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007: Sem Tempo Para Morrer

Despedida de Daniel Craig do papel de James Bond chega aos cinemas em grande estilo e marcada por tom dramático

Textos por Flavio Jayme (Pausa Dramática) e Marden Machado (Cinemarden)

Fotos: Universal Pictures/Divulgação

M, na pele de Ralph Fiennes, diz uma das falas mais representativas do novo filme de James Bond: “o mundo não é mais o mesmo”. E realmente não é.

Desde que o espião surgiu nas páginas literárias e no cinema, muita coisa mudou. Menos ele. Bond continuava o mesmo galanteador que desprezava as mulheres e não se importava com os sentimentos alheios. Aí veio Daniel Craig.

Em 2006, o ator assumiu o título de “Bond, James Bond”, e podemos dizer sem exageros que transformou o personagem. Seja por conta de carisma, de talento, de excelentes coadjuvantes ou de bons roteiros mais antenados com o mundo, os cinco filmes do agente estrelados por Craig formam uma série à parte dentro da história de Bond no cinema.

Não à tôa, sua despedida como Bond acontece agora em grande estilo e de forma inédita. Nunca em todos os filmes um ator que foi trocado sai de cena da forma como Daniel Craig sai. Sua despedida se dá em grande estilo, e a vaga (aberta ou não, não vou estragar esta parte!) está pronta para ser ocupada por um novo agente.

A história de 007: Sem Tempo Para Morrer (No Time To Die, Reino Unido/EUA, 2021 – Universal Pictures) dá continuidade aos eventos de Spectre e Skyfall, mas não se iluda: este não é um simples filme de James Bond. É uma despedida de um dos atores que mais marcaram o personagem (até porque para a atual geração provavelmente nem existe outro, já que eles ignoram qualquer acontecimento anterior a 2000). E todo o filme traz um tom muito mais sóbrio e dramático. A ameaça de uma doença mortal transmitida pelo toque que pode se tornar uma pandemia, inclusive, é absoluta e perigosamente up to date.

Esqueça as perseguições mirabolantes, as fugas espetaculares. Elas agora são muito mais “pé no chão” e, por isso mesmo, Sem Tempo Para Morrer pode decepcionar os fãs de saltos de aviões, perseguições aéreas e explosões infindáveis. Este Bond está cansado de conflito físico. Suas perseguições de carro, por exemplo, são muito mais “cruas” e nem por isso menos impressionantes.

Como não poderia deixar de ser, o longa nos leva para cenários idílicos e pitorescos: de uma vila esculpida na rocha na Itália a uma cidade em Cuba, a viagem ao lado de Bond é deliciosa e perigosa. As mulheres também estão ali ainda, mas, em vez de meras coadjuvantes, são suas aliadas. Atiram, batem, matam assim como ele. E aqui o elenco faz bonito (em todos os sentidos): Léa Seydoux, Ana de Armas e Lashana Lynch dão um show à parte. (FJ)

***

Quase 60 anos após o lançamento do filme inaugural da franquia James Bond chegamos à 25ª aventura oficial do agente secreto de sua majestade. Pronto desde o final de 2019, deveria ter sido lançado em abril do ano passado, mas a pandemia atrasou a estreia em quase dezoito meses. O filme é dirigido pelo americano Cary Joji Fukunaga, responsável pela primeira temporada da série True Detective, também autor do roteiro, junto com Neal Purvis, Robert Wade e Phoebe Waller-Bridge.

Ao longo desse período de seis décadas tivemos seis intérpretes do espião da MI6 e em 007: Sem Tempo Para Morrer (No Time To Die, Reino Unido/EUA, 2021 – Universal Pictures) o ator Daniel Craig, após 15 anos à frente desse icônico papel em cinco filmes, se despede da personagem. O novo filme começa logo depois dos eventos de 007 Contra Spectre, de 2015. Bond está aposentado e vivendo na Jamaica até ser procurado por Felix Leiter (Jeffrey Wright), seu amigo da CIA. Uma série de eventos o coloca novamente na mira da Spectre e de um novo e misterioso inimigo, Safin (Rami Malek).

Assim como em Skyfall, de 2012, Sem Tempo Para Morrer explora aspectos da vida pessoal do agente. O mais interessante nesses cinco filmes de Bond estrelados por Daniel Craig é a forma como os produtores e roteiristas desenvolveram uma cronologia própria que tem início em Casino Royale, de 2006; continua em Quantum Of Solace, de 2008; e passa pelos outros dois já citados. Craig continua bastante à vontade no papel. Sem exagero algum, pode ser considerado o melhor Bond de todos e é, desde já, o ator que por mais tempo deu vida ao herói.

Apesar de sua longa duração, o filme não perde o ritmo um segundo sequer e mantém nossa atenção do início ao fim. Confesso que até o momento Skyfall era meu 007 favorito da série. Agora posso dizer que ele está tecnicamente empatado com Sem Tempo Para Morrer. Por fim, uma nova personagem, vivida por Lashana Lynch, é apresentada e rende bons diálogos relativos aos zeros que designam a permissão para matar. (MM)

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