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Chadwick Boseman

Oito filmes da breve porém marcante carreira do ator que interpretou no cinema o cantor James Brown e o super-herói Pantera Negra

Texto por Janaina Monteiro

Foto: Getty Images/Jeff Kravitz/Reprodução (Oscar 2019), Disney/Divulgação (Pantera Negra) e Universal Pictures/Divulgação (Get On Up: A História de James Brown)

Se existe um ator que conseguiu transcender suas personagens, o nome dele é Chadwick Boseman. Um super-herói real, de carne e osso, que não esmoreceu diante de uma notícia devastadora que lhe custaria a vida e lutou até o fim contra seu arqui-inimigo mais poderoso: o câncer no cólon diagnosticado em 2016. Nem mesmo o Pantera Negra dos filmes da Marvel poderia derrotar um tumor potencialmente maligno, de estágio 3. Se pouco dava para ser feito no combate à doença, Boseman não se deixou abater pelo sofrimento e evocou o poder sobrenatural de todos os guerreiros interpretados por ele ao longo da carreira para seguir sua jornada, intercalando o tratamento invasivo com as filmagens. Tanto é que o ator deixou um trabalho póstumo: o longa Ma Rainey’s Black Bottom, produzido por Denzel Washington, em que Boseman faz um trompetista e contracena com Viola Davis, na pele de uma cantora de blues.

Triste mesmo ficou o mundo dos pobres mortais nesta noite de 28 de agosto, uma sexta-feira, quando a família do ator (que também era roteirista) emitiu um comunicado no Twitter, revelando o fim da batalha. Assim estava escrito: “Um verdadeiro lutador, Chadwick perseverou até o fim, e trouxe muitos dos filmes que vocês tanto vieram a amar. De Marshall: Igualdade e Justiça a Destacamento BloodMa Rainey’s Black Bottom e tantos outros, todos foram filmados durante e entre incontáveis cirurgias e quimioterapia. A honra de sua carreira foi dar vida a King T’Challa em Pantera Negra”. 

Nas redes sociais, parceiros dos filmes dos Vingadores reverenciaram-no como rei, entre eles Mark “Hulk” Ruffallo, a quem a perda do amigo se acumulou de modo profundo com as tragédias deste ano. “Que homem, que imenso talento. Irmão, você foi um dos melhores de todos os tempos e sua grandeza estava apenas no começo”, lamentou.

Em homenagem a Boseman, o Mondo Bacana lembra oito destaques da breve porém marcante carreira do ator, falecido aos 43 anos de idade.

Pantera Negra (2018)

O papel do primeiro super-herói negro criado pela Marvel tornou Boseman conhecido mundialmente. Após a morte do pai, T’Challa retorna a Wakanda para ser coroado como príncipe herdeiro. Pantera Negra foi muito elogiado pela crítica e pode ser considerado um marco na história do cinema, por trazer um longa com elenco afro-americano. O personagem apareceu também em Capitão América: Guerra CivilVingadores: Ultimato e Vingadores: Guerra Infinita, cuja batalha final se passa em Wakanda.

Disponível: Google Play, Apple TV, Microsoft Store

Destacamento Blood (2020) 

O filme lançado diretamente em streaming foi um dos últimos trabalhos de Boseman e estreou em meio aos protestos do Black Lives Matter, decorrentes do brutal assassinato de George Floyd, na cidade norte-americana de Minneapolis. Dirigido e escrito por Spike Lee, o longa conta a história de quatro veteranos de guerra que retornam ao Vietnam à procura dos restos mortais de seu comandante Stormin’ Norman (interpretado por Boseman) e de um tesouro enterrado. Segundo Lee, ninguém no set sabia do diagnóstico do ator, que aqui, ironicamente, interpreta um falecido. 

Disponível: Netflix

>> Leia aqui a resenha de Destacamento Blood publicada pelo Mondo Bacana

42: A História de uma Lenda (2013)

No longa escrito e dirigido por Brian Helgeland, Boseman interpreta o ídolo do beisebol que disputa a liga nacional dos negros até ser recrutado por Branch Rickey (Harrison Ford), executivo de um time que disputa a Major League. A história trata do racismo no esporte, dentro e fora de campo.

Disponível: Google Play, Apple TV, Microsoft Store, Looke

No Limite: A História de Ernie Davis (2008)

Mais um papel de esportista na filmografia de Boseman. Este filme conta a história de superação do jogador de futebol americano Ernie Davis (Rob Brown), o primeiro afro-americano a ganhar o troféu Heisman. Boseman participa do elenco como um dos jogadores. 

Disponível: Google Play e Apple TV.

King: Uma História de Vingança (2016)

Neste longa dirigido pelo belga Fabrice Du Welz, Boseman é Jacob King, um misterioso homem que deixa seu país natal, a África do Sul, e SUl parte para Los Angeles com o objetivo de vingar a morte da irmã. 

Disponível: Netflix

Deuses do Egito (2016)

Boseman contracena aqui com Gerard Butler, que interpreta Set, deus egípcio da violência. Para impedir que Set assuma o trono e ordene o caos, o soldado Bek (Brenton Thwaites) se une ao deus Horus (Nikolaj Coster-Waldau) num combate épico. 

Disponível: Amazon Prime, Telecine Play, Google Play, Apple TV, Microsoft Store, Looke.

Marshall: Igualdade e Justiça (2017)

O drama conta a história real do advogado e ativista dos direitos civis que se tornou o primeiro juiz afrodescendente a integrar a Corte Suprema Americana. A história se passa pouco antes da Segunda Guerra, quando Thurgood Marshall defende um motorista negro acusado de atacar uma mulher branca, crime que ele nega ter cometido. 

Disponível: Telecine Play, Google Play, Apple TV e Microsoft Store.

Get On Up: a História de James Brown (2014)

Boseman interpretou com maestria a cinebiografia da lenda do funk e também o godfather do soul James Brown. Dirigido por Tate Taylor, o filme conta a trajetória da infância até o estrelato, de uma das figuras mais simbólicas da música do século 20, através de alguns flashbacks e um momento histórico crucial dos anos 1960.

Disponível: Telecine Play, Google Play, Apple TV, Looke

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Um Espião Animal

Paródia de clássicos filmes de espionagem, animação vai além do público infantil e cativa também os adultos

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Texto por Ana Clara Braga

Foto: Fox/Divulgação

Todos os anos chegam aos cinemas filmes sobre espiões, mas com tantas novas produções, nem sempre é fácil inovar nas tramas. A mais nova produção da Blue Sky consegue trazer frescor ao gênero e ainda por cima no formato de desenho animado.

Um Espião Animal (Spies In Disguise, EUA, 2019 – Fox) narra a história do melhor espião do mundo, Lance Sterling (dublado na versão original por Will Smith e na brasileira por Lázaro Ramos), que precisa unir-se ao ingênuo cientista Walter Beckett (Tom Holland, em inglês) ao ser acusado de um crime que não cometeu. Querendo desaparecer para iniciar sua própria investigação, Sterling acaba, acidentalmente, transformando-se em um pombo e assim a jornada dos dois opostos se desenrola.

A animação é uma ótima paródia de longas de espionagem. Com enredo interessante, traz mensagens importantes para o público infantil como o trabalho em equipe, autoconfiança e como a violência não precisa ser a resposta. Os dois personagens principais são carismáticos e bem construídos, fazendo com que a história flua de maneira natural e divertida.

Como qualquer filme de espião, as cenas de luta estão presentes, seja com apetrechos hipertecnológicos, pombos ajudantes ou até mesmo glitter, elas não deixam a desejar. Um Espião Animal torna-se atrativo não só para crianças, mas para toda a família. O humor não se baseia em piadas clichês de histórias infantis e é capaz de divertir outras faixas etárias.

O roteiro é criteriosamente pensado: nada é citado ou aparece na tela sem motivo. Todo esse cuidado só não foi dedicado à introdução do vilão. O antagonista é extremamente promissor, mas suas razões e explicações ganham pouco tempo na história. Uma pena, já que é um personagem que destoa muito do típico vilão de filmes de criança e seria interessante entender mais sobre sua trajetória anterior.

Mesmo assim Um Espião Animal surpreende e presenteia o público com um enredo divertido e cheio de ação. Consegue quebrar barreiras do subgênero de espionagem ao entrar na animação e sair do foco infantil e cativar também o público adulto.

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O Rei Leão

Clássico desenho da Disney ganha nova versão de deslumbrante animação realista com cenários e animais construídos digitalmente

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Texto por Flavio St. Jayme (Pausa Dramática)

Foto: Disney/Buena Vista/Divulgação

Faz 25 anos que a Disney levou para as telas a sua versão da história de Hamlet, o príncipe atormentado pela morte do pai, exilado pelo tio e que, com a ajuda de dois fieis escudeiros e uma bela dama, tenta retomar seu rumo. Guardadas as devidas proporções, não dá pra negar as inspirações shakespeareanas de O Rei Leão, uma das melhores produções da história da animação.

Agora, com a nova tática do estúdio de transformar seus clássicos em versões em animação mais realistas, o que parecia impossível aconteceu: Simba, Nala, Timão e Pumba chegam às telas em versões “de carne e osso” digitais pra encantar uma nova geração de fãs em O Rei Leão (The Lion King, EUA, 2019 – Disney/Buena Vista). A história a gente já conhece: o leãozinho Simba é acusado da morte do pai, o rei Mufasa, e foge para um exílio autoimposto até voltar para retomar seu trono. Os personagens a gente também já conhece. Além dos já citados, reencontramos Scar, Rafiki, Sarabi, Shenzi e Zazu em um novo visual.

E chegamos no ponto principal desta nova versão de O Rei Leão: o visual. É absolutamente deslumbrante tudo o que vemos em cena. Se pensarmos que aqueles animais são todos digitais, o longa chega a ser inacreditável. Leões, hienas, antílopes, girafas, suricatos desfilam na tela em cenas incríveis de encher os olhos.

Se uma das reclamações dos trailers era a de que os animais eram menos “expressivos” que os da animação (afinal de contas, leões não sorriem enquanto cantam, né?), eles ainda conseguem ser mais expressivos que Kristen Stewart ou Keanu Reeves.

Nada, absolutamente nada no filme é ruim. Se em Mogli – O Menino Lobo o diretor Jon Favreau já tinha demonstrado o que poderia fazer com estes animais digitais, em O Rei Leão ele coroa o uso de sua tecnologia de forma espetacular.

Algumas mudanças, sim, são sentidas com relação à animação em 2D de 1994. A falta de uma ou outra cena (como Rafiki dando uma lição dolorida em Simba) ou modificações em outras (ah, meus amigos, a cena da hula ganhou um upgrade de aplaudir de pé), mas nada que afete a estrutura principal. Com um tom mais sério, o novo longa encanta crianças e os adultos saudosos do original. Chega para ser um novo clássico.