Music

Brujeria

Letras altamente politizadas, humor negro e zoações com Trump: oito motivos para não perder o show da banda em Curitiba

Brujeria2019

Texto por Rodrigo Juste Duarte

Foto: Divulgação

A banda Brujeria está em turnê pelo Brasil e vai se apresentar em Curitiba nesta sexta-feira de feriado (15 de novembro) no Jokers Pub (mais informações sobre o concerto estão aqui). Conhecido até por quem não costuma apreciar música extrema, o Brujeria – que está celebrando trinta anos de existência – tornou-se uma das mais conhecidas formações do grindcore mundial.

Para quem ainda não conhece, aqui vão oito motivos para não perder uma apresentação da banda, em especial a desta noite na capital passagem, onde o Brujeria toca pela segunda vez.

Humor negro

Tudo começou como uma piada, reunindo músicos amigos de várias bandas conhecidas como Napalm Death, Faith No More e Fear Factory. A brincadeira unia vocais guturais em espanhol (por conta de Juan Brujo, um dos poucos membros que restaram da formação original), instrumental brutal e letras que faziam referência a cultura mexicana subversiva, narcotráfico e até satanismo – além do mistério em torno das identidades dos músicos, que usam pseudônimos. Imagine agora tudo isso potencializado em seu álbum de estreia Matando Gueros, de 1993, que teve capa censurada em vários países por ter uma foto tirada de um jornal sensacionalista com a imagem de uma cabeça decepada em um suposto ritual (até hoje há controvérsia sobre a tal notícia, mas a cabeça se tornou um personagem apelidado de Coco Loco, que é referenciado em várias artes da banda). A intenção era chocar e ela foi cumprida. A fama da banda ganhou o mundo.

Virada sócio-política

A partir de 1995, com o lançamento do segundo álbum Raza Odiada, a banda adquiriu um tom mais denunciativo, partindo para uma pegada sociopolítica, abordando a partir de então seguintes questões sobre preconceito sofrido pelos latinos. Nisso sobrou para políticos americanos dos mais estúpidos, que não tinham a menor vergonha de latir suas ideias retrógadas. Exemplos? Pete Wilson, ex-governador da Califórnia, e o hoje presidente estadunidense Donald Trump.

Trolando Gueros 

Quando aparece alguém fazendo ou falando baboseiras dignas de receber o selo “inimigo dos mexicanos”, pode esperar que, mais cedo ou mais tarde, o Brujeria vai compor algo a respeito para zoar o sujeito. E esta vai ser com um senso de humor negro peculiar da banda. O ex-governador da Califórnia Pete Wilson ganhou duas músicas (“Raza Odiada” e “California Uber Aztlan”). Donald Trump, ainda quando estava em campanha para eleição presidencial, foi homenageado em “Viva Presidente Trump”. Neste ano, já em campanha extraoficial para a reeleição, voltou a ser fonte de inspiração para a banda na letra e na capa do single “Amaricon Czar”. Em tempo: no último álbum, Pocho Aztlan (2016), uma das imagens presentes é do vergonhoso muro mexicano erguido na fronteira entre os Estados Unidos e México, onde está pichado o sobrenome do republicano que hoje ocupa a Casa Branca.

Set list de clássicos

O cartaz da turnê brasileira informa que o show contará com os clássicos dos quatro álbuns. Se repetirem o mesmo repertório que já tocaram nas primeiras cidades da turnê brasileira, o público será contemplado com diversas faixas dos álbuns Raza Odiada e Brujerismo (2000), somadas a algumas poucas do trabalho de estreia (“Matando Gueros” e “Desperado”) e do mais recente Pocho Aztlan (“Satongo” e “No Aceptan Immitaciones”), além de músicas de duas músicas novas (“Amaricon Czar” e “Lord Nazi Ruso”). Só é uma pena que não haja espaço para muitas do último disco, talvez por ele não ter sido muito marcante na carreira do grupo. Mas ainda assim lá estão suas pérolas. Se o público pedir a plenos pulmões, quem sabe eles não tocam o hino “Mexico Campeon” (feito para a última Copa do Mundo) ou a releitura “California Uber Aztlan”?

Juan Brujo

Todos os integrantes têm outras bandas. Menos o vocalista, que integra o Brujeria com exclusividade. Vários músicos são americanos de origem hispânica. Mas Juan Brujo é mexicano de fato. Ele sempre se apresenta com o rosto coberto por um lenço com a bandeira do México, mantendo sua identidade em sigilo por décadas. Boa parte do universo do Brujeria é escrito por Brujo nas letras da banda. É uma figura icônica.

Choke

A noite de 15 de novembro no Jokers não se resume apenas ao show do Brujeria em Curitiba. A produção caprichou na escalação de bandas de abertura, trazendo ao palco um verdadeiro trio de ferro da música extrema de Curitiba. Isso inclui o Choke, que conta com vocais e letras do também escritor e filósofo Ottavio Lourenço (se você já esteve na Biblioteca Pública do Paraná e foi atendido por um bibliotecário que vinha trabalhar todo dia com uma camiseta do Brujeria, pode ter certeza que era ele). A banda teve início em 1998 e de lá para cá já fez nada menos do que quinze turnês levando seu metal crossover para países da América do Sul. A discografia conta com seis álbuns lançados, além de um split.

Jailor

Há quem diga que esta é a reserva moral do thrash metal de Curitiba. Aliás, um thrash devastador, diga-se de passagem. Assim como o Choke, também iniciou atividades em 1998, chegando em 2005 ao primeiro álbum Evil Corrupts. Dez anos depois, o grupo lançou o segundo, intitulado Stats Of Tragedy. Ambos possuem produções dignas das bandas do primeiro escalão do gênero no Brasil, com um cuidado precioso tanto nas músicas quanto nas gravações. O Jailor já abriu shows de grandes nomes do metal mundial, como Destruction, Exciter, Exodus, além de tantas outras estrangeiras e nacionais.

Necrotério

Provavelmente o maior representante do metal extremo paranaense. Sua temática é splattergore. No ano passado completou 25 anos, acumulando no currículo três álbuns, um DVD e duas turnês europeias (tendo tocado na Alemanha, Bélgica, França, República Tcheca, Croácia, Eslovênia, Áustria, Dinamarca, Suécia, Finlândia e Itália). Ainda nos primórdios, seu nome repercutiu pelo Brasil quando o grupo gravou um videoclipe comandado pelo diretor de filmes trash Peter Baiestorf.

Music

Diário de bordo: Killing Joke

Um grande fã da banda conta tudo o que viu e viveu ao lado de seus ídolos durante três dias no Brasil e na Argentina

killingjoke2018spjaz_edifortini

Texto por Guto Diaz (Secret Society)

Fotos por Edi Fortini (Edi Fortini Photography show no Brasil) e Guto Diaz (selfies no Brasil e bastidores na Argentina)

Cada data da banda não é apenas um show. Para aqueles que já tiveram a oportunidade de assistir aos ingleses ao vivo, o Killing Joke é quase uma instituição religiosa, uma congregação, uma comunhão ritualística. Ou, como eles mesmo preferem se referir as suas apresentações, “a gathering” (e a seus fãs como “the gatherers”).

A primeira vez que ouvi o termo “gathering” foi em 1994, quando tive acesso ao meu primeiro computador com internet discada. Nesta época me deparei com o mais antigo e fiel fã clube da banda, que continua em atividade. The Gathering é um mailing listdedicado exclusivamente para trocas de informações entre fãs do Killing Joke. A partir daquele momento, conheci um novo universo. Tive contato com Gatherers do mundo inteiro, Inglaterra, Estados Unidos, México, praticamente toda a Europa e também do Brasil. Neste mailing list fiz amizades que duram até hoje. A grande maioria somente virtuais, uma irmandade, que não se conhecem pessoalmente mas que compartilham a mesma admiração e respeito pelo Killing Joke.

O fã clube The Gathering sempre foi muito ativo e com integrantes muito participativos dentro do universo Killing Joke. Foram lançados através do The Gathering álbuns exclusivos para os fãs, como a coletânea dupla Unspeakable, de 1999, somente com material raro da banda nunca antes lançados; Unsignable, em 2002, somente com bandas formadas por Gatherers (minha ex-banda, Primal…, participou com a faixa “The Walk Of Ants”) e uma coletânea para arrecadar fundos para um gatherer que estava com câncer, Attack For The Benefit Of A Friend With Cancer, em 2005. Neste disco, o Primal…, participou com a faixa “Timeless Wintertime”).

Em 2007, aconteceu um fato muito triste mas também de muita união na história da banda: faleceu o baixista Paul Raven (que substituira Youth a partir de 1983). Todos os integrantes originais acabaram se encontrando no funeral pela primeira vez depois de muitos anos. Naquele encontro teve início a “nova” fase do Killing Joke. Ninguém poderia imaginar que mais de 20 anos depois eles iriam se reunir com a formação original e produzir álbuns tão significativos quanto os três últimos lançados por esse time: Absolute Dissent (2010), MMXII (2012) e Pylon (2016).

Em 2008, após a decisão de voltarem com a formação original, a banda fez uma grande turnê europeia para celebrar a reunião, tocando sempre duas datas em cada cidade. Na primeira noite eram executados na integra os dois primeiros álbuns Killing Joke (1980) e What’s THIS For…! (1981). Na segunda, Pandemonium (1994) e diversos singles e lados B.

Decidi encarar duas datas em Bruxelas nos dias 29 e 30 de setembro daquele ano, onde aconteceria uma “small gathering”. Nesta viagem, conheci pessoalmente vários gatherers, vindos de diversos pontos da Europa, como Espanha, Inglaterra, Escócia, Alemanha, França, Holanda e, claro, da Bélgica. Nessa ocasião, houve meu primeiro contato com os integrantes do Killing Joke numa festa que rolou em um pub logo após a primeira noite. Tive a honra de conhecê-los pessoalmente, tirar fotos, sentar na mesma mesa e beber junto com a banda, contar que eu tinha vindo do Brasil única e exclusivamente para vê-los pela primeira vez ao vivo. Foi memorável.

No final de 2017, eles anunciaram uma nova turnê mundial chamada Laugh At Your Peril, comemorando os 40 anos da banda e ainda divulgando o álbum Pylon. Pela primeira vez na História foram incluídas datas no México e na América do Sul. Eu nunca imaginaria que algum dia eles viriam para o Brasil. Assim que os ingressos foram colocados à venda,  fiz todo meu planejamento para assisti-los em São Paulo no Carioca Club.

Algumas semanas antes do início da turnê sul-americana recebi uma mensagem do amigo francês Stephane Frenchy Frenzy (que havia conhecido na gatheringem Bruxelas) perguntando se eu iria assistir algum outro show da turnê, além de São Paulo. Ele estaria vindo acompanhar a banda (junto com David Molyneaux, gatherer da Inglaterra) para filmar os quatro shows, agendados para final de setembro em São Paulo, Buenos Aires, Santiago e Lima. Na mesma hora decidi acompanhá-los para mais uma data e consegui agendar o mesmo voo e o mesmo hotel em que eles ficariam em Buenos Aires.

Marcamos nosso encontro para o sábado 22 de setembro em São Paulo, um dia antes do show. Fui ao encontro do Stephane no hotel em que ele estava hospedado, no bairro de Pinheiros, e saímos para almoçar. Levei-o em uma clássica churrascaria paulistana para conhecer o rodizio de carnes e também a famosa caipirinha de cachaça. Stephane adorou e enquanto estivemos lá pudemos conversar muito sobre o Killing Joke, o The Gathering, nossos vidas pessoais, trabalho, política, cultura gauchesca (sim, tentei explicar-lhe um pouco dos pampas!). Um pouco mais tarde chegaram na churrascaria, o gatherer paulista Celso Junior “N0153” (que eu conhecia há mais de vinte anos pela internet, mas nunca havia encontrado pessoalmente) e dois amigos, Marcelo e Rodrigo, também superfãs do KJ e que vieram de Brasília para assistir ao show.

Após o almoço fomos dar uma volta pela Avenida Paulista e acabamos em um bar na Augusta, onde eu havia marcado de encontrar com outro grande fã do Killing Joke,meu amigo de longa data Felipe Mattos. Conheci o Felipe há mais de quinze anos na época do Soulseek e da troca de música pela internet; ele virou um fã inveterado da minha banda na época, o Primal…, e a gente compartilhava o mesmo gosto musical por diversos grupos como Killing Joke e o Voivod. Tomamos mais uma dezena de cervejas e caipirinhas e assim terminou nossa primeira noite em São Paulo. Stephane foi embora para o hotel e eu para casa do meu primo. Marcamos de nos ver no dia seguinte logo após o almoço, David Molyneaux iria chegar pela manhã do México e iríamos todos nos encontrar em frente ao Carioca Club. Stephane e David vieram com a missão de filmar com quatro câmeras os quatro show deles na América do Sul (imagens que provavelmente serão utilizadas futuramente) e teriam de chegar mais cedo para montar o equipamento.

killingjoke2018gugugeordiekillingjoke2018bigpaulgugukillingjoke2018youthgugukillingjoke2018credencial

São Paulo, 23 de setembro

Cheguei no Carioca Club por volta das 14h e me encontrei com Stephane e David. Ficamos em frente à casa conversando e aguardando os preparativos. Logo depois chegaram os “brazilian gatherers” (Celso Junior “N0153” e seus amigos de Brasília, mais Rodrigo e Marcelo e meu amigo Felipe Mattos). Aos poucos começaram a aparecer em frente ao Carioca, outros alguns fãs ansiosos pela chegada da banda e a tensão foi aumentando.

Enquanto isso, lá dentro, a equipe do Killing Joke já deixava tudo preparado para a passagem de som. A banda veio para essa perna da turnê com uma turma bem enxuta: Christopher (tour manager), Waynne Smart (técnico de PA), Damon Head (técnico de bateria e palco) e Diamond Dave (técnico de palco, guitarra e baixo, uma figura emblemática que já acompanha a banda em viagens há mais de 15 anos), Roi Cabaret (o tecladista de apoio) e os quatro integrantes originais (Jaz Coleman, Kevin “Geordie” Walker, “Big” Paul Ferguson e Martin “Youth” Glover).

Eram mais ou menos umas 17h quando a van estacionou em frente do Carioca Club. Jaz Coleman foi o primeiro a descer já levantando os braços e fazendo a maior festa para algumas dúzias de fãs que aguardavam ansiosos. Eles todos foram muito receptivos e atenderam com fotos e autógrafos todos que ali estavam. Neste momento já pude trocar rápidas conversas com todos. Com exceção de Jaz e Geordie, que não possuem Facebook, eu já vinha falando antecipadamente com Big Paul e Youth sobre a turnê. Jaz e Big Paul foram uma simpatia, lembraram-se de mim de dez anos atrás em Bruxelas, me chamaram pelo nome (sou conhecido no The Gathering como Diaz From Brazil).

Após atenderem os fãs, pediram licença e foram para o soundcheck. Em seguida, Stephane veio até nós e, muito gentilmente, veio nos comunicar que a banda havia nos autorizado assistir à passagem de som. Fomos eu, Felipe, Celso “N0153” e os dois amigos de Brasília. Foi a meia hora mais emocionante de nossas vidas. Apenas nós cinco assistindo à passagem de som do Killing Joke. Inacreditável! Durante o soundcheck eles tocaram “Love Like Blood”, “Bloodsport” e “In Cythera” (que acabaria não sendo tocada no show). Após o soundcheck, que foi bem rápido e eficiente, aproveitamos para comprar merchandisingda banda. Eu peguei uma camiseta oficial da turnê e um quadro pintado à mão pelo baixista Youth com um retrato estilizado do Jaz Coleman, que estava sendo vendido durante a turnê.

Então os “brazilian gatherers” se posicionaram em frente ao palco colados na grade para aguardar o início do show. Abriram as portas e aos poucos o público foi enchendo a casa – pelo que soubemos mais tarde, o público foi de cerca de 900 pessoas. Um pouco antes das 20h soltaram a intro do show. As últimas turnês tem sempre sido iniciadas com a música “Masked Ball”, de Jocelyn Pook e tema do filme Eyes Wide Shut, de Stanley Kubrick. A banda entrou no palco e o público foi ao delírio. O show começou com o grande clássico “Love Like Blood”, do álbum NightTime, de 1985. Em seguida, veio a superdançante “European Super State” (do disco MMXII) e “Autonomous Zone” (do recente Pylon).

Uma pequena pausa para respirar e eles mandaram “Eighties”, clássico absoluto, também do álbum NightTime, que ficou anos mais tarde ainda mais famosa devido a um suposto plágio do Nirvana no riff da música “Come As You Are”. O show seguiu com “New Cold War”, também de Pylon, e “Requiem”, faixa que abre o primeiro disco do Killing Joke. Esst é uma que não pode ficar de fora de nenhum show deles. Um verdadeiro marco do pós-punk, que já foi regravada por bandas como Foo Fighters e Helmet.

A banda estava afiadíssima ao vivo. Todos demonstravam extrema alegria de estarem tocando para o público sul-americano pela primeira vez. Jaz tem carisma e presença de palco impressionantes e sabe como conduzir a plateia, sempre falando algumas frases polêmicas para anunciar a música seguinte. A próxima, “Follow The Leaders”, ele anunciou citando as eleições americanas e o new world order do presidente Trump. O show continuou com a instrumental “Bloodsport”, antes da qual Jaz comentou sobre a urgência do ser humano em caçar mais sua sede de sangue e seu instinto animal.

O ponto alto do show, na minha opinião, foi a escolha de algumas músicas não comuns no repertório. Caso de “Butcher,” de Whats THIS For…!, um de meus discos prediletos do Killing Joke (lembro até hoje quando ouvi pela primeira vez esse disco, em meados dos anos 1980, na casa da Moema, antiga empresária da minha primeira banda Epidemic; a sonoridade deste disco foi responsável pelo meu amor por essa banda e mudou completamente minha percepção musical na época). Na sequência vieram mais duas totalmente inesperadas: “Loose Cannon”, do disco sem título de 2003 (em que Dave Grohl gravou as baterias), e “Labyrinth”, de Pandemonium.

É impressionante sentir o poder da banda ao vivo. O som e o timbre da guitarra de Geordie é um show à parte, pesadíssimo, melódico e com os característicos acordes dissonantes, tirados das suas duas harpas douradas, as Gibson ES295, uma de 1952 e a outra 1953, (uma semiacústica icônica que ficou famosa por ter sido utilizada por Scotty Moore nas primeiras gravações de Elvis Presley e considerada a primeira guitarra do rock’n’roll). No baixo, o seminal produtor Youth, famoso por produzir disco álbuns e singlesde artistas como Kate Bush, U2, Siouxsie & The Banshees, James, Cult, Marilyn Manson, Art Of Noise, Erasure, Orb, PM Dawn, Dido, Verve e Charlatans, bem como ter gravado três álbuns com o projeto Fireman junto com ninguém menos que Paul McCartney. Na bateria, o mais velho dos integrantes, Big Paul, entrega batidas tribais nem um pouco convencionais, com ritmos perfeitos e com uma pegada e peso espetaculares. Jaz Coleman é o maestro bastardo, que conduz a plateia ao frenesi com suas danças e movimentos que mais parecem uma marcha para o apocalipse e seus olhos arregalados e vidrados como os de um louco.

O show seguia com “Corporate Ellect” do álbum MMXII; “Asteroid”, de 2003, na qual o público cantava em uníssono o refrão; e “The Wait”, uma das mais pesadas do show (gravada pelo Metallica em 1987, para o EP Garage Days). Fechando a primeira parte, um dos primeiros singles do Killing Joke: “Pssyche”, lado B do single Wardance, de 1979. O quarteto saiu do palco muito aplaudido e o público presente no Carioca Club começou a pedir mais, com muitos gritos de Killing Joke. Logo a banda retornou ao palco para o encorecom duas músicas do primeiro álbum (“Primitive” e “Wardance”) e mais a maravilhosa “Pandemonium”, faixa-título do disco homônimo. Eles largaram seus instrumentos e vieram todos para a frente do palco para se despedir da plateia, com seus sorrisos estampados no rosto mostrando como estavam felizes pela receptividade do público brasileiro em sua estreia por aqui.

Após o show ficamos todos em completo êxtase e alegria. A apresentação superou nossas expectativas. A banda estava em ótima forma, mas cansada, como contaram mais tarde (chegou pela pela manhã, vinda direto do México). Conversamos com outros fãs que estavam ao nosso lado e ficamos discutindo o set list, os pontos altos, a performance e o peso da banda ao vivo, etc.

Logo depois que Stephane e David desmontaram os equipamentos de filmagem, eu e Felipe fomos convidados para ir ao camarim e participar da Cheese Party. Stephane é amigo de longa data da banda e a acompanha em turnê desde 1991. Sempre que o Killing Joke toca na França, ele promove no camarim a famosa Cheese Party, regada a vinhos e queijos franceses. Eu já havia visto diversas vezes fotos deste acontecimento, mas nunca imaginei que um dia iria participar dele. Entramos no backstage supereufóricos e pudemos cumprimentar e agradecer a banda pelo excelente show. Jaz serviu uma taça de vinho para a gente e ficamos ali conversando sobre a gig. Perguntaram quais músicas foram nossas preferidas na noite e comentei que havia sido “Butcher” e “Labyrinth”, mas que faltaram algumas outras (“Change” era uma que tanto eu quanto o Felipe queríamos muito ter ouvido). Aproveitei o momento de descontração e saquei da minha mochila um pôster da banda que eu havia levado, já com a intenção de conseguir autógrafos. Este pôster oficial acompanha o livro Twilight Of The Mortals, registro fotográfico sobre o Killing Joke, lançado no final de 2017 pelo fotógrafo dinamarquês e amigo pessoal da banda Mont Sherar. Consegui pegar o autógrafo de todos os quatro. O mais curioso é que nenhum deles ainda tinha visto pessoalmente esse pôster, por isso foi muito emocionante a reação deles. Geordie, sempre o mais reservado de todos, foi muito simpático e cordial. Fez comentários sobre o pôster e sobre o livro – e eu pude elogiar sua técnica única de tocar guitarra. Mostrei para Youth o seu quadro que eu havia comprado no merchandising e ele agradeceu muito. Tive uma enorme surpresa quando Big Paul veio até mim e me presenteou com uma cópia autografada de seu recém-lançado disco solo Remote Viewing, gravado em parceria com Mark Gemini Thwaite (Gary Numan, Mission, Peter Murphy). Jaz, como sempre uma figura ímpar, mostrou-se simpático e falante e soltou sua característica gargalhada.

Como tudo que é bom acaba, a banda começou a arrumar seus pertences e o tour manager veio avisar que logo mais iriam embora, pois o voo para Buenos Aires seria às três horas da madrugada e eles não teriam muito tempo para descansar. Saímos do Carioca Club e lá ainda estavam uns 50 fãs aguardando. Como era de se esperar, eles atenderam todos com muita cordialidade. Tiraram fotos, deram autógrafos e muitas risadas; uma atitude muito bacana. Ainda acompanhei Stephane e David até o hotel para ajudar a carregar os equipamentos de filmagem e depois fui embora para casa do meu primo. O próximo encontro estava marcado para as 8h30 da manhã do dia seguinte em Guarulhos. Nosso avião para Buenos Aires sairia às 10h30.

killingjoke2018davidstephanegugu

Buenos Aires, 24 de setembro

Encontrei Stephane e David no aeroporto, fizemos o check in e embarcamos para a segunda parte de nossa aventura com o Killing Joke. Os próximos dois dias seriam emocionantes: teríamos o show na segunda e um dia inteiro livre com a banda na terça.

Chegamos em Buenos Aires às 14h30, pegamos um uber e fomos para o hotel. Deixamos nossas malas e em seguida fomos para o local do show, o pequeno e aconchegante espaço Roxy La Viola, no bairro Palermo e apenas a duas quadras de distância do nosso hotel. Ao chegarmos, encontramos com toda a equipe: Diamond Dave, Damon Head, Waynne Smart e o tour manager Christopher. Stephane e David começaram a montar os equipamentos de filmagem enquanto a equipe preparava o palco para o soundcheck.

Durante a montagem tive a oportunidade de chegar bem próximo das duas Gibson ES295 de Geordie. Como é incrível ver de perto os detalhes dessa verdadeira obra de arte. As guitarras têm mais de 65 anos cada e Geordie usa as mesmas desde 1981. Portanto, só com ele elas já estão há pelo menos 37 anos. Ambas foram utilizadas em todos os álbuns do Killing Joke desde então. Deu pra ver todos os pequenos detalhes e os desgastes das mesmas: a ferrugem que já se espalhou pelos captadores e pelas ferragens, a pintura já totalmente craquelada… Foi emocionante chegar perto destas armas de guerra, responsáveis pelo som único e característico do Killing Joke.

Tudo preparado para a passagem de som e filmagem, ficamos em frente ao Roxy aguardando a banda e aos poucos foram chegando os ansiosos fãs argentinos. Assim como em São Paulo, quando a van chegou trazendo os músicos foi a mesma festa. Eles já desceram atendendo todos que estavam em frente ao local com fotos, autógrafos, muitas risadas, altas conversas. Prestei bastante atenção na atitude da banda nesse momento e também no semblante dos fãs ao encontrarem com seus ídolos. Eles receberam todos com muito entusiasmo e cordialidade. Após atenderem os argentinos, entramos todos para o soundcheck e os testes de filmagem. Ficamos eu Stephane e David num camarote um pouco mais elevado do lado direito, bem próximo ao palco. Ali tínhamos uma posição privilegiada para assistir ao show e também para o registro das filmagens. A passagem de som foi bem rápida e tranquila: tocaram “Love Like Blood”, “SO36” (que não entrou no set de São Paulo), e novamente “In Cythera” (que só foi executada uma única vez ao vivo durante a turnê no México, mas a qual tivemos a oportunidade de ouvir ao vivo nos dois soundchecks). Passagem de som finalizada, ficamos sentados no camarote aguardando a abertura da casa. Neste momento vieram Jaz, Geordie e Big Paul e sentaram-se ali conosco. Paguei uma rodada de cerveja para todos e ficamos conversando. Como era de se esperar, eu estava com um sorriso de orelha a orelha. Jaz veio até mim e perguntou porque eu não parava de rir (por que será?). Estava praticamente vivendo um sonho acordado, acompanhando minha banda preferida e tendo esse contato mais próximo com todo o processo que envolve uma turnê, viagem, montagem, passagem de som, a espera antes de começar o show. Emocionante!

Abriram as portas do Roxy e o público começou a entrar. Eles continuaram sentados ali no camarote (apenas Youth ficara no camarim). Atenderam rapidamente mais alguns fãs para fotos e logo entraram para o backstage. Aos poucos a casa enchia e dava para sentir a emoção do público. Assim como no Brasil, era a primeira vez que o Killing Joke se apresentava na Argentina e muita gente aguardava havia anos por esse momento. Um pouco diferente de São Paulo, cuja média de público era de quarentões, em Buenos Aires a a idade aparentava ser menor. Vi vários jovens na plateia ostentando camisetas não só do Killing Joke mas também de Alien Sex Fiend, Nick Cave, Ministry, Joy Division. O local ficou abarrotado de gente. Segunda consta, o show foi sold out, atingindo a capacidade da casa, de 500 lugares.

Ansiedade aumentando, começou a intro “Masked Ball” e o público ficou eufórico. A banda entrou no palco completamente ovacionada pela plateia. O show começou com “Love Like Blood” e e o público argentino logo comprovou o porquê serem considerados um dos mais calientes das américas: todo mundo pulando e cantando junto foi de arrepiar. O set seguia praticamente igual do dia anterior em São Paulo: “European Super State”, “Autonomous Zone”, “Eighties” (nessa ninguém ficou parado; o público realmente estava de parabéns por tamanha empolgação). Consequentemente, a banda recebia essa energia do público e retribuía com uma performance eletrizante e com mais garra ainda. Teve ainda “New Cold War”, “Requiem”, “Follow The Leaders” e “Bloodsport. Novamente o ponto alto do show na minha opinião, foi “Butcher”, do álbum Whats’ THIS For…!. Esta música ao vivo é sublime. Pós-punk minimalista e pesado. O clima e a letra são de revirar o estomago. “Butcher the womb and expect her to bear”.

O show prosseguia com “Loose Cannon” (dedicada por Jaz Coleman ao “true hero” Simon Bolivar), “Labyrinth”, “Corporate Ellect”, “Asteroid”, “The Wait”. Até os quatro encerrarem a primeira parte com a melhor versão de “Pssyche” que eu ouvi na vida. Como tenho todos os discos ao vivo do Killing Joke e diversos bootlegs, posso afirmar que nunca tinha ouvido uma versão tão pesada e coesa como essa. O curioso dessa canção é que é a única na discografia da banda que tem partes distintas cantadas primeiro pelo baixista Youth (depois Jaz Coleman canta a segunda parte e ela finaliza com o baterista Big Paul). Simplesmente sensacional!

Mal a banda deixou o palco era o ouvido uníssono o público argentino gritando Killing Joke e pedindo mais. No retorno dos músicos, mais duas surpresas: a hipnotizante “SO36” (do primeiro álbum, de 1980) e “The Death And Ressurection Show”, de 2003. Ambas não haviam sido executadas em São Paulo. Em seguida, “Wardance” e “Pandemonium”, na qual Jaz já profetizava, nos anos 1990, os tempos sombrios que viriam assolar o planeta (“I can see tomorrow, I can see the world to come, I can see tomorrow, hear the pandemonium”). Novamente tenho que atestar que o público argentino foi espetacular. Não parou um minuto sequer de pular e cantar junto. Em São Paulo foi tudo bacana, mas a plateia não estava tão empolgada (dias depois fui saber através dos amigos Stephane e David, que em Santiago a recepção fora ainda mais insana do que em Buenos Aires e que a própria banda considerara o melhor show da turnê até então).

Desmontamos os equipamentos de filmagem enquanto a equipe desmontava o palco. Aproveitei para conversar com alguns argentinos sobre a crise e a falta de emprego no pais, e perguntar sobre o paro geral que aconteceria no dia seguinte (tudo iria fechar, inclusive o aeroporto, todos protestando contra o péssimo governo Macri). Pude sentir pelos comentários que lá a situação está ainda pior do que no Brasil.

Fomos até o camarim para preparar mais uma edição da Cheese Party, mas como o local era muito pequeno, ficou decidido que a festa seria no hotel onde a banda estava hospedada, o Scala, na avenida Bernardo de Irigoyen, bem no centro de Buenos Aires.

Assim como em São Paulo, após o show, a banda saiu do Roxy e atendeu todos que aguardavam lá fora, sem frescuras e extremamente sorridentes e simpáticos. Ficamos curtindo a empolgação dos fãs. A banda se despediu do público, entrou na van e foi embora. Seguimos até o nosso hotel para descarregar os equipamentos e em seguida nos dirigimos para o Scala. Chegando lá, já encontramos com o Geordie (e algumas groupies) em frente ao hotel, entornando no bico, uma garrafa de tequila. Segundo relatos da própria banda, ninguém consegue acompanhar o Geordie quando o assunto é bebida. Por isso, nem ouse tentar.

Subimos para o quarto de Jaz Coleman e lá começaram os preparativos para mais uma edição da Cheese Party. Stephane preparou uma mesa com pães, torradas e seu kitde aparatos para servir os queijos. Abrimos algumas garrafas de vinho, taças foram enchidas para todos e a festa começou. Eu não estava acreditando no que estava acontecendo: festinha priva no quarto do Jaz, com a banda e equipe. Incrível! Youth entrou no quarto e colocou um som no seu celular ligado naquelas pequenas caixinhas JBL. Todo mundo numa sintonia muito bacana. Conversei bastante com todos da banda e equipe. O tour manager perguntou de onde eu era no Brasil. Quando falei que era de Curitiba, ele comentou que já havia vindo para cá diversas vezes trazendo shows de bandas como Exodus, Destruction, Grave Digger, Testament, Incubus, entre outras. Enquanto isso, Stephane ia cortando os queijos e servindo a todos um a um, sempre comentando um pouco sobre cada queijo, um melhor que o outro. Mostrei a Jaz minha tatuagem da aranha que fiz no Peru, quando estive em Nazca em 2011. É a mesma que o vocalista tem nas costas do macacão que usa no show. Contei que, assim como ele, eu havia visitado os mais importantes sítios arqueológicos da Bolívia e Peru, como Tiwanaco, lago Titicaca, linhas de Nazca, cemitério de Chauchila, e as ruínas de Olantaytambo e Macchu Pichu. Conversamos um pouco sobre as civilizações pré-Incas e todas as maravilhas e mistérios dos Andes.

Como não era permitido fumar no quarto, descemos para a área externa do hotel e fomos acompanhados por Jaz Coleman, que queria um charuto. Ficamos ali por uma meia hora conversando sobre o show, a escolha do set list e assuntos aleatórios, Ele comentou que a banda vai fazer mais uma turnê em 2019 e pretendem voltar para a América do Sul porque estavam adorando a receptividade dos fãs.

Subimos novamente ao quarto para mais uma rodada de queijos e vinhos e mais conversa e diversão. Aos poucos o vinho e os queijos foram acabando e o pessoal dispersando, cada um para seu quarto. Já eram quase 3 horas da manhã e decidimos também ir embora para nosso hotel para descansar. O dia tinha sido intenso e teríamos uma terça-feira inteira pra curtir com a banda. Nos despedimos e marcamos de encontrá-los no hotel na manhã do dia seguinte para tomarmos café juntos. Chamamos um uber e fomos embora para o nosso hotel. Demorei pelo menos uma hora para conseguir relaxar e pegar no sono. As imagens dos acontecimentos daquele dia ficavam constantemente passando pela minha cabeça como um filme. Eu estava eufórico e muito feliz, mas precisava descansar. E o dia seguinte seria ainda mais emocionante.

killingjoke2018venueargentina

Buenos Aires, 25 de setembro

Acordamos, nos encontramos no lobby do hotel, e fomos direto para o Scala. Era terça-feira em Buenos Aires, dia do paro geral. Estava tudo fechado, parecia feriado. Chegamos no Scala e fomos para a área do café. Estavam lá Big Paul e Diamond Dave e um pouco depois chegaram Jaz, Geordie e Roi. Youth não apareceu. Ficamos mais de uma hora tomando café juntos e conversando os assuntos mais variados possíveis: política, trabalhos, projetos futuros, viagens, filhos, casamentos, divórcios.

Na hora do almoço cada um foi para um lado e ficamos somente eu, Stephane, David e Jaz. Ele pediu que a gente o levasse para comer churrasco argentino. Pegamos um táxi em frente ao hotel (me sentei no banco de trás, entre Jaz e David) e pedimos que o motorista nos levasse para Puerto Madero para procurar algum lugar que estivesse aberto. Praticamente todos os restaurantes estavam fechados. Avistamos um que estava aberto e pedimos para ele nos deixar em frente. O nome do local era Rodizio. Era especializado em carnes argentinas, buffet de saladas, aperitivos e carnes servidas no rodízio. Sentei ao lado do Jaz Coleman e solicitamos a carta de vinhos, Jaz pediu que escolhêssemos o melhor Malbec que tivesse na carta, o garçom nos indicou alguns e então escolhemos o Rutini Malbec. Jaz nos contou que quando se trata de vinho ele toma somente três taças porque a quarta traz azar.

Antes de nos servirmos, ficamos ouvindo as teorias e as histórias mais absurdas que ele tem para contar. Falou muito sobre os illuminati, os Rothschild, os Rockfeller, o 11 de Setembro, UFOs e estações alienígenas no espaço, família, problemas com as antigas gravadoras e promotores da banda e o recente cancelamento do box em vinil – ele estava muito puto com os responsáveis da atual gravadora. Perguntei se estava ciente sobre a crise no Brasil e ele respondeu com muito conhecimento de causa, comentou sobre o golpe e o impeachment da presidente Dilma Rousseff, apontou as grandes corporações internacionais e principalmente os Estados Unidos de serem responsáveis por instalar essa crise no país bem como em toda América Latina. Jaz viaja um pouco nas suas teorias de conspiração, mas é uma pessoa inteligentíssima e cativa a atenção quando está falando.

Decidimos nos servir no buffet e começou o rodizio, o que eu prontamente ia traduzindo do espanhol para o inglês para eles saberem o que estavam servindo. Sinceramente, esse rodizio deixou a desejar. Nós, brasileiros, que estamos acostumados com churrascarias, conhecemos e sabemos quando uma carne está bem feita. Poucas opções de carnes estavam boas, como a picanha e a costela, mas na grande maioria, as carnes que foram servidas, estavam, como eles mesmo disseram, “chewy”, duro de mastigar. Jaz não gostou!

Finalizamos nosso almoço e fomos dar uma volta a pé por Puerto Madero. Em seguida tomamos um táxi de volta para o hotel. Lá chegando fomos para a área externa para mais uma seção de charutos com o mestre Coleman. Ele trouxe um kit portátil muito bacana, com várias opções de charutos e cortadores. Nesta hora fomos acompanhados por Diamond Dave e por Maria Ekaterina, uma garota argentina que estava no show no dia anterior e também era megafã da banda. Estava uma tarde agradabilíssima em Buenos Aires e o tempo parecia que estava suspenso. O tempo todo eu refletia sobre tudo que estava acontecendo. Estava muito emocionado de ter esse contato mais próximo e mais humano com meus maiores ídolos e compreender que, ao final do dia somos todos iguais, todos temos nossas alegrias, problemas, dilemas.

Quem acompanha o Killing Joke sabe que Jaz Coleman, além do seu trabalho com a banda, é uma conceituado maestro e arranjador. Ele toca violino, piano e instrumentos de sopro. Já gravou diversos projetos solo e paralelos à banda, como Songs From The Victorious City, (álbum de world music, gravado no Cairo com a musicista Anne Dudley, do Art Of Noise) e Oceania (disco de música tradicional maori, gravado na Nova Zelândia, onde ele vive há mais de vinte anos, em parceria com a cantora Hinewehi Mohi. Uma curiosidade deste álbum: a música “Kotahitanga” foi tema da novela Uga-Uga, exibida pela Rede Globo em 2000. Com a mesma Mohi, Jaz foi o responsável em alterar o hino nacional da Nova Zelândia do inglês para a língua maori nativa. Em 2003, ele escreveu e arranjou todas as orquestrações do álbum Harem da cantora Sarah Brightman. Escreveu e arranjou os álbuns sinfónicos Riders On The Storm: The Doors Concerto, com Nigel Kennedy; Us & Them: Symphonic Pink Floyd e Kashmir: Symphonic Led Zeppelin, ambos com a produção de Youth; e Symphonic Music Of The Rolling Stones. Produziu ainda singlese álbuns de bandas como Mission, Shirad, Cechomor, Zilch, Nitzer Ebb e Front Line Assembly, além de ter lançado, em 2003, um livro superbacana chamado Letters From Cythera, que vinha acompanhado do sua mais recente obra solo orquestrada, The Island – Symphony No.2, gravada pela orquestra filarmônica de Auckland.

O próximo projeto do vocalista, previsto para o final deste ano, é o disco The Great Invocation – A Killing Joke Symphony, integralmente escrito e arranjado por Jaz Coleman e gravado pela Filarmônica de São Petersburgo na Rússia. Enquanto estávamos conversando, ele entrou nesse assunto e falou um pouco sobre o novo álbum. Contou que já havia finalizado as mixagens e masterizações e faltavam somente alguns últimos detalhes para o lançamento. De repente, ele se levantou e convidou todos que estavam ali na mesa para subirem no seu quarto para ouvir as gravações. Então lá fomos nós para mais uma aventura: eu, Stephane, David, Diamond Dave e Maria. Sentamos todos na antessala do quarto de Jaz e ele ligou o celular nas caixinhas JBL para dar início à audição, em primeira mão, do “Symphonic Killing Joke. Ficamos os seis em completo silêncio ouvindo o novo álbum, ninguém sequer respirava direito. Jaz ficou praticamente o tempo todo com os olhos fechados movimentando as mãos no ar, regendo a orquestra imaginária enquanto rolavam as músicas. Em alguns momentos ele abria os olhos e chamava nossa atenção para que atentássemos a algum detalhe da música ou alguma mudança mais drástica. A experiência foi muito emocionante. Ficamos uma hora e meia (que é a duração do álbum) juntos com o criador, ouvindo sua obra mais recente. Em tempos de era digital, na qual os discos costumam vazar na internet, é mais do que normal ouvir algo antes do seu lançamento. Mas ouvir pela primeira vez uma obra ao lado de quem criou e escreveu foi uma das coisas mais fantásticas que já me aconteceu.

Após a audição ficamos todos muito emocionados e com lágrimas nos olhos, tamanha a beleza e sutileza da obra. Elogiamos muito o trabalho, fizemos nossos comentários. Jaz perguntou a cada um de nós qual música tínhamos gostado mais e o porquê. Eu fiquei muito impressionado com as versões de “Raven King”, “Intravenous” e “Adorations”, que foram as que mais me marcaram nesta primeira audição. Disse a ele que fora o momento mais incrível que já tinha acontecido na minha vida e que nunca mais iria esquecer aquele dia e toda vez que eu ouvisse o álbum dali em diante sempre iria lembrar desta tarde memorável ao lado de pessoas maravilhosas.

Descemos novamente para a área externa do hotel para mais alguns cafés, cigarros e charutos e continuamos a conversar sobre o álbum sinfónico. Jaz comentou que pretende lançar outros no futuro e que até já começou a escrever alguns arranjos. Nos contou também sobre como foi difícil a escolha das músicas num repertório tão extenso, o processo de escrever as partituras, as escolhas de instrumentos para cada parte e sobre sua estadia na Rússia durante as gravações com a Filarmônica de São Petersburgo

Já estava começando a anoitecer quando fomos todos para o restaurante do hotel, pedimos algumas cervejas e continuamos a conversar com Jaz. Ele contou que pretende em 2019 realizar um evento especial para os gatherers. A ideia são acampamentos em locais sagrados nos Andes, onde acontecerão visitas guiadas, leituras, música, cerimonias ritualísticas. Uma verdadeira celebração entre os gatherers!

Aos poucos foram aparecendo o restante dos integrantes da banda e equipe e todos decidiram jantar ali mesmo no hotel. Dei várias dicas de lugares para se visitar em Santiago. Falei que tinham que visitar o Cerro Bella Vista para ter uma visão privilegiada da cidade de Santiago. Também sugeri que almoçassem no mercado central de Santiago, especializado em frutos do mar, para provar o delicioso King Crab e o Ceviche. O local vale a visita pois tem uma arquitetura muito bonita,  e o projeto foi desenhado por Gustave Eiffel. Espero que eles tenham tido a oportunidade de ir, já que na manhã seguinte se dirigiriam para Santiago e, assim como em Buenos Aires, teriam um dia livre na cidade.

Após o jantar, Jaz Coleman se despediu e foi para o seu quarto. Fomos então até o lobby do hotel e ficamos tomando rum e conversando bem descontraidamente com Big Paul e Diamond Dave, um pouco depois se juntaram a nós Damon Head e Waynne Smart. Todos foram muito amáveis conosco. Chegou nossa hora de nos despedir e irmos embora. Foi muito emocionante receber um abraço carinhoso de todos, banda e equipe, me desejando boa viagem, dizendo que eu era um cara muito legal e que esperavam me encontrar na próxima turnê. Big Paul me perguntou qual seria a primeira coisa que eu faria ao chegar no Brasil e eu lhe disse que seria ver minha filhinha Kali, pois eu estava com muitas saudades dela. Fomos então embora para nosso hotel. Na manhã seguinte nós também nos despediríamos: Stephane e David seguiriam a banda em Santiago e Lima, eu retornaria ao Brasil.

De todas as pessoas as que mais tenho que agradecer por esses três dias foram esses figuras, Stephane e David, dois seres extremamente cordiais, inteligentes, engraçados e muito companheiros. Apesar de nunca termos nos conhecido pessoalmente e da barreira da língua, parecia que já nos conhecíamos havia muitos anos. Os dois eram uma comédia. O tempo todo faziam piadinhas entre eles (a richa antiga entre Inglaterra e França!), tirando selfies fazendo caretas, rindo que nem palhaços – tanto é que eu os apelidei de Inspetor Clouseau e Mr Bean, de tão engraçados que eram. Ao nos despedirmos no aeroporto de Buenos Aires na quarta-feira pela manhã, ambos me convidaram para visita-los no exterior, quando eu quiser as portas estarão abertas. São esse tipo de amizade que só o Killing Joke consegue proporcionar entre os “gatherers”. Eu nunca esquecerei os momentos que passamos juntos. Foi graças a eles também que tive o acesso e contato tão próximo com a minha banda preferida.

E assim acabou minha aventura com o Killing Joke. Retornei para o Brasil e já no avião comecei a planejar escrever esse relato da viagem. Foram três dias muito intensos ao lado de pessoas bacanas e da melhor banda do mundo. All hail the almighty Joke!

killingjoke2018guitarragerodiekillingjoke2018gugujaz.jpg

Movies

A Freira

História de entidade maligna que aparece em Invocação do Mal 2 é contada em novo filme da franquia de James Wan

thenunmovie218

Texto por Abonico Smith

Foto: Warner/Divulgação

Não é de hoje que o exorcismo é um prato cheio para os filmes de terror. O ritual executado por uma pessoa devidamente autorizada para expulsar espíritos malignos que tomaram posse do corpo de outra pessoa é algo recorrente no gênero cinematográfico. O filme mais lembrado até hoje, de 1973, chamado O Exorcista, abriu as portas da popularidade para um filão até então considerado menor. Nada mais natural, então, que a temática voltasse a ser abordada neste que está sendo considerado um novo levante de criatividade e bilheterias das tramas que fazem o espectador sentir medo, se agarrar nas poltronas do cinema (ou mesmo no braço de quem está ao lado) e dar gritos de susto de forma indiscriminada.

O produtor, roteirista e diretor australiano James Wan é quem faz a aposta da vez. Famoso pelos dois filmes A Invocação do Mal, responsáveis pelo início de uma nova época áurea do terror nesta década, ele agora apresenta A Freira (The Nun, EUA/Austrália, 2018), filme que estreia neste fim de semana nos cinemas de praticamente todo o planeta. Para que já viu o segundo A Invocação do Mal, ficou a deixa: era justamente uma misteriosa freira uma das formas manifestadas pelo demônio Valak. Foi justamente o pouco que precisava para aguçar a curiosidade do público para este spin-off.

Deixando agora a direção a cargo do inglês Corin Hardy, mais famoso por dirigir videoclipes de artistas do primeiro escalão do rock britânico (Prodigy, Horrors, Paolo Nutini, Biffy Clyro), Wan volta ao ano de 1952 para contar a história do que seria a tal freira misteriosa. Ele aponta como o local onde tudo teria começado uma remota abadia localizada em uma zona rural na Romênia. Ali o demônio teria se manifestado pela primeira vez, fazendo como vítimas religiosas que habitavam o local. Para desvendar o mistério que culmina com a trágica morte de algumas delas, o Vaticano convoca um padre experiente na arte de exorcizar os outros. Para acompanhar Father Burke (Demián Bichir), ninguém melhordo que uma casta noviça, prestes a fazer seus votos religiosos. Sister Irene (Taissa Farmiga – irmã mais nova de Vera Farmiga, a protagonista Lorraine de Invocação do Mal 2) pouco entende ainda do mundo religioso, quanto mais de uma missão tão importante como esta. Mas parece ser a pessoa mais indicada para ajudar Burke nesta missão.

Explorando belas imagens – realizadas tanto na natureza quanto na secular construção gótica um tanto quanto abandonada por causa de sua maldição), as imagens de Hardy e a história de Wan vão decifrando as ligações da entidade maligna com o lugar e como ela teria se infiltrado ali para, posteriormente, ganhar o mundo exterior. Como (quase) todo filme de terror de hoje em dia, os efeitos dão o tom nos momentos de maior tensão. Entretanto, as histórias paralelas de Burke, Irene e Frenchie (o morador do vilarejo local que os conduz até a abadia) são o melhor do filme. As transformações e as atitudes de coragem e ousadia que vão poissibiltando a eles (e aos espectadores) novas descobertas.

A Freira não reinventa a roda e muito menos se propõe a trazer novas revoluções para o gênero cinematográfico. Entretanto, rende bons momentos e cumpre bem o papel de entreter sem deixar de entregar alguma qualidade durante a hora e meia de filme.

Music

Madonna

Sessenta curiosidades para marcar o aniversário de 60 anos da cantora, atriz e principal lançadora de tendências pop desde os anos 1980

madonnaskin2017

Texto por Flávio St. Jayme (Pausa Dramática)

Fotos: Reprodução

Neste dia 16 de agosto de 2018, Madonna Louise Veronica Ciccone completa 60 anos. Chega a essa idade, profissionalmente falando, solitária: Michael Jackson e Prince, que, assim como ela, nasceram em 1958 e formaram a trinca de maiores popstars da década de 1980 (os anos dourados do videoclipe), não estão mais entre nós. E ela é mais que uma cantora, é um ícone. Na música, na moda, na polêmica, tudo em que põe a mão estoura. É considerada a rainha do pop. Lança tendências e é copiada à exaustão.

O Mondo Bacana– em parceria com site Pausa Dramática – publica 60 curiosidades sbre Madonna para celebrar os seus 60 anos. De início estão, entre aspas, 25 fatos que a própria Rainha do Pop contou sobre si mesma ao jornal Boston Herald, em entrevista publicada em 2015.

madonnametgala

Na apresentação durante o Met Gala 2018

>> “A minha música favorita de meu repertório é ‘Bitch, I’m Madonna’, certamente. E a que menos gosto é ‘Material Girl’. Eu nunca, jamais, quero ouvir aquilo de novo!”

>> “A minha cidade favorita é Roma. É tão linda. A luz é calma e relaxante para mim, a arquitetura é esplêndida e a comida é incrível. Eu sou totalmente apaixonada por esse lugar.”

>> “Eu não suporto cogumelos. Ou escargot. Eca! É como uma gosma. Uma gosma cara!”

>> “A pessoa que eu mais idolatro é Paul Farmer. Ele é um médico e ativista que reconstruiu o sistema de saúde no Haiti mesmo antes do terremoto de 2010. Ele fez o mesmo em Ruanda.”

>> “A última vez que fiz compras no supermercado foi há um ano.”

>> “Eu não sinto falta de absolutamente nada sobre crescer em Michigan. Absolutamente nada.”

>> “A pessoa que eu mais quero conhecer é o presidente Obama. Quando é que vou conhecê-lo? Ele só precisa me convidar para a Casa Branca. Ele provavelmente pensa que eu sou muito provocadora para estar lá. Estou falando sério. Se eu fosse um pouco mais recatada… ou se eu estivesse casada com Jay Z. Ei, se o Jay Z me levasse lá como sendo sua segunda esposa, então eu com certeza teria um convite para me encontrar com o presidente.”

>> “A única coisa que jamais eu seria pega usando é um biquíni coberto de pele de algum animal.”

>> “Os momentos mais felizes da minha vida foram quando os meus filhos nasceram e quando me casei duas vezes.” (Nota: ela foi casada com o ator Sean Penn e o cineasta Guy Ritchie)

>> “Minha parte favorita no meu corpo são meus olhos. A parte que mais detesto são meus pés de dançarina. Eles são horríveis.”

>> “Eu descobri que casamentos só duram se você não dividir o banheiro. A melhor coisa de ser solteiro é que não há ninguém para te expulsar de seu banheiro quando você quiser privacidade.”

>> “A coisa que eu menos sinto falta em ser casada é ser chamada de “a esposa’. Essa é a pior.”

>> “Meu maior prazer na comida e o que faz engordar é pizza ou batata frita. Eu amo!”

madonnavogue

No clipe da música “Vogue”

>> “A última vez que eu fiquei em choque foi quando Alain Delon me ligou quando eu estava em Copenhagen durante a minha última turnê. Eu estava tentando levá-lo a fazer uma aparição no palco durante um pequeno show em Paris. Eu estava tremendo porque eu o amo! Eu nunca conheci o cara e só o conhecia de filmes. Ele foi a minha paixão adolescente. Foi patético.”

>> “Eu realmente não assisto a TV. Eu só gosto de duas séries – True Detective e uma irlandesa chamada The Fall – e eu não estou envergonhada em admitir. Muitas pessoas dizem ‘The Fall com Jamie Dornan’, mas eu digo ‘The Fall com Gillian Anderson’. Ela é tão boa.”

>> “A maior ambição da minha vida que eu ainda quero cumprir é o de ficar com o Drake. Mas apenas beijá-lo.”

>> “O momento mais embaraçoso da minha vida foi eu ter caído do palco, Deixe-me reformular isso… “sendo sufocada no palco por duas dançarinas japonesas no Brit Awards”. Foi extremamente embaraçoso!”

>> “A coisa mais linda que eu já vi foi a minha filha Lourdes tocando ukulele e cantando ‘La Vie en Rose’ para mim.”

>> “Meu ritual de beleza secreto é colocar gelo em meus olhos todas as manhãs. Ice, ice, baby!

>> “Falando nisso, se eu estivesse presa em uma ilha deserta com Vanilla Ice ou Dennis Rodman, eu iria escolher o Dennis. Ele tem melhor senso de humor. Além disso, ele pode sempre usar as minhas roupas.”

>> “A qualidade que eu mais detesto nas pessoas é fazer suposições. Não querem fazer a pesquisa, investigar ou fazer perguntas e apenas supõem algo. Ah, isso isso me deixa louca. Eu também não suporto quando estou falando com alguém e eles estão mandando mensagens de texto. Meus filhos fazem isso toda hora! Me faz subir pelas paredes! Eu coloco minha mão em seus telefones e acabo com o que eles estão fazendo.”

>> “Eu não posso dizer qual foi meu pior encontro com um namorado, mas houve muitos. Eu sou uma mulher do mundo, baby. Um atributo inegociável em um amante: ele não deve nunca querer ficar longe de mim por mais de duas semanas de cada vez.”

madonnavenezavirgin.jpg

No clipe da música “Like a Virgin”

>> “Eu sofro de claustrofobia. Eu não gosto de ficar preso em espaços pequenos e fechados ou em multidões. Isso me faz ficar alucinada.”

>> “Meu dia de folga ideal é passar o dia deitada na cama, o dia todo. Dormir por algumas horas, então acordar e assistir a filmes antigos, como o meu favorito Breathless. Adoro comer na cama, quando meus filhos vêm me ver e depois eu volto a dormir. Eu nunca gosto de sair do meu quarto.”

>> “As minhas memórias favoritas de Michael Jackson foram quando eu pedia para ele baixar a guarda e relaxar. Ele era tão tímido. O dia que eu quase consegui foi quando o deixei bêbado no restaurante The Ivy, em Beverly Hills. Eu estava dirigindo minha Mercedes e o desafiei para lançar seus óculos escuros para fora da janela. Não conseguia parar de rir.”

>> Madonna possui o mesmo nome de sua mãe, que é descendente de franco-canadenses. Ela herdou o sangue italiano da família de seu pai, Sylvio Ciccone.

>> Quando estava no colegial, uma colega de Madonna a filmou “fritando” um ovo em sua própria barriga.

>> A cantora é expert em yoga. Tanto é verdade que ela conseguiu mudar a profissão de sua personagem no filme Sobrou Pra Você. Originalmente, Abbie deveria ser uma professora de natação.

>> O álbum Like a Virgin, o segundo de Madonna, tornou-se o mais vendido nos Estados Unidos em 9 de fevereiro de 1985. Esta foi a mola propulsora definitiva de sua carreira.

madonnaevita

Como Evita Perón no filme Evita

>> Em seu aniversário de 47 anos, Madonna caiu de um cavalo e fraturou a clavícula, uma mão e três costelas. Ela estava estreando o presente dado pelo fotógrafo Steven Klein: um chicote de couro com suas iniciais.

>> O papel de Mulher-Gato interpretado por Michelle Pfeiffer em Batman – O Retorno deveria ter sido de Madonna. A cantora acabou perdendo a oportunidade porque fez uma lista imensa de exigências para participar da produção, o que aborreceu a equipe executiva.

>> Madonna comprou os três touros que aparecem no clipe da canção “Take a Bow”, de 1994.

>> Em 1994, Madonna participou do tradicional talk show americano Late Show, apresentado por David Letterman. Desbocada, a cantora pronunciou o palavrão “fuck” 13 vezes. Diante do fato, David Letterman comentou: “Você sabe que isso será transmitido, né?”

>> Apesar de ter alcançado o primeiro lugar da lista da Billboard uma semana depois de seu lançamento, o single “American Life” causou polêmica nos Estados Unidos. A cantora chegou a ser acusada de antiamericana porque falava sobre as repercussões e horrores da guerra no novo trabalho, lançado durante o conflito entre os Estados Unidos e o Iraque, ocorrido em 2003. Por causa disso, ela teve que reeditar o clipe da música às pressas. Ela também rebateu as críticas sobre seu posicionamento contrário à guerra dizendo: “Não sou anti-Bush, sou pró-paz”.

>> Madonna possui uma fortuna estimada em 400 milhões de dólares. Mesmo assim, precisou pedir dinheiro emprestado para pagar um sanduíche um dia. Ela estava em uma lanchonete em Londres, com os dois filhos e o então marido Guy Ritchie, quando percebeu que havia esquecido a carteira em casa. As moedas guardadas no bolso não eram suficientes para pagar a conta de 5,25 libras (cerca de 15 reais). O jeito foi apelar para duas jovens que comiam na mesa ao lado. As irmãs Mimi e Titi Negussie, que deram à cantora 2 libras (cerca de 5 reais), foram recompensadas com um cheque e um CD autografado.

madonnavirgintour.jpg

Look da turnê Virgin

>> O maior sonho da cantora pop, desde a infância, era ser bailarina. Ela, então, convenceu o pai a deixar que tivesse aulas e foi persuadida por Christopher Flynn, seu professor, para trilhar uma carreira na dança. Algum tempo depois, abandonou a faculdade e mudou-se para Nova York.

>> Conta-se que Madonna chegou a Nova York com apenas 25 dólares no bolso. Lá trabalhou como garçonete e faxineira no Dunkin’ Donuts e em outros estabelecimentos.

>> Madonna começou a trabalhar como dançarina de apoio para outros artistas consagrados. Envolveu-se romanticamente com o músico Dan Gilroy e, juntos, formaram sua primeira banda de rock, a Breakfast Club, na qual ela cantava, tocava bateria e guitarra.

>> Pouco tempo depois ela deixou a Breakfast Club e, junto de seu novo namorado, Stephen Bray, criou a Emmy. Porém, por causa de dificuldades financeiras, aceitou fazer hacking vocals para o cantor alemão Otto Von Wernherr. Assim, sua música impressionou o DJ e produtor Mark Kamins, que arranjou um encontro entre ela e o fundador da Sire Records, gravadora com quem assinou seu primeiro contrato.

>> Seu primeiro álbum foi lançado em 1983. Antes disso, ela já fazia sucesso com a música “Everybody”. O trabalho vendeu mais de dez milhões de cópias e alcançou o primeiro lugar das paradas de diversos países.

madonnamaterialgirl

No clipe da música “Material Girl”

>> Todo seu universo de início de carreira foi criado pela estilista e designer de joias Maripol e o olhar consistiu em tons de renda, saias sobre calças capri, meia arrastão, com joias de crucifixo, pulseiras e cabelos descoloridos.

>> Madonna é a cantora que mais acumulou prêmios na história da música. Já superaram a marca da terceira centena.

>> O clipe de “Material Girl” foi inspirado em uma cena do filme Os Homens Preferem as Loiras (1953), estrelado por Marilyn Monroe.

>> Madonna estreou como atriz no cinema com o filme Procura-se Susan Desesperadamente (1985) e também foi casada com o também ator Sean Penn. Entre os outros que participou estão Surpresa em Xangai, Quem é Essa Garota?, Dick Tracy, Uma Equipe Muito Especial e Evita – todos estes rodados e exibidos em um intervalo de apenas onze anos desde o primeiro. Ao todo, ela soma participação em vinte longa-metragens.

>> O papel de Evita Perón no musical Evita rendeu-lhe o Globo de Ouro, uma das mais importantes premiações do cinema.

madonnasexbook

Duas páginas do livro Sex

>> Em 1992, Madonna lançou um livro de fotografias chamado Sex, no qual ela aparece nua em cenas de sadomasoquismo, voyeurismo e lesbianismo. A obra causou escândalo no mundo todo e ajudou a carreira da cantor: sua primeira edição esgotou em 48h. Em várias cidades do Brasil, pouqíssimas cópias importadas eram disputadas a tapa e folheadas por fãs curiosos em noites especiais promovidas em casas noturnas. No mesmo ano, Madonna lançou o disco Erotica, também com forte apelo sexual.

>> Além de cantora, dançarina e musa de várias gerações LGBT, Madonna também é escritora. Ela escreveu cinco livros. O primeiro foi um conto infantil chamado As Rosas Inglesas.

>> O filme Corpo em Evidência (1993), em que Willem Dafoe divide cenas quentes com Willem Dafoe, fez Madonna passar por um treinamento com uma dominatrix de verdade. A cena lendária da cera de vela foi improvisada.

>> O clipe de “Like a Prayer” é um dos mais polêmicos da cantor: cheio de imagens religiosas e sexualidade, que Madonna jura terem sido ideias da diretora Mary Lambert. O vídeo chegou a ser censurado pelo Vaticano.

madonnalikeaprayer

No clipe da música “Like a Prayer”

>> As cenas de “Justify My Love” foram consideradas quente demais até para a liberal MTV norte-americana, que não o exibiu. O mesmo aconteceria uma década depois, com o vídeo de “What It Feels Like For a Girl”, dirigido pelo então marido Guy Ritchie.

>> Já no caso do pesadíssimo “Erotica”, a MTV não quis tirar o clipe do ar por conta do enorme sucesso da artista na época. Entretanto, só o exibia após a meia-noite.

>> Madonna perdeu a virgindade aos 15 anos. Com a mesma idade teve sua primeira experiência homossexual.

>> Ela tem 1,64m de altura.

madonnajustifymylove

No clipe da música “Justify My Love”

>> Também é diretora de cinema. Dirigiu em 2008 o longa Sujos e Sábios e em 2011 WE: O Romance do Século. Assinou também o roteiro deste último. WE foi indicado ao Oscar de melhor figurino em 2012.

>> Diz-se que WE perdeu a indicação na categoria de melhor canção (“Masterpiece”) porque Madonna não sabia da cláusula que obrigava a música a tocar durante o filme ou ser a primeira nos créditos finais. Mas a faixa concorreu na mesma categoria no Globo de Ouro. E venceu.

>> Madonna tem outras cinco indicações ao Globo de Ouro de melhor canção: “Die Another Day (007  Um Novo Dia Para Morrer), “Beautiful Stranger” (Austin Powers: O Espião Bond Cama), “I’ll Remember” (Com Mérito), “This Used To Be My Playground” (Uma Equipe Muito Especial) e “Who’s That Girl” (Quem é Essa Garota?).

>> Ela tem doze indicações ao Framboesa de Ouro, o prêmio dos piores do cinema. Destas, “venceu” sete vezes, entre elas como pior atriz por Destino Insólito (empatada com Britney Spears em Amigas Para Sempre), pior atriz por Sobrou Pra Você, pior atriz do século em 2000 e pior atriz por Quem é Essa Garota?.

>> Acessórios inusitados como uma cama no meio do palco e o famoso corselet de seios cônicos desenhado pelo estilista Jean Paul Gaultier para a turnê Blonde Ambition contribuíram para que os shows dela nos anos 1980 e 1990 reforçassem a liberdade de expressão e até mesmo o debate feminista.

>> Madonna possui treze álbuns de estúdio, três discos ao vivo, três discos de remix e seis compilações.

>> A cantor e atriz é prima distante de Gwen Stefani, ex-vocalista do No Doubt.

madonnagaultier

Corselet criado por Jean Paul Gaultier para a turnê Blonde Ambition