Music

Gang 90 – ao vivo

Taciana Barros reúne músicos da banda e chama convidados especiais em apresentação para celebrar a aura do fundador Júlio Barroso

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Taciana Barros

Texto por Fábio Soares

Fotos por Edouard Fraipont

No final da tarde do domingo de Carnaval, 24 de fevereiro, dezenas de blocos ainda agitavam os quatro cantos da capital paulista. Porém, na Zona Oeste, um carnaval particular prometia agitar o Sesc Pompeia: a Gang 90 estava de volta! Capitaneado pela multi-instrumentista Taciana Barros, o projeto A Nossa Onda de Amor Não Há Quem Corte, que acompanhou o lançamento do livro de mesmo nome – compilação de poemas, letras e textos escritos por Julio Barroso (1953 – 1984) – revisitou o universo idealizado por ele em duas noites que misturaram os formatos de show, peça teatral e sarau.

A apresentação no Sesc Pompeia imergiu a audiência numa viagem áudio-literária. Na banda principal, veteranos consagrados como Paulo Le Petit (baixo), Beto Firmino (teclados e voz) e Herman Torres (guitarras) além do reforço de peso de Edgard Scandurra (Ira!) nas guitarras e bateria. Nos vocais de apoio, Bianca Jhordão (Leela) e a cantora e atriz Eloiza Paixão, encarnaram as Absurdettes acompanhando Taciana nas coreografias oitentistas.

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Eloiza Paixão , Edgard Scandurra, Taciana Barros e Bianca Jordão

Na abertura, o swing de “Palavras Não Bastam” (do álbum Pedra 90, de 1987) deu o tom, seguido de “Rosas & Tigres” (do álbum homônimo, de 1985) e “Marginal Conservador”, do aclamado álbum de 1983, com seus acachapantes versos “Já me sentindo dopado pelo álcool/ A correr pelas veias/ Com meu ciúme e amor/ Eu teci varias teias”. Nos interlúdios, intervenções poéticas de Ian Uviedo, Natália Barros e do vocalista dos Mickey Junkies, Rodrigo Carneiro. Trechos de poemas beat, escritos de Júlio e o Manifesto Modernista eram o ingrediente a mais na apresentação, que teve, é claro, seus pontos altos nos clássicos radiofônicos e televisivos do grupo.

“Nosso Louco Amor” foi a responsável pela viagem no tempo à abertura da novela global de Gilberto Braga, de 1983. Já em “Telefone”, Taciana convidou o público a entoar o refrão sem parar, deixando bem claro que só uma “onda de amor” é capaz de nos fazer passar incólumes nestes atuais tempos conturbados que vivemos.

Coube a Filipe Catto, a provável participação mais visceral da noite. Sua emocionada interpretação de “Do Fundo do Coração”, do álbum Rosas & Tigres fez com que o cantor se declarasse à timoneira do projeto: “Taciana não sabe, mas escreveu esta canção para mim, muito antes de eu nascer”.

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Filipe Catto e Taciana Barros

No fim, a catarse teve seu epílogo com a reprise de “Perdidos na Selva”. O eterno hit lá do comecinho dos anos 1980, apresentado ao país durante uma performance no festival MPB Shell 81, transmitido pela Globo, pôs todo mundo pra dançar no Sesc Pompeia. De ponto onde eu estava, poderia apostar que na cabeça de Taciana Barros passou-se a sensação de alívio pelo dever cumprido com maestria. Onde estiver, Júlio Barroso deve ter aberto um “sorrisão Colgate” com tamanha homenagem. Ele pode. Ele merece.

Set List: “Palavras Não Bastam”, “Qualquer Gesto”, “Rosas & Tigres”, “Marginal Conservador”, “Nosso Louco Amor”, “Jack Kerouac”, “Românticos A Go-Go”, “Noite e Dia”, “Do Fundo do Coração”, “Perdidos na Selva”, “Quero Sonhar Com Você”, “Cara Pálida”, “Convite Ao Prazer”, “Telefone”, “Eu Sei Mas Eu Não Sei”. Bis: “Perdidos na Selva”.

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