profissional, passional e extremamente organizado. Para mim, ele talvez seja na atualidade o melhor baterista do mundo. E não impressiona só a mim não. Já deixou de boca aberta gos bateristas do Metallica e do Slayer também.

Falando no metal como um gênero extenso, em The Mediator Between The Head And Hands Must Be The Heart (2013) vocês foram produzidos por Ross Robinson. Como é trabalhar com ele?

Já havíamos feito o Roots. Então foi muito legal reencontrá-lo em seu estúdio em Venice Beach. O curioso é que ainda estão lá muitos equipamentos que nós usamos no Rootslá em 1995. Sua metodologia de trabalho é intensa e orgânica. Sem falar que é um cara espiritual e de grande técnica de estúdio. Afinal, o cara participou de toda a história do nü metal, gravando discos com Korn, Slipknot, Machine Head, Limp Bizkit… Fez um álbum com o Cure também, o que é muito interessante.

Quem produzirá este novo trabalho?

Vamos fazer com o mesmo cara que produziu o Machine Messiah, Jens Bogren. De novo nós vamos para o estúdio dele, que fica na Suécia.

Aliás, é uma diferença climática enorme entre gravar em Venice Beach, uma praia californiana, e gravar no interior da Suécia. Se bem que quando vocês estiverem lá agora em agosto será ainda verão no Hemisfério Norte. Portanto não deve fazer tão frio quanto o habitual no inverno.

De fato! Na época da gravação com certeza o clima estará mais ameno. Eu já peguei inverno brutal na Suécia. E eu não gosto disso… (risos)

Em Curitiba, o Sepultura tocará numa festa qie promoverá um grande encontro entre apaixonados por motocicletas. Qual é sua relação pessoal com este universo?

Tinha vários pôsteres de Cb 400 na parede do meu quarto quando era moleque. Só que minha mãe nunca me deixou andar de moto, o que eu agradeço muito a ela. Sempre fui um grande apreciador tanto da estética quanto das competições esportivas mas poderia ter me quebrado muito. Falo porque só quebrei o braço uma vez e isso foi quando estava em um jet ski. Tinha aquela falsa impressão de segurança por estar sobre a água… e aconteceu isso!

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Thirty Seconds To Mars

Oito motivos para você não deixar de ver Jared Leto cantando ao vivo com sua banda em nova passagem pelo país

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Texto por Abonico R. Smith

Foto: Divulgação

Primeira turnê pelo Brasil

O Thirty Seconds to Mars já tocou no país, duas vezes antes e para muito mais gente no Rock In Rio. Só que este é o primeiro giro que eles farão por outras cidades e, o melhor, tocando bem mais pertinho do espectador, deixando de ser um pontinho lá longe em cima do palco. Na última semana de setembro eles – cuja formação atual está reduzida a uma dupla, formada pelos irmãos Jared (guitarra baixo, teclados e voz) e Shannon Leto (bateria), mais músicos contratados para as viagens –  tocarão em três cidades brasileiras: São Pualo (26), Porto Alegre (29) e Curitiba (30). Veja aqui, aqui e aqui (respectivamente) mais informações sobre estes shows  em cada uma dessas cidades por onde passará a Monolith Tour.

Sonoridade interessante

Se está longe de reinventar a roda do rock e propor algo de inovador, o Thirty Seconds To Mars também passa longe dessas bandinhas genéricas que costumam xerocar fórmulas, empastichar suas músicas e encher a grade das programações anuais do Lollapalooza brasileiro. No caldeirão de referências sonoras do Thirty Seconds To Mars entram indie, pop, grunge e o pós-punk britânico mais sintonizado nos tons sombrios do gótico. Elementos que, de certa forma, são compatíveis e formam uma boa mistura no comando da voz de Leto.

Jared boa-praça

Diferente de muito rockstar que usa o palco somente como utensílio teatral para manter-se afastado fisicamente dos seus fãs, Jared procura fazer dos shows de sua banda uma grande comunhão. Conversa sem parar entre as canções, arrisca-se na língua nativa, chama gente para subir ao palco só para anunciar a próxima música, veste literalmente a banda do país onde está. No Rock In Rio, em 2013, chegou ao ponto de manter os outros companheiros de grupo tocando e se mandar para a tirolesa, cantar pendurado nela para descer por ela e ainda correr ao palco para terminar a música. Portanto, estando bem mais próximo da plateia, é bem provável que ele possa passar ao seu lado e esbarrar em você.

Críticas afiadas aos EUA

Em 2018, o Thirty Seconds To Mars completa vinte anos de banda. Entretanto, nega-se a olhar para o passado, revisitando o que já foi feito. Pelo contrário. Jared Leto segue em frente, procurando novos trabalhos, muito provavelmente influenciado pelo modus operandi de ator. Por isso, no final de 2015, quando a banda se desligou da gravadora à qual pertencia, preferiu seguir pelos próprios trilhos, montando selo próprio e compondo um repertório muito mais politizado do que o de outros discos já gravados. O álbum America, lançado no último mês de abril e base de metade do repertório da atual Monoltih Tour, é uma pedrada atrás da outra no telhado de vidro do governo Donald Trump. O primeiro single, “Walk On Water”, por exemplo trata da questão da vergonhosa política de imigração que o presidente norte-americano quer impor em seu país. A crítica não engoliu muito bem o disco, sobretudo o maior flerte com um pop de cara mais eletrônica. Entretanto, não deixou de dar destaque à verve irônica e politizada das letras escritas por Jared.

Documentários da banda

Regularmente, o Thirty Seconds To Mars produz um documentário mostrando os bastidores de um disco, turnê ou gravação de videoclipe. Sempre com o próprio Jared assumindo a direção dos projetos e assinando com o pseudônimo de Bartholomew Cubbins. O mais recente deles chama-se A Day In The Life Of America e mostra, segundo Leto, “a América na sua mais imperfeita glória”. Ele pediu para que as pessoas gravassem no celular e enviassem à banda as suas histórias pessoais, contando fatos que as inspiram, transformam e desafiam, de preferencia ocorridos naquele momento ou horas antes. Tudo gravado no Dia da Independência dos EUA, 4 de julho. Outras excelentes opções de documentários da banda são Artifact (2012) e Edge Of The Earth (2014). O primeiro escancarou algumas das facetas mais obscuras e chocantes do mercado fonográfico, contando inclusive com a participação de figurões doe altos escalões do meio. Já o segundo acompanha as dificuldades sofridas pela banda para ser a primeira de toda a História a gravar um videoclipe (no caso, para a faixa “A Beautiful Lie”) no continente Ártico. Eles foram até uma pequena e remota vila no norte da Groenlândia para fazer todas as cenas. O objetivo era chamar a atenção de todo o planeta para os efeitos promovidos pelo aquecimento global.

Ambivalência de qualidade

Afinal, Jared Leto é um ator que virou cantor ou um cantor que virou ator? Depende do ponto de vista que você olhar as duas carreiras paralelas dele. Seu primeiro trabalho relativamente conhecido foi como Jordan Catalano na série de TV My So-Called Life(exibida entre 1994 e 1995 e que aqui no Brasil recebeu o nome de Minha Vida de Cão), na qual contracenava com a então adolescente Claire Danes. Até o fim dos anos 1990 fez alguns trabalhos sem muita repercussão no cinema, até emplacar uma série de filmes cultuados como Clube da Lutae Garota, Interrompida em 1999 e, no ano seguinte, Psicopata Americanoe Réquiem Para Um Sonho. Quando o Thirty Seconds To Mars finalmente lançou seu primeiro álbum já era 2002 e o nome de Leto já havia sido relacionado com o mundo de Hollywood.

Clube de Compras Dallas

Desde que lançou o primeiro álbum, Jared manteve a carreira de ator em segundo plano, priorizando os compromissos de shows e gravações de áudio e vídeo com a banda. Mas em 2013 não teve jeito: ao fazer o papel da transgênero Rayon em Clube de Compras Dallas, dominou o destaque como ator coadjuvante da temporada e fez o rapa nas premiações da categoria nos dois primeiros meses. A série de troféus culminou com Leto batendo adversários como Bradley Cooper (em Trapaça), Jonah Hill (em O Lobo de Wall Street) e Michael Fassbender  (em 12 Anos de Escravidão, longa vencedor do principal prêmio da noite). Sua performance foi tão intensa que mesmo já tendo passado duas décadas fica difícil esquecer de sua atuação ao lado do cowboy soropositivo Ron Woodroof, interpretado por Matthew McConaughey (que também ganhou o Oscar de ator principal pelo mesmo filme).

O Coringa do Esquadrão Suicida

Se existe um vilão megacultuado no universo de super-heróis da DC este é Coringa. Histriônica, enigmática, colorida, muitas vezes cruel, sua personalidade tem garantido ao personagem performances memoráveis de grandes atores no cinema. Jack Nicholson fez o trabalho no primeiro filme do Batman nos anos 1980/1990, sob a direção de Tim Burton. Depois, quando Christopher Nolan assinou a trilogia que adaptava a saga dos quadrinhos O Cavaleiro das trevas, foi a vez de Heath Ledger encarná-lo – o que, inclusive, teria contribuído para a overdose não acidental de remédios que matou o ator logo após as gravações. Quando a Warner anunciou que levaria aos cinemas o time de antagonistas chamado Esquadrão Suicida, Ledger assumiu a vez de Coringa, agora como o par romântico da espevitada Harley Quinn de Margot Robbie. A galeria de grandes atores ganhou recentemente um novo integrante, Joaquin Phoenix, já anunciado como o Coringa de seu filme solo, que chegará às telas em outubro de 2019. Enquanto isso, especula-se o retorno de Leto como o mesmo personagem no segundo longa do Esquadrão Suicida, ainda sem previsão de data de lançamento.