teatro

Fuerza Bruta

Grupo argentino apresenta na Pedreira Paulo Leminski espetáculo onírico, desafiador e de estética inovadora

fuerzabruta2019cwb01abonico

Texto por Janaina Monteiro

Fotos por Abonico Smith, Iaskara Souza e Janaina Monteiro (de cima para baixo)

A sensação é de participar de um sonho, de mergulhar no inconsciente da personagem, um homem de branco que caminha a passos frenéticos na esteira da vida, uma simulação da nossa corrida diária contra o tempo. Assim começa o espetáculo da companhia Fuerza Bruta chamado Look Up, que ficou por mais de dez anos em cartaz na Broadway, em Nova York e agora chega a Curitiba, com uma curta temporada na Pedreira Paulo Leminski. Se levado ao pé da letra, a expressão significa “olhar para cima”. Ou seja, enxergue além do que sua capacidade sensorial permite.

O show lúdico, interativo, com performances que desafiam o corpo e os sentidos e estimulam as emoções é um misto de arte circense, dança e balada. A companhia de Buenos Aires nasceu em 2003, formada por gente vinda de dois grupos de teatro alternativo portenhos. Aliás, em BsAs a arte circense é uma tradição – desde pequenas, as crianças são encorajadas a fazer aulas de acrobacias e malabarismos. Tanto é que a estrutura montada na entrada resgata essa memória circense, com carrinhos de cachorro-quente, pipoca, sorvete e bebidas para os espectadores entrarem no clima e socializarem entre si.

fuerzabruta2019cwb05iaskara

Por isso, a indicação é para que o público vista roupas confortáveis e chegue cedo para aproveitar o máximo possível do momento e se ambientar ao clima. Às 20h30, todos são convidados a seguir por um corredor que dá acesso à “caixa preta” de 500 metros quadrados e com capacidade para cerca de mil pessoas. O público fica de pé e aguarda ansioso pelo desconhecido. O sonho começa e as surpresas surgem de todos os cantos: do chão, das paredes, do alto. Por quase uma hora, ao que se assiste é um espetáculo 360 graus, de uma estética inovadora que desafia a nossa percepção de realidade, da força humana e proporciona uma experiência sui generis.

Da parede negra, surge o homem que aperta o passo na esteira e atravessa paredes e portas, cruza com bailarinas ninfas que dançam presas a cabos de aço. Ele dorme e mergulha numa festa com muitos efeitos especiais, com luzes estroboscópicas, gelo seco, papel picado, vento, água, danças com trilha sonora que mescla batida tribal e eletrônica com pitadas de música brasileira. Todos falam a mesma língua, pois não há diálogos, apenas gestos e gritos. Só a interpretação do enredo que é pessoal.

fuerzaruta2019cwb06janainamonteiro

À medida que o espetáculo avança, os espectadores precisam se mover para dar espaço aos atores que, de repente, surgem ali mesmo, no chão, interagindo com a plateia que a todo tempo é convidada a dançar, pular, libertar-se das amarras. A grande atração de Look Up é a piscina gigante onde quatro atrizes nadam, caminham e se jogam sobre as cabeças dos espectadores, como se todos fôssemos peixes fora d’água. Então ficamos de boca aberta e em êxtase diante delas e do nosso reflexo no plástico ultrarresistente.

É um espetáculo único, de uma engenharia e magia incríveis. Por isso, não há o que temer. O mundo ali é seguro. Não se reprima. Liberte-se até o final desse show onírico e fantástico.

Music

Jesus And Mary Chain – ao vivo

Retorno dos escoceses, agora tocando em um ambiente fechado, teve sabor especial para os fãs brasileiros

jamc2019spfabiosoares

Texto e foto por Fábio Soares

Meu par de experiências anteriores em apresentações do Jesus and Mary Chain não foi nada agradável. Em 2008, no extinto festival Planeta Terra, eu era uma ilha shoegazer cercada de fãs do Offspring por todos os lados – tendo em vista que a organização do evento escalou os Reid Brothers antes da trupe de Dexter Holland e seu insuportável (pseudo)punk rock. Já em 2014, no Festival Cultura Inglesa, problemas técnicos, chuva e falta de punch em cima do palco pôs aquela apresentação no halldas “esquecíveis” de meu currículo. Mas ainda bem que o tempo passou…

Quando uma nova apresentação de Jim e William foi anunciada em São Paulo, corri para garantir meu ingresso por um motivo muito simples: para mim, o JAMC (assim como o Interpol) não funciona a céu aberto. Sempre quis vê-los num minúsculo pub esfumaçado. Mas como quem não tem cão caça com gato, o Tropical Butantã abrigaria minha primeira vez com os ourives do shoegaze com um teto sobre minha cabeça. Na plateia do último 27 de junho, noite de Popload Gig, cabelos grisalhos davam o tom (eu, incluso). E tudo o que queríamos era, ao menos, um arremedo do que este gigante alternativo proporcionou a três décadas: um infinito universo de possibilidades sonoras, encharcadas de microfonias, sobreposição de efeitos fuzz e letras melancólicas. Expectativa grande, casa cheia e eis que, com pouco menos de quinze minutos de atraso, Will (guitarra) e Jim (voz) adentram o palco ladeados pelo baixista Mark Crozer, pelo baterista Brian Young e pelo outro guitarrista Scott Van Ryper.

“Amputation” abriu os trabalhos com um certo ar de nostalgia porque a bolacha que a abriga como faixa de abertura (Damage And Joy) é uma compilação de sobras de estúdio da banda durante um dos períodos em que William e Jim não se falaram. Aliás, chuto que das mais de cinquenta primaveras que a dupla tem de vida, em 70% delas um desejou ver o outro no fundo de um penhasco ou de uma piscina. Não se suportam. Se aturam. Mas ninguém quer saber disso.

“April Skies” mostrou à plateia como seria o tom da apresentação. A minimontanha de amplificadores montadas no palco foram ajustadas no volume cem para delírio dos presentes (eu incluso de novo). No palco, a fumaça artificial, iluminação etérea e a proposital contraluz entregavam que a música (pura e simples) seria a estrela da noite. Em “Head On”, emocionados semblantes cantavam o refrão em uníssono. Em “Blues From A Gun”, a potência dos equipamentos foi testada ao máximo. A impressão que se tinha é que ursos polares acordaram no Ártico com o volume das guitarras de William e Van Ryper. A performance do último, aliás, merece destaque: com trejeitos insanos e surrando o instrumento, o guitarrista lembra (e muito) Jonny Greenwood, a seminal guitarra do Radiohead. “Between Planets” pôs os esqueletos acima dos quarenta anos para chacoalhar, “The Living End” trouxe a divina sujeira de Psychocandy à tona e “All Things Pass” (a melhor faixa de Damage And Joy) teve efeito hipnótico ao recinto. O volume altíssimo dava às cartas à medida que apresentação se encaminhava para o fim da primeira parte magistralmente fechada com “Reverence”. Sujeira? Microfonia? Pra caralho! Graças a Jesus!

O bis se iniciou com um filme na cabeça de todos os presentes. Se tem algo que me deixa puto, é constatar que “Just Like Honey” jamais é citada em listas de “melhores canções de todos os tempos”. Dane-se! No top ten de meu coração, ela sempre figurará. A seguir, a execução de “Cracking Up” deve ter rendido uma multa ao Tropical Butantã por excessivo barulho após às 22h. Ainda atordoado e sem perceber a rapidez da apresentação que descia como água, o público viu o teto tremer, devido à exacerbada microfonia de “In a Hole” e celebrou “I Hate Rock ‘N’ Roll” como o fim do mundo que todos alí queriam ter.

Ao final, luzes acesas, amplificadores ligados e microfonia latente. Um público em êxtase por, finalmente, ver o gigante escocês do shoegaze numa sonora cápsula particular que fez nosso mundo girar ao contrário por noventa minutos. Zumbidos acompanharam o sistema auditivo de cada um no caminho de casa. Mas quer saber? Com certeza, ninguém reclamou. Afinal, a volta de Jesus entre os seus seguidores nunca foi tão saborosa.

Set list: “Amputation”, April Skies”, “Head On”, “Blues From a Gun”, “Mood Rider”, “Black And Blues”, “Far Gone And Out”, “Between Planets”, “Taste Of Cindy”, “The Living End”, “Never Understand”, “All Things Must Pass”, “Some Candy Talking”, “Halfway To Crazy” e “Reverence”. Bis: “Just Like Honey”, “Cracking Up”, “In a Hole”, “War On Peace” e “I Hate Rock’n’Roll”.

Movies

Cemitério Maldito

Trinta anos depois, obra do cultuado escritor Stephen King volta a ganhar adaptação para as telas do cinema

petsematary2019

Texto por Leonardo Andreiko

Foto: Paramount/Divulgação

A obra literária de Stephen King, para o bem ou para o mal, rende diversas adaptações na indústria do cinema. Tradicionais como À Espera de Um Milagre e Um Sonho de Liberdade se unem a eternos ícones do cinema de horror, como O Iluminado; Carrie, A Estranha e Pet Sematary. Este, no entanto, é o mais novo filme a figurar a lista de adaptações relançadas nos últimos anos – fenômeno crescente, em especial, nesta década. Utilizando o mesmo método com o qual resenhei para o Mondo Bacana a versão de Suspiria feita pelo diretor Luca Guadagnino, não tecerei comparações entre o filme de Kevin Kölsch e Dennis Widmeyer e o original de Mary Lambert, lançado 30 anos atrás.

Em Cemitério Maldito (Pat Sematary, EUA, 2019 – Paramount), Louis (Jason Clarke), Rachel (Amy Siemetz) e seus filhos se mudam para uma pacata cidade, buscando sossego da correria metropolitana em uma casa de campo com terreno gigante. É claro que o plano não sai como esperado, com o advento da morte do gato da família, Church, trazido de volta dos mortos com o auxílio do misterioso vizinho da família, Jud, interpretado por John Lithgow. Embora uma história promissora, o roteiro de Matt Greenberg e Jeff Buhler, que assinou Maligno (2019), empaca o desenvolvimento com seu ritmo moroso. Demoramos a sentir que o filme se desenvolve, gastando tempo demais com a adaptação da família à casa.

Além disso, grande parte dos primeiros atos fica na criação de subtramas sem conclusão, como a intrigante relação entre Louis e o seu falecido paciente Pascow (Obssa Ahmed), alertando o perigo que ronda o protagonista e sua família ao longo do filme. O pior gasto de tempo, no entanto, é a relação de Rachel com sua irmã, Zelda (Alyssa Brooke Levine). Ainda que o trauma resulte em uma forte característica da personagem, não merece todo o furor alucinógeno com o qual a dupla de diretores trata a história – uma desculpa para gore jumpscares.

Os jumpscares do filme, inclusive, são completamente ineficientes.  Sua previsibilidade os torna artificiais demais, além de serem estragados pelo exagero na intensidade do som. O sound design de Cemitério Maldito é convencional, mas deixa muito a desejar. Da mesma forma, a música não adiciona quaisquer camadas.

Ainda sobre a convencionalidade do longa, a dupla de diretores opera de forma eficiente, entendendo bem o gênero no qual se inserem sem mergulhar nos clichês. Eles existem, em escala maior que o esperado, mas não tomam conta da trama. No entanto, a direção não cria quaisquer marcas de estilo.

Além disso, a atuação dos protagonistas é funcional. O maior problema, no entanto, é Jeté Laurence, que interpreta Ellie de maneira extremamente superficial em seus dois “estados de espírito” ao longo da trama. No fim, o terceiro ato de Cemitério Maldito contrasta os predecessores vagarosos e é extremamente apressado, sem amarrar quaisquer nós que não sua história principal.

Desta forma, a nova adaptação desta obra literária de Stephen King não foge do convencional. Sem muitos grandes aspectos, amarga uma falta de empolgação consigo mesma. É bem produzida, com cenas bem fotografadas, porém mal dirigida e perde o potencial. Aliás, com exceção de It – A Coisa, os últimos filmes que bebem da fonte de King estão deixando a desejar.

Music

Ride + Wild Nothing – ao vivo

Quarteto britânico mostrou a força do shoegaze em um Balaclava Fest que também teve o coletivo de influências eighties

balaclavafest2019ride_fabiosoares01

Mark Gardener (Ride)

Texto por Fábio Soares

Fotos de Fábio Soares (Ride) e Fabricio Vianna/Balaclava/Divulgação (Wild Nothing)

Há quem reclame da Balaclava mas, sinceramente, não entendo o porquê. A produtora já trouxe a São Paulo nomes como Swervedriver, Slowdive, Deerhunter e o Mercury Rev com a turnê comemorativa de 20 anos do seminal Deserter’s Songs. Ainda procura, à sua maneira, manter a periodicidade de um festival por semestre desde a primeira edição, realizada em 2015 e que trouxe Mac McCaughan, líder do Superchunk. E, aparentemente, atinge seu ápice na edição do primeiro semestre de 2019. Quando anunciou o line up, em fevereiro, um verdadeiro pandemônio virtual tomou conta das redes sociais com o anúncio do Ride como atração principal. Vinte e nove anos após o lançamento de uma das bíblias do shoegaze (o para sempre clássico Nowhere) uma vinda do quarteto de Oxford sempre pareceu um sonho distante de ser alcançado por toda uma geração indie que, se já não passou dos 40 há algum tempo (meu caso), beira essa marca.

Antes da apresentação do quarteto, o palco principal recebeu o Wild Nothing, projeto norte-americano criado e liderado por Jack Tatum, um declarado fã de música oitentsta que escancarou suas influências em seu debut, o álbum Gemini (2010), e as consolidou em Indigo (2018). Tatum, porém, nunca teve pudor em manter uma banda fixa e o rodízio de integrantes quase chega a ser uma regra neste projeto que completa dez anos em 2019. Ladeado por Nathan Goodman (guitarra), Jeff Haley (baixo), Matt Kallman (teclados) e Elroy Finn (bateria), comanda uma apresentação que tem tudo para decolar mas que aqui pecou pela irregularidade. Se por um lado momentos memoráveis foram registrados (como nas execuções de “Live In Dreams”, “Shalow Water”e “Summer Holiday”), em outros o que imperou foi a sonolência como em “Paradise” e na chatíssima “Whenever I”. Resumindo, foi pouco mais de uma hora “nota 5” mas confesso que ainda gostaria de ver Jack Tatum por aqui e com um set list melhor. O Wild Nothing, afinal, é um daqueles casos que não devemos desistir por completo.

balaclavafest2019wildnothing_fabriciovianna

Jack Tatum (Wild Nothing)

Mas vamos ao que interessa porque a ansiedade dos indies quarentões já estava a mil naquela noite de 27 de abril a Audio. O clima na pista era de torcida organizada à espera de seu clube do coração. Finalmente, um pouco depois das 23h, as molas motrizes Andy Bell e Mark Gardener pisaram no gramado, acompanhados pelos costumazes Laurence Colbert (bateria) e Steve Queralt (baixo). O frisson regado a êxtase estava armado e a peleja começou com os primeiros acordes de “Future Love”, single lançado menos de uma semana antes do show na capital paulista e que fará parte do novo álbum do quarteto, This Is Not a Safe Place, a ser lançado em agosto. Como era de se esperar, uma má equalização do som fez com que os simultâneos vocais de Bell e Gardener se embolassem. Já na segunda faixa, “Lannoy Point”, o quase inaudível vocal de Gardener me causou irritação. Também confesso que esta não é das minhas faixas preferidas da banda mas faltava algo. Faltava o punch. E ele veio na terceira canção.

“Seagull”, primeira faixa de Nowhere a ser executada, é daqueles arrasa-quarteirões dignos de levantar estádio. As distorções de ambas as guitarras estremeceram o teto. Um momento sublime que serviu de pano de fundo para o primero momento “olhos marejados” da noite: a marcial introdução de “Dreams Burn Down” fez o trem do túnel do tempo começar a rodar. Estava tudo ali: o clima dream pop, o solo de Bell, os sussurrados vocais de Gardener, a sobreposição de camadas. O gigante shoegaze, finalmente materializado na minha frente! ERA O RIDE, ENFIM! E a partir daí, nenhum problema técnico estragaria aquela noite.

O trem desgovernado não parou por aí e o indefectível riff de baixo nos dois iniciais segundos de “Twisterella” (o eterno clássico do álbum Going Blank Again) foi a brecha que o sistema indie da terceira idade queria. Vi uma pista inteira dançar com as mãos pro alto com semblantes emocionados. Emoção essa que prosseguiu com “Chrome Waves” (do mesmo disco) e finalmente os vocais sobrepostos da dupla Bell-Gardener fizeram-se audíveis. Os três insanos minutos de “Taste” também ficarão registrados na memória. Uma das mais assobiáveis melodias dos anos 1990 fez com que a plateia não se fizesse de rogada e cantasse em uníssimo os versos “But what’s right or wrong?/ I don’t know/ I don’t know/ The taste just slips away”. Sublime demais! Lindo demais! Corações disparados continuaram assim com a canção seguinte. A introdução de “Vapour Trail” tornou-se o bilhete de embarque para um automático teletransporte. Das madrugadas em frente à tevê assitindo ao Lado B da MTV Brasil. Dos cassetes gravados com muito esforço e gastos sem dó em walkmen surrados. Sem levantar bandeira de saudosismo mas, nesse caso, valeu.

No palco, o Ride sabe que carrega consigo a bandeira shoegaze de toda uma geração. Porém, parece relaxar diante disso. Gardener e Bell sabem que já estão beirando cinco décadas de vida e que certas rusgas devem ser postas de lado em nome de um bem comum. E foi com a fúria de “Kill Switch” que a banda encerrou a primeira parte da apresentação, que passou voando. No bis, a banda novamente revisitou Going Blank Again com os oito hipnotizantes minutos de “Leave Them All Behind”. Desta vez, olhos fixos no palco para apreciar a dinâmica do quarteto: movimentos econômicos, riffs poderosos, microfonia nas alturas. Ninguém reclamaria se contraísse alguma microlesão auditiva, até porque “Polar Bear” veio a seguir com excelente performance de Laurence Colbert à bateria, capitaneando a viagem sonora que já anunciava seu fim. “Chelsea Girl” fez todo mundo pular. Foi como se a a banda dissesse “Bem-vindos aos anos 1990 e até a próxima”. Ritmo acelerado para encerrar a noite.

Por fim, lágrimas na pista. Amigos se abraçavam e se dirigiam à saída. Permaneci no local por mais alguns minutos, na esperança de encontrar alguém quando o inacreditável se fez presente: Gardener voltou ao palco empunhando sua guitarra, seguido por Bell, Colbalt e Steve Queralt. É isso mesmo: um segundo bis seria executado e como eu estava na pista quase esvaziada, corri para a grade. “Catch You Dreaming” fez as honras para um desfecho memorável que viria com a maravilhosa “Like a Daydream”, com todas as suas pinceladas noventistas. Agora sim, estava na hora de ir para casa, ainda atordoado com o que acabara de assistir. Esta foi daquelas noites que guardaremos para sempre e com muito carinho e com um sentimento de pena para aqueles que rotulam o shoegaze como “subgênero”. Azar o deles. Seguiremos por aqui, às portas da velhice mas com ânimo ainda para melodias assobiáveis, guitarras distorcidas e microfonias à enésima potência. The taste just slips away.

Set List Wild Nothing: “Nocturne”, “Wheel Of Misfortune”, “Golden Haze”, “Flawed Translation”, “Live In Dreams”, “Partners In Motion”, “Bend”, “Summer Holiday”, “Whenever I”, “Shallow Water”, “Canyon On Fire”, “Paradise”, “Letting Go”, “Chinatown”, “A Dancing Shell” e “Shadow”.

Set List Ride: “Future Love”, “Lannoy Point”, “Seagull”, “Dreams Burn Down”, “Twisterella”, “Charm Assault”, “In A Different Place”, “Chroma Waves”, “Taste”, “Vapour Trail”, “Drive Blind” e “Kill Switch”. Bis 1: “Leave Them All Behind”, “Polar Bear” e “Chelsea Girl”. Bis 2: “Catch You Dreaming” e “Like a Daydream”.