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John Wick 3: Parabellum

Terceiro capítulo da saga quadrinesca protagonizada por Keanu Reeves entedia mesmo com as ótimas cenas de ação

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Texto por Leonardo Andreiko

Foto: Paris Filmes/Divulgação

Um Duro de Matar com cenas de ação melhores. Foi assim que descreveram a série John Wick para mim, semanas antes de assistir a Parabellum, a terceira narrativa do universo quadrinesco estrelado por Keanu Reeves. A saga chega com fôlego em seu novo capítulo, mantendo-se firme na bilheteria dos dois predecessores.

Desta vez, a trama de Derek Kolstad, roteirizada com mais três colaboradores, revolve em torno da tentativa de fuga de Wick, excomunicado e com uma recompensa multimilionária em sua cabeça, requisitando a ajuda de Winston (Ian McShane) e seu hotel – que entra em choque com a Alta Cúpula. A princípio, uma preguiçosa desculpa para cenas de ação ininterruptas. E é, de fato. Por mais que quatro pessoas tenham trabalhado no roteiro, ele soa incompleto ao longo do filme, sem coesão entre suas sequências, simples e confuso (por mais paradoxal isso soe!) demais.

O ponto alto de John Wick 3: Parabellum (John Wick: Chapter 3 – Parabellum, EUA, 2019 – Paris Filmes), no entanto, funciona bem. As sequências de ação são muito bem gravadas – um ótimo trabalho do diretor Chad Stahelski, que trabalhou como dublê antes de assumir o controle de John Wick (2014). A inventividade da ação é seu estrelato, capaz de manter o espectador focado. Até certo ponto, pois Stahelski ainda deixa sua inexperiência latente, oscilando muito quando não dirige tiros, socos, pontapés e cachorros (que estrelam uma das melhores cenas de Parabellum). Ainda mais, o longa força tantas cenas de ação sem progressão narrativa entre si que se torna fortemente maçante. Além de muitas, todas são longas, sem verossimilhança. Afinal, é comum um dublê lutar, estocado com facas, como se estivesse 100%.

Desta forma, sem amparo do roteiro, o elenco não trabalha bem. Por mais denso o universo, seus personagens são rasos e unidimensionais. McShane não empolga, tal como a vilã de Parabellum, a Adjudicadora, interpretada por Asia Kate Dillon. Laurence Fishburne e Lance Reddick reprisam seus papeis com eficiência, enquanto Mark Dacascos interpreta o vilão físico (aquele que o protagonista deve derrotar em uma longa cena de ação, clímax do filme), Zeros, tão raso quanto os demais. Reeves, estrela do filme, apresenta carisma e entrega similares às que mostrou em Cópias – De Volta a Vida. Isto é, nada.

O design de som é ineficiente, cuja trilha sonora parece uma coletânea de temp score. Um grande problema é a plasticidade repetitiva do foley (camada de som digital que compreende interações, passos e roupas), em especial de seus socos e chutes. A fotografia, no entanto, é brilhante. Além de harmonizar muito bem com a direção nas cenas de ação, o trabalho de Dan Lautsten, que fez A Colina Escarlate e A Forma da Água, ambos dirigidos por Guillermo Del Toro, é incrivelmente inventiva, brincando com reflexos, paletas fortes e muita mobilidade de câmera.

Mais um filme puramente escapista, John Wick – Capítulo 3: Parabellum é entediante e escancara seus diversos problemas. Ainda assim, suas dinâmicas lutas são um prato cheio para fãs do gênero, consolidando-se no nicho que ocupa com maestria cinematográfica. Mérito maior de Lautsten que de Stahelski.

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Escape Room

Aventura de escape de salas fechadas através de pistas escondidas chega às telas em história que não empolga

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Texto por Leonardo Andreiko

Foto: Sony Picutres

A premissa de Escape Room (EUA/África do Sul, 2018 – Sony Pictures) é simples convenção de gênero: desconhecidos entre si são postos à prova, lutando contra a morte. Seus personagens são ainda mais convencionais, mantendo-se em seus estereótipos durante todo o longa. Quase dois anos após o último episódio de Jogos Mortais (que obteve críticas decepcionantes), parece conveniente repetir a fórmula bilionária, mesmo que ela já tenha saturado o suficiente. Uma ideia que, mercadologicamente, teria tudo para dar certo.

Mas não dá. A direção de Adam Robitel, que fez Sobrenatural: A Última Chavee escreveu Atividade Paranormal: Dimensão Fantasma, leva o filme a caminhos já trilhados à exaustão, abusando de convenções de gênero para construir algo previsível. Aqui, os seis protagonistas (apenas dois homens brancos, demonstrando uma feliz inclusão) devem sobreviver a desafiadoras Escape Rooms, jogos imersivos onde você precisa encontrar pistas para escapar de salas. Neste caso, porém, cada local brinca com os traumas de cada personagem, uma escolha clichê que poderia abrir portas para a construção de personagens. O mistério por trás da corporação apontada como a grande vilã do filme quase funciona, mas se desmantela num terceiro ato decepcionante, que desconstrói todos os pontos altos do longa-metragem.

São poucos os destaques, na verdade. O design de produção é bom, criando salas repletas de detalhes, porém é pouco aproveitado pelo roteiro, que busca soluções óbvias para seus puzzles e não se esforça em imergir o espectador neles; O elenco tem nomes competentes, como Deborah Ann Woll e Jay Ellis, porém ofuscados pela falta de construção de personagens da trama.

Sem empolgar nas cenas de ação, apostando em montagem confusa e em uma trilha sonora maçante trabalhada por um desenho de som igualmente confuso, Escape Roomé deaques filmes com nada a dizer. O único objetivo é o escapismo, mas nem isso diverte o espectador, já que cai para uma experiência monótona e forçada.