Music

Johnny Hooker + Mulamba – ao vivo

Pernambucano encerra turnê em Curitiba fazendo deliciosa sessão de resistência cultural, desbunde e exorcismo de desilusões amorosas

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Johnny Hooker

Texto e fotos por Janaina Monteiro

Vingança, ódio, raiva são sentimentos comuns e completamente compreensíveis entre aqueles que já levaram o famoso pé na bunda. Afinal, quem nunca tomou um fora nessa vida? Comum também é extravasar toda essa revolta ouvindo aquela playlist “Especial Fossa” no último volume. Sair pela sala, como uma pessoa doida, berrando versos de dor de cotovelo que são campeãs do Spotify. Quem canta seus males espanta. Ou quem canta a depressão espanta.

A raiva faz parte do processo de esquecimento desses seres egoístas e covardes que vagam pelo mundo espalhando o desamor. Mas há quem sinta tanto, tanto ódio no coração partido que pensa em fazer macumba para se vingar, como Johnny Hooker. Se você já sofreu uma desilusão amorosa certamente já ouviu esse “hino do rejeitado” escrito pelo cantor pernambucano: “Eu Vou Fazer Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!”. Assim mesmo, com ponto de exclamação, é a faixa que dá nome ao primeiro álbum de Hooker, o cantor da vida. O pernambucano, que já fez novelas e programas na Globo, também sofreu na pele a dor de ser abandonado subitamente. E essa foi uma das canções mais aguardadas durante o show de Hooker na Ópera de Arame, no último dia 7 de junho, para celebrar o aniversário da festa curitibana Brasilidades.

Hooker soube, como ninguém, dar uma reviravolta na situação, e lançou o segundo álbum, Coração, em 2017. O trabalho tem a faixa “Touro” que representa o fechamento do ciclo coração partido: “Viver, morrer, renascer/ Firme e forte como um touro”. Foi assim como um touro que Hooker aterrissou no palco da Ópera de Arame imponente – num figurino preto e dourado, com maquiagem impecáveis – e levando a plateia ao delírio ao tascar um beijo na boca do guitarrista de joelhos. Esse primeiro ato já foi o suficiente para o público se aquecer do frio de bater o queixo. De queixo caído fiquei eu, que até então pouco conhecia obra de Hooker, um artista híbrido, plural.

O pernambucano é um misto de Caetano Veloso, Ney Matogrosso e David Bowie. O performer-cantor-ator-compositor consegue transitar pelos mais diferentes estilos musicais sem muito esforço: axé, forró, samba, pop, rock, rumba, ska, bolero, jazz, blues, soul. E seu discurso é atual, potente, que representa as minorias. Com sua voz rasgada e debochada ao extremo, Hooker entoa hinos sobre amor marginal e a falta de amor. Assim como Liniker, como As Bahias e a Cozinha Mineira, como a banda curitibana Mulamba e como outros artistas que são resistência e contrariam o modus operandi brasileiro, Hooker é o desbunde em pessoa. Veio para escandalizar.

E bem ao estilo Bowie camaleônico de ser, o astro continuou o show de encerramento da turnê de Coração, com o público fiel e totalmente derretido pelos seus encantos. Os presentes, aliás, cantavam todas, mas TODAS as canções de cor. De coração. Algumas já foram temas de novela, como “Alma Sebosa”, incluída em Geração Brasil (na qual Johnny interpretou o músico Thales Saltado) e “Amor Marginal”, de Babilônia. O tecnobrega “Corpo Fechado” ( “Se depender do seu ódio, eu não morro mais/ Se depender da sua inveja, eu não morro mais/Se depender do seu veneno, eu não morro mais”), dobradinha com Gaby Amarantos, foi indicado na categoria de featuring do ano no MTV MIAW 2019 .

A apresentação é uma sessão de exorcismo de sensações e gestos. Todos pulam, se confraternizam, gritam contra os opressores. No set list não podem faltar homenagens aos mestres, como a deliciosa “Caetano Veloso”, que reverencia o baiano tropicalista, e “Beija Flor”, aquele axé contagiante da Timbalada (“Eu fui embora/meu amor chorou”). Antes de cantar “Poeira nas Estrelas”, Hooker explica que fez a canção para seu ídolo maior no dia em que ele morreu. Trata-se de “um réquiem sobre a morte de David Bowie e sobre a perda de uma maneira geral. É meu pedido para que aquele homem das estrelas não nos deixe aqui sozinhos sem uma luz para nos guiar”, tuitou o artista um dia sobre a obra.

A tal canção da macumba – que transforma a Ópera num terreiro – chega na metade do show. E todos na plateia se descabelam com ele, soltando o grito que estava preso na garganta. Com direito a fazer stories e mandar para ex. “Te desejo uma vida de desilusão/ Não desejo afago nem o perdão/ E que seja feliz com quem encontrar/ Mas, nunca mais volte aqui/ Profane o meu lar”. É como um Cee-Lo Green cantando “Fuck You”.

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Mulamba

O discurso que levanta a bandeira do protesto contra a homofobia também se fez presente no show de abertura, com a banda curitibana Mulamba, formada por seis mulheres de atitude rock’n’roll numa clara homenagem a Cássia Eller. Assistir ao show das “mulambentas” dá um certo orgulho de ser curitibana (eu nasci na Bahia, mas vivo aqui há muito tempo!). A sonoridade é potente. Os vocais, vigorosos. E a mensagem, crítica, atual. Como em “P.U.T.A”, que fala sobre violência e feminicídio: “Por ser só mais uma guria/ Quando a noite virar dia/ Nem vai dar manchete/ Amanhã a covardia vai ser só mais uma que mede, mete e insulta/ Vai, filho da puta”.

O convidado principal da noite também usa o intervalo entre as canções para discursar. “Equidade de diferenças é o que importa”. “Ser artista no Brasil  é um ato de resistência”. “Podem matar uma rosa ou duas, mas não podem deter a chegada da primavera”. Foram algumas das frases proferidas pelo pernambucano. E para arrematar o show-protesto, Hooker canta “Flutua” que gravou com Liniker. Com as mãos para o alto, todos entoam o refrão: “Ninguém vai poder querer nos dizer como amar”. Assim ocorre a transformação de toda a ira, ódio, sentimento de vingança em um ato de liberdade.

Set list Johnny Hooker: “Touro”, “Alma Sebosa”, “Corpo Fechado”, “Chega de Lágrimas”, “Caetano Veloso”, “Volta”, “Eu Vou Fazer Uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!”, “Você Ainda Pensa?”, “Amor Marginal”, “Poeira de Estrelas”, “Coração de Manteiga de Garrafa”, “Boato”, “Beija-Flor”, “Escadalizar/Desbunde Geral” e “Flutua”.

Set list Mulamba: “Provável Canção de Amor Para Estimada Natália”, “Interestelar”, “Tereshkova”, “P.U.T.A”, “Mulamba” e “Espia, Escuta”.

Music

Los Hermanos

Oito motivos para não perder a nova passagem de Camelo, Amarante, Medina e Barba pela capital paranaense

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Texto por Janaina Monteiro

Foto: Caroline Bittencourt/Divulgação

Dez anos foi o tempo de ativa do Los Hermanos, desde a primeira aparição em festivais até o último show, feito em 2007, para a divulgação álbum 4. Foram apenas quatro discos de músicas inéditas, mas o suficiente para transformar o cenário da música popular brasileira e influenciar dezenas de bandas e artistas nacionais, que seguiram com a indisfarçável influência dos barbudos.

Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Rodrigo Barba e Bruno Medina formaram o Los Hermanos em 1997, no Rio de Janeiro, partindo de influências diversas, como marchinhas carnavalescas, bandas do underground brasileiro e do rock alternativo em voga no mundo naquela década. De toda essa mistura surgiu um som que flertou com os mais diversos ritmos, do ska (como no primeiro álbum) à bossa nova, da chanson francesa ao hardcore. Sempre com letras de amor caprichadas num português impecável.

O Los Hermanos não tardou a sentir o gosto especial do sucesso estrondoso. Tudo por causa de uma história de amor não correspondido: a canção “Anna Júlia”,  terceira faixa do álbum de estreia, que leva o nome da banda. O disco foi lançado em 1999, época em que a internet ainda engatinhava no Brasil e que para se projetar no mainstream musical ainda era preciso recorrer às grandes gravadoras e selos. Em 2005, ao atingir o ápice do sucesso, levando à lotação máxima as casas de show pelo país, a banda resolveu parar. Mas sem deixar os fãs órfãos, já que promovem reencontros esporádicos em pequenas turnês nacionais.

Depois de um hiato de quatro anos, Camelo, Amarante, Barba e Medina estão novamente tocando pelo Brasil. Essa volta traz um nuance especial, uma canção nova após 14 anos sem uma composição inédita. “Corre, Corre” segue no estilo e com o frescor de uma banda que, no início do século, peitou os grandes e mostrou que quem manda na vida do artista é ele mesmo, é a sua arte, é a sua vontade. E antes que aconteça o próximo recesso, o Mondo Bacana dá oito motivos para não perder o show desses barbudos grisalhos que já têm mais de duas décadas de história e passam por Curitiba no próximo dia 10 de maio.

O primeiro fenômeno da internet no Brasil

Antes mesmo de existirem redes sociais populares no país e plataformas de divulgação musical, como MySpace (2003), Orkut (2004) e YouTube (2005), a banda (então formada por Camelo e Amarante nas guitarras, Bruno Medina nos teclados, Rodrigo Barba, na bateria e Patrick Laplan no baixo) acompanhou a popularização da webem terras tupiniquins e multiplicou seu público em progressão geométrica. “Ô Anna Júuuuuliaaaaa”… No finalzinho do século passado, não havia um único ser vivo neste país que não conhecesse esse refrão da balada de sonoridade sessentista. Logo depois, o álbum Bloco do Eu Sozinho (2001) tornou-se febre entre os jovens brasileiros sem tocar suas faixas na mesma rotação de “Anna Júlia” e deixou vários clássicos que, até hoje, são exaltados e cantados em uníssono por todos os fãs em todos os shows.

Aversão a “Anna Júlia”

“Anna Julia (incorporada pela atriz Mariana Ximenes no clipe “adolescente” que não saía das paradas da MTV Brasil) deixou uma marca profunda na carreira da banda. A canção passou “de mão em mão”. Todo mundo a cantou ou gravou nos mais diversos estilos populares: axé (foi a música mais tocada no carnaval de 2000), samba, forró… Até que encontrou alguém “à sua altura”. Nada mais, nada menos que um beatle. O guitarrista do quarteto fantástico de Liverpool, George Harrison, pouco antes de morrer de câncer, gravou o hit cuja versão em inglês aparece no disco do músico britânico Jim Capaldi (que era casado com uma brasileira). Além da participação do autor de “Something”, a versão contou com Paul Weller (Jam, Style Council) no backing vocal e Ian Paice (Deep Purple) na bateria. Mas a obsessão nacional por “Anna Júlia” era tamanha que chegou à exaustão. Nos shows, a plateia chegava a implorar para que os barbudos a cantassem, mas eles se mantinham relutantes em eliminar a obra do repertório. As mais pedidas sempre eram “Pierrot” e, claro, “Anna Júlia”. E todo mundo voltava para casa sonhando em ouvir a música de novo através do Los Hermanos.

Little Quail & The Mad Birds

No começo da carreira do Los Hermanos, Camelo nunca escondeu seu fascínio pela primeira banda famosa de Gabriel Thomaz (há duas décadas liderando os Autoramas). Tanto que a famosa Anna Júlia é inspirada no Little Quail & The Mad Birds: uma baladinha power pop com verniz Jovem Guarda e melodia tremendamente grudenta. Camelo era fã de carteirinha do Little Quail e acompanhava os ensaios, shows e camarim antes de chegar à fama. Já o trio brasiliense lançou três álbuns entre 1994 e 1998, tendo sido o primeiro pelo selo Banguela, aquele que descobriu os Raimundos.

Bloco do Eu Sozinho

Como superar um primeiro disco com um poderoso hit que gerou 300 mil cópias vendidas? Invertendo a ordem das coisas. Quebrando tabus. Buscando a voz interior e sendo autêntico. Experimentando. A banda rompeu com “Anna Júlia”, uniu-se ao produtor Chico Neves (Lenine, O Rappa, Paralamas do Sucesso) e se mudou para um sítio na região serrana do Rio de Janeiro. O ar bucólico parece ter trazido o sopro de criatividade de que eles precisavam. Sem pretensão qualquer de criar outro hit, o Los Hermanos começou a compor. Nessa época, o baixista Patrick Laplan se desentendeu com a banda e deu adeus à formação oficial, que estabilizou-se como um quarteto. Com o lançamento de Bloco do Eu Sozinho, a banda mostrou novamente a que veio. O segundo álbum foi lançado em 2001 e trouxe elementos nada óbvios em sonoridade, ritmo, métrica, andamento, letras. Tanto que esse clima “libertário” trouxe certa resistência por parte dos executivos da Abril Music, que não receberam muito bem o disco, já que não havia um hit radiofônico em potencial para seguir a trilha de “Anna Julia”. “Hoje, com esses lances pré-apocalíptcos de qualidade total, há na lógica comercial essa história de atender a um público supostamente sentado em cadeiras, que vai preencher um formulário e definir o que vai ser o produto. Isso é burro, porque o público é formado a partir do que você propõe”, filosofava Amarante em entrevista à Folha de S. Paulo naquele ano. Depois que veio a esse público, Bloco… transformou-se em um marco da música brasileira mesmo não tendo sido um sucesso comercial (vendeu 35 mil cópias apenas). Só que era justamente isso que a banda vislumbrava. Afinal, este era um álbum totalmente diferente do que havia sido feito até então na música nacional, sem deixar de ser eclético e ter mistura de ritmos. O disco abre com “Todo Carnaval Tem Seu Fim”, que ganhou videoclipe todo filmado em plano sequência, e segue numa sequência de canções com Camelo e Amarante, com sua rouquidão suave e rebelde, fazendo revezamento nos vocais. Entre os destaque do repertório estão “A Flor” e “Sentimental” (composta por Amarante), uma das mais belas canções de amor da MPB. Uma longa turnê conseguiu manter a banda na ativa, gerando um público novo cativo e conferindo um certo ar cult ao grupo que iria perdurar até hoje.

Ventura

Desde o lançamento de Bloco do Eu Sozinho, a idolatria continuou a crescer em progressão geométrica. Basta lembrar os shows em Curitiba. Para lançar o álbum de estreia, Los Hermanos se apresentou no então Coração Melão (mesmo local que depois viria a se chamar Forum, Master Hall e, atualmente, Live Curitiba) e nem “Anna Júlia” conseguiu lotar o salão.  Com Bloco…, faziam shows para menos de mil pessoas, como quando se apresentaram nos também extintos bares Era Só o Que Faltava e Cine. Mas foi com o lançamento de Ventura, em 2003, que a banda explodiu de vez. O terceiro álbum de estúdio, produzido por Kassin, é considerado por muitos o principal de toda a carreira. Impecável do início ao fim, o álbum foi eleito como o melhor de todos os tempos num concurso promovido na internet. Desta vez, a banda, o produtor e o “time” dos metais se reuniram num sítio em Petrópolis, onde passaram os dias trabalhando na pré-produção. O modus operandido grupo foi registrado no documentário Além do Que Se Vê (disponibilizado no YouTube). É curioso ver a delicadeza e a sutileza de Camelo e Amarante durante o processo criativo. Quando os dois conversam sobre a faixa “Deixa o Verão Pra Mais Tarde”: “Você, quem? Verão? Verão não é você”, diz Amarante. Quando Camelo fica em dúvida se usava ou não determinada palavra na letra: “‘Dissabor’, vocês acham muito radical?”, questiona Marcelo, que se revela um dos maiores letristas da sua geração, sendo comparado a Chico Buarque. Ventura começa com “Samba a Dois” e guarda para o miolo os hits “Cara Estranho” e “O Vencedor, tocados massivamente nas rádios mais identificadas com o pop e o rock. O disco tem ainda canções que parecem hinos. Como “Conversa de Botas Batidas” e seu final apoteótico em coro, que é uma verdadeira ode ao amor (“Diz quem é maior que o amor/ Me abraça forte agora/ Que é chegada a nossa hora”).  Esse disco foi só o começo do fim. O quarto álbum de estúdio da banda, lançado em 2005, deixa explícita a diferença entre as composições de Camelo e Amarante. As letras do primeiro são mais melancólicas, mais intimistas. Já Amarante segue na linha oposta, otimista, como em “Paquetá”, “O Vento” e “Condicional”. Depois do estrondoso sucesso de Ventura, tornou-se um disco difícil de absorver, até mesmo para os fãs, que lotaram o Teatro Guaíra em sua capacidade máxima no show da turnê em Curitiba. A última faixa, “É de Lágrima”, encerrava ali a carreira de dez anos.

A música inédita

Que o Los Hermanos se reúne a cada três anos em média para rodar algumas capitais do país e reativar a marca valiosa, isso todo mundo já sabe. Mas a diferença é que agora há de fato uma música inédita no repertório depois de 14 anos. “Corre, Corre” foi composta por Marcelo Camelo e gravada no final de março. Disponível desde o primeiro dia de abril no YouTube, o áudio da canção já ultrapassou os 600 mil acessos.

Carreiras solo bem-sucedidas

Quando a banda se separou, Amarante dedicou-se à Orquestra Imperial (da qual já fazia parte no tempo do Los Hermanos) e foi passar uma temporada em Los Angeles onde acabou fixando residência. Lá, formou o trio Little Joy com o baterista do Strokes (banda da qual era fã), o brasileiro Fabrizio Moretti, e a multi-instrumentista Binki Shapiro. “Ruivo” e Moretti se tornaram parceiros e depois membros da banda de apoio de Devendra Banhart. O Little Joy lançou apenas um álbum, em 2008, com sonoridade que lembra a surf music vintage. Em 2013, Amarante lançou-se carreira solo com o álbum Cavalo. Em 2018, gravou “Tuyo”, tema da série Narcos (2015), da Netflix. Neste ano, enquanto o Los Hermanos se apresenta em turnê nacional, Amarante aproveita para fazer alguns shows intimistas com canções de sua carreira solo. Já Marcelo Camelo lançou dois álbuns solo, Sou(2008) e Toque Dela (2011) com o cultuado sexteto Hurtmold como banda de apoio. Em 2014, ele se mudou para Portugal, onde formou a Banda do Mar ao lado da cantora, esposa e mãe de sua filha Mallu Magalhães mais o percussionista lusitano Fred Ferreira. O trio produziu baladas como “Dia Clarear” e a pérola dançante “Mais Ninguém”. No ano passado, Camelo decidiu se aventurar pelo erudito e lançou um disco de música clássica com os trinta minutos de sua “Primitiva”, uma sinfonia em quatro atos.

O show no Maracanã

A apresentação em Curitiba vem na sequência da memorável apresentação no Maracanã, onde a banda realizou um sonho e tocou para mais de 42 mil pessoas. Este show do Rio de Janeiro foi transmitido ao vivo para todo o Brasil pelo canal Multishow e vai entrar para a história a banda, que estava um pouco tensa por causa do desafio e enfrentou pequenos imprevistos no decorrer do concerto, como problemas técnicos com a guitarra de Marcelo Camelo. Enquanto isso acontecia, Amarante tentava improvisar ao microfone falando com o público. Mais para o final, ele foi “pra galera”, quando cantou junto aos fãs da fila do gargarejo. O set list irretocável se mantém durante a turnê. Agora, é só esperar pela nova catarse na capital paranaense. O quarteto encerra a turnê no dia 28 de maio, em São Paulo.

Music

Sofar Sounds #33 – ao vivo

O piano-voz de Kübler, o intimismo de Rosie Mankato e o inclassificável Itaercio Rocha foram as atrações da mais recente edição em Curitiba

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Texto por André Mantra (Cena Low-Fi)

Fotos de Eve Ramos

Não dá para falar do Sofar Sound(s) sem explicar o que se trata. Mesmo que neste formato seja a edição #33 em Curitiba e no seu quarto ano nesta capital, mesmo sendo a nossa primeira resenha a respeito – por isso, a nossa mea culpa assumida junto à contextualização. O projeto foi criado em 2009, em Londres, através do trio Rafe Offer, Rocky Start e Dave Alexander e então, quase dez anos depois, está presente em 418 cidades pelo mundo, apesar do seu formato clássico ainda permanecer ativo: um local secreto, com público secreto (inscritos e selecionados) para apreciar artistas e principalmente a sua música. Uma experiência aparentemente surreal a cada dia que vivemos, levando-se em conta os tempos atuais de reclusão, intolerância, aplicativos e redes sociais.

Na capital paranaense, as edições locais tem apresentação, curadoria, assinatura de produção e realização das parcerias ficam por conta de Aline Valente Lobo (sendo a Cactus Raius Arte & Rock’n’Roll a produtora). As apresentações são curtas, em formato pocket show, em média de 30 minutos durando de 4 a 6 canções de duração. Por isso, é fundamental um set list bem elaborado para que o artista possa mostrar o seu melhor naquele momento. Outra característica é que normalmente são convidados nomes novos, sem um grande público formado, o que combina com a quantidade de expectadores – um número inferior a 200 pessoas. Há também a ambientação e uma referência do que é capaz de promover a tal da economia criativa. Acredite(m), há mais detalhes a serem observados, contudo, ficaremos por aqui.

A última edição de Curitiba foi realizada em 23 de de setembro de 2018, no Rause Café & Vinho. Foram convidados para apresentarem-se nesta noite Kübler, Rosie Mankato e o classudo Itaercio Rocha.

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A primeira atração surpresa adentrou o palco com lábios (intensamente) e olhos (ligeiramente) vermelhos. Ao microfone, a capella, começou a cantar “Botox” antes de sentar ao piano e finalmente mostrar a que veio. Aliás, esta é uma canção premiada em concurso musical, pois Kübler é um cantautor participante de vários deles; um artista muito refinado que usa seu talento aliando o lírico e o popular através do canto técnico e uma musicalidade bem elaborada mas sem excessos, com letras irônicas, críticas e autocríticas – e também amores (conquistados e perdidos). Os ouvintes mais antigos e desavisados poderão compará-lo a Eduardo Dussek. Prestes a lançar seu primeiro trabalho e se dedicar mais ao ofício musical, realizou uma boa apresentação. O melhor momento ficou por conta da canção “Cante Comigo Esse Refrão Clichê de Pop Farofa”, quando toda a platéia cantou… o refrão. Por ter sido uma apresentação basicamente de voz e piano, era possível ouvir, pasmem!, o funcionamento do bar do local.

Ao lado da baterista Carolina Pisco (da banda Mulamba) e do baixista e produtor Fabrício Rossini, Rosanne Machado voltou a virar Rosie Mankato e realizou um pocket show consistente. Também a contou com a participação de Klüber que, ao piano e de improviso, participou da primeira e da última músicas. Foram momentos muito bons. Rosie soltou a voz enquanto cantava e sussurrava enquanto falava com a plateia – embora nada disso tenha tirado o seu brilho e da apresentação em si. Já é possível notar a boa aceitação das canções novas e que não há amnésia em relação ao legado de sua ex-banda Rosie & Me. No final, ainda houve tempo de inserir um cover da cantora Kesha (“Die Young”). Naquela altura, o evento estava efervescendo.

Rosie Mankato

Depois de duas apresentações com a cara do Paraná – bilíngue, com raízes da MPB e do mundo (indie, pop e coisas dissonantes), pessoas que falam mais pela música que no discurso – lá veio a inclassificável entidade que atende por Itaércio Rocha (teatro de bonecos; o maior bloco de carnaval do estado, Garibaldis e Sacis; a banda Mundaréu e muito mais) veio defender o seu segundo álbum solo, após um longo período da sua estreia. Cabloco, este mais recente trabalho, reforça a musicalidade brasileiríssima e rica além do carisma e domínio da ação no palco, o seu habitat mais que natural. As novas músicas encantam, mas não mais que a figuraça que ele representa. Como resultado, uma quebra, definitiva, de gelo no Rause Café. O público presente, cuja média de idade ficava em torno dos 30 anos, estava em total descontração. A canção “Ele Me Ama”, que tem uma pegada bem dançante e o refrão “ele me ama, ele me ama, eu sei, ele me ama, mas não quer ser gay”, ecoava nos quatro cantos. Tanto que acabou repetida no bis.

A experiência da 33ª edição do Sofar Sounds Curitiba foi concluída com sucesso. Um evento que começa e termina cedo, mesmo aos domingos, em locais descolados, atrações que dialogam com o seu público, mesmo que ambos não sejam avisados, um clima de (re)encontro com @ crush. As surpresas proporcionadas por essa proposta de audição e participação dos envolvidos combinam perfeitamente com a vida de artistas, profissionais do meio fonográfico, sonorização, produtores culturais e os demais envolvidos.

Set list Kübler: “Detox”, “Valsa da Persuasão”, “Ismó Latra”, “Cante Comigo Esse Refrão Clichê de Pop Farofa” e “Parede Simplório (Quartevisão)”.

Set list Rosie Mankato: “Chino”, “The Big Fight”, “Shotgun To The Heart”, “Holler”, “Come Back” e “Die Young”.

Set list Itaercio Rocha: “Alvoradinha de Amor”, “Calunga”, “Ele Me Ama”, “Atotô + Olubajé”, “Cabloco” e “Igapó”. Bis: “Ele Me Ama”.

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Feira Internacional de Música do Sul 2018

Durante quatro dias, evento reúne na capital paranaense grandes nomes da atual música independente brasileira do sul do país

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Mulamba

Texto de Heitor Schumann

Fotos de Mayara Melo/FIMS

A segunda edição da Feira Internacional de Música do Sul, realizada entre os dias 20 a 23 de junho de 2018 no Portão Cultural, em Curitiba, reuniu artistas, produtores e outros profissionais do ramo para falar sobre o universo e a indústria da música. O evento ofereceu diversas atividades, como mesas de debate sobre as dificuldades de se fazer música e de viver dela, sempre com um caráter crítico sobre a indústria e com inovações no jeito de se pensar numa carreira musical, e palestras que iam desde a música sendo analisada com um cunho teórico e críticas ao ensino da mesma no mundo aos mecanismos da indústria e da distribuição na era digital.

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Bernardo Bravo

A FIMS também tem como objetivo tratar de negócios. Então, além das diversas atividades e workshops, promoveu dois eventos. Um são os showcases, com uma apresentação ao vivo de até vinte minutos para cada artista mostrar uma síntese de seu trabalho e cativar um público entre os possíveis consumidores e compradores de seu produto. Outros, as rodadas de negócios, na quais estes artistas ou os seus empresários têm a possibilidade de conversar com compradores interessados e fechar negócios. Os palcos dos showcases tinham um tema regional e mudavam-se os temas conforme o dia. O fechamento da programação de cada dia era feita por um artista curitibano. Alguns dos que se apresentaram e se destacaram, mostrando devem ser escutados, foram Anaadi (Porto Alegre), Bernardo Bravo (Curitiba), Brass Groove Brasil (Floripa), Central Sistema de Som (Curitiba), Soema Montenegro (Argentina), Rhaissa Bittar (São Paulo) e Tuyo (Curitiba).

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2de1

Enquanto o evento principal rolava entre 10 e 20 horas, o Circuito Off começava logo depois, às 21h. Nos mesmos quatro dias, alternando-se entre sete espaços culturais e com mais de 17 artistas incríveis (com os quais eu tive o prazer de interagir) de vários lugares do país. A programação combinou shows e discotecagens também temáticas, desta vez cada evento com o nome de um festival ou estilo musical. A abertura foi no Jokers e o primeiro show da noite foi da dupla paulista 2de1 (São Paulo), que já mostrou o padrão e o nível dos artistas que se apresentariam no evento, com um som incrível, muito bem produzido, vocais de tirar o fôlego e letras emocionantes. Logo depois as meninas da Mulamba (Curitiba) entraram no palco e botaram a casa abaixo com uma energia incrível. Suas letras carregadas de críticas mostraram um grande poder de composição com músicas que iam do punk ao reggae com uma fluidez espetacular. O último show da noite foi dos punks Replicantes (Porto Alegre) que fecharam a noite com chave de ouro.

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Estrela Leminski

Todos as noites do Circuito Off foram igualmente impressionantes e acho que vale a pena citar alguns dos artistas que se destacaram com suas apresentações. A Ana Guimarães, a Estrela Leminski e a Isa Todt arrasaram na Ladies Night no Paradis. O Central Sistema de Som, a banda da Estrela Leminski e do Téo Ruiz e o Machete Bomb fizeram a galera pular e dançar muito no Basement Cultural. No Drops Sonora Curitiba, a Raissa Fayet, a LaBaq e a Luana Godin mandaram ver com um som muito bacana, presença de palco e interação com o público louváveis. Mas como tudo que é bom dura pouco este foi o penúltimo evento, seguido do FIMS de Festa, no Ornitorrinco, com shows de Cuscobayo e Bernardo Bravo.

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Tuyo

Os quatro dias da Feira Internacional de Música do Sul foram incríveis, com uma estrutura e planejamento impecáveis. Uma mostra de que é possível a interação entre músicos independentes de vários lugares diferentes onde todos são beneficiados. Também de que o mercado da música não é exclusivamente competitivo e frio. Pelo contrário: pode ser também acolhedor e receptivo.

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Psicodália 2018 – ao vivo

Noites, madrugadas e dias de um carnaval alternativo, repleto de experiências mágicas, música de primeira e contato com a natureza

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Zé Ramalho (foto GM)

Texto e fotos por Gustavo Moura e Mayara Melo

Em sua vigésima primeira edição, o Festival Multicultural Independente Psicodália trouxe novamente grandes nomes da música brasileira ao lado de artistas emergentes para realizar um carnaval alternativo. Iniciado na sexta (9 de fevereiro) e acabando na quarta-feira de cinzas (14), o evento foi realizado na Fazenda Evaristo, em Rio Negrinho (SC), um local amplo com natureza exuberante e muito bem estruturado. Sob um clima de muito respeito, paz e união, rolaram mais de 200 atrações entre shows, teatro, cinema, oficinas e recreação.

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Carne Doce (foto MM)

Na sexta-feira, após o cortejo circense fazer uma performance de abertura, a banda goiana Carne Doce abriu a série de shows já mostrando a força do feminino que foi ênfase no festival. A performática vocalista Salma Jô arrancou suspiros da plateia na apresentação de músicas com letras ásperas e ao mesmo tempo delicadas. Em seguida, os paulistanos do Tutti Frutti apresentaram músicas do álbum que a banda gravou com Rita Lee em 1975, chamado Fruto Proibido. Clássicos como “Agora Só Falta Você” e “Ovelha Negra” embalaram a noite divertindo tanto a geração contemporânea da banda quanto os mais novos. Fechando as apresentações do Palco Lunar, os pernambucanos da mundo livre s/a agitaram o público com muita energia e empolgação. Mas a noite não acabou com o Palco Lunar: no Palco dos Guerreiros (que durante o dia transforma-se em Palco do Sol), o Bloco da Laje realizou uma apresentação carnavalesca pra agitar a galera, seguido pelas bandas Machete Bomb e Kiai, que divertiu quem conseguiu aproveitar a primeira noite de festival.

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mundo livre s/a (foto GM)

No sábado, a cantora e compositora Raíssa Fayet abriu as atividades musicais no Palco do Lago, onde colocou toda a sua energia ancestral e colocou o público para cantar com suas letras impactantes e de cunho moral. Entre elas a impactante “Free Boi”, que fala da exploração do boi e o impacto disso na sociedade (“Liberta o boi/ Free boi”). Mais tarde, no palco Lunar a banda goiana Boogarins instigou a todos com seu indie psicodélico. O set teve como base o mais novo álbum lançado (Lá Vem a Morte, 2017) e ainda contou com a breve participação de Salma Jô, que subiu ao palco. Encerrando a programação do Lunar, o Bixiga 70 colocou todo mundo para dançar ao som com uma das melhores referências de afrobeat, latin e jazz, que embalaram todo o repertório dos paulistas. A programação seguiu com o Palco dos Guerreiros, com Consuelo, Mustache e os Apaches e Apicultores Clandestinos. A trinca agitou a galera que não queria perder nenhum momento do festival.

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Boogarins (foto GM)

O domingo foi o período mais chuvoso do Psicodália, quando os campistas tiveram de esticar as lonas e ajeitar as barracas para que não entrasse água. O sempre presente artista curitibano Plá iniciou os trabalhos no Palco do Lago, seguido pela banda londrinense Aminoácido. Às 15 horas iniciou-se a apresentação de Estrela Leminski e Téo Ruiz no Palco do Sol, que estava lotado. A chuva começou a cair torrencialmente bem no início do show, mas a energia e presença dos artistas fizeram com que todos permanecessem e aproveitassem bastante. Com muita teatralidade, Joe Silhueta deu seguimento, seguido por Aninha Martins, que encerrou os espetáculos do dia neste palco. À noite, a aguardada presença de Zé Ramalho empolgou os psicodálicos com clássicos como “Chão de Giz”, “Frevo Mulher” e “Admirável Gado Novo”. O cantor e compositor paraibano também tocou músicas de Raul Seixas, como “Medo da Chuva” – o que fez o público que lotava o espaço do palco agradecer e aproveitar a chuva que caía durante a apresentação. A curitibana Confraria da Costa também embalou a todos com seu “rock pirata” no Palco Lunar. No Palco dos Guerreiros, a banda Pata de Elefante, que voltou à ativa depois de anunciar o encerramento em 2013, trouxe uma verdadeira patada de elefante carregada com rock’n’roll e psicodelia. Em seguida, os mineiros do Graveola alegraram os guerreiros da madrugada com a diversidade de ritmos característica da banda. Por fim, o grupo Technobrass apresentou seu som de pegada eletrônica, só que realizado com instrumentos tradicionais.

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Francisco El Hombre e Mulamba (foto MM)

Após La Banda Bandalo, Mulamba causou um grande estopim com sua apresentação no Palco do Sol na segunda. Sem ainda ter um álbum lançado, a banda, que é formada só por mulheres, fez o público chorar, gritar, berrar, dar tudo de si com suas letras políticas e encorajadoras, que além de serem impactantes possuem um valor muito significativo para o momento político e social atual. Com várias participações, como Raíssa Fayet e Juliana Strassacapa (Francisco El Hombre), a apresentação ainda contou com performances e participação de mulheres da plateia que subiram ao palco, mostrando toda a força do feminino ao cantar “Mulamba”.

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Cuatro Pesos de Propina (foto MM)

Fechando a programação do Palco do Sol, o Som Nosso de Cada Dia, ícone do rock progressivo setentista, recebeu o público eufórico do show anterior e finalizou lindamente as atividades. Já no Palco Lunar, o Francisco El Hombre abriu o palco com todo o calor do psicodália e fez todos dançarem ao som do folclórico e latino álbum Solta as Bruxas. Agitando o público ao som de “Como Una Flor” o show deles ainda contou com participação de Mulamba e Cuatro Pesos de Propina. Foram seguidos por Jorge Ben Jor, que fez algo absurdamente grandioso. A plateia foi ao delírio cantando vários de seus sucessos, como “Taj Mahal”, “País Tropical” e “Filho Maravilha”. Depois a Bandinha Di Dá Dó, com um show performático e dançante, aqueceu o pessoal e contou com bastante energia. Para terminar as atividades musicais noturnas, o Palco dos Guerreiros recebeu Abacate Contemporâneo, seguido de Bananeira Brass Band, com groove brasileiro, orgânico, e metais cheios de potássio. Todo mundo continuou dançando e rolou até banana para a plateia. O som instrumental Mabombe encerrou as atividades deste dia.

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Jorge Ben Jor (foto GM)

A terça-feira era último dia que contava com uma grade oficial de atrações (na quarta-feira de cinzas, a programação é “espontânea”) teve início com a envolvente apresentação do coletivo Yanay no Palco do Lago. Em seguida, o trio instrumental feminino paulistano Ema Stoned fez jus ao nome com uma surpreendente lisergia. No Palco do Sol, o cearense Daniel Groove começou os trabalhos, seguido pelos carioca do Ventre em uma intensa performance. Fechando as apresentações neste palco, o grupo paulista Pedra Branca dialogou com dança e artes visuais, encerrando com chave de ouro. Já no Lunar, Arrigo Barnabé, outra atração londrinense do festival, fez um show performático, caótico e poético.

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Tulipa Ruiz (foto MM)

Na sequência veio Tulipa Ruiz, comentando que estava muito feliz de se apresentar no festival em que muitos de seus amigos já haviam tocado. Ela fez uma empolgante apresentação com base no álbum Dancê e depois foi vista curtindo a noite no festival junto com os participantes. Outros londrinenses, a banda Terra Celta, tradicional atração do festival, encerrou as apresentações deste palco com sua conhecida empolgação que fez o público pular e dançar muito. Encerrando o festival no Palco dos Guerreiros, os uruguaios Cuatro Pesos de Propina embarcou em uma enérgica apresentação, seguida pelo Casa de Velho, de Fortaleza. A Bandinha Alemã Max Jakush, de Rio Negrinho, concluiu o festival com os participantes se lambuzando ao dançar e pular na lama formada à frente, agradecendo muito ao evento e os benefícios que ele traz à cidade catarinesne.

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Terra Celta (foto MM)

O contado até agora acima, mesmo com todas essas referências, não foi nem a metade do que rolou no festival em 2018. O Psicodália é um lugar de troca, aprendizado e muito crescimento interno e social. Já imaginou na vida estar de boas em um lugar e o seu artista sair do show e curtir com a galera como a Tulipa? Ou você tomar um sol de tarde com vista para o lago e escutando Yanai? A única coisa que podemos concluir é que se você ainda não foi ao psicodália, não perca mais tempo e vá nas próximas edições! Quaisquer dessas palavras não são suficientes para descrever toda essa experiência.

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Graveola (foto MM)

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Ventre (foto MM)

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Psicodália 2018 (foto GM)