Music

Los Hermanos

Oito motivos para não perder a nova passagem de Camelo, Amarante, Medina e Barba pela capital paranaense

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Texto por Janaina Monteiro

Foto: Caroline Bittencourt/Divulgação

Dez anos foi o tempo de ativa do Los Hermanos, desde a primeira aparição em festivais até o último show, feito em 2007, para a divulgação álbum 4. Foram apenas quatro discos de músicas inéditas, mas o suficiente para transformar o cenário da música popular brasileira e influenciar dezenas de bandas e artistas nacionais, que seguiram com a indisfarçável influência dos barbudos.

Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Rodrigo Barba e Bruno Medina formaram o Los Hermanos em 1997, no Rio de Janeiro, partindo de influências diversas, como marchinhas carnavalescas, bandas do underground brasileiro e do rock alternativo em voga no mundo naquela década. De toda essa mistura surgiu um som que flertou com os mais diversos ritmos, do ska (como no primeiro álbum) à bossa nova, da chanson francesa ao hardcore. Sempre com letras de amor caprichadas num português impecável.

O Los Hermanos não tardou a sentir o gosto especial do sucesso estrondoso. Tudo por causa de uma história de amor não correspondido: a canção “Anna Júlia”,  terceira faixa do álbum de estreia, que leva o nome da banda. O disco foi lançado em 1999, época em que a internet ainda engatinhava no Brasil e que para se projetar no mainstream musical ainda era preciso recorrer às grandes gravadoras e selos. Em 2005, ao atingir o ápice do sucesso, levando à lotação máxima as casas de show pelo país, a banda resolveu parar. Mas sem deixar os fãs órfãos, já que promovem reencontros esporádicos em pequenas turnês nacionais.

Depois de um hiato de quatro anos, Camelo, Amarante, Barba e Medina estão novamente tocando pelo Brasil. Essa volta traz um nuance especial, uma canção nova após 14 anos sem uma composição inédita. “Corre, Corre” segue no estilo e com o frescor de uma banda que, no início do século, peitou os grandes e mostrou que quem manda na vida do artista é ele mesmo, é a sua arte, é a sua vontade. E antes que aconteça o próximo recesso, o Mondo Bacana dá oito motivos para não perder o show desses barbudos grisalhos que já têm mais de duas décadas de história e passam por Curitiba no próximo dia 10 de maio.

O primeiro fenômeno da internet no Brasil

Antes mesmo de existirem redes sociais populares no país e plataformas de divulgação musical, como MySpace (2003), Orkut (2004) e YouTube (2005), a banda (então formada por Camelo e Amarante nas guitarras, Bruno Medina nos teclados, Rodrigo Barba, na bateria e Patrick Laplan no baixo) acompanhou a popularização da webem terras tupiniquins e multiplicou seu público em progressão geométrica. “Ô Anna Júuuuuliaaaaa”… No finalzinho do século passado, não havia um único ser vivo neste país que não conhecesse esse refrão da balada de sonoridade sessentista. Logo depois, o álbum Bloco do Eu Sozinho (2001) tornou-se febre entre os jovens brasileiros sem tocar suas faixas na mesma rotação de “Anna Júlia” e deixou vários clássicos que, até hoje, são exaltados e cantados em uníssono por todos os fãs em todos os shows.

Aversão a “Anna Júlia”

“Anna Julia (incorporada pela atriz Mariana Ximenes no clipe “adolescente” que não saía das paradas da MTV Brasil) deixou uma marca profunda na carreira da banda. A canção passou “de mão em mão”. Todo mundo a cantou ou gravou nos mais diversos estilos populares: axé (foi a música mais tocada no carnaval de 2000), samba, forró… Até que encontrou alguém “à sua altura”. Nada mais, nada menos que um beatle. O guitarrista do quarteto fantástico de Liverpool, George Harrison, pouco antes de morrer de câncer, gravou o hit cuja versão em inglês aparece no disco do músico britânico Jim Capaldi (que era casado com uma brasileira). Além da participação do autor de “Something”, a versão contou com Paul Weller (Jam, Style Council) no backing vocal e Ian Paice (Deep Purple) na bateria. Mas a obsessão nacional por “Anna Júlia” era tamanha que chegou à exaustão. Nos shows, a plateia chegava a implorar para que os barbudos a cantassem, mas eles se mantinham relutantes em eliminar a obra do repertório. As mais pedidas sempre eram “Pierrot” e, claro, “Anna Júlia”. E todo mundo voltava para casa sonhando em ouvir a música de novo através do Los Hermanos.

Little Quail & The Mad Birds

No começo da carreira do Los Hermanos, Camelo nunca escondeu seu fascínio pela primeira banda famosa de Gabriel Thomaz (há duas décadas liderando os Autoramas). Tanto que a famosa Anna Júlia é inspirada no Little Quail & The Mad Birds: uma baladinha power pop com verniz Jovem Guarda e melodia tremendamente grudenta. Camelo era fã de carteirinha do Little Quail e acompanhava os ensaios, shows e camarim antes de chegar à fama. Já o trio brasiliense lançou três álbuns entre 1994 e 1998, tendo sido o primeiro pelo selo Banguela, aquele que descobriu os Raimundos.

Bloco do Eu Sozinho

Como superar um primeiro disco com um poderoso hit que gerou 300 mil cópias vendidas? Invertendo a ordem das coisas. Quebrando tabus. Buscando a voz interior e sendo autêntico. Experimentando. A banda rompeu com “Anna Júlia”, uniu-se ao produtor Chico Neves (Lenine, O Rappa, Paralamas do Sucesso) e se mudou para um sítio na região serrana do Rio de Janeiro. O ar bucólico parece ter trazido o sopro de criatividade de que eles precisavam. Sem pretensão qualquer de criar outro hit, o Los Hermanos começou a compor. Nessa época, o baixista Patrick Laplan se desentendeu com a banda e deu adeus à formação oficial, que estabilizou-se como um quarteto. Com o lançamento de Bloco do Eu Sozinho, a banda mostrou novamente a que veio. O segundo álbum foi lançado em 2001 e trouxe elementos nada óbvios em sonoridade, ritmo, métrica, andamento, letras. Tanto que esse clima “libertário” trouxe certa resistência por parte dos executivos da Abril Music, que não receberam muito bem o disco, já que não havia um hit radiofônico em potencial para seguir a trilha de “Anna Julia”. “Hoje, com esses lances pré-apocalíptcos de qualidade total, há na lógica comercial essa história de atender a um público supostamente sentado em cadeiras, que vai preencher um formulário e definir o que vai ser o produto. Isso é burro, porque o público é formado a partir do que você propõe”, filosofava Amarante em entrevista à Folha de S. Paulo naquele ano. Depois que veio a esse público, Bloco… transformou-se em um marco da música brasileira mesmo não tendo sido um sucesso comercial (vendeu 35 mil cópias apenas). Só que era justamente isso que a banda vislumbrava. Afinal, este era um álbum totalmente diferente do que havia sido feito até então na música nacional, sem deixar de ser eclético e ter mistura de ritmos. O disco abre com “Todo Carnaval Tem Seu Fim”, que ganhou videoclipe todo filmado em plano sequência, e segue numa sequência de canções com Camelo e Amarante, com sua rouquidão suave e rebelde, fazendo revezamento nos vocais. Entre os destaque do repertório estão “A Flor” e “Sentimental” (composta por Amarante), uma das mais belas canções de amor da MPB. Uma longa turnê conseguiu manter a banda na ativa, gerando um público novo cativo e conferindo um certo ar cult ao grupo que iria perdurar até hoje.

Ventura

Desde o lançamento de Bloco do Eu Sozinho, a idolatria continuou a crescer em progressão geométrica. Basta lembrar os shows em Curitiba. Para lançar o álbum de estreia, Los Hermanos se apresentou no então Coração Melão (mesmo local que depois viria a se chamar Forum, Master Hall e, atualmente, Live Curitiba) e nem “Anna Júlia” conseguiu lotar o salão.  Com Bloco…, faziam shows para menos de mil pessoas, como quando se apresentaram nos também extintos bares Era Só o Que Faltava e Cine. Mas foi com o lançamento de Ventura, em 2003, que a banda explodiu de vez. O terceiro álbum de estúdio, produzido por Kassin, é considerado por muitos o principal de toda a carreira. Impecável do início ao fim, o álbum foi eleito como o melhor de todos os tempos num concurso promovido na internet. Desta vez, a banda, o produtor e o “time” dos metais se reuniram num sítio em Petrópolis, onde passaram os dias trabalhando na pré-produção. O modus operandido grupo foi registrado no documentário Além do Que Se Vê (disponibilizado no YouTube). É curioso ver a delicadeza e a sutileza de Camelo e Amarante durante o processo criativo. Quando os dois conversam sobre a faixa “Deixa o Verão Pra Mais Tarde”: “Você, quem? Verão? Verão não é você”, diz Amarante. Quando Camelo fica em dúvida se usava ou não determinada palavra na letra: “‘Dissabor’, vocês acham muito radical?”, questiona Marcelo, que se revela um dos maiores letristas da sua geração, sendo comparado a Chico Buarque. Ventura começa com “Samba a Dois” e guarda para o miolo os hits “Cara Estranho” e “O Vencedor, tocados massivamente nas rádios mais identificadas com o pop e o rock. O disco tem ainda canções que parecem hinos. Como “Conversa de Botas Batidas” e seu final apoteótico em coro, que é uma verdadeira ode ao amor (“Diz quem é maior que o amor/ Me abraça forte agora/ Que é chegada a nossa hora”).  Esse disco foi só o começo do fim. O quarto álbum de estúdio da banda, lançado em 2005, deixa explícita a diferença entre as composições de Camelo e Amarante. As letras do primeiro são mais melancólicas, mais intimistas. Já Amarante segue na linha oposta, otimista, como em “Paquetá”, “O Vento” e “Condicional”. Depois do estrondoso sucesso de Ventura, tornou-se um disco difícil de absorver, até mesmo para os fãs, que lotaram o Teatro Guaíra em sua capacidade máxima no show da turnê em Curitiba. A última faixa, “É de Lágrima”, encerrava ali a carreira de dez anos.

A música inédita

Que o Los Hermanos se reúne a cada três anos em média para rodar algumas capitais do país e reativar a marca valiosa, isso todo mundo já sabe. Mas a diferença é que agora há de fato uma música inédita no repertório depois de 14 anos. “Corre, Corre” foi composta por Marcelo Camelo e gravada no final de março. Disponível desde o primeiro dia de abril no YouTube, o áudio da canção já ultrapassou os 600 mil acessos.

Carreiras solo bem-sucedidas

Quando a banda se separou, Amarante dedicou-se à Orquestra Imperial (da qual já fazia parte no tempo do Los Hermanos) e foi passar uma temporada em Los Angeles onde acabou fixando residência. Lá, formou o trio Little Joy com o baterista do Strokes (banda da qual era fã), o brasileiro Fabrizio Moretti, e a multi-instrumentista Binki Shapiro. “Ruivo” e Moretti se tornaram parceiros e depois membros da banda de apoio de Devendra Banhart. O Little Joy lançou apenas um álbum, em 2008, com sonoridade que lembra a surf music vintage. Em 2013, Amarante lançou-se carreira solo com o álbum Cavalo. Em 2018, gravou “Tuyo”, tema da série Narcos (2015), da Netflix. Neste ano, enquanto o Los Hermanos se apresenta em turnê nacional, Amarante aproveita para fazer alguns shows intimistas com canções de sua carreira solo. Já Marcelo Camelo lançou dois álbuns solo, Sou(2008) e Toque Dela (2011) com o cultuado sexteto Hurtmold como banda de apoio. Em 2014, ele se mudou para Portugal, onde formou a Banda do Mar ao lado da cantora, esposa e mãe de sua filha Mallu Magalhães mais o percussionista lusitano Fred Ferreira. O trio produziu baladas como “Dia Clarear” e a pérola dançante “Mais Ninguém”. No ano passado, Camelo decidiu se aventurar pelo erudito e lançou um disco de música clássica com os trinta minutos de sua “Primitiva”, uma sinfonia em quatro atos.

O show no Maracanã

A apresentação em Curitiba vem na sequência da memorável apresentação no Maracanã, onde a banda realizou um sonho e tocou para mais de 42 mil pessoas. Este show do Rio de Janeiro foi transmitido ao vivo para todo o Brasil pelo canal Multishow e vai entrar para a história a banda, que estava um pouco tensa por causa do desafio e enfrentou pequenos imprevistos no decorrer do concerto, como problemas técnicos com a guitarra de Marcelo Camelo. Enquanto isso acontecia, Amarante tentava improvisar ao microfone falando com o público. Mais para o final, ele foi “pra galera”, quando cantou junto aos fãs da fila do gargarejo. O set list irretocável se mantém durante a turnê. Agora, é só esperar pela nova catarse na capital paranaense. O quarteto encerra a turnê no dia 28 de maio, em São Paulo.

Music, News

Popload Festival 2018

Blondie e Death Cab For Cutie vêm pela primeira vez ao Brasil; Lorde, MGMT e At The Drive-In também se apresentarão no evento

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Texto por Abonico R. Smith

Fotos: Divulgação/Reprodução

A tarde desta segunda,19 de março, foi de agitação entre os fãs do indie rock no Brasil. O Popload Festival anunciou de uma tacada só o line-up da edição de 208 deste que é o único remanescente dos grandes festivais alternativos brasileiros do segundo semestre. Nesta temporada, vários dos nomes chamam a atenção, o que promete fazer da tarde e noite do feriado de 15 de novembro uma série de momentos inesquecíveis.

Aproveitando a ocasião, o Mondo Bacana faz uma análise do que promete cada um dos shows deste próximo PF, que mais uma vez ocupará o espaço do Memorial da América Latina, no bairro da Barra Funda (bem ao lado da estação de metrô do mesmo nome), cidade de São Paulo.

LORDE

É muito raro um artista do segmento pop/rock pode ser visto por uma plateia brasileira no auge de sua carreira. Esta garota neozelandesa integra este seletíssimo grupo. Depois da fenomenal estreia, que emplacou o hit mundial “Royals”, ela levou quatro anos para lançar o tão esperado segundo álbum. Melodrama chegou em 2017 para espantar a expectativa de quem achava que o sucesso seria fogo-de-palha Incluído em quase todas as mais importantes listas dos melhores discos do ano passado, o trabalho reafirma a verve de boa letrista da moça e ainda conduz o ouvinte a uma série de pensamentos confessionais e reflexões acerca das dores e sofrimentos de uma adolescente alçada ao megaestrelato de uma hora para outra e que tem que aprender com a famigerada come of age bem mais cedo do que previa. De quebra, ainda aprofunda a música de Lorde a uma ambi6encia mais experimental e menos pop do que no álbum anterior.

Veredito: show imperdível, ainda mais por se tratar do único em toda a América do Sul em 2018.

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BLONDIE

Cânone da new wave norte-americana que inexplicavelmente nunca havia vindo tocar no Brasil em quase cinco décadas completas de carreira. A turnê baseada no mais recente álbum, Pollinator, vem para corrigir este atraso histórico e até então imperdoável para os fãs da trupe comandada pela eterna sex-symbol do underground Debbie Harry. Mas não se engane com o set list: uma ou outra faixa do novo disco serão incluídas lá, claro. O grosso, porém, fará um belo passeio pela galeria de hits da banda. “One Way Or Another”, “Maria”, “Atomic”, “Heart Of Glass”, “Rapture” e “Dreaming” são exemplos de canções que nunca deixam de ser tocadas em quaisquer apresentações do sexteto, que hoje conta com apenas três integrantes da formação original: a vocalista, o guitarrista Chris Stein e o baterista Clem Burke.

Veredito: depois de quase meio século será imperdoável deixar de ver o Blondie em ação em solo brasileiro, mesmo que a idade dos integrantes já comece a pesar sobre os ombros.

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MGMT

E já se vai uma década do tempo em que a dupla de amigos de faculdade Ben Goldwasser e Andrew VanWyngarden irrompeu no cenário alternativo com uma bela proposta de unir o psicodelismo californiano ao pop eletrônico. Contando com um arrasador trabalho de estreia, do qual saíram os ainda hoje hits “Time To Pretend” e “Kids”, o MGMT tornou-se ícone da imprensa alternativa e dos fãs dos bons sons, mesmo se arriscando em trabalhos mais complexos, confusos e difíceis de digerir na sequência discográfica. Em fevereiro deste ano, porém, a dupla lançou Little Dark Age, seu quarto álbum, simulando a intenção de retorno à sonoridade de seus primeiros anos. As melodias não são tão poderosas quanto as de outrora, mas pelo menos a dupla mantém um pé bem fincado nos sons sintetizados de teclados e bateria que marcaram a primeira metade da década de 1980, o que pode estimular quem gosta de qualquer resquício de pós-punk nas bandas de hoje.

Veredito: assistir a um show do MGMT é sempre uma incógnita, já que a performance entregue no dia pode ir do fascínio completo ao tédio mortal, o que bem provou a participação da dupla em duas edições do Lollapalooza Brasil. De qualquer forma, vale a pena arriscar por causa qualidade do primeiro e do mais recente álbum.

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AT THE DRIVE-IN

Entre 1994 e 2001, este grupo texano arrebentou no circuito alternativo, com shows disputadíssimos e três ótimos discos. Depois seus integrantes passaram a se dedicar a projetos paralelos (como o Mars Volta e o Sparta) até que voltaram a reunir no ano passado, para a gravação e o lançamento do álbum, mais a proposta de retomar a carreira deste que é um dos ícone do chamado post-hardcore. O que para os fãs da união de potentes vocais ora cantados ora berrados, guitarras pontiagudas e batidas quebradas se tornou uma noticia a ser bastante celebrada.

Veredito: se em disco o som já é uma pancada só, ao vivo o ATDI costuma ser ainda mais arrebatador. Ainda mais pela performance de entrega total do vocalista Cedric Bixler-Zavala, que costuma fazer malabarismos segurando o microfone no palco.

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DEATH CAB FOR CUTIE

Formado em 1997, quando o rock alternativo já estava em baixa nos EUA, o DCFC soube enfrentar a maré contrária e já em seus primeiros anos conquistou seu espaço definitivo na galeria das grandes bandas norte-americanas daquele período. Tudo por causa do carisma do vocalista Ben Gibbard (que não tardaria ase casar com uma musa do alt-rock, a também atriz Zooey Deschanel) e o talento versátil em vários instrumentos de Chris Walla. Passadas duas décadas, o DCFC mantém-se firme e forte na carreira, com uma sólida e extensa discografia (oito bons trabalhos) e já sem Walla na formação. Kintsugi (2015) é o mais recente trabalho fonográfico e chegou a ser indicado ao Grammy, o que significa pertencer de vez ao mainstream da ndústria da música. Mesmo assim, Gibbard e sua banda nunca haviam tocado no Brasil.

Veredito: O grupo faz a linha cancioneiro pop discreto e com ligeiro verniz alternativo. Suas performances são competentes mas, para quem não é muito fã, podem soar repetitivas e monótonas.

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MALLU MAGALHÃES & TIM BERNARDES

Pela primeira vez juntos, os dois farão um show exclusivo para o festival. Ambos vêm na esteira de lançamento de discos, ele o primeiro de sua carreira solo, todo executado e gravado de maneira solitária, sem a ajuda de ninguém. Mallu faz linha mais emotiva e confessional nas suas letras. Já Tim, distante dos companheiros do Terno, adotou uma postura mais íntima e pessoal, tanto no formato musical quanto nos versos.

Veredito: Mallu já participou de um projeto de criação colaborativa, com o marido Marcelo Camelo, sob o nome Banda do Mar. Tim sempre tocou em banda mas sendo a cabeça pensante central. Talvez os dois rendam uma boa mistura nesta tarde na Barra Funda.

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LETRUX

Leticia Novaes era a metade cantante da dupla/casal Letuce até a parceira com Lucas Vasconcelos se desfazer por inteiro. No ano passado ela lançou-se em carreira solo sob o nome de Letrux, ganhando altos elogios da imprensa nacional e já engatando novas colaborações com outras cantoras, como Marina Lima, Ana Claudia Lomelino e Martha V. Os arranjos se dividem entre o flerte com as pistas de dança e o intimismo pós-relacionamento.

Veredito: Levar um bom disco para um palco não depende apenas do talento de artista e da qualidade das canções. Requer também a confluência de uma boa escalação de horários e shows no mesmo local, ainda mais em se tratando de um festival. Corre o rsico de ser um ótimo show visto por muito pouca gente ou ainda ser ignorado por boa parte de quem estiver por lá, mais interessado em ver as atrações estrangeiras posteriores.

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