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O Juízo

Thriller psicológico brasileiro desperdiça ótimos nomes em seu pequeno elenco com sérias lacunas em sua linguagem

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Texto por Leonardo Andreiko

Foto: Paris Filmes/Divulgação

Nos últimos anos, o terror brasileiro tem ganhado projeção nos circuitos de festivais mundo afora. Junta-se ao coro um já estabelecido diretor, Andrucha Waddington, responsável por alguns documentários sobre artistas da MPB mais diversas colaborações com Fernanda Torres, sua esposa, e Fernanda Montenegro, sua sogra. Em O Juízo (Brasil, 2019 – Paris Filmes), estas parcerias se repetem.

O roteiro, segundo assinado por Torres em sua carreira, gira em torno de uma família que recém se mudou para a Casa Grande herdada por Augusto (Felipe Camargo). Além dele, Tereza (Carol Castro) e seu filho Marinho (Joaquim Torres Waddington) devem adaptar-se à nova casa, sem luz e isolada da cidade mais próxima. No entanto, a família é ameaçada pelos espíritos de um escravo (Criolo) e sua filha (Kênia Bárbara), assassinados por um antepassado de Augusto (por problemas temporais da narrativa não fica claro se é seu avô, constantemente citado ao longo do filme, ou alguma geração anterior). Aqui, Andrucha e Torres desenham um thriller psicológico, claramente inspirados em clássicos de Stephen King, como O Iluminado e Cemitério Maldito, porém sem sucesso.

Este é, sem dúvidas, um filme problemático. Não necessariamente em seu tema, mas em seus aspectos mais técnicos, desde a direção e o roteiro à atuação do pequeno elenco que compõe o longa. A integração desses problemas, no entanto, dificulta uma análise fragmentada destes aspectos.

Explico. O Juízo abre desenhando perguntas que jamais são respondidas. A principal delas, que está presente em todo filme, é “quem são esses personagens?”. A segunda, de igual importância, é “por que estes personagens estão se mudando para esta casa, sem luz e completamente isolada de sua aparente vida anterior?”.  Nenhuma dessas questões é satisfatoriamente solucionada, o que prejudica a imersão do espectador na história. Como vamos nos importar com o que ocorre com personagens que mal conhecemos, muito menos entendemos o porquê de estarem nessa situação? As tentativas, propostas pelo roteiro, são insuficientes, mas a direção parece estar igualmente despreocupada com a imersão do público. Há, aqui, a ausência de elementos fundamentais do cinema, uma fundação para a construção do filme.

Waddington tenta estabelecer suspense, principalmente por meio de imagens estilizadas (estilo não falta nesse filme!), porém nos distancia de seus personagens, já que não há uma conexão primordial ao funcionamento de qualquer filme (a saber: entre personagens e espectador). Ainda, não há uma definição espacial-geográfica. Como exemplo, não conhecemos pontos fundamentais da estrada que liga a cidade à casa ou até mesmo os ambientes internos desta casa. A magnitude opressora da arquitetura do Brasil escravocrata é minimizada pelo não-estabelecimento dessa magnitude. Da mesma forma, pontos importantes ao suspense não são elucidados. Surgem elementos de cena aqui e ali e o arco da loucura gradual de Augusto, o único na trama, é pouco explorado pela direção.

Outro ponto fraco é a condução do elenco que conta com nomes de peso, como Fernanda Montenegro e Lima Duarte. Ela é restrita a uma dicção novelesca – aquela que preocupa-se em verbalizar cada sílaba com perfeição, distante da língua falada – e esta destitui cada personagem de uma ferramenta importante de sua construção, a fonética particular a cada pessoa. Com exceção dos dois veteraníssimos atores citados acima, que cumprem um bom trabalho, na medida do possível, o elenco do longa sofre mais com esse imobilismo. Destacam-se Criolo e Joaquim Torres Waddington. Ambos ainda têm uma carreira curta dentro do cinema mas fazem personagens unidimensionais e monótonos. Carol Castro, que ganha uma importância cada vez maior com o andar do filme, visivelmente entrega uma Tereza profunda, porém sua atuação é amputada pelo conjunto da obra.

Ainda, como dito anteriormente, O Juízo é bastante estilizado, com planos muito bonitos e, em questão de iluminação, muito inventivos. A fotografia de Azul Serra é, por vezes, escura demais, mas manipula as sombras do longa com competência, flertando, ao mesmo tempo, com o chiaroscuro (forte contraste entre o claro e o escuro, marca registrada do cinema noir) e a iluminação com luz natural.

O Juízo é um filme de suspense que é ineficaz. Dá a impressão de que seus criadores compreendem o material – que pode ser interessante – com clareza e profundidade, porém foram incapazes de transmitir tal densidade ao produto final, que sofre com lacunas seríssimas em sua linguagem. Deixa no espectador a estranha sensação de que a parte mais importante da história está faltando.

Series, TV

Game of Thrones

Por que o fim da série que se tornou objeto de culto pelo mundo todo decepcionou bastante os seus ardorosos fãs?

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Texto por Andrizy Bento

Foto: HBO/Divulgação

Após oito temporadas, 73 episódios e 47 Emmys (que a tornaram a série recordista de estatuetas na premiação), Game of Thrones teve seu último episódio exibido em 19 de maio pela HBO. No entanto, o que prometia ser épico, conseguiu ser apenas frustrante. Em meio à fúria despejada pelos fãs nas redes sociais – ainda mais cáustica que o fogo expelido pelos dragões de Daenerys Targaryen em seus inimigos – até havia um ou outro espectador argumentando que a finale teve, sim, suas qualidades e que o saldo final não foi tão ruim – de um ponto de vista analítico, houve até quem defendesse e justificasse as decisões tomadas pelo roteiro. Contudo, não há quem considere o último episódio da série realmente satisfatório.

Satisfatório é diferente de “atender às expectativas dos fãs e entregar exatamente o que eles querem ver na tela”. Em suma, está longe de significar fanservice. Assim como decepcionante não quer, necessariamente, dizer ruim. No caso de GoT, no entanto, a finale conseguiu ser os dois. Ao invés de proporcionar aos espectadores as devidas resoluções de conflitos e encerramentos de arcos narrativos, o desfecho deixou ainda mais pontas soltas e perguntas sem respostas – resultado sistêmico de toda uma temporada deficiente. Aliás, convém salientar que, desde a quinta, a qualidade da produção vinha caindo drasticamente.

Baseada na saga de livros best-seller As Crônicas de Gelo e Fogo, de autoria do escritor norte-americano George R. R. Martin, a série estreou em 17 de abril de 2011 na HBO. Ambiciosa, a produção idealizada por David Benioff e D. B. Weiss investia em cenas gráficas de nudez, sexo e violência e, por apresentar uma narrativa envolvendo a disputa por um trono e permeada por alguma magia, foi até mesmo apelidada de “O Senhor dos Anéis para adultos”. Claro que esses se tratavam apenas de alguns dos aspectos que tornavam o produto mais atraente. Porém, o estrondoso sucesso da qual a série desfrutou nos anos em que se manteve no ar, vai muito além das comparações com o livro de J. R. R. Tolkien ou do teor sexual e violento de suas cenas.

Sua consagração por especialistas e a assombrosa audiência que conquistou se devem a vários outros fatores: a força da narrativa, a entrega do elenco, o carisma de uma galeria numerosa de personagens, o acuro na composição dos planos, os enquadramentos soberbos, o requinte de cenários e figurinos, as batalhas magistralmente executadas e que em nada ficavam devendo a blockbusters cinematográficos, toda uma atraente rede de intrigas e um jogo de poder que nos instigava a acompanhar semanalmente os episódios. Não surpreende que a HBO, em estratégia para evitar a pirataria, tenha optado pela transmissão simultânea em mais de 170 países – o interesse do público era tamanho que GoT se tornou a série com o maior número de downloads ilegais no mundo. Afinal, quem não via Game of Thrones e não debatia acerca das teorias que constituíam um dos grandes atrativos da produção era imediatamente excluído das rodas de conversa nas segundas-feiras.

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A história é situada no continente fictício de Westeros, lar dos Sete Reinos e das terras inexploradas além da grande Muralha. Em linhas gerais, a série se propõe a narrar a luta de famílias nobres pelo Trono de Ferro ou por sua independência, recorrendo a violentos confrontos e alianças forjadas a partir de interesses políticos, em sua maioria, sórdidos. Esse é o fio condutor da trama.

A primeira temporada da produção tem início com a visita de Robert Baratheon – Rei e Senhor dos Sete Reinos – ao castelo de Winterfell, onde reside Ned Stark, o Protetor do Norte, junto de sua família. O objetivo da visita é fazer um convite formal a Ned para que ele seja a Mão do Rei – uma espécie de primeiro conselheiro. Este, no entanto, acaba tomando conhecimento acerca de uma conspiração que levou ao assassinato da Mão do Rei anterior e as suspeitas recaem sobre os Lannister, incluindo a Rainha Cersei e seu irmão Jaime, com quem ela vive um caso secreto e incestuoso.

Distante dali, no Mar Estreito, Viserys Targaryen, conhecido como o Príncipe Exilado, planeja o casamento de sua irmã, Daenerys, a Princesa de Pedra do Dragão, com Khal Drogo, líder do povo Dothraki – uma tribo de guerreiros que percorre o continente de Essos. Com o casamento, o príncipe exilado visa a conseguir um exército a fim de retomar o Trono de Ferro que é seu por direito. No passado, Baratheon conquistou a coroa assassinando Aerys II Targaryen (o Rei Louco) e Rhaegar – respectivamente, o pai e o irmão de Viserys. Após esse acontecimento, ele e a irmã foram exilados nas Cidades Livres do Continente de Essos. Desde então, o príncipe é movido pelo intenso desejo de vingar sua família e retomar o poder e a coroa a qualquer custo.

Assim, fomos arremessados aos bastidores cruéis e sangrentos da guerra dos tronos. A primeira temporada representou não apenas o ponto de partida, como o esboço a partir do qual se desenhou toda a série. Traçou cenários que, mais adiante, viriam a impactar as vidas e jornadas de dezenas de personagens. Inseriu simbologias e easter eggs que, no decorrer dos anos de exibição, vieram a fazer a diferença no todo. No entanto, da maneira superficial como foi colocado até aqui, não é possível compreender exatamente a razão que levou Game of Thrones a ser esse fenômeno de audiência. É realmente necessário assistir à série e acompanhar as reviravoltas da trama intrincada para entender os motivos de tanto estardalhaço em torno de GoT. O fato é que testemunhar a evolução dos personagens, a construção dos elos entre eles, a ganância e a sede de poder que ditavam os rumos do jogo, bem como todos os meandros que culminaram em batalhas colossais, é que tornou a jornada tão divertida de se assistir durante oito temporadas. Daí toda a ansiedade com que os espectadores aguardavam pelos domingos em que os episódios eram veiculados pela HBO.

Aprendemos a exercitar o desapego (afinal, um protagonista morre já na finale da primeira temporada!), nos acostumamos a prender o fôlego devido à aflição causada pelos épicos confrontos e ao temor de perder um personagem fan favorite. A produção nos presenteou com momentos gloriosos em termos televisivos como, por exemplo, o nono episódio da sexta temporada, o já clássico e plasticamente impecável A Batalha dos Bastardos, que dificilmente encontrará rival à altura em outro produto do gênero. Game of Thrones nos ensinou que, na guerra dos tronos, ou você ganha ou você morre – literalmente. Alimentou teorias, não teve pudores em abusar do fator surpresa, apresentou audaciosos e chocantes plot twists, jamais entregou somente o que o público queria ver, não se limitou a agradar à audiência. Seu legado é incontestável. Uma pena o fim dessa história ter deixado um gosto tão amargo na boca de seus fiéis espectadores.

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Desde que a série começou a ser exibida, no já longínquo ano de 2011, o mundo passou por transformações significativas no tocante ao cenário político, econômico e social. Esse tipo de mudança, não raramente, acaba por impactar e se refletir também na cultura pop. Normal, afinal a produção cultural e artística de qualquer época é sempre um retrato de sua geração, para o bem ou para o mal, em maior ou menor escala, intencional ou inconscientemente. No caso do recorte de tempo que compreende a exibição de Game of Thrones, por exemplo, as pautas feministas ganharam ainda mais força dentro e fora das redes sociais e ativistas vocais se dedicaram a apontar o sexismo enraizado em diversos livros, histórias em quadrinhos, roteiros de cinema e televisão. Muitas das cenas de estupro protagonizadas por personagens femininas relevantes passaram a ser questionadas e duramente criticadas – uma vez que algumas delas tratavam-se de cenas de sexo consensual nos livros e outras sequer existiam em sua mídia de origem. Ao longo das temporadas, a nudez (majoritariamente feminina) e o sexo (por vezes gratuito) diminuíram exponencialmente, bem como a violência tornou-se mais contida e menos sangrenta. Contudo, a despeito do desenvolvimento das personagens femininas, que passaram a ter mais do que seus corpos expostos e a violência sexual tida como o rito de passagem que as fortaleceu, foram elas as mais injustiçadas no último ano da série.

É simplesmente lamentável ver como as mulheres de GoT foram diluídas no decorrer de toda essa temporada final. O roteiro se concentrou na rivalidade entre elas; em expor fraquezas, fragilidades e vaidades das mesmas; em mostrar como elas não sabiam lidar com o poder. Cersei Lannister, uma vilã inteligente e uma das maiores estrategistas da trama, ganhou desfecho abrupto e totalmente insípido. Apesar de ter sido Arya Stark a derrotar o grande vilão, Rei da Noite, sua tão almejada vingança contra Cersei não foi concretizada e a personagem limitou-se a ver Porto Real se transformar em destroços e cinzas, enquanto Daenerys Targaryen sobrevoava a cidade em seu Dragão que, impiedosamente, cuspia fogo em mulheres e crianças inocentes. Sansa Stark, que havia crescido tanto como personagem, foi reduzida ao papel de uma garota caprichosa que não queria ter seu reinado, no Norte, ameaçado. E Daenerys… A figura forte, imponente, majestosa, intrépida e destemida – um exemplo de heroína que apresentou uma das evoluções mais notáveis ao longo da série – simplesmente enlouqueceu. Tornou-se a Rainha Louca, facilmente corruptível pelo poder, herdando o temperamento de seu pai e, ao invés de quebrar a roda (como proclamava) corroborou o discurso simplista de que a descrição da Casa à qual o indivíduo pertence dita todo o rumo de seu destino. Pior: terminou a série morta pelo punhal do homem a quem amava e que também tinha seu sangue – seu sobrinho, Aegon Targaryen, mais conhecido como o bastardo Jon Snow.

E a coerência desapareceu à medida que o inverno chegou.

Eis um problema flagrante de toda produção seriada. Existe uma ânsia incompreensível dos showrunners por querer encerrar todos os arcos narrativos apenas no último capítulo, ao invés de responder às perguntas gradativamente, fechar os ciclos aos poucos, de modo orgânico. Creio que o mais adequado seria dedicar uma ou duas temporadas para resolução de todos os conflitos e, assim, oferecer desfechos satisfatórios para cada personagem. Game of Thrones foi um exemplo e, infelizmente, não o único de uma trama que acumulou muitas questões a serem resolvidas somente na finale e, óbvio, não conseguiu contemplar todas elas.

Outra possível explicação para o resultado ter ficado tão aquém do esperado está no fato de a história ainda não ter sido finalizada nos livros. Porém, esses argumentos não são suficientes para justificar uma finale tão ruim, uma vez que a série possuía força o bastante para se sustentar de maneira independente, como qualquer bom produto transmídia deve fazer. Existe um sem número de erros crassos de continuidade e cenas que, simplesmente, não fizeram sentido para o espectador atento que, assim como o Norte, se lembra disso depois. E, diferentemente dos Lannister, os roteiristas não pagaram todas as suas dívidas.

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A última temporada trai toda a mitologia da saga tão cuidadosamente arquitetada até ali, joga para escanteio a construção e o desenvolvimento de personagens, traz diálogos que contradizem o cânone e a essência da trama. Sim, Game of Thrones sempre trabalhou com reviravoltas, traições, choque, morte de personagens importantes. O problema não são estes mecanismos – que, aliás, movimentaram a trama desde seu primeiro episódio e com os quais estávamos plenamente habituados, convém dizer. O problema é como eles foram utilizados, escancarando a falta de planejamento de produtores e roteiristas. Esses artifícios foram despejados na tela de maneira simplesmente desleixada.

As falhas, no entanto, não são apenas de ordem narrativa, mas também estética. Um nítido exemplo é a batalha contra os White Walkers, que prometia ser o ápice da trama desde o primeiro episódio, e é extremamente inferior ao acuro visual da Batalha dos Bastardos. Entre copos da Starbucks esquecidos nas mesas de jantar de Winterfell e um confronto nonsense contra a Frota de Ferro, liderada por Euron Greyjoy – que resultou na morte anticlimática de um dragão – tudo foi absurdamente descuidado. Porém, nada foi mais incoerente, insatisfatório e insosso do que o conselho formado para deliberar sobre o novo rei após a morte da Rainha Daenerys Targaryen. Nas palavras de Tyrion Lannister:

“O que une as pessoas? O ouro? Os exércitos? As bandeiras? As histórias. Não há nada mais poderoso no mundo que uma boa história. Ninguém pode detê-la, nenhum inimigo pode vencê-la. E quem possui histórias melhores que Bran, o Quebrado? O menino que como não podia andar aprendeu a voar…”

O menino que passou a série inteira sem fazer absolutamente nada e se tornou, primeiramente, o Corvo de Três Olhos para então virar rei…

O discurso de Tyrion é interessante e bem escrito, mas um desperdício de palavras bonitas expressas pelo personagem que, durante oito temporadas, destacou-se como o mais profícuo emissor de quotas contundentes e memoráveis.  As palavras do outrora sábio anão estão lá unicamente para disfarçar a negligência dos roteiristas. O grande conselho é uma das piadas mais mal contadas da finale, pois é formado por nada menos do que três membros da Casa Stark, um tio dos Stark, um primo dos Stark, amigos dos Stark, uma cavaleira juramentada a proteger a Casa Stark, um Dorne, uma Greyjoy, mais alguns figurantes e um prisioneiro! Não sei dizer exatamente o que dói mais, se é o fato de que está óbvio quem seria favorecido por um conselho formado por estes membros ou Tyrion, prisioneiro por ter traído Daenerys, ter indicado o nome de Bran e, praticamente decidido o novo governante de Westeros – e ainda com o bônus de ser a Mão do Rei.

E isso não é tudo: por que Tyrion, prisioneiro, pôde participar da votação e Jon, igualmente encarcerado e com sangue Targaryen, não? Onde estão os membros representantes de outras Casas? Aqueles presentes na reunião do conselho não compreendem nem metade das famílias nobres de Westeros. Aliás, toda essa sequência serviu, especialmente, para embasar um futuro cenário de instabilidade política; afinal, as outras Casas podem, e com razão, questionar o favorecimento aos Stark considerando os componentes desse conselho fajuto. Sem falar do fato de Bran ter concedido a independência ao Norte. Quanto tempo mais até os demais Reinos reivindicarem a independência utilizando o Norte como argumento e isso resultar em uma nova guerra? Ademais, a figura de Bran como rei simplesmente não convence, pois não foi bem construída. Bran, o Quebrado, nunca teve aspirações ao trono e não fez nada de realmente útil durante toda a série que justificasse sua coroação. Ele nem mesmo queria ser rei. E esse papo de que é exatamente não desejar a coroa que o torna merecedor, simplesmente não funciona dentro daquele universo proposto.

Oito anos após o primeiro suspiro de Westeros na telinha, finalmente chegamos ao final da saga – uma finale que nos ofertou apenas um trono queimado (metáfora política sobre a destruição da iconografia; dos símbolos de poder capazes de corromper e que precisam ser derrubados); Porto Real transformada em cinzas; Tyrion Lannister, um fan favorite outrora inteligente e brilhante orador, reduzido ao papel de um fraco, traidor, guiado pelas emoções, capaz de atos estúpidos e autor de algumas das frases mais problemáticas da temporada; Daenerys, uma personagem feminina forte convertida em uma tirana genocida e, posteriormente, morta pelo seu amado; Jon Snow, o bastardo que continuou bastardo e se uniu aos selvagens do Povo Livre nos derradeiros momentos do show; Bran, o Quebrado, como um rei inexpressivo e inexperiente em relação aos assuntos da coroa; e, enfim, um final feliz para os Stark como recompensa por ter sido a família que mais sofreu desde o primeiro ano de série e que, talvez, tenha sido um dos únicos pontos gratificantes para uma relativa quantidade de espectadores. Eis o saldo final de Game of Thrones. Um fim melancólico, insuficiente e decepcionante.

Music

Madonna

Sessenta curiosidades para marcar o aniversário de 60 anos da cantora, atriz e principal lançadora de tendências pop desde os anos 1980

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Texto por Flávio St. Jayme (Pausa Dramática)

Fotos: Reprodução

Neste dia 16 de agosto de 2018, Madonna Louise Veronica Ciccone completa 60 anos. Chega a essa idade, profissionalmente falando, solitária: Michael Jackson e Prince, que, assim como ela, nasceram em 1958 e formaram a trinca de maiores popstars da década de 1980 (os anos dourados do videoclipe), não estão mais entre nós. E ela é mais que uma cantora, é um ícone. Na música, na moda, na polêmica, tudo em que põe a mão estoura. É considerada a rainha do pop. Lança tendências e é copiada à exaustão.

O Mondo Bacana– em parceria com site Pausa Dramática – publica 60 curiosidades sbre Madonna para celebrar os seus 60 anos. De início estão, entre aspas, 25 fatos que a própria Rainha do Pop contou sobre si mesma ao jornal Boston Herald, em entrevista publicada em 2015.

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Na apresentação durante o Met Gala 2018

>> “A minha música favorita de meu repertório é ‘Bitch, I’m Madonna’, certamente. E a que menos gosto é ‘Material Girl’. Eu nunca, jamais, quero ouvir aquilo de novo!”

>> “A minha cidade favorita é Roma. É tão linda. A luz é calma e relaxante para mim, a arquitetura é esplêndida e a comida é incrível. Eu sou totalmente apaixonada por esse lugar.”

>> “Eu não suporto cogumelos. Ou escargot. Eca! É como uma gosma. Uma gosma cara!”

>> “A pessoa que eu mais idolatro é Paul Farmer. Ele é um médico e ativista que reconstruiu o sistema de saúde no Haiti mesmo antes do terremoto de 2010. Ele fez o mesmo em Ruanda.”

>> “A última vez que fiz compras no supermercado foi há um ano.”

>> “Eu não sinto falta de absolutamente nada sobre crescer em Michigan. Absolutamente nada.”

>> “A pessoa que eu mais quero conhecer é o presidente Obama. Quando é que vou conhecê-lo? Ele só precisa me convidar para a Casa Branca. Ele provavelmente pensa que eu sou muito provocadora para estar lá. Estou falando sério. Se eu fosse um pouco mais recatada… ou se eu estivesse casada com Jay Z. Ei, se o Jay Z me levasse lá como sendo sua segunda esposa, então eu com certeza teria um convite para me encontrar com o presidente.”

>> “A única coisa que jamais eu seria pega usando é um biquíni coberto de pele de algum animal.”

>> “Os momentos mais felizes da minha vida foram quando os meus filhos nasceram e quando me casei duas vezes.” (Nota: ela foi casada com o ator Sean Penn e o cineasta Guy Ritchie)

>> “Minha parte favorita no meu corpo são meus olhos. A parte que mais detesto são meus pés de dançarina. Eles são horríveis.”

>> “Eu descobri que casamentos só duram se você não dividir o banheiro. A melhor coisa de ser solteiro é que não há ninguém para te expulsar de seu banheiro quando você quiser privacidade.”

>> “A coisa que eu menos sinto falta em ser casada é ser chamada de “a esposa’. Essa é a pior.”

>> “Meu maior prazer na comida e o que faz engordar é pizza ou batata frita. Eu amo!”

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No clipe da música “Vogue”

>> “A última vez que eu fiquei em choque foi quando Alain Delon me ligou quando eu estava em Copenhagen durante a minha última turnê. Eu estava tentando levá-lo a fazer uma aparição no palco durante um pequeno show em Paris. Eu estava tremendo porque eu o amo! Eu nunca conheci o cara e só o conhecia de filmes. Ele foi a minha paixão adolescente. Foi patético.”

>> “Eu realmente não assisto a TV. Eu só gosto de duas séries – True Detective e uma irlandesa chamada The Fall – e eu não estou envergonhada em admitir. Muitas pessoas dizem ‘The Fall com Jamie Dornan’, mas eu digo ‘The Fall com Gillian Anderson’. Ela é tão boa.”

>> “A maior ambição da minha vida que eu ainda quero cumprir é o de ficar com o Drake. Mas apenas beijá-lo.”

>> “O momento mais embaraçoso da minha vida foi eu ter caído do palco, Deixe-me reformular isso… “sendo sufocada no palco por duas dançarinas japonesas no Brit Awards”. Foi extremamente embaraçoso!”

>> “A coisa mais linda que eu já vi foi a minha filha Lourdes tocando ukulele e cantando ‘La Vie en Rose’ para mim.”

>> “Meu ritual de beleza secreto é colocar gelo em meus olhos todas as manhãs. Ice, ice, baby!

>> “Falando nisso, se eu estivesse presa em uma ilha deserta com Vanilla Ice ou Dennis Rodman, eu iria escolher o Dennis. Ele tem melhor senso de humor. Além disso, ele pode sempre usar as minhas roupas.”

>> “A qualidade que eu mais detesto nas pessoas é fazer suposições. Não querem fazer a pesquisa, investigar ou fazer perguntas e apenas supõem algo. Ah, isso isso me deixa louca. Eu também não suporto quando estou falando com alguém e eles estão mandando mensagens de texto. Meus filhos fazem isso toda hora! Me faz subir pelas paredes! Eu coloco minha mão em seus telefones e acabo com o que eles estão fazendo.”

>> “Eu não posso dizer qual foi meu pior encontro com um namorado, mas houve muitos. Eu sou uma mulher do mundo, baby. Um atributo inegociável em um amante: ele não deve nunca querer ficar longe de mim por mais de duas semanas de cada vez.”

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No clipe da música “Like a Virgin”

>> “Eu sofro de claustrofobia. Eu não gosto de ficar preso em espaços pequenos e fechados ou em multidões. Isso me faz ficar alucinada.”

>> “Meu dia de folga ideal é passar o dia deitada na cama, o dia todo. Dormir por algumas horas, então acordar e assistir a filmes antigos, como o meu favorito Breathless. Adoro comer na cama, quando meus filhos vêm me ver e depois eu volto a dormir. Eu nunca gosto de sair do meu quarto.”

>> “As minhas memórias favoritas de Michael Jackson foram quando eu pedia para ele baixar a guarda e relaxar. Ele era tão tímido. O dia que eu quase consegui foi quando o deixei bêbado no restaurante The Ivy, em Beverly Hills. Eu estava dirigindo minha Mercedes e o desafiei para lançar seus óculos escuros para fora da janela. Não conseguia parar de rir.”

>> Madonna possui o mesmo nome de sua mãe, que é descendente de franco-canadenses. Ela herdou o sangue italiano da família de seu pai, Sylvio Ciccone.

>> Quando estava no colegial, uma colega de Madonna a filmou “fritando” um ovo em sua própria barriga.

>> A cantora é expert em yoga. Tanto é verdade que ela conseguiu mudar a profissão de sua personagem no filme Sobrou Pra Você. Originalmente, Abbie deveria ser uma professora de natação.

>> O álbum Like a Virgin, o segundo de Madonna, tornou-se o mais vendido nos Estados Unidos em 9 de fevereiro de 1985. Esta foi a mola propulsora definitiva de sua carreira.

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Como Evita Perón no filme Evita

>> Em seu aniversário de 47 anos, Madonna caiu de um cavalo e fraturou a clavícula, uma mão e três costelas. Ela estava estreando o presente dado pelo fotógrafo Steven Klein: um chicote de couro com suas iniciais.

>> O papel de Mulher-Gato interpretado por Michelle Pfeiffer em Batman – O Retorno deveria ter sido de Madonna. A cantora acabou perdendo a oportunidade porque fez uma lista imensa de exigências para participar da produção, o que aborreceu a equipe executiva.

>> Madonna comprou os três touros que aparecem no clipe da canção “Take a Bow”, de 1994.

>> Em 1994, Madonna participou do tradicional talk show americano Late Show, apresentado por David Letterman. Desbocada, a cantora pronunciou o palavrão “fuck” 13 vezes. Diante do fato, David Letterman comentou: “Você sabe que isso será transmitido, né?”

>> Apesar de ter alcançado o primeiro lugar da lista da Billboard uma semana depois de seu lançamento, o single “American Life” causou polêmica nos Estados Unidos. A cantora chegou a ser acusada de antiamericana porque falava sobre as repercussões e horrores da guerra no novo trabalho, lançado durante o conflito entre os Estados Unidos e o Iraque, ocorrido em 2003. Por causa disso, ela teve que reeditar o clipe da música às pressas. Ela também rebateu as críticas sobre seu posicionamento contrário à guerra dizendo: “Não sou anti-Bush, sou pró-paz”.

>> Madonna possui uma fortuna estimada em 400 milhões de dólares. Mesmo assim, precisou pedir dinheiro emprestado para pagar um sanduíche um dia. Ela estava em uma lanchonete em Londres, com os dois filhos e o então marido Guy Ritchie, quando percebeu que havia esquecido a carteira em casa. As moedas guardadas no bolso não eram suficientes para pagar a conta de 5,25 libras (cerca de 15 reais). O jeito foi apelar para duas jovens que comiam na mesa ao lado. As irmãs Mimi e Titi Negussie, que deram à cantora 2 libras (cerca de 5 reais), foram recompensadas com um cheque e um CD autografado.

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Look da turnê Virgin

>> O maior sonho da cantora pop, desde a infância, era ser bailarina. Ela, então, convenceu o pai a deixar que tivesse aulas e foi persuadida por Christopher Flynn, seu professor, para trilhar uma carreira na dança. Algum tempo depois, abandonou a faculdade e mudou-se para Nova York.

>> Conta-se que Madonna chegou a Nova York com apenas 25 dólares no bolso. Lá trabalhou como garçonete e faxineira no Dunkin’ Donuts e em outros estabelecimentos.

>> Madonna começou a trabalhar como dançarina de apoio para outros artistas consagrados. Envolveu-se romanticamente com o músico Dan Gilroy e, juntos, formaram sua primeira banda de rock, a Breakfast Club, na qual ela cantava, tocava bateria e guitarra.

>> Pouco tempo depois ela deixou a Breakfast Club e, junto de seu novo namorado, Stephen Bray, criou a Emmy. Porém, por causa de dificuldades financeiras, aceitou fazer hacking vocals para o cantor alemão Otto Von Wernherr. Assim, sua música impressionou o DJ e produtor Mark Kamins, que arranjou um encontro entre ela e o fundador da Sire Records, gravadora com quem assinou seu primeiro contrato.

>> Seu primeiro álbum foi lançado em 1983. Antes disso, ela já fazia sucesso com a música “Everybody”. O trabalho vendeu mais de dez milhões de cópias e alcançou o primeiro lugar das paradas de diversos países.

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No clipe da música “Material Girl”

>> Todo seu universo de início de carreira foi criado pela estilista e designer de joias Maripol e o olhar consistiu em tons de renda, saias sobre calças capri, meia arrastão, com joias de crucifixo, pulseiras e cabelos descoloridos.

>> Madonna é a cantora que mais acumulou prêmios na história da música. Já superaram a marca da terceira centena.

>> O clipe de “Material Girl” foi inspirado em uma cena do filme Os Homens Preferem as Loiras (1953), estrelado por Marilyn Monroe.

>> Madonna estreou como atriz no cinema com o filme Procura-se Susan Desesperadamente (1985) e também foi casada com o também ator Sean Penn. Entre os outros que participou estão Surpresa em Xangai, Quem é Essa Garota?, Dick Tracy, Uma Equipe Muito Especial e Evita – todos estes rodados e exibidos em um intervalo de apenas onze anos desde o primeiro. Ao todo, ela soma participação em vinte longa-metragens.

>> O papel de Evita Perón no musical Evita rendeu-lhe o Globo de Ouro, uma das mais importantes premiações do cinema.

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Duas páginas do livro Sex

>> Em 1992, Madonna lançou um livro de fotografias chamado Sex, no qual ela aparece nua em cenas de sadomasoquismo, voyeurismo e lesbianismo. A obra causou escândalo no mundo todo e ajudou a carreira da cantor: sua primeira edição esgotou em 48h. Em várias cidades do Brasil, pouqíssimas cópias importadas eram disputadas a tapa e folheadas por fãs curiosos em noites especiais promovidas em casas noturnas. No mesmo ano, Madonna lançou o disco Erotica, também com forte apelo sexual.

>> Além de cantora, dançarina e musa de várias gerações LGBT, Madonna também é escritora. Ela escreveu cinco livros. O primeiro foi um conto infantil chamado As Rosas Inglesas.

>> O filme Corpo em Evidência (1993), em que Willem Dafoe divide cenas quentes com Willem Dafoe, fez Madonna passar por um treinamento com uma dominatrix de verdade. A cena lendária da cera de vela foi improvisada.

>> O clipe de “Like a Prayer” é um dos mais polêmicos da cantor: cheio de imagens religiosas e sexualidade, que Madonna jura terem sido ideias da diretora Mary Lambert. O vídeo chegou a ser censurado pelo Vaticano.

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No clipe da música “Like a Prayer”

>> As cenas de “Justify My Love” foram consideradas quente demais até para a liberal MTV norte-americana, que não o exibiu. O mesmo aconteceria uma década depois, com o vídeo de “What It Feels Like For a Girl”, dirigido pelo então marido Guy Ritchie.

>> Já no caso do pesadíssimo “Erotica”, a MTV não quis tirar o clipe do ar por conta do enorme sucesso da artista na época. Entretanto, só o exibia após a meia-noite.

>> Madonna perdeu a virgindade aos 15 anos. Com a mesma idade teve sua primeira experiência homossexual.

>> Ela tem 1,64m de altura.

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No clipe da música “Justify My Love”

>> Também é diretora de cinema. Dirigiu em 2008 o longa Sujos e Sábios e em 2011 WE: O Romance do Século. Assinou também o roteiro deste último. WE foi indicado ao Oscar de melhor figurino em 2012.

>> Diz-se que WE perdeu a indicação na categoria de melhor canção (“Masterpiece”) porque Madonna não sabia da cláusula que obrigava a música a tocar durante o filme ou ser a primeira nos créditos finais. Mas a faixa concorreu na mesma categoria no Globo de Ouro. E venceu.

>> Madonna tem outras cinco indicações ao Globo de Ouro de melhor canção: “Die Another Day (007  Um Novo Dia Para Morrer), “Beautiful Stranger” (Austin Powers: O Espião Bond Cama), “I’ll Remember” (Com Mérito), “This Used To Be My Playground” (Uma Equipe Muito Especial) e “Who’s That Girl” (Quem é Essa Garota?).

>> Ela tem doze indicações ao Framboesa de Ouro, o prêmio dos piores do cinema. Destas, “venceu” sete vezes, entre elas como pior atriz por Destino Insólito (empatada com Britney Spears em Amigas Para Sempre), pior atriz por Sobrou Pra Você, pior atriz do século em 2000 e pior atriz por Quem é Essa Garota?.

>> Acessórios inusitados como uma cama no meio do palco e o famoso corselet de seios cônicos desenhado pelo estilista Jean Paul Gaultier para a turnê Blonde Ambition contribuíram para que os shows dela nos anos 1980 e 1990 reforçassem a liberdade de expressão e até mesmo o debate feminista.

>> Madonna possui treze álbuns de estúdio, três discos ao vivo, três discos de remix e seis compilações.

>> A cantor e atriz é prima distante de Gwen Stefani, ex-vocalista do No Doubt.

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Corselet criado por Jean Paul Gaultier para a turnê Blonde Ambition