Music

Against Me!

Oito motivos para você não perder a primeira passagem da banda de Laura Jane Grace pelo Brasil

againstme2017

Texto por Abonico R. Smith

Foto: Casey Curry/Divulgação

Chega ao Brasil nesta semana uma das bandas mais importantes do punk rock da atualidade. Em sua primeira turnê pelo país, o Against Me!, criado como um projeto solo da vocalista Laura Jane Grace em 1997, na cidade de Gainesville, no estado da Florida (EUA), vem fazer três shows no país: 19 de outubro em Curitiba (mais informações aqui), 20 em São Paulo (mais informações aqui) e 21 em Natal (mais informações aqui). De quebra, Laura Jane ainda lança seu livro no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde também se apresenta com sua nova banda, o projeto paralelo Devouring Mothers (mais informações aqui). Por isso, o Mondo Bacana cita oito motivos pelos quais você não deve perder a passagem de Laura Jane Grace e o Against Me! por nosso país, já que isso demorou um bom tempo para acontecer.

Fat Wreck Chords

O Against Me! dos últimos trabalhos pode ser uma banda de punk pop, mas seus pilares mesmo estão naqueles arranjos mais acelerados, densos, berrados e urgentes de um território que flutua entre o vigor do punk oitentista californiano e a agressividade sonora do hardcore. Tanto que dois de seus três primeiros álbuns foram lançados pelo selo Fat Wreck Chords, fundado em 1990 por Fat Mike, baixista e vocalista do NoFX e do Me First and The Gimme Gimmes. Até hoje Laura Jane faz questão de tocar ao vivo determinadas faixas dos seus primeiros álbuns.

Madonna

Laura Jane é uma excelente melodista, daquelas de compor linhas que grudam na cabeça ao ouvir uma canção pela primeira. Não é à tôa. A vocalista é fã assumidíssima de Madonna e ainda mais da fase de maior relevância da diva loira. “Material Girl”, “Express Yourself” e “Justify My Love” estão entre as suas obras preferidas.

Butch Vig

Outro nome por trás da veia pop do Against Me! é o do produtor e baterista Butch Vig. O cara das baquetas do Garbage e que pilotou álbuns como Nevermind (Nirvana), Siamese Dream (Smashing Pumpkins), Bricks Are Heavy (L7) e Dirty (Sonic Youth) sabe mesmo como arredondar uma banda underground, aparar todas arestas e prepará-la para rumar ao estrelato. Foi assim com o disco New Wave, lançado pelo Against Me! em 2007. Com batidas mais desaceleradas, flertes com outros gêneros musicais e uma sonoridade assumidamente mais comercial em comparação aos trabalhos anteriores, o quarteto estreou por uma grande gravadora (Sire Records) e foi logo tendo mais espaço nas paradas de sucesso e listas de melhores discos do ano – a Rolling Stone americana o colocou como o nono melhor da temporada e a Spin cravou-o no topo da sua relação. Não à tôa que nos shows deste ano até sete faixas de New Wave costumam figurar no mesmo set list. Não à tôa, também, que Vig repetiu a dobradinha no álbum posterior, White Crosses (2010), que também tem diversas músicas espalhadas pelo repertório

Transgender Dysphoria Blues

Laura Jane Grace nasceu Thomas James Gabel em novembro de 1980 e carregou uma identidade de gênero masculina até 2012, quando tornou pública a sua transição para o feminino. Lançado em 2014, o álbum Transgender Dysphoria Blues é um raio X de todo este processo vivido por ela na época. As letras são autobiográficas e exploram os medos, as expectativas e as dificuldades enfrentadas pela vocalista em sua decisão. Muitos consideram-no o disco fundamental do Against Me!, exatamente por marcar profundamente o momento decisivo de sua vida. Não tem como não se arrepiar com alguns versos de faias como “True Tans Soul Rebel”, “Black Me Out” e a música que dá título ao disco. As três são peças fundamentais também em qualquer set list dos shows da banda. Aliás, a canção “The Ocean”, gravada em New Wave, já dava pistas explícitas sobre a disforia de Tom e o nome que ele viria a adotar anos depois. Esta música, também indispensável ao vivo, é o embrião do que viria a ser TDB.

Livro de memórias

As confissões de Laura Jane Grace a respeito de sua sexualidade não estão apenas no disco citado acima. Recentemente ela publicou um livro de memórias, baseado nas anotações diárias que sempre teve o costume de fazer a respeito de seus medos, inseguranças e desejos, indo da infância até a fama conquistada através do rock. Vários trechos destes diários estão publicados entre considerações feitas pela autora, com muita ironia aliás, sobre o impacto pessoal e profissional de sua transição de gênero, a relação difícil com o pai militar e as agruras do contrato com uma gravadora de grande porte. Com a vinda do Against Me ao Brasil pela primeira vez, o livro acaba de ter sua edição brasileira lançada e será vendido nos três shows. Tranny – Confissões da Anarquista Mais Infame e Vendida do Punk Rock ainda será lançado oficialmente no próximo dia 22 no Rio de Janeiro e no dia 25 em São Paulo.

I Was a Teenage Antichrist

Talvez o mais famoso clipe já feito pelo Against Me!, esta obra é até hoje impactante. E nem é pela letra, que fala sobre as reflexões de uma pessoa já adulta a respeito dos sonhos e devaneios inconsequentes e de conquista desenfreada do mundo que qualquer um tem quando passa pela adolescência. As imagens formam um plano sequência todo rodado em uma única tomada, mostrando Tom Gabel correndo de policiais, sendo alcançado e espancado em praça pública enquanto pessoas assistem a tudo mostrando as mais diversas reações e os outros membros da banda tentam salvá-lo da selvageria. O tom dramático fica por conta da câmera lenta nas imagens do começo ao fim.

Crash

Um dos momentos altos do álbum mais recente da banda, Shape Shift With Me (2016). É daquelas músicas de fazer todo mundo cantar junto nos shows. O clipe também é demais: mostra uma câmera girando em 360 graus mostrando os músicos todos com um pezinho no glam (mesmo vestindo preto dos pés à cabeça) e os olhos imitando as maquiagens dos músicos do Kiss. Na performance, o improviso rola solto e o momento trashchega quando surge um visitante de outro planeta para incomodar a apresentação do Against Me!. Diversão pura, tosca e sensacional!

Devouring Mothers

No dia 9 de novembro, Laura Jane lança o primeiro álbum de seu projeto paralelo, chamado Devouring Mothers. Segundo ela, Bouhgt To Rot é um trabalho cuja sonoridade não caberia no Against Me!, com flertes com o folk e influências de bandas como Cure, Nirvana e Lemonheads. A formação é de trio e da banda fazem parte o produtor e engenheiro de áudio Marc Jacob Hudson e o atual baterista do Against Me!, Atom Willard. A gravação foi toda feita no estúdio caseiro de Hudson, que também assina, junto com Laura Jane, a produção de Shape Shift With Me. Já Willard é o grande destaque instrumental das duas bandas. Antes de assumir as baquetas do Against Me!, o cara já tocou com Rocket From The Crypt, Offspring, Social Distortion, Danko Jones e Angels & Airwaves.

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