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Kursk – A Última Missão

Distante do Dogma 95, Thomas Vinterberg resgata história de submarino russo que explodiu e a dramática tentativa de resgate de sua tripulação

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Texto por Leonardo Andreiko

Foto: Paris Filmes/Divulgação

Diferente do tradicional filme de resgate, este é um caso bastante incomum no cinema, onde tudo dá errado. Isso não é spoiler, é claro, visto que o próprio subtítulo brasileiro evidencia o fatídico fim de sua história – embora o nome do longa para o mercado em língua inglesa seja The Command (O Comando, em tradução livre), aqui ele foi batizado como Kursk – A Última Missão (Kursk, 2018, Bélgica/França/Luxemburgo/Dinamarca).

O filme, dirigido por Thomas Vinterberg, pelo expoente do Dogma 95, e escrito por Robert Rodat, é baseado no livro A Time To Die, de Robert Moore. Seu roteiro revolve em torno da explosão do submarino russo Kursk, em agosto de 2000. Por um lado, o espectador acompanha Mikhail (Matthias Schoenaerts) e sua tripulação, os sobreviventes da explosão inicial. Por outro, a busca de suas esposas, capitaneadas por Tanya (Léa Seydoux), por escassas informações advindas do governo russo, que por sua vez trava um cabo de guerra interno a fim de decidir se a ajuda oferecida pelo comodoro americano David Russell (Colin Firth) seria aceita.

Vinterberg está bastante distante do que o consagrou em Festa de Família, porém mantém um estilo baseado em câmeras na mão, acompanhando o movimento de seus personagens, e planos longos – embora dinâmicos. Enquanto as sequências de dentro do Kursk são capazes de transmitir uma tensão fora do comum, as demais são medíocres, aproximando-se de um filme puramente comercial.

A forma com que retrata a negligência estatal, no entanto, é exemplar. Graças a Max von Sydow no papel do almirante Petrenko, o espectador tem um vislumbre da facilidade com que o alto-escalão militar se recusa a salvar vidas a troco de manter intactos seus segredos militares. O resultado disso é desastroso, porém sua dimensão mais aterradora é demonstrada em uma das últimas cenas de Kursk, numa troca entre Von Sydow e o jovem Artemiy Spiridonov, que interpreta o filho pequeno de Mikhail, Misha. O problema, no entanto, é que tal subtrama é jogado para o escanteio, beneficiando a espaçosa e desinteressante trama de Tanya.

A fotografia do filme, embora abuse de composições amenas e desinteressantes, tem seu ponto forte novamente nas sequências dentro do submarino. O jogo de luzes é rico e inventivo, em especial quando a cena em questão envolve submersão. O Vinterberg de vinte anos atrás certamente odiaria este filme, que, além de um complexo sistema de iluminação, conta com cenas em CGI e música de Alexandre Desplat, um dos mais melódicos em atividade.

Quanto foca em seu real interesse, Kursk é um bom filme, que navega em mares da autoralidade de seu diretor e potencial mercadológico ao mesmo tempo, com fortes atuações entremeadas por um elenco de apoio diminuto. Ao se distanciar e explorar as demais linhas, torna fraco e até mesmo desinteressado. É apenas em seu clímax que as três partes da história se desenvolvem suficientemente e trabalham em conjunto.

Kursk é capaz de produzir entretenimento e tem inclusive mercado para tal. Porém, seu foco na tragédia é capaz de afastar este demográfico de espectadores. Se você procura um filme divertido, feel good movie ou até um desastre como Battleship, melhor ir a outra sessão. A obra de Vinterberg é provocativa e angustiante em seus melhores momentos. Entendia é nos demais.

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