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Deadpool 2

Novo filme do mercenário das HQs acentua a verve satírica do anterior e prepara novos terrenos cinematográficos

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Texto por Abonico R. Smith

Foto: Fox/Divulgação

A principal função de uma sátira é provocar, simultaneamente ao riso, reflexões e questionamentos através de exageros, distorções ou até mesmo exposição ao ridículo. Por isso este subgênero da comédia sempre fez grande sucesso em qualquer momento da História, seja no tempo das peças comandadas por Shakespeare lá na virada dos anos 1600 ou agora, séculos depois, com o cinema volta e meia explorando fórmulas de grande sucesso comercial.

Isso explica a existência de um filme como o de Deadpool. Em um período onde o super-heróis arrombaram as bilheterias mundiais, nada mais justo que a Marvel – até agora na frente da corrida disputada com a rival Dc em relação a recepção de público e crítica – aproveitasse a onda e resgatasse um personagem de suas divisões inferiores para cumprir a tarefa nos cinemas. Em 2016, Ryan Reynolds deu vida ao mercenário de verve jocosa das HQs. Fãs adoraram e chegaram a ventilar uma mobilização para leva-lo ao Oscar daquela temporada. A imprensa também falou bem de toda aquela zoeira com relação ao universo dos súperes dos quadrinhos e sua transposição para as grandes telas como filmes de ação voltados para nerds e cultuadores do mundo pop.

Dois anos depois, eis que Reynolds volta à carga com Deadpool 2 (EUA, 2018  Fox), agora também assinando como um dos roteiristas e produtores da empreitada. Agora muito mais radical, carregando a mão em doses maiores de violência, sangues e explosões, humor ferino e pitadas de cunho sexual que justificam novamente a classificação indicativa de “somente para maiores”.

Que, aliás, de aventura propriamente dita não traz muita coisa. Pelo menos ainda não em primeira plano. O encontro do alter-ego de Wade Wilson como novos (o antagonista Cable, o moleque rebelde Russell, a nova mutante Domino e outros membros da X-Force) e velhos personagens (o x–man Colossus, a moleca Negasonic Teenage Warhed, o taxista indiano Dopinder, a namorada Vanessa) é costurado por uma trama que tem elementos de viagem no tempo, identificações juvenis do herói e uma zoeira sem fim com pilhas e pilhas de referências pop.

A direção assinada por David Leitch (John WickAtômica) explica um visual mais apurado que o do filme anterior, com maior atenção aos tons azulados e terrosos. O roteiro, apesar de todas as piadas, ainda reserva espaço para algumas surpresas e reviravoltas. O constante recurso de metalinguagens também é um doce na boca dos gulosos por cinema e super-heróis. A adição de Josh Brolin como o musculoso Cable também é benvinda – afinal, segundo a cartilha das metarreferências Marvel, o mesmo ator dá vida ao todo-poderoso Thanos no atual filme dos Vingadores, ainda em cartaz por aqui. E a trilha sonora é um abuso de década de 1980 (A-Ha, Air Supply, LL Cool J, Berlin e Cher!!!) com algumas faixas escolhidas a dedo para causar estranhamento em momentos cruciais da história.

Embora apresente essas novidades e coisas boas,  tudo não passa de uma espécie de (muito) mais do mesmo. Por isso mesmo Deadpool 2 vai agradar em cheio quem curtiu o primeiro. E – melhor para a Marvel e a Fox, que ainda detém o direito de levar aos cinemas este núcleo de personagens da editora – ainda vai sendo preparado o terreno não só para a terceira história de Deadpool como também para uma da X-Force. Afinal, a sátira pode ser feita pela indústria desde que a sua engrenagem capitalista não pare.

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