Movies

O Grito

Novo remake americano de conhecida franquia nipônica de horror fica na superficialidade e nada traz de inovador ou assustador

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Texto por Maria Cecilia Zarpelon

Foto: Sony Pictures/Divulgação

O mais novo remake da franquia nipônica Ju-On (2002), O Grito (The Grudge, EUA/Canadá, 2020 – Sony Pictures), não só falha na tentativa de inovar a velha história da casa mal-assombrada e do fantasma vingativo, como apenas evidencia que a ultrapassada maldição do grito está fadada ao fracasso. O enredo da nova produção, dirigida por Nicolas Pesce, já é a segunda versão americana da obra original de Takashi Shimizu. Como os iniciados na franquia bem sabem, o grito é uma maldição que surge quando alguém é assassinado em um momento de ódio extremo. A entidade passa a atormentar a vida de qualquer um que colocar os pés no local do crime. Ao que tudo indica, isso nunca tem fim, assim como os filmes que habita. Baseado no script de Shimizu, o roteiro do novo longa ainda é sobre uma casa japonesa amaldiçoada – o que muda são as vítimas e o lugar. Desta vez, a trama é levada para uma pequena cidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos.

Este filme acompanha a vida da policial Muldoon (Andrea Riseborough), viúva e mãe solteira, que está determinada a solucionar o caso de um cadáver encontrado na floresta. A investigação é a linha norteadora da película. Assim como o remake de 2004, o novo filme dispõe de histórias cruzadas por meio de múltiplas linhas de tempo para apresentar os destinos de vários personagens, entre eles, um casal de corretores de imóveis (John Cho e Betty Gilpin) que enfrentam uma difícil escolha na gravidez, um casal de idosos (Lin Shaye e Frankie Faison) que procuram a ajuda de uma assistente de suicídio assistido (Jacki Weaver), o detetive Goodman (Demian Bichir) e seu antigo parceiro Wilson (William Sadler).

Apostando nos clichês de todo filme de terror, Pesce parece não conseguir fazer o longa se destacar em quase nenhum quesito. Além dos excessivos e costumeiros jumpscares, que acabam sendo fracos e previsíveis, a película se baseia no pretexto mais básico e óbvio de qualquer franquia de horror (como os famosos “você nunca irá escapar” e “a maldição nunca te deixará em paz”). É decepcionante o fato não ser construída uma atmosfera de tensão, ficando tudo preso na segurança de entidades que aparecem desfocadas atrás das pessoas e que desaparecem e reaparecem à medida que um personagem apaga e acende as luzes. Estes clichês se tornaram clichês por um simples motivo: eles funcionam. Entretanto, no caso da franquia de O Grito, eles já foram exaustivamente usados. Talvez fosse a hora de tentar algo novo.

Mesmo que por vezes se apoie no óbvio, este novo longa tem suas passagens favoráveis. Para aqueles que são familiarizados com a franquia de remakes do J-Horror, nesta nova versão ainda existem os famigerados sustos no chuveiro, na pia e na banheira, trazendo um sentimento de nostalgia ao espectador, ao recordar cenas do auge do filme original. As histórias são todas permeadas pela dor e pela perda, numa válida tentativa do diretor de fazer com que a audiência se sinta próxima e acredite em uma realidade muito plausível, mostrando como as pessoas são frágeis e vulneráveis, e que a maldição não perdoa ninguém. Mesmo que o desenvolvimento dos personagens deixe a desejar e acabe sendo um tanto superficial, Pesce investe no sofrimento de cada um. Não apenas o causado pela maldição, mas também aquele que qualquer pessoa poderia ter – o que muitas vezes não é abordado em outras produções do gênero.

Para além da falta de criatividade e originalidade de sustos, o filme não se diferencia daqueles que vieram antes, muito menos justifica sua própria criação. Para os amantes do terror, infelizmente essa é só mais uma maçante e saturada história sobre a já esgotada casa mal-assombrada e que desperdiça um elenco talentoso e não traz nada de novo ou assustador para a realidade atual. O Grito, mesmo que tenha seus momentos arrepiantes, prova ser apenas mais um remake de uma história batida, que continua amaldiçoado por um conceito fatalmente clichê.

Movies

Atentado ao Hotel Taj Mahal

Ataque terrorista ocorrido em 2008 em hotel de luxo na Índia chega aos cinemas brasileiros logo após eventos semelhantes em Sri Lanka

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Texto por Janaina Monteiro

Foto: Imagem Filmes/Divulgação

Quase 62 horas ou pouco mais de 2.350 quilômetros de distância separam o Hotel Shangri-La, em Colombo, no Sri Lanka, do Taj Mahal Palace Hotel, em Mumbai, na Índia. Os dois hotéis de luxo cinco estrelas em dois países de extrema desigualdade social foram alvo de ataques terroristas. No último domingo de Páscoa, data que simboliza a ressurreição de Jesus Cristo, foram 253 mortos no Sri Lanka. Os terroristas islâmicos explodiram igrejas – templos do catolicismo – e hotéis – templos de turistas endinheirados em várias cidades do país.

Onze anos separam este domingo de Páscoa daquele 26 de novembro, um dia qualquer na capital econômica da Índia, terra do hinduísmo (que divide a sociedade em castas), do jainismo, do budismo, do sikhismo e onde a população muçulmana cresce a cada ano. País onde a vaca é sagrada e a mulher ainda é inferiorizada e constantemente vítima de violência sexual.

Em 2008, assim como no Sri Lanka (que tem o budismo como religião predominante), uma série de ataques terroristas matou mais de 160 pessoas. Esses quatro dias de pânico são recontados no primeiro longa do diretor Anthony Maras, Ataque ao Hotel Taj Mahal (Hotel Mumbai, Austrália/Índia/EUA, 2018 – Imagem Filmes). A produção tem o ator britânico Dev Patel (estrela de Quem Quer Ser um Milionário, longa rodado em Mumbai e que estreou no cinema no ano do atentado) como protagonista e produtor executivo. Retrata o “11 de setembro da Índia” e entrou em cartaz no Brasil na última quinta-feira, um ano após o lançamento de outro filme sobre o tema, One Less God, também australiano.

O longa de Maras (premiado diretor dos curtas Azadi, de 2005, e The Palace, 2011, sobre o conflito Chipre-Turquia) foi lançado no festival de cinema de Adelaide, no final de março, em uma sessão emocionante que reuniu sobreviventes do atentado, entre eles o chef do Taj Mahal, Hermant Oberoi (interpretado pelo veterano ator indiano Anupam Kher), que ajudou a salvar centenas de hóspedes. Em entrevista à NBC News, Oberoi disse que a experiência de reviver o ataque foi visceral, sobretudo nas primeiras cenas de tiroteio.

E essa era a intenção de Maras: trazer a maior carga de verossimilhança possível e retratar o heroísmo de pessoas comuns diante do terror. Pessoas que, sem poderes sobrenaturais, escolheram arriscar a vida para salvar desconhecidos diante do abismo. Foram humanas, demasiadamente humanas.

É nítida a intenção do diretor australiano em chocar, expor a realidade, seja com o estampido dos tiros – nada artístico, sem uso de qualquer música clássica como em Apocalipse Now, de Francis Ford Coppola – ou em cenas em que as personagens precisam escolher entre permanecer no hotel para salvar outras vidas ou tentar escapar para reencontrar a família.

As cenas de tiroteio, aliás, parecem intermináveis. São tantos tiros de AK-47 que o espectador corre o risco de deixar o cinema com náusea e dores de cabeça. A sensação, porém, não chega aos pés de quem sofreu na pele uma situação limite de estar em meio a um massacre ao vivo.

O apocalipse de Atentado ao Hotel Taj Mahal já fica evidente no início com os contrastes de um país onde milhões de pessoas são indigentes; onde agricultores cometem suicídio todos os anos, e 40% das crianças com menos de cinco anos sofrem de desnutrição crônica.

Os dez terroristas paquistaneses chegam à cidade de barco, com suas mochilas nas costas e sempre seguindo instruções do líder que faz uma massiva lavagem cerebral. “You feel strong. There is no fear in your heart. You are like sons to me. I am with you. God is with you. Paradise awaits” (Você se sente forte. Não há medo em seu coração. Vocês são como filhos para mim. Estou com vocês. Deus está com vocês. O Paraíso espera). É como o líder terrorista profetizou: o mundo inteiro está vendo. E com as mídias sociais, o alcance das mensagens de intolerância religiosa fica cada vez mais potente.

O grupo se separa a fim de concretizar a sequência de ataques. Corta para a personagem de Patel: Arjun está num banheiro público e se arruma na frente do espelho. Sua filha, ainda bebê, está no chão sujo, chorando. Ele a pega no colo e segue para o trabalho da mulher porque não tem com quem deixar a criança. A esposa está grávida. Com o turbante sikh (que fortalece nosso deus interior), apressa-se para não chegar atrasado ao imponente hotel – uma construção de arquitetura gótica vitoriana que homenageia a umas das sete maravilhas do mundo. Lá ele trabalha como garçom. No caminho, perde um dos sapatos e, por pouco, não perde o emprego. Oberoi, seu chefe, empresta-lhe um par e Arjun precisa atender os clientes mancando.

O Taj Mahal é um paraíso. Ali o hóspede – estrangeiro, rico, fino, vip, famoso – é tratado como um deus. Toma banho na temperatura perfeita. Enquanto isso, em nome de Alá ou Allah (a palavra árabe que designa Deus), os terroristas dão cabo ao primeiro ataque, na estação de metrô, onde calcula-se que cem pessoas tenham morrido. O tiroteio é noticiado pela televisão mas os hóspedes que chegam ao Taj ainda permanecem alheios ao terror, jantando nos restaurantes de luxo do hotel. Como o casal formado pela indiana Zahra (Nazanin Boniadi) e o americano David (Armie Hammer), que viaja com o filho recém-nascido e a babá dele (Tilda Cobham-Hervey).

Depois do ataque a um restaurante na cidade, as vítimas sobreviventes correm desesperadas para buscar refúgio no hotel e os terroristas se infiltram entre elas. O luxo se transforma em inferno. O sangue, o suspense e o pânico se instalam.

Forças militares de Nova Delhi demoram horas para chegar e o staff do hotel e uma equipe de policiais locais tentam salvar os hóspedes como heróis. Os dedos massacrados pelo sapato apertado de Arjun não importam mais. A dor desaparece diante do caos, de um pesadelo real, da luta pela sobrevivência.  Aos tiros somam-se o choro do recém-nascido e a experiência de assistir ao filme torna-se torturante.

Maras tenta ainda humanizar os terroristas, como na comovente cena em que um dos atiradores telefona para a família perguntando se o dinheiro já havia sido enviado aos pais. O vilão é o herói da família. O terrorista, capaz de amar e matar o próximo em nome de Alá, chora diante de suas vítimas amordaçadas.

Como toda história baseada em fatos reais, o desfecho desse filme já é esperado, é conhecido. E, se depender da escalada do terror que só cresce no mundo, muitos outros finais como esse serão retratados no cinema. Quem sabe o próximo título do filme de Maras será Atentado ao Hotel Shangri-La.

Saiba mais

Documentário

Este atentado na Índia já rendeu algumas produções cinematográficas. Em 2009, foi lançado um documentário sobre a infiltrada dos jihadistas. “A maioria dos ataques terroristas duram segundos. Mas o ataque em Mumbai foi diferente”, assim começa a narração do documentário Surviving Mumbai, sobre o ataque. O país é o vice-campeão mundial de taxa de extrema pobreza (perdeu para a Nigéria em 2018, segundo o relatório da Brookings Institution) e está entre aqueles com maior número de ataques e vítimas de terrorismo em todo o mundo, depois de Iraque e Paquistão. O documentário foi lançado em 2009 e traz relatos de sobreviventes, como Oberoi.

Reconstrução

Vidas não podem ser “reconstruídas”. Espaços físicos, sim. Dois anos após o atentado, o jornal New York Times publicou matéria sobre a restauração de preciosas obras de arte indiana que o Taj Mahal abrigava em suas dependências, como no imenso lobby. O trabalho durou 21 meses. Quase 300 peças, entre elas quadros de importantes pintores indianos como Vasudeo S. Gaitonde e Jehangir Sabala, ficaram cobertas por fuligem e fungo. Para ler mais sobre isso clique aqui.

Conflito sem fim

Índia e Paquistão são hoje duas potências nucleares e disputam a região da Caxemira antes mesmo de se tornarem independentes do Reino Unido, em 1947. Na época, foi traçado um plano territorial apresentado pelo parlamento britânico e o governante local (isto é, o marajá) da Caxemira decidiu se anexar à Índia, dando início ao conflito interminável. A rivalidade é intensificada por conta da religião. Na Índia, o hinduísmo ainda predomina. Já os paquistaneses são muçulmanos.

Movies, News, TV

Oscar 2019

Oito motivos para você não se esquecer da cerimônia de entrega dos prêmios Academy Awards deste ano

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Texto por Abonico R. Smith

Foto: Reprodução

Queen

Muita gente pode ter se perguntado: o que diabos o Queen faria lá no palco do Dolby Theatre em Los Angeles na cerimônia do Oscar em 2019? Afinal, até então, o privilégio para a apresentação de números musicais ao vivo era dado somente às canções originais concorrentes na categoria. A dúvida se desfez logo após a primeira batida da noite deste 24 de fevereiro, dando abertura à festa. Sob o comando de Roger Taylor, o “tum-tum-tá” típico de “Will We Rock” colocou de pé as estrelas de Hollywood e todos os especialistas nos bastidores da sétima arte. Logo depois viriam Adam Lambert na voz e Brian May no matador solo de guitarra que conclui o arranjo. Era o Queen (ou o que sobrou dele; ou, para muitos, apenas um cover oficial da própria banda) abrindo alas para Bohemian Rhapsody brilhar na noite faturando o mais alto número de prêmios para um único filme (quatro, no total, incluindo o de ator para Rami Malek, no papel de Freedie Mercury). Logo em seguida, o trio Taylor-May-Lambert emendou a balada “We Are The Champions”, que, originalmente também vem na sequência de “We Will Rock You”, no álbum News Of The World). Jogo ganho. Não só in locomas também ao redor do mundo inteiro. Já que o Oscar quis fazer desta noite uma aposta mais popular e chamativa, conseguiu logo de cara. De quebra, o filme sobre Mercury e Queen ainda uniu novamente a dupla de Quanto Mais Idiota Melhor (Mike Myers e Dana Carvey, eternamente populares pela cena em que seus personagens batem cabeça no carro ao som da parte mais pesada de “Bohemian Rhapsody”) para fazer o anúncio do videoclipe que apresentava a obra como uma das indicadas ao prêmio máximo da noite.

Heróis e vilões

Muito de falou nas últimas semanas sobre quem poderia ser o apresentador oficial do Oscar. Contudo, nenhum ator ou comediante acabou fechando contrato para o papel de âncora. A Academia, então, anunciou que as aberturas dos envelopes seriam feitas por “heróis e vilões do cinema”. Contudo, quem esperava que alguém pudesse surgiu caracterizado com uniformes, roupas, cabelos e maquiagens típicas dos personagens encarnados nas telas, errou redondamente. Por conta de direitos autorais, isso não foi realizado. Entraram, sim, atrizes e atores vestidos formalmente (com exceção da dupla Melissa McCarthy e Bryan Tyree Henry, que partiram de vez pro escracho misturando exageros e símbolos referentes aos longas A Favorita e Pantera Negra). A “Rainha Anne” de Melissa estava com dezenas de coelhos adornando uma capa de cauda longuíssima, por exemplo. Um dos poucos momentos de humor debochado da noite. Valeu a pena.

Lady Gaga e Bradley Cooper

Já era prevista a vitória de “Shallow” como a canção original da temporada cinematográfica. Contudo, o número musical protagonizado pela dupla de atores de Nasce Uma Estrela foi comovente. A balada poderosa – que entre seus compositores, além da Gaga, tem o DJ e produtor Mark Ronson (responsável por muitos discos de primeira, entre eles Back To Black, de Amy Winehouse) e o guitarrista Anthony Rossomando (cujo currículo traz serviços prestados a excelentes bandas indie como Libertines e Dirty Pretty Things) – começou com um playback instrumental na medida para Gaga e Cooper soltarem o gogó de forma franca, sincera e emocional. De quebra, a cantora e atriz ainda tocou piano na parte final do arranjo. Como diz o Faustão, quem sabe faz ao vivo.

Spike Lee

Justiça foi feita a um dos diretores e roteiristas mais importantes do novo cinema autoral norte-americano das últimas décadas. Infiltrado na Klan, uma das obras mais interessantes desta temporada, concorria nas categorias filme, direção e roteiro adaptado. Pode ter perdido nas duas primeiras, mas pelo menos abocanhou uma “consolação de luxo” por contra a história do policial negro que consegue, do modo mais absurdo e inteligente possível, ser aceito nos quadros da organização fascista e racista que tocava o terror nos estados do Sul dos Estados Unidos até bem pouco tempo atrás. Vestido de chofer com a cor violeta dando o tom dos pés ao quepe, ele chegou no palco pulando no colo do apresentador Samuel L Jackson e ainda fez um belo discurso cheio de conteúdo sóciopolítico.

Olivia Colman

Quem também brilhou no discurso foi a atriz britânica Olivia Colman. Ou melhor, no não-discurso. Visivelmente transtornada de emoção e surpresa por ter superado “a favorita” (não dá para escapar do trocadilho infame!) Glenn Close na categoria, ela não sabia se falava, chorava, gaguejava ou mandava beijos para as concorrentes superadas. Com a estatueta na mão, protagonizou informalmente um dos mais espontâneos e engraçados momentos da cerimônia. De quebra quase se pôs de joelhos aos pés de Lady Gaga, que, sentada na fila da frente, retribuiu o carinho também de forma histriônica. E convenhamos: o trabalho de Colman como a Rainha Anne da A Favorita está espetacular. E nem é pela transformação física, de ter ganhado quinze quilos a mais para fazer o papel.

Pantera Negra

Antes de começar a cerimônia, o filme já havia quebrado uma escrita e entrado na História: foi a primeira produção baseada em um super-herói dos quadrinhos a concorrer à premiação máxima da noite. Se o drama com elenco negro e vivido quase que inteiramente na África (no fictício país de Wakanda) não foi agraciado como o melhor longa-metragem da noite, pelo menos saiu com três importantes prêmios técnicos: trilha sonora, figurinos e design de produção (categoria antigamente chamada direção de arte). Sinal de que uma produção caprichada nicho do grandioso público nerd pode, sim, rimar arte com altas bilheterias.

Alfonso Cuarón

Produtor, diretor, roteirista, fotógrafo. Alfonso Cuarón foi praticamente um faz-tudo nas funções mais importantes de Roma. Seu trabalho competentíssimo – e carregado de emoção e lembranças de sua vida na infância – garantiu a ele um excesso de bagagem para a volta para casa: faturou três estatuetas na noite, referentes às categorias filme em língua não inglesa, cinematografia e direção. Não levou a de melhor filme, é bem verdade, embora merecesse também. Entretanto, ninguém pode sair reclamando da falta de reconhecimento de seu múltiplo talento. Muito menos o México, o país onde nasceu. Afinal, a dinastia mexicana de direção no Oscar continua nas mãos de Cuarón, Iñarritú e Del Toro, vencedores dos prêmios nas últimas cinco edições.

Green Book

Como era de esperar, o filme mais mediano – e agradável à maioria das pessoas – foi agraciado com o prêmio principal da noite. Tocando de modo light na questão do racismo (a história se passa no início dos anos 1960, quando a luta pelos direitos civis nos EUA ainda não estava em momento explosivo e tenso) e também passando superficialmente por outros temos polêmicos, incluindo a homossexualidade, Green Book (esqueça o subtítulo pavoroso que o filme ganhou de sua distribuidora no Brasil) favoreceu-se do critério de votação dos membros da Academia. Vale lembrar que desde 2010, quando o número de concorrentes a melhor filme passou de cinco para até dez (são sempre oito ou nove, dependendo do coeficiente de corte na listagem apurada para o anúncio das indicações), todo votante precisa numerar esta lista de um a oito ou nove, segundo sua preferência pessoal. Portanto, aquela produção que fica ali no meio, entre segundo e quarto, justamente por ter o menor índice de rejeição, acaba sendo projetada no cômputo geral dos pesos e levando a estatueta. Foi o que aconteceu agora à história do branco bronco italiano de Nova Jersey que, por necessidade, durante algumas semanas do ano de 1962, trabalha como motorista de um renomado músico de jazz de Nova Yordurante uma turnê por cidades racistas ao sul dos Estados Unidos – e, ao fim da convivência cheia de diferenças culturais e ideológicas, um acaba sendo modificado pelo outro. Nada mais água com açúcar para agradar à maioria das pessoas. E, de quebra, Green Book faturou outros dois prêmios importantes da noite: roteiro original e ator coadjuvante (Mahershala Ali). Pode não ter sido o mais premiado na noite, mas saiu do Oscar 2019 como o principal filme da temporada pela importância das categorias.

VEJA OS GANHADORES DE CADA CATEGORIA

Filme: Green Book: O Guia

Direção: Alfonso Cuarón (Roma)

Atriz: Olivia Colman (A Favorita)

Ator: Rami Malek (Bohemian Rhapsody)

Canção original: “Shallow” (Nasce Uma Estrela)

Trilha Sonora: Pantera Negra

Roteiro adaptado: Infiltrado na Klan

Roteiro original: Green Book: O Guia

Curta-metragem de ficção: Skin

Efeitos visuais: O Primeiro Homem

Documentário em curta-metragem: Period. End Of Sentence

Animação em curta-metragem: Bao

Animação: Homem-Aranha no Aranhaverso

Ator coadjuvante: Mahershala Ali (Green Book: O Guia)

Montagem: Bohemian Rhapsody

Filme em Língua não inglesa: Roma

Mixagem de som: Bohemian Rhapsody

Edição de som: Bohemian Rhapsody

Fotografia: Roma

Design de produção: Pantera Negra

Music

Madonna

Sessenta curiosidades para marcar o aniversário de 60 anos da cantora, atriz e principal lançadora de tendências pop desde os anos 1980

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Texto por Flávio St. Jayme (Pausa Dramática)

Fotos: Reprodução

Neste dia 16 de agosto de 2018, Madonna Louise Veronica Ciccone completa 60 anos. Chega a essa idade, profissionalmente falando, solitária: Michael Jackson e Prince, que, assim como ela, nasceram em 1958 e formaram a trinca de maiores popstars da década de 1980 (os anos dourados do videoclipe), não estão mais entre nós. E ela é mais que uma cantora, é um ícone. Na música, na moda, na polêmica, tudo em que põe a mão estoura. É considerada a rainha do pop. Lança tendências e é copiada à exaustão.

O Mondo Bacana– em parceria com site Pausa Dramática – publica 60 curiosidades sbre Madonna para celebrar os seus 60 anos. De início estão, entre aspas, 25 fatos que a própria Rainha do Pop contou sobre si mesma ao jornal Boston Herald, em entrevista publicada em 2015.

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Na apresentação durante o Met Gala 2018

>> “A minha música favorita de meu repertório é ‘Bitch, I’m Madonna’, certamente. E a que menos gosto é ‘Material Girl’. Eu nunca, jamais, quero ouvir aquilo de novo!”

>> “A minha cidade favorita é Roma. É tão linda. A luz é calma e relaxante para mim, a arquitetura é esplêndida e a comida é incrível. Eu sou totalmente apaixonada por esse lugar.”

>> “Eu não suporto cogumelos. Ou escargot. Eca! É como uma gosma. Uma gosma cara!”

>> “A pessoa que eu mais idolatro é Paul Farmer. Ele é um médico e ativista que reconstruiu o sistema de saúde no Haiti mesmo antes do terremoto de 2010. Ele fez o mesmo em Ruanda.”

>> “A última vez que fiz compras no supermercado foi há um ano.”

>> “Eu não sinto falta de absolutamente nada sobre crescer em Michigan. Absolutamente nada.”

>> “A pessoa que eu mais quero conhecer é o presidente Obama. Quando é que vou conhecê-lo? Ele só precisa me convidar para a Casa Branca. Ele provavelmente pensa que eu sou muito provocadora para estar lá. Estou falando sério. Se eu fosse um pouco mais recatada… ou se eu estivesse casada com Jay Z. Ei, se o Jay Z me levasse lá como sendo sua segunda esposa, então eu com certeza teria um convite para me encontrar com o presidente.”

>> “A única coisa que jamais eu seria pega usando é um biquíni coberto de pele de algum animal.”

>> “Os momentos mais felizes da minha vida foram quando os meus filhos nasceram e quando me casei duas vezes.” (Nota: ela foi casada com o ator Sean Penn e o cineasta Guy Ritchie)

>> “Minha parte favorita no meu corpo são meus olhos. A parte que mais detesto são meus pés de dançarina. Eles são horríveis.”

>> “Eu descobri que casamentos só duram se você não dividir o banheiro. A melhor coisa de ser solteiro é que não há ninguém para te expulsar de seu banheiro quando você quiser privacidade.”

>> “A coisa que eu menos sinto falta em ser casada é ser chamada de “a esposa’. Essa é a pior.”

>> “Meu maior prazer na comida e o que faz engordar é pizza ou batata frita. Eu amo!”

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No clipe da música “Vogue”

>> “A última vez que eu fiquei em choque foi quando Alain Delon me ligou quando eu estava em Copenhagen durante a minha última turnê. Eu estava tentando levá-lo a fazer uma aparição no palco durante um pequeno show em Paris. Eu estava tremendo porque eu o amo! Eu nunca conheci o cara e só o conhecia de filmes. Ele foi a minha paixão adolescente. Foi patético.”

>> “Eu realmente não assisto a TV. Eu só gosto de duas séries – True Detective e uma irlandesa chamada The Fall – e eu não estou envergonhada em admitir. Muitas pessoas dizem ‘The Fall com Jamie Dornan’, mas eu digo ‘The Fall com Gillian Anderson’. Ela é tão boa.”

>> “A maior ambição da minha vida que eu ainda quero cumprir é o de ficar com o Drake. Mas apenas beijá-lo.”

>> “O momento mais embaraçoso da minha vida foi eu ter caído do palco, Deixe-me reformular isso… “sendo sufocada no palco por duas dançarinas japonesas no Brit Awards”. Foi extremamente embaraçoso!”

>> “A coisa mais linda que eu já vi foi a minha filha Lourdes tocando ukulele e cantando ‘La Vie en Rose’ para mim.”

>> “Meu ritual de beleza secreto é colocar gelo em meus olhos todas as manhãs. Ice, ice, baby!

>> “Falando nisso, se eu estivesse presa em uma ilha deserta com Vanilla Ice ou Dennis Rodman, eu iria escolher o Dennis. Ele tem melhor senso de humor. Além disso, ele pode sempre usar as minhas roupas.”

>> “A qualidade que eu mais detesto nas pessoas é fazer suposições. Não querem fazer a pesquisa, investigar ou fazer perguntas e apenas supõem algo. Ah, isso isso me deixa louca. Eu também não suporto quando estou falando com alguém e eles estão mandando mensagens de texto. Meus filhos fazem isso toda hora! Me faz subir pelas paredes! Eu coloco minha mão em seus telefones e acabo com o que eles estão fazendo.”

>> “Eu não posso dizer qual foi meu pior encontro com um namorado, mas houve muitos. Eu sou uma mulher do mundo, baby. Um atributo inegociável em um amante: ele não deve nunca querer ficar longe de mim por mais de duas semanas de cada vez.”

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No clipe da música “Like a Virgin”

>> “Eu sofro de claustrofobia. Eu não gosto de ficar preso em espaços pequenos e fechados ou em multidões. Isso me faz ficar alucinada.”

>> “Meu dia de folga ideal é passar o dia deitada na cama, o dia todo. Dormir por algumas horas, então acordar e assistir a filmes antigos, como o meu favorito Breathless. Adoro comer na cama, quando meus filhos vêm me ver e depois eu volto a dormir. Eu nunca gosto de sair do meu quarto.”

>> “As minhas memórias favoritas de Michael Jackson foram quando eu pedia para ele baixar a guarda e relaxar. Ele era tão tímido. O dia que eu quase consegui foi quando o deixei bêbado no restaurante The Ivy, em Beverly Hills. Eu estava dirigindo minha Mercedes e o desafiei para lançar seus óculos escuros para fora da janela. Não conseguia parar de rir.”

>> Madonna possui o mesmo nome de sua mãe, que é descendente de franco-canadenses. Ela herdou o sangue italiano da família de seu pai, Sylvio Ciccone.

>> Quando estava no colegial, uma colega de Madonna a filmou “fritando” um ovo em sua própria barriga.

>> A cantora é expert em yoga. Tanto é verdade que ela conseguiu mudar a profissão de sua personagem no filme Sobrou Pra Você. Originalmente, Abbie deveria ser uma professora de natação.

>> O álbum Like a Virgin, o segundo de Madonna, tornou-se o mais vendido nos Estados Unidos em 9 de fevereiro de 1985. Esta foi a mola propulsora definitiva de sua carreira.

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Como Evita Perón no filme Evita

>> Em seu aniversário de 47 anos, Madonna caiu de um cavalo e fraturou a clavícula, uma mão e três costelas. Ela estava estreando o presente dado pelo fotógrafo Steven Klein: um chicote de couro com suas iniciais.

>> O papel de Mulher-Gato interpretado por Michelle Pfeiffer em Batman – O Retorno deveria ter sido de Madonna. A cantora acabou perdendo a oportunidade porque fez uma lista imensa de exigências para participar da produção, o que aborreceu a equipe executiva.

>> Madonna comprou os três touros que aparecem no clipe da canção “Take a Bow”, de 1994.

>> Em 1994, Madonna participou do tradicional talk show americano Late Show, apresentado por David Letterman. Desbocada, a cantora pronunciou o palavrão “fuck” 13 vezes. Diante do fato, David Letterman comentou: “Você sabe que isso será transmitido, né?”

>> Apesar de ter alcançado o primeiro lugar da lista da Billboard uma semana depois de seu lançamento, o single “American Life” causou polêmica nos Estados Unidos. A cantora chegou a ser acusada de antiamericana porque falava sobre as repercussões e horrores da guerra no novo trabalho, lançado durante o conflito entre os Estados Unidos e o Iraque, ocorrido em 2003. Por causa disso, ela teve que reeditar o clipe da música às pressas. Ela também rebateu as críticas sobre seu posicionamento contrário à guerra dizendo: “Não sou anti-Bush, sou pró-paz”.

>> Madonna possui uma fortuna estimada em 400 milhões de dólares. Mesmo assim, precisou pedir dinheiro emprestado para pagar um sanduíche um dia. Ela estava em uma lanchonete em Londres, com os dois filhos e o então marido Guy Ritchie, quando percebeu que havia esquecido a carteira em casa. As moedas guardadas no bolso não eram suficientes para pagar a conta de 5,25 libras (cerca de 15 reais). O jeito foi apelar para duas jovens que comiam na mesa ao lado. As irmãs Mimi e Titi Negussie, que deram à cantora 2 libras (cerca de 5 reais), foram recompensadas com um cheque e um CD autografado.

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Look da turnê Virgin

>> O maior sonho da cantora pop, desde a infância, era ser bailarina. Ela, então, convenceu o pai a deixar que tivesse aulas e foi persuadida por Christopher Flynn, seu professor, para trilhar uma carreira na dança. Algum tempo depois, abandonou a faculdade e mudou-se para Nova York.

>> Conta-se que Madonna chegou a Nova York com apenas 25 dólares no bolso. Lá trabalhou como garçonete e faxineira no Dunkin’ Donuts e em outros estabelecimentos.

>> Madonna começou a trabalhar como dançarina de apoio para outros artistas consagrados. Envolveu-se romanticamente com o músico Dan Gilroy e, juntos, formaram sua primeira banda de rock, a Breakfast Club, na qual ela cantava, tocava bateria e guitarra.

>> Pouco tempo depois ela deixou a Breakfast Club e, junto de seu novo namorado, Stephen Bray, criou a Emmy. Porém, por causa de dificuldades financeiras, aceitou fazer hacking vocals para o cantor alemão Otto Von Wernherr. Assim, sua música impressionou o DJ e produtor Mark Kamins, que arranjou um encontro entre ela e o fundador da Sire Records, gravadora com quem assinou seu primeiro contrato.

>> Seu primeiro álbum foi lançado em 1983. Antes disso, ela já fazia sucesso com a música “Everybody”. O trabalho vendeu mais de dez milhões de cópias e alcançou o primeiro lugar das paradas de diversos países.

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No clipe da música “Material Girl”

>> Todo seu universo de início de carreira foi criado pela estilista e designer de joias Maripol e o olhar consistiu em tons de renda, saias sobre calças capri, meia arrastão, com joias de crucifixo, pulseiras e cabelos descoloridos.

>> Madonna é a cantora que mais acumulou prêmios na história da música. Já superaram a marca da terceira centena.

>> O clipe de “Material Girl” foi inspirado em uma cena do filme Os Homens Preferem as Loiras (1953), estrelado por Marilyn Monroe.

>> Madonna estreou como atriz no cinema com o filme Procura-se Susan Desesperadamente (1985) e também foi casada com o também ator Sean Penn. Entre os outros que participou estão Surpresa em Xangai, Quem é Essa Garota?, Dick Tracy, Uma Equipe Muito Especial e Evita – todos estes rodados e exibidos em um intervalo de apenas onze anos desde o primeiro. Ao todo, ela soma participação em vinte longa-metragens.

>> O papel de Evita Perón no musical Evita rendeu-lhe o Globo de Ouro, uma das mais importantes premiações do cinema.

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Duas páginas do livro Sex

>> Em 1992, Madonna lançou um livro de fotografias chamado Sex, no qual ela aparece nua em cenas de sadomasoquismo, voyeurismo e lesbianismo. A obra causou escândalo no mundo todo e ajudou a carreira da cantor: sua primeira edição esgotou em 48h. Em várias cidades do Brasil, pouqíssimas cópias importadas eram disputadas a tapa e folheadas por fãs curiosos em noites especiais promovidas em casas noturnas. No mesmo ano, Madonna lançou o disco Erotica, também com forte apelo sexual.

>> Além de cantora, dançarina e musa de várias gerações LGBT, Madonna também é escritora. Ela escreveu cinco livros. O primeiro foi um conto infantil chamado As Rosas Inglesas.

>> O filme Corpo em Evidência (1993), em que Willem Dafoe divide cenas quentes com Willem Dafoe, fez Madonna passar por um treinamento com uma dominatrix de verdade. A cena lendária da cera de vela foi improvisada.

>> O clipe de “Like a Prayer” é um dos mais polêmicos da cantor: cheio de imagens religiosas e sexualidade, que Madonna jura terem sido ideias da diretora Mary Lambert. O vídeo chegou a ser censurado pelo Vaticano.

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No clipe da música “Like a Prayer”

>> As cenas de “Justify My Love” foram consideradas quente demais até para a liberal MTV norte-americana, que não o exibiu. O mesmo aconteceria uma década depois, com o vídeo de “What It Feels Like For a Girl”, dirigido pelo então marido Guy Ritchie.

>> Já no caso do pesadíssimo “Erotica”, a MTV não quis tirar o clipe do ar por conta do enorme sucesso da artista na época. Entretanto, só o exibia após a meia-noite.

>> Madonna perdeu a virgindade aos 15 anos. Com a mesma idade teve sua primeira experiência homossexual.

>> Ela tem 1,64m de altura.

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No clipe da música “Justify My Love”

>> Também é diretora de cinema. Dirigiu em 2008 o longa Sujos e Sábios e em 2011 WE: O Romance do Século. Assinou também o roteiro deste último. WE foi indicado ao Oscar de melhor figurino em 2012.

>> Diz-se que WE perdeu a indicação na categoria de melhor canção (“Masterpiece”) porque Madonna não sabia da cláusula que obrigava a música a tocar durante o filme ou ser a primeira nos créditos finais. Mas a faixa concorreu na mesma categoria no Globo de Ouro. E venceu.

>> Madonna tem outras cinco indicações ao Globo de Ouro de melhor canção: “Die Another Day (007  Um Novo Dia Para Morrer), “Beautiful Stranger” (Austin Powers: O Espião Bond Cama), “I’ll Remember” (Com Mérito), “This Used To Be My Playground” (Uma Equipe Muito Especial) e “Who’s That Girl” (Quem é Essa Garota?).

>> Ela tem doze indicações ao Framboesa de Ouro, o prêmio dos piores do cinema. Destas, “venceu” sete vezes, entre elas como pior atriz por Destino Insólito (empatada com Britney Spears em Amigas Para Sempre), pior atriz por Sobrou Pra Você, pior atriz do século em 2000 e pior atriz por Quem é Essa Garota?.

>> Acessórios inusitados como uma cama no meio do palco e o famoso corselet de seios cônicos desenhado pelo estilista Jean Paul Gaultier para a turnê Blonde Ambition contribuíram para que os shows dela nos anos 1980 e 1990 reforçassem a liberdade de expressão e até mesmo o debate feminista.

>> Madonna possui treze álbuns de estúdio, três discos ao vivo, três discos de remix e seis compilações.

>> A cantor e atriz é prima distante de Gwen Stefani, ex-vocalista do No Doubt.

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Corselet criado por Jean Paul Gaultier para a turnê Blonde Ambition