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Cópias – De Volta à Vida

Keanu Reeves fabrica clones humanos em longa-metragem que peca no roteiro, nas interpretações e na ação

copias keanu 2019 ok

Texto por Leonardo Andreiko

Foto: Paris Filmes/Divulgação

O limiar entre o humano e o sintético é pano de fundo para diversas produções nos últimos anos. Eu, RobôTranscendence e a série Altered Carbon são exemplos disso. Cópias – De Volta à Vida (Replicas, EUA/Reino Unido/China/Porto Rico, 2018), estrelando Keanu Reeves, se coloca confortavelmente neste nicho.

A história de Stephen Hamel, que escreveu Passageiros, gira em torno de Bill (Reeves), um cientista cujo projeto é o transplante de consciências humanas em corpos sintéticos. A caminho de suas férias num barco, ele e sua família envolvem-se num acidente. Sua esposa, Mona (Alice Eve), e seus três filhos morrem. Desesperado, o cientista pede a ajuda de seu colega, Ed (Thomas Middleditch), para cloná-los e implantar suas memórias nos novos corpos.

Esta é, de fato, uma história sem rodeios, confortável em seu subgênero. Ao tentar pincelar profundidade em temas morais, como o sofrimento das cobaias e a existência da alma (tema de debates desde o início da Filosofia), torna-se superficial e rapidamente esquece este esforço. O mesmo ocorre com as reações emotivas de Reeves, que duram, em média, pouco mais de uma cena. É frustrante assistir a inconsistência da atuação de Cópias, vista tanto no protagonista quanto nos coadjuvantes, por mais unidimensionais que sejam. O vilão, Sr. Jones, oscila entre uma tentativa falha de tom ameaçador e um homem de negócios irritado com seu empregado – responsabilidade não só do elenco, mas principalmente do roteiro de Chad St John em cima da história de Stephen Hamel.

Talvez o maior problema do filme, o roteiro soa desestruturado, resolvendo e criando mal suas tensões e dependendo de diálogos fracos e expositivos. Por isso, Cópias soa confuso e tem dificuldades em imergir seu espectador. Em momento algum, tanto nas sequências de suspense quanto no terceiro ato, repleto de ação, a obra produz inquietude ou quaisquer angústias. Este, inclusive, é o ato onde tudo que fora construído se desmantela. Se antes o ritmo era vagaroso e entediante, torna-se energético e entediante, com sequências bem montadas e eventual violência.

Os efeitos visuais, especialmente o desenvolvimento do Robô, caem por terra. Este personagem, que toma desproporcional importância na conclusão da narrativa, é tosco – por falta de palavra melhor. Sua animação parece anos atrasada, principalmente na velocidade e na ergonomia de seu movimento.

Desta forma, Cópias – De Volta a Vida tenta ser muitas coisas, mas não atinge qualquer objetivo satisfatoriamente. A atuação de Reeves e o sofrível roteiro estragam qualquer emoção que o filme tenta passar, enquanto a ação soa completamente deslocada e não empolga.

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