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Midsommar: O Mal Não Espera a Noite

Diretor de Hereditário traz inovação para o gênero do horror ao apostar em rituais, traumas e uma trama clara e impactante como o sol da meia-noite

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Texto por Ana Clara Braga

Foto: Paris Filmes/Divulgação

O desconhecido e o diferente podem ser aterrorizantes sem muito esforço. Juntando esses fatores a um relacionamento arruinado e férias frustradas o aumento da adrenalina parece justo. Midsommar: O Mal Não Espera a Noite (Midsommar, EUA, 2019 – Paris Filmes), o novo filme do jovem diretor Ari Aster é um conto de horror em que o medo não se esconde atrás de portas esperando para dar um susto. Ele é claro e impactante como o sol da meia-noite.

Quando cinco jovens viajam para a Suécia para participar de um festival local de verão, inicialmente o mais estranho parece ser o sol que nunca se põe e os hábitos da pequena comunidade. Com o decorrer da história, os rituais, os maneirismos e tudo o que é desconhecido passa a ser temido. Florence Pugh vive o papel de Dani, uma jovem com uma carga de traumas passados, que embarca de última hora na viagem para acompanhar seu namorado (Jack Reynor).

O relacionamento dos dois personagens já está fadado ao fracasso e isso fica cada vez mais evidente a cada interação. Os atores conseguem passar o desconforto de duas pessoas que ainda estão juntas, mas já não se amam ou confiam uma na outra. A crise no namoro é um ponto central para o desenvolvimento da trama e alguns de seus pontos mais tensos.

O visual de Midsommar é atípico para um longa de terror. A claridade conflita com a violência gráfica, deixando tudo mais absurdo e difícil de digerir. É um filme ambicioso que se apropria de diversos elementos que se desenrolam lentamente nas quase duas horas e meia de duração. Aster já havia determinado padrão diferenciado com seu filme de estreia e agora impõe algo novo. Enquanto Hereditário (2018) continha truques tradicionais do gênero, seu mais novo trabalho distancia-se da maioria dos outros títulos, confundindo quem foi ao cinema esperando por uma história linear e recheada de momentos intensos.

A transição de Dani da sala para o banheiro do avião é um rápido e bom resumo do sentimento que o filme traz: o de confusão. Nunca dá para saber exatamente o que está acontecendo. Por partes pelo uso de alucinógenos pelos personagens e por nunca se saber quais os limites dos rituais do até então desconhecido vilarejo sueco. As belas paisagens, as lindas roupas, as flores coloridas, a estética contrasta a todo momento com os horrores vividos pelos personagens.

O terror é um gênero que costuma colocar mulheres em evidência. Aqui não é diferente. Na reta final, Midsommar surpreende (ainda mais) ao escolher um caminho diferente e catártico para sua personagem principal. Dani assume um papel de relevância no local e tem uma epifania, talvez o desconhecido não seja tão esquisito assim, até sueco descobre que consegue falar. Esse inédito sentimento de pertencimento guia a personagem a cena final do longa.

A ambição de Ari Aster é valiosa. Midsommar, que acaba de ser disponiblizado em streaming pela Amazon Prime Video, não é sua melhor obra, mas tem grande importância ao tentar quebrar barreiras de um gênero que implora por novos ares. Com seu segundo filme, o diretor consegue estabelecer um tipo de horror que amedronta. Não por dar sustos, mas, sim, por lidar com sentimentos.

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