Music

Tribalistas – ao vivo

Numa noite fria de sábado, Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown tornaram a Pedreira Paulo Leminski mais agradável e romântica

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Texto e foto por André Mantra (Cena Low-Fi)

Desde 2002 era esperada uma turnê pelo Brasil do supergrupo Tribalistas (formado por Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown; um dos últimos fenômenos da história da indústria fonográfica nacional, nos velhos moldes do consumo de mídia física). Naquela época eles não realizaram um espetáculo oficial nacional, mesmo com um enorme sucesso comercial dentro e fora do país. Era sabido que realizar uma agenda onde todos pudessem participar de uma única turnê e abrir mão de suas respectivas carreiras, empresários, músicos e aquela estrutura que as gravadoras ofereciam até então. Também parecia, até chegar o ano de 2017 muito improvável, o fato de se  reunirem novamente para produzir e gravar um novo álbum.

Após quinze anos de nostalgia de um único álbum e meia dúzia de arrasa-quarteirões, inúmeros shows internacionais de grande porte, além de vários festivais de todos os portes possíveis, eis que foi anunciada a primeira turnê nacional (e, nesta altura do ano, já transformada em internacional) por nove capitais. Curitiba, uma das contempladas neste roteiro.

O local, horário e contexto não foram motivos suficientes para lotar a Pedreira Paulo Leminski, um dia após a data de nascimento do poeta-referência no mundo. Os Tribalistas foram apreciados por dezenas de milhares de pessoas por onde passaram – só na Allianz Arena, o estádio do Palmeiras, foram mais de 45 mil espectadores em apresentação única na capital paulista. Falando em pessoas, a plateia naquele sábado 25 de agosto de 2018 foi plural em faixa etária e orientação sexual (e ficamos por aí). Tudo gente muito resistente aos 11 graus antes do espetáculo e apenas 9 ao seu final.

Foram duas horas de uma apresentação previsível aos jornalistas culturais e do seu enorme fã-clube – pois não há qualquer alteração no set, inclusive no bis. Com uma bela estrutura de palco (iluminação e projeções) e sonorização perfeita, o trio trouxe uma banda de apoio à altura dos nomes envolvidos no projeto: Pedro Baby (guitarra), Marcelo Costa (bateria), Pretinho da Serra (cavaco, percussão e violão) e o “quarto tribalista” Dadi (contrabaixo e teclados). Marisa tocou seu violão ao longo do show, Brown ficou muito à vontade no seu universo percussivo e Arnaldo usou o pedestal como poucos.

Por outro lado, é preciso dizer que o som dos Tribalistas durante o inverno paranaense (à noite, principalmente) é muito “puxado”: das mais de 27 canções executadas, apenas três são dançantes. Já que a banda consegue agregar um público muito familiar, do neto aos avós, bem que poderia render mais se fosse este show realizado durante a tarde. Perderia um pouco no quesito iluminação e projeção nos telões, claro, mas certamente o número de pessoas seria bem mais expressivo.

Como já foi dito, trata de um espetáculo meticulosamente ensaiado e muito bem dirigido, aos moldes Marisa Monte de produzir e gerir. É uma apresentação em que a presença de palco do Arnaldo é percebida; o canto de Marisa, irretocável e o estado de espírito do Brown funciona muito bem (entre um “dá um grito aê” e a famosa saudação africana “Ajayô!”) agregado à sua imagem de jurado de concurso musical.

É evidente que “Velha Infância”, “Vilarejo”, “É Você”, “Passe Em Casa”, “Já Sei Namorar” e “Tribalistas” foram os momentos altos. Contudo, houve a inserção de canções compostas pelo trio que foram gravadas anteriormente por Arnaldo Antunes e principalmente Marisa Monte. “Infinito Particular”, “Amor I Love You”, “Paradeiro” e “Consumado” foram muito festejadas e aprovadas pelos presentes. Vale salientar que o trio fez uma menção muito bonita a Paulo Leminski dentro de uma janela do show reservada para mexer com o bairrismo de cada capital envolvida.

Por fim, o balanço foi positivo, pois o público – estimado em torno de sete mil pessoas presentes –  teve ao chance, enfim, de estar diante da realidade de ver e usufruir um projeto musical quase virtual e, ao mesmo tempo, um best-seller da música e do audiovisual fonográfico do início do século 21. Tudo através de palavras simples, vestidas de poesia concreta e muito romantismo. Poderia ser mais espontâneo, é bem verdade. Mas tudo correu dentro das expectativas e isso foi o suficiente para quem estava lá na Pedreira.

Set List: “Tribalistas”, “Carnavália”, “Um Só”, “Vilarejo”, “Anjo da Guarda”, “Fora da Memória”, “Diáspora”, “Água Também é Mar”, “Um a Um”, “Ânima”, “Velha Infância”, “É Você”, “Carnalismo”, “Aliança”, “Até Parece”, “Não é Fácil”, “Sem Você”, “Lá de Longe”, “Lutar e Vencer”, “Universo ao Meu Redor”, “Infinito Particular”, “Paradeiro/Consumado”, “Amor I Love You”, “Depois”, “Trabalivre”, “Passe em Casa”, “Já Sei Namorar”. Bis: “Velha Infância” e “Tribalistas”.

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