Music

Rita Ora

Oito motivos para não perder o show da cantora, que aproveitará a vinda ao Lollapalooza Brasil para se apresentar pela primeira vez em Curitiba

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Texto por Ana Clara Braga

Foto: Divulgação

Rita Ora irá se apresentar pela primeira vez em Curitiba no dia 2 de abril. Aproveitando sua visita ao país para o festival Lollapalooza, a cantora estenderá a estadia e fará uma visita a capital paranaense (mais informações sobre este evento você tem aqui). Por isso, o Mondo Bacana elaborou uma lista com oito motivos para não perder o concerto “solo” da popstar de etnia albanesa, nascida em Kosovo e radicada no Reino Unido desde o primeiro ano de idade.

Chancela de Jay-Z

Em 2008, quando Rita estava procurando por uma gravadora foi feita uma reunião com o rapper Jay-Z, dono da Roc Nation. O magnata do hip hop gostou tanto da cantora que assinou contrato com ela no mesmo dia e vendeu sua imagem como a de “nova Rihanna”.

Nova oportunidade no país

Sua primeira e última visita ao Brasil foi sete anos atrás, mas foi uma passagem bem apagada. Sua vinda foi por conta da ação de marketing de uma loja. O que deixou a cantora com vontade de fazer mais apresentações no país.

Muitas parcerias

Além de faixas solo, Ora também coleciona um grande número de parcerias. Requisitada e respeitada por seus companheiros de profissão, já participou de gravações de Iggy Azalea, Sofia Reyes, Tiësto, Avicii, Charli XCX e contou com a participação de Liam Payne, Cardi B, Bebe Rexha, Kygo e Chris Brown em músicas de sua autoria.

O novo álbum

Seis anos após o lançamento de Ora, Rita soltou em 2018 seu segundo disco, Phoenix. Já em uma nova gravadora, a cantora recebeu muitas críticas positivas da mídia especializada, incluindo a nota geral de 76 no Metacritic.

Set list equilibrado

Além da divulgação das músicas de seu mais novo trabalho de estúdio, também podemos esperar a execução dos maiores hits de Rita Ora. Faixas do início de carreira como “This Is How We Do (Party)”, “R.I.P.” e “I Will Never Let You Down” devem figurar no set list dos shows por aqui.

Vocais impecáveis

Não é incomum o público se decepcionar com as performances ao vivo dos cantores. Entretanto, este não é o caso de Ora. Ela já provou diversas vezes ter a mesmo gogó nos estúdios e nos palcos, proporcionando sempre um completo espetáculo.

Padrão estético

Não é possível saber qual será o formato do show que a cantora trará para Curitiba, mas é certo que seguirá o belo padrão estético dos outros que faz na Europa e Estados Unidos. Luzes, projeções, roupas combinando se juntam às músicas, tornando a experiência mais interessante e imersiva

Interações com o público

Rita Ora é muito conhecida por sua simpatia. Quando está cantando, também dedica muito tempo para conversar com seus fãs, contar histórias, dividir um pouco mais sobre sua vida. Tudo para deixar a plateia mais próxima dela.

Movies, Music

Homecoming: A Film By Beyoncé

Concerto grandiloquente apresentado no ano passado no Coachella vira filme recheado por comentários e cenas de bastidores

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Texto por Abonico R. Smith

Foto: Netflix/Divulgação

Vinte e oito anos atrás Madonna abriu as portas do cinema para as divas da música pop. Seu documentário Na Cama Com Madonna arrastou uma legião de fãs às salas de projeção para assistir aos bastidores de sua então bem sucedida megaturnê mundial Blond Ambition. Isso consolidou em definitivo o nome dela no panteão das maiores artistas femininas do Século 20. Tanto que nas décadas seguintes o mercado fonográfico viu se enfileirarem uma série de discípulas que trilharam, cada qual com seu carisma, talento, competência e peculiaridade, o mesmo nicho de mercado. Vieram então Britney Spears, Christina Aguilera, Pink, Lady Gaga, Katy Perry, Amy Winehouse, Rihanna, Adele, Ariana Grande, Beyoncé. Sem falar na própria Madonna, que continuou na ativa, sempre gravando, lançando discos e fazendo shows.

Com o passar do tempo a lista tornou-se grande e a concorrência também. Com as evoluções e consequentes mudanças no mercado musical. Com a velocidade da comunicação e do cotidiano, está cada vez mais difícil fazer um trabalho não só que se sobressaia perante o resto mas também que fique gravado para sempre na memória dos fãs, tal qual o documentário lançado em 1991 por Madonna permanece até hoje. E é exatamente isso o que Beyoncé quis fazer com o projeto Homecoming, elaborado para ser o show de encerramento de um dos três dias do festival Coachella na edição do ano passado. Além de ter sido exibida ao vivo pelo YouTube foi apresentação foi registrada na íntegra, em áudio e vídeo, para virar um filme e um disco ao vivo. Na verdade, um misto de musical com documentário, já que todo o processo de elaboração do show, que levou quatro meses de intensos ensaios, também foi filmado.

Homecoming: A Film By Beyoncé (EUA, 2019 – Netflix) não foi parar nos cinemas, mas está disponível para o mundo inteiro através de streaming desde poucos dias atrás. O que significa que será visto por milhões de pessoas, tal qual Na Cama Com Madonna foi – mesmo que a Netflix tenha como conduta o fato de nunca divulgar o número de acessos a seu conteúdo, isso é óbvio que vai acontecer já nas primeiras semanas. Entretanto, o que separa a Blond Ambition Tour de Homecoming é exatamente a grandiloquência da concepção do espetáculo apresentado ao vivo para o público in loco. A plateia do Coachella era de 125 mil pessoas. Estavam no palco durante o show de Beyoncé mais de duzentas pessoas. Sim, mais de duzentas pessoas. Talvez o mais alto número de artistas já reunidos durante um concerto de música pop. Com certeza, a jogada mais arriscada de toda a carreira da cantora. Por isso, o tempo extenso de preparação do espetáculo para poder coordenar músicos, dançarinos, cantores e convidados especiais (o marido Jay-Z, a irmã Solange, as ex-companheiras de Destiny’s Child, Kelly Rowland e Michelle Williams).

Junto à sua equipe de criadores, Beyoncé concebeu um espetáculo conceitual para se apresentar no Coachella, sobretudo porque tivera de desmarcar a apresentação do ano anterior em virtude de uma gravidez inesperada. Então quis fazer uma homenagem à sua origem negra e à cultura da celebração de música e dança instituída nas universidades norte-americanas através das bandas de fanfarra e suas coreografia através das balizas e dos instrumentistas. Para caber tudo em um palco, verticalizou tudo e fez, a laPaulo barros no Sambódromo do Rio de Janeiro, os próprios músicos e bailarinos transformarem-se em um cenário vivo, vibrante e contagiante. Através de uma pirâmide com vários degraus, todos interagem milimetricamente ensaiados, provocando um efeito visual que dispensa cenografia artística e principalmente o já confortável telão de ledali no fundão de tudo.

O filme vai intercalando pedaços do set list de 33 músicas (todas mostradas na íntegra) com imagens granuladas captadas no imenso galpão onde toda a equipe se reunia diariamente para ensaiar e compor o espetáculo. Enquanto os bastidores são mostrados, uma voz em off, um tanto abafada intencionalmente (talvez para combinar com a sujeira visual), mostra Beyoncé fazendo observações aleatórias sobre sentimentos, sensações e intenções diante de toda esta pirotecnia visual e musical. Ela fala sobre suas certezas, suas inseguranças, sua família (sobretudo os filhos gêmeos recém-nascidos e a filha mais velha), sua posição feminista e opiniões a respeito do valor às tradições da cultura universitária que formam o conceito da empreitada. Já no microfone em cima do palco, ela provoca a audiência falando sobre empoderamento feminino e o sentimento de pertencimento e identificação com o que está sendo mostrado ali no palco. De vez em quando, frases filosóficas ou motivacionais também são mostradas, dividindo a narrativa entre ensaios e concerto.

A única coisa sobre a qual Beyoncé não fala durante os 137 minutos de duração de Homecoming é sobre o que estaria, de fato, por trás de toda a grandiloquência do projeto, do qual também assina a direção, o roteiro e a produção executiva do filme. E também já se sabe que este é apenas o primeiro de três lançamentos que ela irá fazer pela Netflix nos próximos anos. De fato, para ser diva da música pop neste final de segunda década do Século 21 não é preciso só cantar e ficar divando nos palcos e bastidores. É necessário ser mega, giga, tera. Passar feito um rolo compressor por cima das emoções descontroladas da horda mundial de fãs e seguidores na internet. E, sobretudo, deixar a concorrência comendo poeira lá atrás.

Music

Arquivo MB: Madonna – As 25+

As 25 melhores músicas dos 60 anos de vida da maior estrela da música pop mundial

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Textos de Abonico R. Smith (abertura) e Humberto Slowik (músicas)

Foto: Reprodução

Em 16 de agosto de 2018, Madonna Louise Verônica Ciccone comemora 60 anos de vida na condição de maior popstar do planeta. Em 35 anos de trajetória como cantora e atriz, ela soube construir uma trajetória inquestionável no quesito popularidade e diversidade. Pense em uma estrela de maior grandeza na música pop mundial do Madonna. Simplesmente não há, ainda mais depois da partida de gente como David Bowie, Prince e Michael Jackson.

Sem necessariamente fazer rock’n’roll na forma mas certamente tendo muito dele no espírito, Madonna cresceu junto à geração 1980. No começo da década mais festejada dos últimos tempos, ela era apenas uma jovem dançarina e aspirante a cantora vinda do Norte americano tentando a sorte nos palcos e noites de megametrópole Nova York. Por conviver com muita gente ligada a varias correntes e expressões artísticas, acabou direcionando sua carreira para uma confluência de todas elas. No terreno musical, apesar de intimamente ligada à variedade de batidas e subgêneros que fazem decolar toda e qualquer pista de dança, Nos anos seguintes, dissociar seu nome de cinema, moda, dança e até mesmo literatura também tornou-se tarefa impossível. E mais: recorrendo a diversos recursos de simbolismos religiosos, sexuais e comportamentais cutucou feridas na sociedade mundial. Especialmente a norte-americana, que tornou-se ainda mais conservadora simultaneamente à trajetória vitoriosa da artista.

Se Madonna é fruto direto dos anos 1980, também não há como desvincular a cantora da própria história dos videoclipes e de sua emissora mundial número um, a MTV. Ela pertenceu à geração de bandas e cantores que deslocou o centro das atenções da carreira do som à imagem. Toda e qualquer música sua, de maior ou menor sucesso radiofônico, não foi executada tão somente por méritos artísticos. Trabalhando sempre com diretores talentosos e cultuados no mundo publicitário e da moda (vários vindos da fotografia, aliás), associou as letras e arranjos às pequenas historinhas contadas para a tela da televisão. Interpretando personagens provocativos – que com certeza contiveram muito de suas várias facetas – conseguiu despertar polêmicas, provocar reações contrárias de setores sociais mais retrógrados, tornou-se celebridade em todo canto do planeta e alcançou em turnês, vendas de discos e execuções de rádio e teledifusão invejáveis. Uma década atrás, até se deu ao luxo de virar deixar para trás todo o passado profissional de quase um quarto de século como contratada da gravadora que lhe proporcionou ser o que é hoje. Por mais que a Live Nation tenha se tornado uma corporação do ramo do entretenimento nestes dez últimos anos, ela gerencia basicamente as turns mundiais de Madonna, tendo coparticipação nos lançamentos fonográficos dela. Coisa que qualquer outra grande empresa também poderia fazer, sem interferir no processo criativo ou obrigá-la a criar desta maneira ou agir de determinada forma na promoção das novas obras.

Outro grande mérito de Madonna foi ter formado durante estes 35 anos de carreira um grande séqüito de seguidores. São mais do que fãs. Gente que sabe tudo a seu respeito, acompanha cada novidade, coleciona itens diversos em casa, segue fielmente cada passo seu e chega até a promover festas de parabéns na noite de seu aniversário. Seu público maior está entre as mulheres (a ascensão da cantora e vários dos versos cantados por ela reforçam um lado vitorioso da reivindiação do poder feminino) e os gays(que sempre serviram, simultaneamente, de inspiração e alvo para muitas de suas estratégias no tocante a referências e atitude). Toda esta veneração e fidelidade com certeza se transformaram em um ativo muito grande nestes tempos digitais em que a velocidade de informação é tão voraz que as mudanças contínuas se tornaram necessárias e implacáveis. E, é sempre bom lembrar, foi Madonna quem abriu o caminho para discípulas como Britney Spears, Katy Perry, Lady Gaga, Rihanna e Beyoncé – apenas para citar cinco grandes exemplos.

Para celebrar os 50 anos de vida de Madonna, o MONDO BACANA optou por algo diferente em 2018. Resolvemos não contar a sua vida e carreira ou ficar chovendo molhado falando disso ou daquilo que as pessoas estão cansadas de saber – e quem não sabe acaba achando através do Google. Em vez disso, listamos as 25 melhores e mais significativas músicas de seus 25 anos de carreira. O universo de sucessos dela é extenso e ultrapassa a marca das cinco dezenas. Com certeza, a falta desta ou daquela música poderá ser sentida por algum fã – especialmente hits iniciais bastante populares como “Material Girl”, “Into The Groove”, “Lucky Star” ou “Holiday” – todos cortados da seleção final. Contudo, não é qualquer artista que pode se dar ao luxo de, em uma proposta como esta, ter canções arrasadoras como “Like a Prayer” apenas na 12ª posição ou “Like a Virgin” logo em seguida do Top 5.

Com vocês, o melhor da cinqüentona Madonna. A repubicação deste texto abaixo também é uma homenagem do MONDO BACANA a seu autor, Humberto Slowik, um dos maiores fãs desde o inicio da carreira da cantora e jornalista que deixou este plano espiritual em 2011. (ARS)

25 – Give It 2 Me (2008)

Um dos melhores momentos do mais recente álbum Hard Candy (e da parceria com o produtor Pharrell Williams) foi mal das pernas nos chartsamericanos, não passando da 57ª posição na Billboard. Deve ser um dos pontos altos da nova turnê Sticky & Sweet, por conta da energia bem eightie e do beat acelerado. Criticado por fãs, o videoclipe foi dirigido pelo fotógrafo Tom Munro e gravado durante o ensaio fotográfico que a revista de moda Elle publicou em várias edições ao redor do planeta.

24 – Love Profusion (2003)

Música bonitinha, meiga. O momento doce de American Life, álbum de carreira que menos vendeu. Com letras simples e mistura de sons eletrônicos com violões, a canção fez sucesso em alguns países, apesar do péssimo desempenho nos EUA. O clipe também era bem meia-boca, dirigido pelo cineasta francês Luc Besson – também responsaével pelo comercial de TV da marca de cosméticos Estée Lauder, do qual a canção era tema.

23 – Rain (1994)


Último single de Erotica, esta balada encorpada sobreviveu ao tempo e deve figurar no set listda Sticky & Sweet Tour, possivelmente em um dos vídeos produzidos como intervalo entre um bloco do show e outro. A canção também é dona de um dos mais belos vídeos da carreira de Madonna. Dirigido por Mark Romanek, o clipe mostra a cantora linda em looks da estilista japonesa Rei Kawakubo, cabelos curtíssimos e pretos, descansando em mobiliário desenhado por Philippe Starck. Foi rodado totalmente em preto-e-branco e posteriormente colorizado em tons de azul. Participa dele o celebrado compositor japonês Riuychi Sakamoto.

22 – Beautiful Stranger (1999)

Das canções mais divertidas de Madonna. Foi tema do segundo filme da série cinematográfica Austin Powers, estrelada pelo comediante Mike Myers. O produtor William Orbit revelou que não levou mais do que uma tarde concebendo as bases musicais do hit, que ganhou o Grammy de Canção Escrita para um Filme e foi indicada ao Globo de Ouro de Melhor Canção (umas das cinco que Madonna já recebeu nesta categoria). Dizem as más línguas que a faixa só não foi indicada ao Oscar por conta do relacionamento espinhoso que a popstar sempre teve com Hollywood.

21 – Take a Bow (1994)

O single de Madonna que permaneceu no topo da parada Billboard por mais tempo (foram sete semanas ao todo) representou o início do processo de limpeza da imagem da popstarapós o período de alto teor sexual dos anos anteriores. Coescrita por Babyface (produtor quente na cena r&b americana da época), a canção era meio breguinha, mas ganhou pontos pela letra bela e sofrida que traz citações de William Shakespeare (mais especificamente da peça O Mercador de Veneza). E também pelo vídeo incrível rodado em Rondo, na Espanha, todo baseado em uma história de amor impossível entre Madonna e um toureiro.

20 – Cherish (1989)

Terceiro single de Like a Prayer, a canção chegou à segunda posição da Billboard e propôs um descanso temático após polêmica de “Like a Prayer” e a sensualidade de “Express Yourself”. Doce, a música ganhou clipe em preto-e-branco rodado na praia, entre criancinhas e homens-sereia. O trabalho marcou a estreia do fotógrafo de moda Herb Ritts (1952 – 2002) como diretor de vídeos musicais.

19 – Erotica (1992)

Os fãs mais ferrenhos (principalmente os da comunidade LGBT) podem até discordar mas tratou-se de um dos poucos momentos musicalmente decentes do álbum homônimo de Madonna, mais importante pela polêmica causada do que pela música datada que o compôs. Na canção, a artista encarnou pela primeira vez Dita, seu alterego no livro Sex. Falava de prazer e dor, entre outras coisinhas. O vídeo foi registrado durante as sessões de fotos de Sex e dirigido por Fabien Baron, responsável pelo projeto gráfico do livro, pela celebrada reformulação da revista Harper’s Bazaar na década de 1990, e então recentemente estabelecido como novo editor da lendária revista Interview, criada por Andy Warhol.

18 – Open Your Heart (1986)

Outro single de Madonna a chegar ao topo da parada Billboard, foi mais importante por seu vídeo do que propriamente pela canção em si. Entre outras coisas, a primeira parceria da cantora com o francês Jean Baptiste Mondino (que, posteriormente, dirigiria os clipes de “Justify My Love”, “Human Nature”, “Love Don’t Live Here Anymore”, “Don’t Tell Me” e “Hollywood”) trazia a popstar dançando em um peepshow frequentado por homens e mulheres e beijando um garotinho adolescente.

17 – Jump (2006)

Clássico instantâneo da diva, a canção trouxe mais uma letra com mensagem positiva e ainda prestava homenagem descarada aos Pet Shop Boys. Mais popular na Europa (como todo o trabalho desenvolvido pela cantora neste início de século), ganhou clipe dirigido pelo sueco Jonas Akerlund gravado no Japão e baseado na prática urbana do Le Parkour. A peruca platinada usada pela artista também apareceu nos shows que encerraram a Confessions Tour.

16 – Frozen (1998)

Primeiro single de Ray Of Light, esta balada foi, segundo Madonna, inspirada no profundo sentimento de solidão e desamparo provocado por cenas de filmes como O Céu Que Nos Protege (1991), de Bernardo Bertolucci, e O Paciente Inglês (1996), de Anthony Minghella. Número 4 na parada Billboard, a canção ganhou vídeo de tintas surreais gravado no deserto do Mojave (EUA), sob a direção genial Chris Cunningham. Um incidente desesperou a cantora durante as gravações: o carro que transportava sua filha Lourdes Maria (então com menos de dois anos de idade) até o setde filmagens ficou perdido e incomunicável durante horas no meio do deserto.

15 – Bedtime Story (1994)

Coescrita por Björk e coproduzida por Nellee Hooper, a faixa cravou o início de flerte de Madonna com o eletrônico, que conheceria seus desdobramentos mais bem-sucedidos a partir de 1998. Repleto de referências a artistas como Frida Kahlo, Remédios Varos, Salvador Dali e Michael Radford, o clipe dirigido por Mark Romanek conquistou seu lugar como um dos clássicos da carreira da cantora. O single chegou à modesta 42ª posição na parada Billboard.

14 – Dress You Up (1984)

Número de abertura da Virgin Tour, a primeira grande turnê de Madonna, era uma das canções mais sensuais da popstar, unindo batida contagiante e uma grande dose de inocência sacana. Escrita por Andrea Larusso e Peggy Stanziale, chegou ao número 5 da parada Billboard e não era interpretada ao vivo pela cantora desde a Who’s That Girl Tour (1987), apesar de ter sido ensaiada para o bloco militar da The Re-Invention Tour (2004) e posteriormente descartada.

13 – Secret (1994)

Após os escândalos sexuais detonados entre 1990 e 1992 (que culminaram no lançamento do livro Sex), Madonna resolveu clarear sua imagem. Isso resultou em um álbum de produção mais sofisticada (Bedtime Story), do qual “Secret” foi o primeiro single. A canção que falava de pequenas buscas espirituais e redenção no amor chegou ao número 3 na parada americana e teve o clipe rodado nas ruas do Harlem, bairro nova-iorquino majoritariamente negro. Os sapatos usados no vídeo são do designer brasileiro Fernando Pires, de quem conheceu o trabalho em sua passagem pelo Brasil durante a turnê The Girlie Show, no ano anterior.

12 – Like a Prayer (1989)

Recém-divorciada de Sean Penn, Madonna lançava seu primeiro álbum abertamente confessional e que marcava o início do reconhecimento como compositora após anos de descrédito por parte da imprensa musical. Seu primeiro singlecausou polêmica por conta do clipe dirigido por Mary Lambert, no qual a cantora beijava um santo negro e dançava em frente a cruzes em chamas (referência direta à Klu Klux Klan). Teve mais: a Pepsi, com a qual Madonna havia assinado um contrato milionário e para quem gravara um comercial de TV, suspendera ambos, por medo de boicote de comunidades religiosas americanas. Mesmo assim, a canção passou três semanas no primeiro posto da parada dos EUA.

11 – Borderline (1983)

Primeiro single de Madonna a adentrar o Top 10 da parada Billboard e a primeira canção da estrela a ganhar um videoclipe decente. A história narrava o envolvimento de uma garota com um bad boy latino (por quem ela é apaixonada) e um fotógrafo que promete transformá-la em estrela – jogo temático explorado em outros vídeos da cantora. É um dos hitsantigos que são dados como certos no setda turnê Sticky & Sweet, que estréia no próximo dia 23 de agosto, em Cardiff (País de Gales), e deve passar pelo Brasil em dezembro.

10 – Human Nature (1994)

O último single retirado do álbum Bedtime Stories era um protesto de Madonna contra todas as especulações que sofrera da mídia desde que virou uma estrela de primeira grandeza. O clipe, dirigido por Jean Baptiste Mondino, trazia Madonna vestida como uma dominatrix, só que em situações irônicas. Apesar de não ter conseguido grande sucesso nos EUA (só chegou ao número 46 da Billboard), a canção acabou eleita um dos dez melhores singles de 1995 pela edição norte-americana da revista Rolling Stone.

9 – Hung Up (2006)

Com samplede “Gimme Gimme”, hit do Abba (esta foi a primeira vez em que o quarteto sueco autorizou o uso de um trecho de sua obra por outro artista), o primeiro singledo álbum Confessions on a Dance Floor marcou o retorno de Madonna ao Top 10 da parada Billboard (a música chegou ao número 7) após três anos de ausência. Gravado com locações em Los Angeles e Londres, mostra a cantora em forma exemplar e impensável após sua queda de um cavalo sofrida no dia 16 de agosto daquele ano.

8 – Justify My Love (1990)

Escrita e produzida por Lenny Kravitz, a faixa passou duas semanas no topo da parada Billboard e alimentou uma da série de polêmicas sexuais nas quais Madonna esteve envolvida na metade inicial dos anos 1990. O clipe, dirigido pelo francês Jean Baptiste Mondino e filmado em Paris, foi banido da MTV norte-americana por conta de seu conteúdo extremamente erótico, e transformou-se, então, no vídeo-singre mais vendido nos Estados Unidos. Naquela época, muito se falou das cenas de orgia pansexual nos quartos e corredores de um hotel.

7 – Live To Tell (1986)

O primeiro singledo álbum True Blue foi concebido como música-tema do filme Caminhos Violentos, estrelado pelo então marido Sean Penn. Eleita uma das 50 melhores canções do século 20 pela revista Details, a balada marca o início da busca por um caminho de produção mais sofisticada (iniciada após vários hits de pista) e marca a primeira das várias grandes mudanças de imagem executadas pela artista. Chegou ao topo da parada norte-americana.

6 – Like a Virgin (1984)

Escrita por Billy Steinberg e Tom Kelly, a faixa foi o primeiro single do álbum homônimo (o segundo da carreira) e a primeira música de Madonna a atingir o número 1 da parada Billboard – posto no qual permaneceu durante seis semanas. Concebida como uma baladinha lenta, teve o ritmo drasticamente alterado por Nile Rodgers (guitarrista do grupo disco Chic e produtor bastante requisitado nos anos 1980) quando trabalhada em estúdio. Este foi o primeiro momento de definição na carreira da cantora: a histórica apresentação ao vivo durante a primeira edição dos prêmios anuais da MTV norte-americana e depois da qual todas as adolescentes da época passaram a usar provocantes roupas pretas de renda e ostentar enormes crucifixos. O provocante e histórico videoclipe, também dirigido por Mary Lambert, foi gravado nos canais de Veneza e trazia Madonna vestida de branco (símbolo da pureza até hoje ostentado pelas noivas durante a cerimônia de casamento) e fazendo poses sensuais em uma gôndola.

5 – Everybody (1983)

Primeiro singledo álbum de estréia da cantora, esta foi uma das duas músicas da artista com crédito de autoria oficialmente apenas para ela (a outra era “I Know It”, também do mesmo disco). Clássico entre fãs, esta era uma das canções que Madonna dublava e dançava junto a bailarinos durante suas apresentações em clubes nova-iorquinos como Danceteria e Paradise Garage. “Everybody” ainda é uma das únicas obras das quais a artista autorizou simples oficiais até hoje. Foi para a canção “Greatest Hit”, da norueguesa Annie.

4 – Express Yourself (1989)

Segundo singledo álbum Like a Prayer, a música foi responsável pelo momento de abertura da Blond Ambition Tour, série de concertos que elevou Madonna do status de simples popstardos anos 80 à rainha dos performers pop no século 20. O clipe inaugurou a parceria da artista como o fotógrafo e diretor David Fischer (dos filmes Seven – Os Sete Pecados Capitais, O Quarto do Pânico, Clube da Lutae Zodíaco). Abusando da sensualidade da cantora, ele foi inspirado no clássico Metrópolis(do austríaco Fritz Lang) e foi, então, o vídeo mais caro já realizado na indústria fonográfica (custou US$ 5 milhões).

3 – Ray Of Light (1998)

Momento emblemático da parceria com o produtor britânico William Orbit, a faixa foi elaborada a partir de “Sepheryn”, chatíssima música escrita por Olive Muldoon e Dave Curtis na década de 1970 e da qual Orbit tinha os direitos. Com arranjo vocal que mostra todo o progresso alcançado por Madonna a partir das aulas de canto tomadas na preparação para o filme Evita, chegou ao número 5 nas paradas norte-americanas e foi indicada ao Grammy de Gravação do Ano. Seu videoclipe marcou o início do trabalho com Jonas Akerlund e saiu como o grande vencedor do MTV Vídeo Music Awards do ano de seu lançamento.

2 – Music (2000)

Parece piada, mas tudo aqui foi construído a partir de um único acorde. O hit escrito e produzido em parceria com produtor suíço-afegão Mirwais Ahnmadäi começou a tomar forma logo após Madonna observar a energia da plateia durante um concerto de seu amigo Sting. Outro de seus hinos, a música que celebra basicamente a sensação de liberdade e unidade de se estar em uma pista de dança chegou ao topo do Hot 100 da revista Billboard, foi também indicada ao Grammy de Gravação do Ano e é um daqueles clássicos que não podem mais faltar em qualquer apresentação ao vivo dela. O clipe foi a primeira aparição mundial do comediante Sacha Baron Cohen, que se tornaria conhecido pelo personagem Borat nos cinemas. Cohen, na pele do rapper Ali G, outra criação sua para um show televisivo, é o motorista da limousine de Madonna.

1 – Vogue (1990)

O mero detalhe do quase poderia ter mudado o posto de maior e melhor música de toda a carreira da popstar. Single de Madonna com o maior número de cópias vendidas mundo afora, a música foi concebida como um mero lado B de “Express Yourself” e quase deixou de ganhar o destaque que sempre mereceu. Com incrível vídeo em preto e branco dirigido por David Fincher, a canção abusava de referências a Hollywood como forma de ilustrar musicalmente o vogueing – dança que tomou de assalto os clubes nova-iorquinos no início dos anos 1990 e teve como expoentes principais trupes de dança como a House of Ninja. Até hoje não há como não resistir ao rap que afirma divas e divos como Greta Garbo, Marlene Dietrich, Rita Hayworth, Marlon Brando e James Dean tinham mesmo era muito estilo. Strike a pose!

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Clipe: Anna Calvi – Don’t Beat The Girl Out Of My Boy

Artista: Anna Calvi

Música: Don’t Beat The Girl Out Of My Boy

Álbum: Hunter (2018)

Por que assistir: No começo da década, essa inglesa de descendência italiana e descoberta por Brian Eno provocou furor na crítica com o lançamento de seus dois primeiros álbuns. Sempre vestida de vermelho, preto e branco, trafegando entre elementos visuais e sonoros do gótico e do flamenco, Anna Calvi fez meio mundo musical se arrepiar ao soltar seu vozeirão e cantar versos de sentidos abertos sobre mulheres enigmáticas. Logo caiu no gosto do circuito da moda europeia mais ligada ao rock alternativo e passou a fazer trilhas sonoras ao vivo de desfiles da Burberry, além de circular no net set mais descolado do universo, sempre ao lado de belas modelos e atrizes do cinema. Agora ela se prepara para lançar o terceiro álbum da carreira. Produzido pelo experiente e cultuado Nick Launay (Nick Cave & The Bad Seeds, Grinderman, David Byrne, Yeah Yeah Yeahs, Arcade Fire, PiL, Killing Joke, Black Rebel Motorcycle Club, Supergrass, Lou Reed, Kate Bush, Eric Clapton) Hunter sai no dia 31 de agosto pelo selo Domino – uma das potências do indie rock britânico – com o propósito de marcar a fluidez como a bandeira principal de Calvi na atualidade. Ao lançar o primeiro clipe do disco – da poderosa faixa “Don’t Beat The Girl Out Of My Boy”, desde já um dos singles do ano – a cantora e compositora vem jogando claro a respeito de sua insatisfação em se limitar a gêneros sexuais (seja na identidade ou na orientação) ou mesmo ficar presa a rótulos e questões ligadas a um lado só da vida. “Esta é uma canção sobre o desafio de ser feliz. É sobre ser livre para se identificar da maneira que você quiser, independentemente de amarras e restrições da sociedade”, declarou ela no início deste mês de junho. A coreografia, marcada por uma dramaticidade sombria e assinada pelo inglês Aaron Sillis (que já criou para Justin Bieber, Rihanna, Katy Perry, Kylie Minogue e FKA twigs, além de fazer trabalhos para marcas como Hermes, Calvin Klein, Lacoste, Nike e Issey Miyake), Anna canta a música enquanto se esfrega em corpos masculinos e femininos, alguns deles altamente marcados pela androginia.

Texto por Abonico R. Smith