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Clipe: Moby – This Wild Darkness

Artista: Moby

Música: This Wild Darkness

Álbum: Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt (2018)

Por que assistir: À esta altura, com o álbum já disponível nas lojas e plataformas digitais, todo mundo já sabe que o novo trabalho do Moby traz um tom bastante apocalítico. As letras foram todas inspiradas no romance Matadouro 5, que fala sobre as feridas nunca cicatrizadas provocadas na mente de uma testemunha sobrevivente da Alemanha bombardeada Segunda Guerra Mundial. Musicalmente, para imprimir um tom mais emocional às novas faixas, o cantor, compositor e produtor resolveu retomar o caminho traçado duas décadas atrás, no cultuadíssimo Play, quando desacelerou as batidas eletrônicas (trip hop) e promoveu o casamento com as raízes da música popular norte-americana (blues, gospel, spiritual). “This Wild Darkness”, estrategicamente colocada lá no final do disco, dá o desesperançoso tom necessário à mensagem que Moby quis passar nesta obra: a sua mais absoluta perda de fé na capacidade humana de convivência e de tocar com sobriedade os rumos deste planeta. Por isso, as estrofes, sempre faladas, mostram as autorreflexões de um homem solitário e à beira da loucura. Elas se intercalam a um refrão gospel, guiado por backings da melhor escola dos corais vindos das igrejas dos EUA e cujos versos suplicam pela intervenção de uma luz divina (“Oh, nesta escuridão/ Por favor, ilumine meu caminho/ Ilumine meu caminho”). O mesmo tom é impresso às imagens do clipe, que misturam tons de ficção científica (tal qual a clássica obra literária, humanista e pacifista, criada por Kurt Vonnegut) com a sugestão de um vindouro e inevitável fim da Terra. Ouça a música e veja o vídeo. Depois responda para você mesmo a esta simples pergunta: tem como não se arrepiar?

Texto por Abonico R. Smith

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Clipe: Moby – Like a Motherless Child

Artista: Moby

Música: Like a Motherless Child

Álbum: Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt (2018)

Por que assistir: Considerado um dos melhores romances em língua inglesa de todo o século 20, Matadouro 5 (Slaugherhouse-Five, no original) traz a perspectiva de uma pessoa que carrega na memória uma ferida bem aberta: a de ter assistido ao bombardeio feito pelos aliados à cidade alemã de Dresden quando lutava na Segura Guerra Mundial. Seu autor, o escritor Kurt Vonnegut, que viu de fato o bombardeio, resolveu escrever uma história antiguerra, de viés pacifista. Para isso, criou um personagem chamado Billy Pilgrim, que veio do interior americano, não tem problemas com dinheiro, viaja no tempo e para outros planetas e revisita diversos momentos de sua própria vida. A narrativa, bastante fantasiosa e satírica, mistura melancolia e ironia, sarcasmo e tristeza. O livro foi publicado em 1969, enquanto ocorria a Guerra do Vietnam, o que o levou a ganhar muitos e muitos fãs pelo mundo a partir de então. Um desses fãs é o cantor, compositor e multiinstrumentista Moby, que resolveu usar a obra literária como inspiração para todo o seu próximo álbum. Deixando de lado qualquer abordagem política e se concentrado apenas em questões humanistas, ele compôs as doze faixas para lançar ao mundo alguns dos mesmos questionamentos que Vonnegut fizera meio século atrás. Quem somos como espécie? Por que os humanos têm feito escolhas tão terríveis e escandalosas? Uma das faixas que tenta procurar respostas que levem a algum tipo de iluminação é “Like a Motherless Child”, cujo refrão é embalado pela voz de Raquel Rodriguez, cantora residente na cidade de Los Angeles, a mesma para a qual Moby decidiu ir após abandonar a vida louca vida que levava em sua Nova York natal. Para criar mais impacto musical à sua nova obra, ele também decidiu desacelerar o ritmo e retomar o flerte com o trip hop e o gospel, elementos que marcaram o mais clássico de seu álbum, Play, de 1999. O clipe feito para a faixa traz ainda um certo ar de mistério e desamparo pós-apocalíptico, com bela fotografia em p&b e os dois artistas solitários na amplidão de um largo, extenso e vazio mundo. Como diz o título, aliás, “feito uma criança sem mãe”.

Texto por Abonico R. Smith