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Uma Cilada Para Roger Rabbit

Trinta curiosidades para celebrar os trinta anos desta mistura de animação, live action e personagens clássicos de vários estúdios

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Texto por Flávio St Jayme (Pausa Dramática)

Foto: Disney/Buena Vista/Divulgação

Um dos filmes mais inovadores para a sua época completou no último dia 22 de junho 30 anos de estreia nos Estados Unidos. Por isso, resolvemos mostrar pra vocês 30 curiosidades para celebrar as três décadas de Uma Cilada Para Roger Rabbit (Who Framed Roger Rabbit, EUA, 1988 – Disney/Buena Vista). Algumas delas revelam como um longa-metragem como este seria algo inconcebível nos dias atuais.

>> A Walt Disney Productions comprou os direitos cinematográficos para o romance Who Censored Roger Rabbit?, de Gary K. Wolf, pouco tempo após sua publicação em 1981.

>> Robert Zemeckis ofereceu seus serviços como diretor em 1982, mas a Disney considerava seus filmes anteriores dois fracassos comerciais e dispensou o diretor. Foi oferecida a Terry Gilliam a oportunidade de dirigir o filme, mas ele concluiu que o projeto era tecnicamente complicado. (“Pura preguiça de minha parte”, Gilliam admitiu posteriormente. “Eu me arrependo completamente dessa decisão.”). Robert Zemeckis, então, foi finalmente contratado em 1985 para dirigir, baseado no sucesso de De Volta Para o Futuro.

>> Em 1985 a Amblin Entertainment (composta por Steven Spielberg, Frank Marshall e Kathleen Kennedy) foi procurada para produzir Who Framed Roger Rabbit junto com a Disney.

>> O orçamento original do longa nesta época foi estimado em 50 milhões de dólares, o que a Disney considerou muito caro. Roger Rabbit apenas recebeu o sinal verde quando o orçamento foi reduzido para 30 milhões de dólares, o que na época ainda o tornava o filme animado mais caro já autorizado. O presidente da Walt Disney Studios, Jeffrey Katzenberg, argumentou que o híbrido de animação e live action iria “salvar” o departamento de animação da companhia.

>> A subtrama do bonde apresentada no longa foi inspirada pelo filme Chinatown.

>> Traições, conspirações, assassinatos e desenhos animados. Uma Cilada para Roger Rabbit une a era de ouro da animação ao cinema noircom uma mistura de animação e live action quase inédita para a época.

>> Durante o processo de escrita do roteiro, Jeffrey Price e Peter Seaman não tinham certeza de quem deveria ser o vilão. Eles escreveram versões em que Jessica Rabbit ou Baby Herman eram os vilões, mas decidiram escolher o recém-criado personagem Judge Doom. Este deveria ter um urubu animado sentado em seu ombro, mas a ideia foi descartada por causa dos desafios técnicos que isso gerava.

>> A Weasel Gang de Judge Doom, composta pelas doninhas Stupid, Smart Ass, Greasy, Wheezy e Psycho, é uma sátira aos sete anões que aparecem em Branca de Neve e os Sete Anões, de 1937. Originalmente, também seria sete o número de doninhas, mas duas foram cortadas do roteiro final.

>> Entre outras referências à realidade, o Ink and Paint Club que aparece no filme é baseado no Cotton Club do Harlem. Assim como os planos de Judge Doom de eliminar todos os desenhos se assemelham a Solução Final, de Hitler.

>> Doom também era para ser o caçador que matou a mãe de Bambi, mas a Disney rejeitou a ideia.

>> O personagem Benny The Cab era para ser um fusca,. A ideia foi substituída para um táxi.

>> Entre outras ideias concebidas para a história, estavam o funeral de Marvin Acme, que teria a presença de diversos personagens de desenhos famosos, como Mickey e Minnie Mouse, Tom e Jerry, Foghorn Leghorn (Frangolino), Mighty Mouse (Super Mouse), Popeye e Olive Oyl (Olívia Palito). No entanto, a cena foi cortada por questões de ritmo da história e nunca passou da fase de storyboard.

>> Antes de Who Framed Roger Rabbit ser definido como título final do filme, foram utilizados Murder In ToontownToonsDead Toons Don’t Pay BillsThe Toontown TrialTrouble In Toontown Eddie Goes To Towntown como títulos de produção.

>> Spielberg não conseguiu liberar em tempo Popeye, Tom & Jerry, Luluzinha, Gasparzinho e os personagens do estúdio Terrytoons (com exceção de Super Mouse). Porém, o produtor foi fundamental na hora de convencer a Warner Bros a liberar suas criações para a Disney. Além dos US$ 5 mil pagos por cada personagem, o filme precisava atender algumas exigências, como dar o mesmo tempo em cena para personagens icônicos da Warner e da Disney. É por isso que Pernalonga e Patolino dividem a tela com Mickey e Pato Donald, garantindo que os personagens tivessem o mesmo número de frames.

>> Muitos dos personagens usados no filme não tinham sido criados até 1947, ano em que o filme é situado. Os personagens da Disney que aparecem são Mickey (1928); Minnie (1928); Pluto (1930); Pato Donald (1934); Pateta (1932); João Bafo de Onça (1925); Horácio (1929); Clarabela (1929); Merry Dwarfs (1929); Huguinho, Zezinho e Luisinho (1937); Clara de Ovos (1934); as flores e árvores de Flores e Árvores (1932); Lobo Mau e os Três Porquinhos (1933); Peter Porco de A Galinha Esperta (1934); Toby Tortoise, Max Hare e as coelhinhas de A Tartaruga e a Lebre (1935); os órfãos de Em Benefício dos Órfãos (1934); Chapeuzinho Vermelho de O Super Lobo Mau (1934); Jenny Wren de A Flecha do Amor (1935); Elefante Elmer (1936); Branca de Neve, os sete anões e a bruxa má (1937); Wynken, Blynken & Nod (1938); Ferdinando, o Touro (1938); Pinóquio e o Grilo Falante (1940); as vassouras, os cupidos, o bebê pégaso, a avestruz e a hipopótamo de Fantasia(1940); Sir Giles e o Dragão Relutante (1941); Dumbo, a Sra. Jumbo, Casey Jr. e os corvos de Dumbo (1941); Bambi (1942); Chicken Little (1943); Zé Carioca (1942); o pelicano de The Pelican and the Snipe (1944); Pedro de Música, Maestro! (1946); Br’er Bear, as marmotas e o bebê de piche de Canção do Sul (1946); a harpa cantante de Como é Bom de Divertir (1947); os animais de Johnny Semente-de-Maçã (1948); a ovelha Danny de Tão Perto do Coração; Sr. Toad e seu cavalo Cyril de Dois Sujeitos Fabulosos (1949); Sininho de As Aventuras de Peter Pan (1953); Malévola de A Bela Adormecida (1959); e os pinguins de Mary Poppins (1964). Já os personagens da Warner que fazem aparições no filme são Pernalonga (1940), Patolino (1937), Gaguinho (1935), Piu-Piu (1942), Frajola (1945), Eufrazino (1945), Frangolino (1946), Marvin, o Marciano (1948), Papaléguas (1949), Coiote (1949), o buldogue Marco Antônio (1952), Sam Sheepdog (1953) e Ligeirinho (1955). Da Paramount aparecem Koko, o Palhaço (1919) e Betty Boop (1930). Walter Lantz emprestou Pica-Pau (1940) e a MGM liberou Droopy (1943).

>> No cinema, quando Eddie Valiant (Bob Hoskins) revela a Roger o seu passado, o curta em exibição é Ginástica Patética, que seria lançado apenas em 1949 (dois anos depois do que se passa a história). A produção afirma ter escolhido o curta, apesar da imprecisão histórica, por se tratar da “coisa mais louca” encontrada no acervo da Disney.

>> Durante as filmagens, o dublador Charles Fleischer dizia as falas de Roger Rabbit fora das câmeras, mas completamente dentro do personagem. O figurino incluía orelhas de coelho, luvas amarelas e macacão laranja. Para ajudar os atores, modelos de borracha em tamanho real eram usados para que os intérpretes “humanos” tivessem noção do tamanho e das formas do seu colega de cena imaginário. Durantes os intervalos na filmagem, alguns funcionários do estúdio faziam comentários sobre os pobres efeitos especiais do “filme do coelho”.

>> Um dos maiores desafios foi a interação dos personagens animados com os objetos e atores reais. O efeito final foi resultado de duas técnicas: alguns objetos, como o charuto do Bebê Herman e os pratos que Roger quebra na própria cabeça, eram movimentados no setpor meio de máquinas de movimento presas a um operador. Na pós-produção, o personagem era simplesmente desenhado sobre a máquina. A cena do clube Ink & Paint seguia na mesma linha: os copos movimentados pelo bartenderpolvo eram controlados como marionetes e as bandejas dos pinguins garçons grudadas em bastões. Tanto os bastões como os fios acabaram removidos e os desenhos foram adicionados. Já na sequência que se passa em Toontown, o choram key foi a técnica escolhida, com Bob Hoskins interagindo com o mundo que seria criado na pós-produção.

>> O túnel que Valiant atravessa para chegar à Toontown é o mesmo túnel usado em De Volta Para o Futuro Parte II (1989) na perseguição com o hoverboard.

>> Roger Rabbit é descrito como tendo um “rosto da Warner”, “corpo Disney”, uma “atitude Tex Avery”, macacões do Pateta, luvas do Mickey Mouse e gravata borboleta por Gaguinho. O diretor de animação Richard Williams diz que baseou seu modelo de Roger na cor na bandeira americana (macacões vermelhos, corpo branco, gravata azul) para que “todo mundo, subliminarmente, gostasse dele”.

>> Quando Eddie leva Roger para a sala secreta do bar para cortar as algemas, o coelho bate na lâmpada e o lustre começa a balançar. Os animadores, então, precisaram dedicar muito trabalho extra para que as sombras do cômodo real fossem compatíveis com as sombras da animação. Hoje, “bump the lamp” (algo como “esbarrar na lâmpada”) é uma expressão usada por muitos animadores da Disney para descrever o esforço dedicado aos detalhes da animação, em coisas que a maior parte do público nem chega a notar.

>> Jessica Rabbit reúne quatro femme fatales em uma. O escritor Gary K. Wolf baseou Jessica em Red, criada por Tex Avery. Já o animador Richard Williams buscou inspiração na Rita Hayworth e Veronika Lake. Por sugestão do diretor Robert Zemeckis, Lauren Bacall também serviu de musa para o visual da personagem. A atriz Kathleen Turner fez a voz da personagem.

>> Uma das cenas mais controversas do longa mostra, por um breve momento, um dos seios de Jessica Rabbit.

>> Os três ingredientes da fórmula que mata desenhos (aguarrás, benzina e acetona), são solventes de tintas, todos utilizados para remover animação de frames.

>> O plano de Doom para desmantelar a Red Car é baseado na História. Corporações privadas conspiraram para eliminar o transporte público no final dos anos de 1940 e início dos 1950, para gerar demanda por automóveis e indústrias auxiliares.

>> Bob Hoskins disse que, por duas semanas após ver o filme, um de seus filhos não quis falar com ele. Quando finalmente perguntou o motivo, o menino respondeu que não podia acreditar que seu pai havia trabalhado com personagens de desenhos animados, como Pernalonga, e não o levou para conhecê-los.

>> Sete anos se passaram até que Uma Cilada Para Roger Rabbit saísse do papel. O mesmo processo lento acompanhou a sequência, planejada desde o sucesso do original nas bilheterias. Depois de muitas versões de scriptse testes de efeitos especiais rejeitados, a última notícia sobre o filme é de 2012 – e com a morte de Hoskins, dois anos depois, por complicações do Mal de Parkinson, o projeto parece ter sido deixado de lado. Contudo, se depender da persistência de Zemeckis, a continuação ainda tem chances de ser realizada.

>> A pós-produção levou 14 meses para ser concluída. Com 326 animadores contratados e 82.080 frames de animação desenhados, o filme tinha uma das maiores sequências de crédito da década de 1980.

>> Uma Cilada Para Roger Rabbit foi uma das produções mais caras da década de 1980. Com um orçamento inicialmente previsto para US$ 29,9 milhões (um recorde para um filme de animação), o filme chegou a custar US$ 70 milhões e só não foi cancelado por conta dos esforços (e da simpatia) de Steven Spielberg. O investimento foi recompensado, conseguindo a segunda maior bilheteria de 1988 (atrás apenas de Rain Man) e arrecadando o total de US$ 329,8 milhões.

>> Uma Cilada Para Roger Rabbit ganhou quatro estatuetas do Oscar em 1989: edição, efeitos sonoros, efeitos visuais e uma especial para Richard Williams, por criar e dirigir os personagens animados. Rain Man levou outras quatro, porém, consideradas do “grupo principal de quesitos da premiação” (filme, diretor, ator e roteiro original). Na mesma noite, Ligações Perigosas ficou com três (roteiro adaptado, figurino e direção de arte).

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