Music

Rita Ora

Oito motivos para não perder o show da cantora, que aproveitará a vinda ao Lollapalooza Brasil para se apresentar pela primeira vez em Curitiba

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Texto por Ana Clara Braga

Foto: Divulgação

Rita Ora irá se apresentar pela primeira vez em Curitiba no dia 2 de abril. Aproveitando sua visita ao país para o festival Lollapalooza, a cantora estenderá a estadia e fará uma visita a capital paranaense (mais informações sobre este evento você tem aqui). Por isso, o Mondo Bacana elaborou uma lista com oito motivos para não perder o concerto “solo” da popstar de etnia albanesa, nascida em Kosovo e radicada no Reino Unido desde o primeiro ano de idade.

Chancela de Jay-Z

Em 2008, quando Rita estava procurando por uma gravadora foi feita uma reunião com o rapper Jay-Z, dono da Roc Nation. O magnata do hip hop gostou tanto da cantora que assinou contrato com ela no mesmo dia e vendeu sua imagem como a de “nova Rihanna”.

Nova oportunidade no país

Sua primeira e última visita ao Brasil foi sete anos atrás, mas foi uma passagem bem apagada. Sua vinda foi por conta da ação de marketing de uma loja. O que deixou a cantora com vontade de fazer mais apresentações no país.

Muitas parcerias

Além de faixas solo, Ora também coleciona um grande número de parcerias. Requisitada e respeitada por seus companheiros de profissão, já participou de gravações de Iggy Azalea, Sofia Reyes, Tiësto, Avicii, Charli XCX e contou com a participação de Liam Payne, Cardi B, Bebe Rexha, Kygo e Chris Brown em músicas de sua autoria.

O novo álbum

Seis anos após o lançamento de Ora, Rita soltou em 2018 seu segundo disco, Phoenix. Já em uma nova gravadora, a cantora recebeu muitas críticas positivas da mídia especializada, incluindo a nota geral de 76 no Metacritic.

Set list equilibrado

Além da divulgação das músicas de seu mais novo trabalho de estúdio, também podemos esperar a execução dos maiores hits de Rita Ora. Faixas do início de carreira como “This Is How We Do (Party)”, “R.I.P.” e “I Will Never Let You Down” devem figurar no set list dos shows por aqui.

Vocais impecáveis

Não é incomum o público se decepcionar com as performances ao vivo dos cantores. Entretanto, este não é o caso de Ora. Ela já provou diversas vezes ter a mesmo gogó nos estúdios e nos palcos, proporcionando sempre um completo espetáculo.

Padrão estético

Não é possível saber qual será o formato do show que a cantora trará para Curitiba, mas é certo que seguirá o belo padrão estético dos outros que faz na Europa e Estados Unidos. Luzes, projeções, roupas combinando se juntam às músicas, tornando a experiência mais interessante e imersiva

Interações com o público

Rita Ora é muito conhecida por sua simpatia. Quando está cantando, também dedica muito tempo para conversar com seus fãs, contar histórias, dividir um pouco mais sobre sua vida. Tudo para deixar a plateia mais próxima dela.

Movies

O Escândalo

História sobre os assédios sexuais que derrubaram recentemente o CEO da Fox News chega aos cinemas de forma confusa

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Texto por Leonardo Andreiko

Foto: Paris Filmes/Divulgação

O escândalo Bombshell estourou em 2016, em pleno período eleitoral (quando Donald Trump chegou à presidência norte-americana), e envolveu estrelas do maior canal de TV conservador dos Estados Unidos. Nele, âncoras da Fox News, bem como diversas outras mulheres, acusaram o diretor e CEO Roger Ailes de abuso sexual. Entre elas, Gretchen Carlson e Megyn Kelly, duas das maiores apresentadoras da emissora.

Em O Escândalo (Bombshell, EUA/Canadá, 2019 – Paris Filmes), filme dirigido por Jay Roach e escrito por Charles Randolph, acompanhamos a trajetória dessas mulheres, desde o momento em que Gretchen (Nicole Kidman) entra em litígio com Ailes (John Lithgow) até o momento em que aceita o acordo judicial, que conta com um pedido de desculpas oficial da Fox. No entanto, não é Gretchen a protagonista – a história foca no conflito interno da jornalista Megyn Kelly, que demorou a se pronunciar a respeito do escândalo, mostrando também a pressão produzida dentro do quadro de funcionários da Fox News, condenando seu inicial silêncio. Ainda, há Kayla (Margot Robbie), uma jovem evangélica que acredita nos ideais do canal mas torna-se a mais recente vítima do CEO. As três “protagonistas” têm pouco tempo de tela compartilhado, suas tramas são solitárias e pouco se entrelaçam.

Este é um filme fortemente necessário, que traz luz a um caso seríssimo de assédio sexual no ambiente de trabalho, demonstrando com crueza a dinâmica opressora entre patrão e empregadas. Mais obras com a mensagem de O Escândalo devem surgir, visibilizando o comportamento deplorável de homens em posição de poder. No entanto, é uma pena que uma história tão rica e impactante tenha sido conduzida de uma maneira tão confusa como esta.

A direção de Roach, que está em seu terceiro drama, com um passado de comédias pastelão como Austin Powers, Entrando Numa Fria e Os Candidatos, é confusa e bastante inquieta. Com exposição despejada num rompante nas cenas iniciais, com quebras inconstantes da quarta parede e câmeras na mão, com muito zoom e montadas em uma justaposição estranha, O Escândalo começa num conflito de estilos radicalmente divergentes, buscando sua estética num emaranhado de ideias que, a partir do segundo ato, são abandonadas em prol de uma abordagem mais comercial. Há cenas em que a quebra da quarta parede chega a ser incômoda, por ser súbita, breve e um caso isolado – uma das personagens o faz uma única vez; outra, duas ou três; e a última não chega a tanto.

No entanto, Roach busca um hiperrealismo que, apenas na trama de Kayla, é eficaz. Grande parte do mérito é de Margot Robbie, que interpreta muito bem uma millennial de extrema direita com certas nuances – incluindo sua sexualidade. Seu texto não é dos melhores, o que cria uma personagem por vezes estereotipada, mas que se redime quando Robbie rouba a cena.

A montagem, assinada por Jon Poll, é, no máximo, eficiente. Contudo, erra a mão em momentos que quebram o ritmo do longa, com uma sensação de estranhamento terrível. A maquiagem é ótima em Charlize Theron, que também atua muito bem, porém causa um leve desconforto em Nicole Kidman, que parece um pouco imobilizada pelas próteses.

Por mais necessário que seja, o longa afasta o espectador com sua indecisão, que cria momentos desnecessários e desconfortantes, em especial o início de sua trama. Sinto que, nas mãos de outro diretor e com melhor cuidado de desenvolvimento de personagens, a fim de evitar unidimensionalidade das protagonistas e coadjuvantes, O Escândalo poderia alcançar resultados muito mais impactantes que com a equipe escalada. Uma história tão importante não deveria, de forma alguma, se tornar esquecível – e é isso que ocorre aqui.

Movies

Brooklyn Sem Pai Nem Mãe

Trama escrita, dirigida e protagonizada por Edward Norton como um detetive cheio de tiques e TOCs rompe com a clássica estética noir

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Texto por Leonardo Andreiko

Foto: Warner/Divulgação

Brooklyn Sem Pai Nem Mãe (Motherless Brooklyn, EUA, 2019 – Warner), o novo filme de Edward Norton e segundo de sua carreira de diretor, é uma história detetivesca com enfoque em Lionel Essrog, portador de uma síndrome que provoca tiques nervosos, vocais e comportamentos obsessivo-compulsivos. Após a morte de seu chefe e mentor, Lionel desvenda uma trama política com diversos podres por baixo dos panos.

O texto, também de Norton, é adaptado de um livro homônimo de Jonathan Lethem e explora dois conflitos de Lionel: a busca pelo assassino de Minna, seu mentor interpretado por Bruce Willis, e a batalha diária contra uma doença incurável – e toda dor de cabeça que vem com isso. É justamente esse aspecto do personagem que prende o foco do filme e de seu espectador – a brilhante atuação de Norton é capaz de criar um protagonista multidimensional, capaz de comédia, mas também do drama. No entanto, Lionel é muito passivo. Isto é, os elementos da trama ocorrem a ele, não por causa dele, traço que se reflete no andamento de duas horas e meia – o que, infelizmente, é “tempo demais” para um longa-metragem hoje em dia.

Norton não é o único a realizar um ótimo trabalho em frente às câmeras. A maior companheira de tela de Lionel é Laura Rose, interpretada por Gugu Mbatha-Raw. Ela trabalha na intensidade certa, dosando bem as reações de outra personagem muito reativa. Alec Baldwin, o antagonista da trama, cria um personagem consciente de sua ameaça, sem precisar extrapolá-la para surtir efeito.

A fotografia traz à tona uma decisão estética interessantíssima de Brooklyn Sem Pai Nem Mãe, à qual até o roteiro contribui, em certa instância. Este é um longa com trama girando em torno de um detetive, nos anos de ouro dos Estados Unidos, em plena Nova York. Ainda assim, a obra rompe com diversas tradições do film noir, imortalizado como o “filme de detetive” por excelência. As cenas rodadas de dia, sem sombras duras projetadas ou até mesmo o chiaroscuro (o alto contraste entre sombras e realces), distanciam-se em muito dessa decisão estética que imperava lá pelos anos 1940 e 1950. No entanto, é possível ver as homenagens ao estilo fílmico em cenas noturnas, que são poucas, mas abusam dos conceitos do chiaroscuro para trazer dramaticidade. Ainda há de se levar em conta o esforço do desenho de produção em construir a ambientação da história, das grandes externas aos sets internos e intimistas, dentre os quais podem ser destacados  clube de jazz e o escritório de Minna. Convém, também, levar em conta o impacto que a música de Thom Yorke, tal como a versão de Wynton Marsalis, tem sobre a obra. Um dos momentos mais emocionantes, ainda no primeiro ato, é amparado inteiramente em Daily Battles, que toca até perto de seu final.

Enfim, Brooklyn Sem Pai Nem Mãe é um filme interessante, bem feito, bem atuado e bem dirigido. No entanto, ele não tem quaisquer características excepcionais: da mesma forma que é bom também mas não é memorável. Diferentemente de demais títulos esquecíveis, esse não é assim por ser mediano. Sua história é interessante, estética apurada e ótimas atuações fazem de Motherless Brooklyn um belo filme de telecine, daqueles ao qual assistimos tranquilamente no fim de semana, zapeando os canais da TV por assinatura.