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Psicodália 2018 – ao vivo

Noites, madrugadas e dias de um carnaval alternativo, repleto de experiências mágicas, música de primeira e contato com a natureza

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Zé Ramalho (foto GM)

Texto e fotos por Gustavo Moura e Mayara Melo

Em sua vigésima primeira edição, o Festival Multicultural Independente Psicodália trouxe novamente grandes nomes da música brasileira ao lado de artistas emergentes para realizar um carnaval alternativo. Iniciado na sexta (9 de fevereiro) e acabando na quarta-feira de cinzas (14), o evento foi realizado na Fazenda Evaristo, em Rio Negrinho (SC), um local amplo com natureza exuberante e muito bem estruturado. Sob um clima de muito respeito, paz e união, rolaram mais de 200 atrações entre shows, teatro, cinema, oficinas e recreação.

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Carne Doce (foto MM)

Na sexta-feira, após o cortejo circense fazer uma performance de abertura, a banda goiana Carne Doce abriu a série de shows já mostrando a força do feminino que foi ênfase no festival. A performática vocalista Salma Jô arrancou suspiros da plateia na apresentação de músicas com letras ásperas e ao mesmo tempo delicadas. Em seguida, os paulistanos do Tutti Frutti apresentaram músicas do álbum que a banda gravou com Rita Lee em 1975, chamado Fruto Proibido. Clássicos como “Agora Só Falta Você” e “Ovelha Negra” embalaram a noite divertindo tanto a geração contemporânea da banda quanto os mais novos. Fechando as apresentações do Palco Lunar, os pernambucanos da mundo livre s/a agitaram o público com muita energia e empolgação. Mas a noite não acabou com o Palco Lunar: no Palco dos Guerreiros (que durante o dia transforma-se em Palco do Sol), o Bloco da Laje realizou uma apresentação carnavalesca pra agitar a galera, seguido pelas bandas Machete Bomb e Kiai, que divertiu quem conseguiu aproveitar a primeira noite de festival.

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mundo livre s/a (foto GM)

No sábado, a cantora e compositora Raíssa Fayet abriu as atividades musicais no Palco do Lago, onde colocou toda a sua energia ancestral e colocou o público para cantar com suas letras impactantes e de cunho moral. Entre elas a impactante “Free Boi”, que fala da exploração do boi e o impacto disso na sociedade (“Liberta o boi/ Free boi”). Mais tarde, no palco Lunar a banda goiana Boogarins instigou a todos com seu indie psicodélico. O set teve como base o mais novo álbum lançado (Lá Vem a Morte, 2017) e ainda contou com a breve participação de Salma Jô, que subiu ao palco. Encerrando a programação do Lunar, o Bixiga 70 colocou todo mundo para dançar ao som com uma das melhores referências de afrobeat, latin e jazz, que embalaram todo o repertório dos paulistas. A programação seguiu com o Palco dos Guerreiros, com Consuelo, Mustache e os Apaches e Apicultores Clandestinos. A trinca agitou a galera que não queria perder nenhum momento do festival.

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Boogarins (foto GM)

O domingo foi o período mais chuvoso do Psicodália, quando os campistas tiveram de esticar as lonas e ajeitar as barracas para que não entrasse água. O sempre presente artista curitibano Plá iniciou os trabalhos no Palco do Lago, seguido pela banda londrinense Aminoácido. Às 15 horas iniciou-se a apresentação de Estrela Leminski e Téo Ruiz no Palco do Sol, que estava lotado. A chuva começou a cair torrencialmente bem no início do show, mas a energia e presença dos artistas fizeram com que todos permanecessem e aproveitassem bastante. Com muita teatralidade, Joe Silhueta deu seguimento, seguido por Aninha Martins, que encerrou os espetáculos do dia neste palco. À noite, a aguardada presença de Zé Ramalho empolgou os psicodálicos com clássicos como “Chão de Giz”, “Frevo Mulher” e “Admirável Gado Novo”. O cantor e compositor paraibano também tocou músicas de Raul Seixas, como “Medo da Chuva” – o que fez o público que lotava o espaço do palco agradecer e aproveitar a chuva que caía durante a apresentação. A curitibana Confraria da Costa também embalou a todos com seu “rock pirata” no Palco Lunar. No Palco dos Guerreiros, a banda Pata de Elefante, que voltou à ativa depois de anunciar o encerramento em 2013, trouxe uma verdadeira patada de elefante carregada com rock’n’roll e psicodelia. Em seguida, os mineiros do Graveola alegraram os guerreiros da madrugada com a diversidade de ritmos característica da banda. Por fim, o grupo Technobrass apresentou seu som de pegada eletrônica, só que realizado com instrumentos tradicionais.

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Francisco El Hombre e Mulamba (foto MM)

Após La Banda Bandalo, Mulamba causou um grande estopim com sua apresentação no Palco do Sol na segunda. Sem ainda ter um álbum lançado, a banda, que é formada só por mulheres, fez o público chorar, gritar, berrar, dar tudo de si com suas letras políticas e encorajadoras, que além de serem impactantes possuem um valor muito significativo para o momento político e social atual. Com várias participações, como Raíssa Fayet e Juliana Strassacapa (Francisco El Hombre), a apresentação ainda contou com performances e participação de mulheres da plateia que subiram ao palco, mostrando toda a força do feminino ao cantar “Mulamba”.

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Cuatro Pesos de Propina (foto MM)

Fechando a programação do Palco do Sol, o Som Nosso de Cada Dia, ícone do rock progressivo setentista, recebeu o público eufórico do show anterior e finalizou lindamente as atividades. Já no Palco Lunar, o Francisco El Hombre abriu o palco com todo o calor do psicodália e fez todos dançarem ao som do folclórico e latino álbum Solta as Bruxas. Agitando o público ao som de “Como Una Flor” o show deles ainda contou com participação de Mulamba e Cuatro Pesos de Propina. Foram seguidos por Jorge Ben Jor, que fez algo absurdamente grandioso. A plateia foi ao delírio cantando vários de seus sucessos, como “Taj Mahal”, “País Tropical” e “Filho Maravilha”. Depois a Bandinha Di Dá Dó, com um show performático e dançante, aqueceu o pessoal e contou com bastante energia. Para terminar as atividades musicais noturnas, o Palco dos Guerreiros recebeu Abacate Contemporâneo, seguido de Bananeira Brass Band, com groove brasileiro, orgânico, e metais cheios de potássio. Todo mundo continuou dançando e rolou até banana para a plateia. O som instrumental Mabombe encerrou as atividades deste dia.

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Jorge Ben Jor (foto GM)

A terça-feira era último dia que contava com uma grade oficial de atrações (na quarta-feira de cinzas, a programação é “espontânea”) teve início com a envolvente apresentação do coletivo Yanay no Palco do Lago. Em seguida, o trio instrumental feminino paulistano Ema Stoned fez jus ao nome com uma surpreendente lisergia. No Palco do Sol, o cearense Daniel Groove começou os trabalhos, seguido pelos carioca do Ventre em uma intensa performance. Fechando as apresentações neste palco, o grupo paulista Pedra Branca dialogou com dança e artes visuais, encerrando com chave de ouro. Já no Lunar, Arrigo Barnabé, outra atração londrinense do festival, fez um show performático, caótico e poético.

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Tulipa Ruiz (foto MM)

Na sequência veio Tulipa Ruiz, comentando que estava muito feliz de se apresentar no festival em que muitos de seus amigos já haviam tocado. Ela fez uma empolgante apresentação com base no álbum Dancê e depois foi vista curtindo a noite no festival junto com os participantes. Outros londrinenses, a banda Terra Celta, tradicional atração do festival, encerrou as apresentações deste palco com sua conhecida empolgação que fez o público pular e dançar muito. Encerrando o festival no Palco dos Guerreiros, os uruguaios Cuatro Pesos de Propina embarcou em uma enérgica apresentação, seguida pelo Casa de Velho, de Fortaleza. A Bandinha Alemã Max Jakush, de Rio Negrinho, concluiu o festival com os participantes se lambuzando ao dançar e pular na lama formada à frente, agradecendo muito ao evento e os benefícios que ele traz à cidade catarinesne.

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Terra Celta (foto MM)

O contado até agora acima, mesmo com todas essas referências, não foi nem a metade do que rolou no festival em 2018. O Psicodália é um lugar de troca, aprendizado e muito crescimento interno e social. Já imaginou na vida estar de boas em um lugar e o seu artista sair do show e curtir com a galera como a Tulipa? Ou você tomar um sol de tarde com vista para o lago e escutando Yanai? A única coisa que podemos concluir é que se você ainda não foi ao psicodália, não perca mais tempo e vá nas próximas edições! Quaisquer dessas palavras não são suficientes para descrever toda essa experiência.

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Graveola (foto MM)

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Ventre (foto MM)

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Psicodália 2018 (foto GM)

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