Music

Metronomy

Oito motivos para não perder o show do quinteto inglês que, para muitos, tem a cara e a alegria do verão em seu synthpop

metronomy2019MB

Texto por Janaina Monteiro

Foto: Divulgação

Fundado há vinte anos, o Metronomy chega ao Brasil com seu synthpop alegre e irresistível e que, para alguns, é a cara do verão que está quase aí. Joseph Mount (voz, guitarra e teclados), Oscar Cash (teclados e saxofone), Gbenga Adelekan (baixo), Michael Lovett (teclados e violão) e Anna Prior (bateria) prometem agitar a noite de quatro capitais do nosso  país com seus sintetizadores, grooves, melodias grudentas e uma soma de estilo e irreverência na mise-en-scène. No Brasil, serão quatro apresentações dentro do projeto Popload Gig: São Paulo (dia 7 de dezembro, na Audio), Curitiba (dia 9, na Ópera de Arame), Rio de Janeiro (dia 11, no Sacadura 154) e Porto Alegre (dia 13, no Opinião). Mais informações sobre os estes concertos você encontra, respectivamente, aqui, aqui, aqui e aqui.

O quinteto traz para cá o show baseado em seu novíssimo disco, Metronomy Forever, lançado em setembro ultimo e que vem sendo apresentado pela Europa. No set list, claro, não faltarão sucessos dos álbuns anteriores. Como “The Look”, “Love Letters” e “The Bay”.

Abaixo, o Mondo Bacana lista oito motivos para você passar até a semana que vem dançando com os ingleses. Especialmente se você morar ou estiver na capital paranaense na próxima segunda, onde o grupo toca pela primeira vez.

Ligação com o Coldplay

A banda britânica lançou seis álbuns de estúdio (o primeiro é de 2006) e já se apresentou quatro vezes no Brasil. O Metronomy se formou em 1999 em Devon, região onde também nasceu o vocalista do Coldplay. Aliás, em passagem pelos Estados Unidos, os conterrâneos chegaram a excursionar com a banda de Chris Martin.

Nome de batismo

Joe Mount batizou a banda de Metronomy porque achou o nome interessante e que seguia na mesma linha de bandas como Autechre e Funkstorung. A palavra significa metrônomo, equipamento que músicos utilizam para marcar as batidas do compasso e é importante para aguçar a precisão rítmica dos mesmos.

Balada na segunda-feira

Quantas vezes você já saiu de casa na noite de uma segundona? Então, o show do Metronomy é uma ótima oportunidade para se divertir em pleno iniciozinho de semana. Além disso, a performance será na Ópera de Arame, cartão-postal de Curitiba que costuma deixar artistas gringos que ali se apresentam de queixo caído. E mais: depois do concerto, o baixista da banda mais a vocalista do CSS, Lovefoxxx, atacarão de DJs e transformarão o espaço num grande dancefloor.

Dança sem culpa

O mundo está em ruínas. Você liga a televisão, ouve rádio ou se conecta à internet e só vê tragédia sendo noticiada. Esse, então, é outro bom motivo para você ir ao show do Metronomy e se acabar de dançar ao som dos britânicos, famosos no mundo inteiro pelo hit “The Look” – cujo clipe já passa de 40 milhões de visualizações no YouTube. Bora curtir a sonzeira e esquecer as dores do mundo por quase duas horas?

Respeito na cena indie

Nos últimos treze anos, o Metronomy se estabeleceu como uma das mais interessantes e respeitadas bandas da cena indie mundial, tendo sido destaque em críticas e matérias de publicações como a NME, o Guardian e a DIY.  O quinteto ainda se apresentou na BBC Radio 1, no lendário programa Later With Jools Holland da BBC 2 e fez concertos de ingressos esgotados nos palcos da Brixton Academy, Somerset House e Royal Albert Hall. Espera que ainda tem mais: a banda foi headliner do Park Stage no mais cultuado festival musical europeu, o Glastonbury.

Parceria famosa

A banda teve o charmoso e fofíssimo clipe de “Love Letters” dirigido pelo cultuado Michel Gondry. O farncês é um dos nomes mais famosos do cinema pop dos anos 2000 e assinou logas-metragens como Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e Rebobine, Por Favor.

Lançando moda

O quinteto gosta de lançar moda e já trabalhou com o estilista alemão Karl Lagerfeld, diretor da Chanel falecido neste ano. Também criou uma garrafa de cerveja (!!!), em parceria com a Heineken.

New wave revival

O show é para os fãs de synthpop, subgênero da new wave e que, como o próprio nome diz, é marcado pelos sintetizadores em substituição às guitarras no comando dos arranjos. Um dos embriões deste estilo foram os discos e concertos da banda alemã Kraftwerk lançados nos anos 1970. No Reino Unido, berço da Metronomy, o synthpop surgiu na era pós-punk do final da mesma década e se estendeu como febre até meados dos 1980, quando despontaram bandas como New Order, Soft Cell e Depeche Mode. Se você curte nomes mais recentes como Hot Chip, Ladytron e Cut Copy, então vale (e muito!) a pena conhecer o trabalho de Mount e sua turma.

Movies

Nasce Uma Estrela

Nova versão de clássico hollywoodiano traz megalomania, boa atuação de Lady Gaga e ego inflado de Bradley Cooper

nasceumaestrela2018b

Texto por Abonico R. Smith

Foto: Warner/Divulgação

Esta já é quarta vez que se leva a mesma história às telas: uma espécie de cinderela da fama, moça zé-ninguém conhece astro do entretenimento, ambos se apaixonam, ele dá um empurrão significativo para a carreira dela começar, a carreira dela deslancha enquanto a dele afunda por excessos constantes e vícios que prejudicam a sua saúde. Já foi assim nos anos 1930, 1950 (com Judy Garland), e 1970 (com Barbra Streissand). Agora chega aos cinemas com a mesma estrutura, mas de forma mexida e remexida quanto a seus personagens. E com Lady Gaga fazendo o papel principal.

Na atual versão Nasce Uma Estrela (A Star Is Born, EUA, 2018 – Warner), ela é Ally, descoberta por um dos mais renomados cantores e compositores da atualidade enquanto faz a Edith Piaf em um pequeno bar gay da California. Ele vai parar lá acidentalmente. Depois de comandar um grandioso show no festival de Coachella com a sua  banda, pede para seu motorista particular parar em frente a uma biboca porque a garrafa da bebida que trazia dentro do carro já foi devidamente secada no caminho de volta. O resto é romance que comove e encanta Hollywood por quase um século. Com direito muito flerte entre o casal seguido da alternância de momentos de alegria, romance, festa, drama e apreensão. Com cenas filmas em estúdios de gravaçãoo, grandes festivais anglo-americanos (além do início, em Coachella, quem é do meio da música pop também identifica Austin City Limits e Glastonbury em cenas rápidas)

A versão com Gaga guarda muitas semelhanças com o longa anterior, com Stressiand como a protagonista. A principal delas é a de que parceiro é um grande ídolo pop, que flutua entre os mares da country musice da chamada AOR (“adult-oriented”), uma espécie de música pop para adultos, com refrãos chiclete e letra para fazer despertar, em soluços, lágrimas copiosas e faniquitos intermináveis, o fã emo que existe dentro de um que já passou e muito da adolescência. No filme de Barbra quem faz par com ela é um conhecido cantor do mesmo ramo, Kris Kristofferson, que de vez em quando fazia uns trabalhos como ator. Aqui é justamente o inverso: quem interpreta Jackson é um ator, Bradley Cooper que mostra se sair bem ao cantar e tocar instrumentos como guitarra, violão e piano em diversos momentos.

Só que aí entre das questões cruciais do filme. Cooper não é somente o ator principal do filme. Ele assina também o roteiro e a direção, sua primeira incursão na função. É aqui que a porca torce o rabo. Porque quase sempre Jack é mostrado de forma tão ou mais importante que Ally na construção da história. Tudo se passa pelo ponto de vista dele, tanto que várias vezes a câmera passeia pelo meio da ação como se o espectador estivesse observando o que ele observaria – mesmo quando o personagem aparece na cena. Kristofferson não tem tanta relevância assim no drama da namorada no outro filme, Aqui, sim. Jackson é, por vezes, até mais relevante que ela, tanto o fim de sua história particular ganha contornos ainda mais dramáticos. Nota-se que Cooper construiu a trama para equilibrar os papeis e, assim, quem sabe, abocanhar um pouco de prêmios e indicações no final desta temporada.

De Gaga, então, nem é necessário falar o quanto de sua ambição ao encarar este filme. Depois de ganhar o Globo de Ouro como atriz de série, ela escancara uma enorme porta no cinema. Assim como sua mestra e predecessora Madonna, revela que a dramaturgia está no seu sangue muito mais do que os papeis que representa em palcos, clipes e entrevistas que dá como popstarda música. É tão boa atriz quanto cantora, revela sua polivalência. E tem o trunfo de mostrar-se de cara limpa, sem roupas estrambólicas, sem makesexagerados, aproximando bastante da Stefani Germanotta que existe por trás da alcunha que a tornou mundialmente famosa há exatamente uma década. É Ally que é a Stefani e a Stefani que é Ally. Confere mais verossimilhança e credibilidade à personagem. Ponto positivo para a cantora.

O grande problema desta obra, no entanto, não se refere nem a Gaga nem a Cooper. Ele aparece logo de cara, antes de mesmo da primeira imagem da história. É a coprodução assinada pela Live Nation, gigantesca empresa do entretenimento, dona dos principais festivais de música pop da atualidade, nome ativo por trás de turnês mundiais, discos e carreira de muito peixe grande do meio, Madonna e Gaga incluídas. Aí se entende a grandiloquência de algumas cenas. Não somente vários grandes eventos musicais ao ar livre são recriados, inclusive para alguns números musicais de longa duração, como ainda há uma sequência inteira feita para simular a entrega de um prêmio Grammy. É um longo exercício (mas longo mesmo, com 136 minutos) de apologia ao poder da megalomania na indústria da música.

Não basta ter fama: aqui o negócio precisa ter escalas monumentais. É aqui que este Nasce Uma Estrela escorrega feio. Poderia ser um grande filme em menores proporções, inclusive na duração. Todavia, retrata bem os tempos atuais, onde mandam o ego das pessoas e o poder global das corporações.