Music

Franz Ferdinand

Oito motivos para não perder o novo show da banda escocesa que toca novamente ao Brasil esta semana

franzferdinand2018

Texto de Abonico R. Smith

Foto: Divulgação

Já são seis álbuns (um em conjunto com outra banda, o Sparks) em dezesseis anos de carreira. Vindo de uma turma de amigos formada na escola de arte na cidade escocesa de Glasgow, o Franz Ferdinand não tardou a dominar o mundo com sua música que mistura uma forte herança do pós-punk, riffs de guitarra que te pegam de jeito, batidas que são um convite irresistível à dança onde quer que você esteja e aquele vocalista gato que arranca suspiros de desejo de boa parte do público feminino. Depois de várias passagens pelo Brasil, eles estarão por aqui novamente semana, para três apresentações: dia 11 de outubro (quinta) em Curitiba, 12 (sexta) em São Paulo e 13 (sábado) em Natal (mais informações sobre estes shows você tem aqui, aqui e aqui, respectivamente).

Por isso, o Mondo Bacana cita oito motivos pelos quais você não deve deixar de ver algumas dessas gigs, duas vinculadas ao projeto Popload Gig e a última dentro do festival Mada.

Geração “renascimento do rock”

Lá pelo final dos anos 1990 rolavam altos comentários de que o rock estava “morto”. A popularidade crescente da música eletrônica, o fato de pela primeira vez em um ano mais picapes terem sido vendidas em Londres do que guitarras e o direcionamento da indústria fonográfica mainstream para as cantoras pop deu aquela sensação de abatimento completo do gênero e que nada mais de interessante poderia sair de lá. Até que, na virada do século, vieram os Strokes, White Stripes e todo um resto de excelentes bandas. O Franz Ferdinand, formado em 2002, é um destes nomes que “salvaram” o rock para quem insistia em matá-lo de qualquer jeito.

Sangue escocês

Uma coisa é fato no rock britânico: se uma banda vem da Escócia são grandes a possibilidade dela trazer algo contagiante e uma boa proposta musical. Não se sabe se é por causa do whisky, das trufas, das highlands, do tempo instável que muda a cada cinco minutos ou da fama de Glasgow de ser uma cidade com veia artística pulsante e eternamente efervescente. A lista de bons sons alternativos que vêm do país ao norte da Grã-Bretanha é enrome. Fazem parte dela Jesus and Mary Chain, Primal Scream, Teenage Fanclub, Belle and Sebastian,  Mogwai, Pastels, Glasvegas, Fratellis, Travis, Camera Obscura, Sons and Daughters, Delgados, Aztec Camera, Vaselines, Beta Band… Precisa mais exemplos?

Vocalista gato e classudo

Não bastassem as mulheres morrerem de amores e suspiros por Alex Kapranos, o cara ainda canta muito bem. Compensa o vozeirão grave, que tenderia a soar monocórdico, com uma boa dicção, mesmo tendo aquele sotaque escocês, e aquele carisma em cima do palco. E, convenhamos, o cara veio da escola de arte e é um crítico gastronômico de primeira. Chegou a publicar um livro falando sobre as comidas que experimentou durante as viagens do início de carreira de sua banda.

Dois por um

Os fãs de primeira hora do Franz Ferdinand podem até ter ficado tristes quando, em 2016, foi anunciada a saída do guitarrista/tecladista Nick McCarthy, figura central ao lado de Kapranos nos vocais e nas composições da banda. Entretanto, Alex, o baixista Bob Hady e o baterista Paul Thomson não deixara por menos. Incorporaram logo dois outros nomes de primeira para o line up loficial. Vieram o guitarrista Dino Bardot e o produtor Julian Corrie, que aqui se divide entre guitarras e sintetizadores. Ambos, por sinal, também fazem os vocais de apoio para Kapranos nos shows. Esta está sendo a primeira grande turnê após o batismo em estúdio.

Always Ascending

Normalmente o Franz Ferdinand costuma abrir o set list dos shows com esta música nova, que também abre o novo disco, além de dar nome a ele. Em estúdio ela faz o grupo soar muito mais eletrônico, tal qual nunca havia sido antes. Também, pudera: quem assina a coprodução do trabalho, ao lado do próprio FF, é o francês Philippe Zdar, uma das metades do duo francês Cassius, representante de primeira grandeza do electrohouse que colocou o país em sintonia com as pistas de dança do fim dos anos 1990 para cá. Ao vivo, porém, a música acaba ganhando uma pegada mais rock e meio que se junta ao clima dançante de outras mais antigas.

Disco novo

Fazer turnê de disco novo para um artista que já tem bom tempo de estrada pode se tornar um saco para aqueles fãs que só querem saber de ver e ouvir os seus ídolos tocando somente os hits. Nesta turnê, em especial, entre cinco e sete faixas do álbum Always Ascending (são dez no total!) têm figurado no repertório das últimas apresentações. Entretanto, canções como “Glimpse of Love” e “Finally” não costumam constrastar tanto com o resto do material mais antigo. Portanto, quem gostou do novo disco não vai reclamar. Quem ainda não o conhece também não.

Velharias clássicas

Não tem erro. Metade do repertório da cada show vem pelo menos dos clássicos perpetrados nas rádios e pintas da dança pelos dois primeiros álbuns do FF. “Take Me Out”, “Do You Want To”, “Michael”, “The Dark Of The Matinée”, “Walk Away”, “This Fire”… Com toda a certeza todas estas estarão permeando o set de qualquer apresentação deles que você vá ver. E mesmo já tendo ouvido umas quatro mil vezes cada, vai chegar na hora do vamos ver ao vivo e você estará lá, dançando sem parar e cantando tudo junto com Kapranos, a plenos pulmões.

Pós-punk na veia

Imagine uma apresentação de mais uma hora com batidas pós-punk, uma atrás da outra, quase interrupções. Um show do Franz Ferdinand é assim. Fica impossível não sair com o suor escorrendo, expressão extenuada mas com a alma bem feliz. A receita disso é justamente a força rítmica que o FF imprime possui. Um dos nomes mais signifcativos entre aqueles que incorporaram uma espécie de releitura do pós-punk no início deste século, o grupo escocês prova que, lá naquele já longínquo ano de 1978, quarenta anos atrás, os músicos do punk insatisfeitos com a agressividade e verborragia desbocada do gênero estavam mais do que certos ao desacelerar os andamentos e torcar a temática dos pontiagudos questionamentos socioeconômicos por uma verve mais artsy, incorporando elemento de vanguardas culturais do Século 20 e propostas mais ousadas de conteúdo e referências. Mesmo tendo sido eclipsado pela primeira geração de astros que, com a MTV, aprendeu a técnica de transformar a carreira em algo audiovisual (Madonna, Prince, Michael Jackson, Cyndi Lauper), o pós-punk, assim como seu predecessor punk, resistiu bravamente por todo este tempo e continua firme e forte até hoje.

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